Pretendia mostrar "o país por inteiro". Agora, está à beira de fechar portas.
O canal português Conta Lá está a ser alvo de um pedido de insolvência por parte de um grupo de 50 colaboradores. Em causa, está o facto de não receberem salários há mais vários meses.
Foi nas redes sociais que o antigo jornalista do canal Luís Varela de Almeida anunciou o fim do projeto, frisando que este desfecho só aconteceu porque o projeto "não soube ser bem gerido": "Muitos aguentaram o barco com 5 meses de ordenados em atraso", acrescenta o profissional.
O objetivo da ação é que os trabalhadores possam recorrer ao fundo de garantia salarial.
Uma sucessão de recuos
Os problemas no Conta Lá já não são de agora.
O canal, presente na MEO, NOS, Vodafone, tem já um longo historial de trabalhadores que saíram da equipa, com o jornalista português Paulo Salvador a "bater com a porta" de forma pública em maio passado. Ao jornal Correio da Manhã, o antigo colaborador do canal frisou que "não podia estar a trabalhar mais meses sem receber", mas que não se sentiu "enganado" pelo projeto: "Não me desiludiu o projeto em si, mas sim o desfecho financeiro do mesmo". Nas mesmas declarações, Salvador acrescentou que o canal, com uma equipa de cem pessoas, tinha "uma estrutura demasiado pesada".
Em julho, o canal anunciou a saída do diretor executivo e fundador do canal Sérgio Figueiredo, enquanto enviava os trabalhadores para lay-off. Contudo a revista Meios & Publicidade avança que nenhum colaborador foi abrangido por este regime. A 12 de agosto, a assembleia-geral do canal elegeu uma Comissão de Gestão que, passados mais de dois meses, nunca tomou posse.
Ao todo, o canal precisa de uma injeção de cinco milhões de euros, mas que ainda não se concretizou.
Surgido em 2025 e com presença no cabo desde o início de 2026, o Conta Lá afirma-se como um canal de proximidade. Rita Ferro Rodrigues, Júlio Magalhães, Ana Sofia Vinhas, Margarida Pinto Correia, Rui Maria Pêgo ou Marcos Pinto são algumas das caras do canal.

Sem comentários:
Enviar um comentário