João Berberan/DivulgaçãoTema antecede edição do segundo EP "Farsa".
Os lisboetas Manteau lançaram esta sexta-feira o novo single que dá uma visão do novo EP que será apresentado em maio.
Segundo a promotora "Leitura Tropical", "Funny Hand" antecede o lançamento do segundo EP da banda, "Farsa", depois do trabalho "Timequake", editado em 2022: "Neste novo trabalho, permanece a calorosa nostalgia que cimentou os Manteau como um talento promissor em Portugal", acrescenta. Por seu turno, o vocalista da banda José Salgado, diz que a música foi composta "em 5 minutos, numa noite inspirada em que convidámos o nosso amigo João Fragoso para nos ‘orquestrar’ e desbloquear processos criativos. Acabou por agir como catalisador da energia que queríamos transmitir", lembra.
Os Manteau surgiram em 2020. António Jordão (guitarra, vozes), João Carriço (bateria), João Girbal (baixo) e José Salgado (teclas, vozes) são os membros da banda.
"Funny Hand" já está disponível nas plataformas digitais.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva nas regiões do Norte e Centro no sábado, com melhoria do estado do tempo para domingo.
As previsões para sábado são "céu geralmente muito nublado, tornando-se gradualmente pouco nublado, de norte para sul, a partir do final da tarde", além de "períodos de chuva, em geral fraca, até final da tarde, mais frequente no litoral". Já a sul do país, haverá a "possibilidade de ocorrência de precipitação fraca no litoral a norte de Sines e no Alto Alentejo até meio da manhã".
No domingo, as previsões são de "céu pouco nublado ou limpo" e de "vento fraco a moderado" na "faixa costeira a sil do Cabo Carvoeiro" e vento "moderado a forte" nas terras altas. Haverá também a possibilidade de formação de geada nas regiões do interior Norte e Centro, além de "acentuado arrefecimento noturno".
RawpixelComo é que sete diferentes gerações se movimentam? Como é que elas se exprimem? Como é que elas se vestem?
Em duas palavras: conexão e comunicação.
Conectar e comunicar entre diferentes gerações é uma tarefa difícil, muito difícil. Porquê? Porque cada geração nasceu e desenvolveu-se num período histórico, social, económico e cultural distinto. Se entre países vemos diferenças, entre gerações elas também existem e, por vezes, não as queremos ver.
Paremos na rua para observar. Hoje temos no mundo Ocidental pelo menos sete gerações:
A Geração Grandiosa ou Grande Geração que nasceu entre 1901 e 1924, que lutou na Segunda Guerra Mundial e que se desenvolveu durante a Grande Depressão.
A Geração Silenciosa ou Geração dos Pouco Afortunados que nasceu entre 1925 e 1945 e que lutou na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia.
A Geração Baby Boomers que nasceu entre 1946 a 1964 após a Segunda Guerra Mundial, numa altura em que se deu um aumento na taxa de natalidade.
A Geração X que nasceu entre 1965 e 1979 e que se desenvolveu num tempo hippie com ideais, que se desenvolveu num tempo incerto, hostil, de Guerra Fria, mas também num tempo em que viu nascer o computador pessoal, a internet, o telemóvel, a impressora e o e-mail.
A Geração Y que nasceu entre 1980 e 1990 e que se desenvolveu num tempo de grandes avanços tecnológicos e prosperidade económica: televisão por cabo, videojogos, um tempo de facilidades oferecidas pelos respectivos pais, uma era digital de fácil acesso à internet, tornando-se numa a geração com preocupações ambientais e de causas sociais.
A Geração Z ou Nativos Digitais que nasceu entre 1991 e 2010 e que se desenvolveu num tempo de uma enorme expansão da internet e dos aparelhos tecnológicos, num tempo de uma conexão online ininterrupta, dos fones nos ouvidos e de um mundo global, num tempo de trabalhar a partir de casa ou num co-work, num tempo de ter um blogue ou um canal youtube, tornando-se numa geração que fala pouco e ouve ainda menos.
Como é que estas sete diferentes gerações se movimentam? Como é que elas se exprimem? Como é que elas se vestem?
Repararam nalguma diferença entre elas? Repararam nalguma particularidade de cada uma das sete?
Talvez já vos tenha acontecido que, para a mesma situação, uma pessoa da Geração Silenciosa vos disse “escreve-me”, outra da Geração Baby Boomers vos disse “telefona-me”, outra da Geração X vos disse “envia-me um email”, outra da Geração Y vos disse “envia-me um sms” e outra da geração Z vos disse “envia-me um whatsapp”.
Muitos falam de guetos geracionais. Outros de conflito entre gerações. Voltemos aos conceitos de conexão e comunicação.
Há pelo menos quatro coisas que se pode fazer para manter uma boa conexão e manter as linhas de comunicação abertas entre estas sete gerações:
estar disponível, conversar e preocupar-se com as outras gerações;
conviver semanalmente numa actividade individualizada com as outras gerações, e conhecer e reconhecer os respectivos interesses e hobbies;
partilhar pensamentos e reflexões com as outras gerações, escutar activamente as suas preocupações e pontos de vista exprimindo o interesse pelo que dizem sem se mostrar intrusivo, impaciente, irritado ou defensivo;
repetir o que ouviu para garantir que se compreendeu correctamente, respondendo de forma que ouçam, e suavizar reacções fortes, expressando a sua opinião, mas reconhecendo que está certo discordar, resistindo a argumentar sobre quem está certo e concentrando-se nos sentimentos das outras gerações durante a conversa.
Estaremos a falar de um novo QI? O Quociente da Inteligência Intergeracional?
Instituto Politécnico do Cávado e do AveIniciativa envolveu estudantes da instituição numa emissão de mais de duas horas.
O Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) assinalou o Dia Mundial do Estudante com uma emissão experimental da IPCA TV.
Numa nota enviada às redações, o IPCA refere que a emissão, que decorreu na manhã do dia 23, contou com "estudantes da licenciatura em Design Audiovisual e dos TeSP de Audiovisual Digital, Design para Media Digitais e Social Media e Aplicações Móveis" numa "experiência de inovação pedagógica sem precedentes e com grande adesão por parte da comunidade académica".
Ao longo de mais de duas horas de emissão, os estudantes "foram repórteres e também operadores de câmara", realizando entrevistas, reportagens e diretos de vários pontos do campus para uma transmissão online através da página da instituição na rede social Facebook.
AAIPCA apresentou o cartaz da "Queima do Galo"
O programa de celebrações do dia nacional do Estudante na instituição barcelense também contou com a apresentação do cartaz da "Queima do Galo".
A festa estudantil organizada pela Associação Académica do IPCA (AAIPCA) decorre na Zona Ribeirinha, em Barcelos, de 19 a 22 de Abril e tem como cabeças de cartaz Saúl e Rosinha (19 de abril), Kalhambeke (20 de abril), Kappa Jota e X-Tense (21 de abril) e Quimbarreiros e T-Rex (22 de abril). O cortejo académico vai percorrer a cidade no dia 22 de abril. Os bilhetes ficam disponíveis a partir de segunda-feira, 27 de março.
Na cerimónia de apresentação, Mariana Lima, presidente da AAIPCA, frisou que o cartaz da edição 2023 da "Queima" tentou "dar respostas aos pedidos do público barcelense. Procuramos inovar com a vinda de novos artistas, e teremos um dos pontos altos com a vinda de T-Rex, artista que pela primeira vez vai atuar em Barcelos".
O IPCA é uma instituição barcelense de ensino superior, fundado em 1994. Com sede em Barcelos, conta com polos em Braga, Esposende, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde.
Hossein Zohrevand/Tasnim News Agency (CC BY 4.0)Episódio aconteceu na conferência de imprensa que antecedeu o jogo da seleção portuguesa frente ao Listenstaine.
A Associação de Jornalista de Desporto (CNID) condenou a posição assumida por Cristiano Ronaldo de não responder às perguntas do jornalista da CMTV e do jornal desportivo Record destacado para fazer a cobertura da conferência de imprensa de antecipação do encontro da seleção portuguesa frente à equipa do Listenstaine.
Num comunicado emitido esta sexta-feira, a associação considera que a "atitude" foi "incorreta e sem sentido", frisando que "não é a primeira vez que isto acontece": "Uma conferência de Imprensa é, por definição, aberta a todos os Jornalistas e em que todos podem ter oportunidade de fazer ao menos uma pergunta", acrescenta.
Segundo o comunicado, terá sido a própria Federação Portuguesa de Futebol a informar o jornalista de que o jogador português não iria responder a questões dos dois meios de comunicação social do grupo Cofina.
Há muito tempo que a relação entre o jogador e o Correio da Manhã não é cordial, sendo que culminou com o momento em que, durante o estádio da seleção portuguesa em França no Europeu de 2016 e quando abordado por um jornalista do canal, o jogador arrancou o microfone e lançou-o para um lago.
A tradição ainda é o que era! Os "Bois da Páscoa" está de regresso a Arcos de Valdevez. O evento popular, organizado pelo município e várias associações locais, prolonga-se ao longo de todo o fim de semana.
Numa nota enviada às redações, a autarquia sublinha que irão desfilar "36 bovinos, os melhores exemplares da raça, propriedade dos talhos aderentes, que apresentam os corpulentos e bem enfeitados animais, cangadas à moda antiga, num desfile que contará ainda com a participação de figurantes, vestidos à época, com os trajes regionais". Diz a tradição que os animais, comprados pelos talhos do concelho, vão desfilar na "avenida principal da vila", para depois serem "abatidos antes da Páscoa para que a sua carne seja consumida durante os festejos da época Pascal". É um momento em que se assinala "o fim do jejum da Quaresma".
O programa conta com a exposição de animais e de carros de bois da Páscoa no sábado, 25, no Parque da Ponte Nova, além da atuação do grupo Sons do Minho, a partir das 21h30. No domingo, 26, o desfile arranca às 15h e vai percorrer as "principais artérias da vila". Está também prevista a presença de grupos folclóricos ao longo dos dois dias de event.
Jana Shnipelson/Unsplash"Ihar já suportou mil dias longe da sua filha pequena", diz o CEO do órgão e comunicação social.
Este artigo é uma tradução para português de Portugal dum artigo em inglês da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
O jornalista da RFE/RL Ihar Losik pode estar ainda em confinamento solitário, disseram fontes ao serviço da RFE/RL em bielorrusso, depois de uma denúncia duma ONG de que ele tinha sido levado para o hospital devido a se ter cortado com um instrumento afiado para protestar contra as ordens que lhe foram dadas pelos guardas prisionais.
Este segunda, o centro de direitos humanos Vyasna (em português, "Primavera"), sedeado em Minsk, Bielorrússia, referiu fontes que indicaram que Losik tinha sido levado para uma instalação médica prisional, depois de ter sido encontrado com "cortes nas mãos e no pescoço", enquanto estava em greve de fome em confinamento solitário punitiva.
Os funcionários da cadeia não comentaram o tema e a família e o advogado de Losik disseram que estão a tentar obter informações sobre o seu estado, uma vez que não conseguem falar com ele há semanas.
O presidente e CEO da RFE/RL Jamie Fly reiterou o seu apelo à libertação de Losik.
"Estou profundamente angustiado com os relatos do estado de saúde do Ihar e do tratamento brutal na detenção. Estou de coração partido pelos pais, que nem sequer podem visitar o seu filho", disse Fly numa declaração. "Ihar já suportou mil dias longe da sua filha pequena e deve ser libertado imediatamente".
Fontes próximas dos serviços prisionais disseram à RFE/RLesta terça-feira que Losik cortou a sua mão e pescoço para protestar contra uma ordem de limpeza da sua ala. De acordo com as fontes, o incidente aconteceu a 15 de março e, como as feridas não eram graves, Losik pode ainda estar na solitária do campo de correção nº 1, na cidade de Navapolatsk, no nordeste do país.
O jornalista da RFE/RL Aleh Hruzdzilovich, que cumpriu pena nas instalações prisionais bielorussas, disse à RFE/RL que, em geral, os reclusos limpam as suas celas e as alas onde eles próprios vivem.
Mas, em situações em que os guardas ordenam a limpeza das instalações, especialmente dos sanitários, os reclusos optam, por vezes, por desobedecer a tais ordens ou, até, infligir danos corporais a si próprios para protestar contra a realização da tarefa.
"Seguir tal ordem coloca automaticamente um recluso entre os presos que têm o chamado 'estatuto inferior'", acrescenta Hruzdzilovich.
Losik foi condenado a 15 anos de prisão em dezembro de 2021 por várias acusações, incluindo "organização de motins em massa, incitamento ao ódio social", entre outras acusações que permanecem pouco claras.
Ele continua a clamar inocência e diz que todas as acusações contra elte têm de motivação política.
Em janeiro, a esposa de Losik, Darya Losik, foi condenada a dois anos de prisão, tendo sido acusada de facilitar a atividade extremista. A acusação foi o resultado da sua entrevista ao canal de televisão polaco Belsat, que foi oficialmente classificado por Minsk como sendo um grupo extremista.
A 21 de março, o Supremo Tribunal da Bielorrússia rejeitou o recurso contra a sentença.
A filha de 4 anos do casal, Paulina, encontra-se atualmente à guarda dos pais de Darya Losik.
Os Estados Unidos apelaram à libertação imediata e incondicional de Ihar e Darya Losik.
DivulgaçãoEspetáculo foi gravado na Altice Arena, em Lisboa.
A estreia de Diogo Piçarra na Altice Arena, em Lisboa, pode agora ser vista vezes sem conta. Depois de ter sido emitido na RTP1 em dezembro de 2022, o espetáculo está agora disponível na íntegra no YouTube.
O concerto contou com António José, Bispo e Carolina Deslandes como convidado, que interpretaram com Piçarra as músicas "Adonde Vás", "Anjos" e "Monarquia", respetivamente: "Ao longo de mais de 1 hora e 45 minutos é possível ver e ouvir “South Side Boy”, “Coração”, “Já Não Falamos”, “Trevo”, “História” e “Dialeto”, entre muitas outras canções que fazem parte dum percurso verdadeiramente singular na pop nacional", acrescenta a editora Universal Music Portugal.
O cantor já está a preparar um novo espetáculo "com um desenho cénico absolutamente inovador e surpreendente" já a partir de junho, acrescenta a editora.
AmparoGVProjeto proposto tem semelhanças com lei Russa de "agente estrangeiro"
O parlamento georgiano deve debater uma proposta de lei “sobre a transparência da influência estrangeira”, semelhante à lei do “agente estrangeiro” da Rússia de 2012, que tem sido usada para esmagar a dissidência e a oposição. Na Rússia, de acordo com a OVD Info, um projeto russo independente de comunicação social sobre direitos humanos, 637 pessoas foram classificadas como “agentes”, o que pode restringir as oportunidades de financiamento nacional e internacional, tornando mais fácil para o Estado punir os críticos, concedendo plenos poderes ao Estado para perseguir qualquer pessoa envolvida em atividades amplamente definidas que “contradizem os interesses nacionais da Federação Russa”, por exemplo.
O projeto de lei foi apresentado por um grupo de parlamentares, formalmente integrantes do partido "Georgian Dream", que abandonaram o partido no ano passado e formaram um partido próprio chamado "People's Power" em agosto de 2022. Foi então que o mesmo grupo propôs o projeto de lei que, se aprovado, vai “obrigar as organizações não governamentais que recebem financiamento estrangeiro a se registarem como agentes de influência estrangeira”, noticiou a Eurasianet.
A premissa do People's Power desde o seu início era uma teoria da conspiração: a Geórgia estava a ser arrastada para a guerra na Ucrânia como parte dum plano orquestrado com a ajuda da União Europeia (UE), da oposição do Movimento Nacional Unido e da sociedade civil georgiana. A teoria da conspiração foi expressa na época em que o Georgian Dream enfrentava “o maior desafio do seu governo em dez anos” por não conseguir “garantir a candidatura à UE”, relatou o OC Media. A Geórgia formalizou a candidatura para fazer parte da UE em março de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, um dia depois da Ucrânia ter feito o seu pedido formal. Na época, a ação foi descrita como uma reviravolta para o partido governante Georgian Dream, que já havia insistido que não aceleraria o seu cronograma inicial de candidatura à adesão em 2024. Os especialistas argumentaram que essa mudança foi impulsionada principalmente pela série de protestos que ocorreram no país, bem como a pressão da oposição.
A Geórgia está envolvida numa crise política desde outubro de 2020, quando grupos de oposição contestaram os resultados das eleições parlamentares em que o partido governante Georgian Dream foi o vencedor. Como tal, uma vez pioneira na integração da UE, as divisões políticas internas do país diminuíram as perspetivas.
"Para onde quer que tu olhes, a imagem é péssima: má condução das eleições, politização do [sistema] judicial, a forma como as autoridades não conseguiram evitar a violência contra jornalistas e organizadores do Orgulho Gay em Tbilisi, as revelações sobre a vigilância de diplomatas da UE,” escreveu Tom de Waal, membro sénior do Carnegie Europe e observador de longa data da Europa Oriental e do Cáucaso.
Mas a situação piorou ainda mais em julho de 2022, quando o Georgian Dream Party se envolveu numa “disputa sem precedentes” entre a Geórgia e os seus aliados ocidentais e começou a levantar acusações contra diplomatas dos EUA e da UE no país. Desde alegações de interferência no sistema judicial da Geórgia até acusações de que os parceiros haviam desempenhado um papel negativo nos planos de adesão do país à União Europeia, as brigas provocaram indignação e acusações tanto em Bruxelas quanto em Washington.
Dimitri Khundadze, ex-membro do partido governante, sugeriu que os EUA estavam envolvidos nas transações financeiras estrangeiras obscuras do ex-primeiro-ministro Bidzina Ivanishvili, fundador do partido Georgian Dream, com a intenção de “forçar Ivanishvili a voltar à política ” e “envolver o país na guerra [na Ucrânia]”, relatou o OC Media na época.
Ivanishvili é uma figura-chave na política georgiana. Ele fez fortuna na era pré-Putin na Rússia e fundou o Georgian Dream Party em 2012. Embora Ivanishvili tenha anunciado publicamente a sua decisão de deixar a política em 2021, alguns acreditam que ele ainda manda nos bastidores.
Após a decisão precipitada da Geórgia de apresentar a sua candidatura de adesão à UE, o pedido foi adiado sob o pretexto de que o país deve cumprir uma lista de critérios antes de ser considerado candidato. No mesmo mês, o Parlamento Europeu adotou uma decisão “sobre violações da liberdade de imprensa e segurança de jornalistas na Geórgia”. O documento pedia que as autoridades georgianas impusessem sanções pessoais a Ivanishvili “pelo seu papel na deterioração do processo político na Geórgia”. As acusações por parte das autoridades da Geórgia foram rápidas.
O primeiro-ministro da Geórgia, Irakli Garibashvili, numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou a decisão e escreveu que a mesma visava “desacreditar o atual sistema de governo na Geórgia”.
O novo projeto de lei submetido ao parlamento mostra que a Geórgia não está apenas a emular o Kremlin nas suas táticas de desinformação, mas também na legislação, já que as semelhanças entre o projeto de lei proposto pela Geórgia e a lei russa para agentes estrangeiros são impressionantes. O projeto de lei exige que todos os meios de comunicação da Geórgia que recebem mais de 20% de financiamento estrangeiro se registem como “agentes estrangeiros” e informem o seu lucro anual. De acordo com a OC Media, “a lei provavelmente também se aplicaria à maioria das organizações não governamentais ativas na Geórgia”. O projeto de lei russo, que passou por várias iterações desde 2012, também obriga as plataformas de notícias que recebem financiamento estrangeiro a divulgar os seus orçamentos anuais. Na redação mais recente, “a lei expande a definição de agente estrangeiro a um ponto em que quase qualquer pessoa ou entidade, independentemente de sua nacionalidade ou localização, que tenha envolvimento em ativismo cívico ou mesmo expresse opiniões sobre políticas russas ou conduta de funcionários públicos pode ser designada como agente estrangeiro, desde que as autoridades afirmem que estão sob “influência estrangeira”. Também exclui “agentes estrangeiros” de aspetos-chave da vida cívica”, escreveu a Human Rights Watch após as mudanças mais recentes na lei que entrou em vigor em dezembro de 2022.
Assim como a lei na Rússia, que prevê multas pesadas para quem não se registar como “agente estrangeiro”, o projeto submetido ao parlamento da Geórgia também prevê multas pesadas.
O partido governante na Geórgia, no entanto, não vê nenhuma semelhança. De acordo com Irakli Kobakhidze, chefe do partido Georgian Dream, o projeto de lei está “em total conformidade” com os padrões de direitos humanos, “ao contrário de seus análogos americanos ["US Foreign Agents Registration Act", em português "Lei de Registo de Agentes Estrangeiros dos EUA" (FARA)] e russos”. O Departamento de Estado dos EUA discordou. Num briefing em 15 de fevereiro, o porta-voz Ned Price considerou que “essas declarações de que o projeto de lei da Geórgia é baseado no FARA são evidentemente falsas".
O projeto de lei proposto surge apenas alguns meses depois da recomendação da UE de que a Geórgia acelerasse as suas reformas, de acordo com a lista de critérios propostos pela UE. De acordo com reportagem da RFERL, “o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, disse [em setembro] que a Geórgia precisava acelerar as reformas em áreas como o Estado de Direito, a independência do sistema judicial e a liberdade de imprensa, antes que pudesse receber o status de candidata à adesão à União Europeia".
Ao longo do ano passado, o Georgian Dream atraiu críticas públicas pela sua postura morna sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. O governo no poder enfrentou críticas públicas após a invasão por não divulgar nenhuma declaração ou crítica com palavras fortes. O país também optou por não sancionar a Rússia, enquanto o primeiro-ministro georgiano, Irakli Gharibashvili, chegou a criticar o fornecimento de armas à Ucrânia. Desde a invasão russa na Ucrânia, a Geórgia “emergiu como um canal logístico conveniente entre a Rússia e o mundo exterior”. O vínculo foi fortalecido em janeiro de 2023, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, expressou a esperança de que os voos entre os dois países fossem retomados em breve, um desejo que foi rapidamente ecoado pelo partido Georgia Dream.
Este artigo, escrito por Arzu Geybullayevae traduzido por Andrey Machado Barboza, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.
Global Voices com OpenAIExploramos como o OpenAI gerou uma mulher em diferentes idiomas
Os dois novos e populares lançamentos tecnológicos do projeto OpenAI, o ChatGPT e o DALL-E2, chamaram a atenção da comunicação social e de utilizadores das redes sociais. As discussões sobre o que pode ser feito com essas tecnologias, que empregos podem ser substituídos, como lidar com questões de direitos de autor e como essas tecnologias podem amplificar os preconceitos existentes são frequentes nas esferas dos direitos digitais, tecnologia e do jornalismo.
A Global Voices experimentou o DALL-E2, um gerador de imagens por IA (inteligência artificial), para ver como ele gerava imagens a partir de diferentes línguas. Escrevemos a mesma frase em nove línguas: “Pintura a óleo duma sombra duma mulher em luto na janela”.
Aqui estão os resultados que recebemos:
Inglês: Oil painting of a shadow of a grieving woman at the window
Global Voices com OpenAI
Espanhol: Pintura al óleo de la sombra de una mujer en duelo ante la ventana
Global Voices com OpenAI
Checo: Olejomalba stínu truchlící ženy u okna
Global Voices com OpenAI
Russo: Картина маслом силуэт скорбящей женщины у окна
Global Voices com OpenAI
Indonésio: Lukisan cat minyak bayangan seorang janda perempuan yang sedang berduka di samping jendela
Global Voices com OpenAI
Chinês simplificado: 窗边悲痛女人的影子油画
Cazaque: Терезедегі қайғылы әйелдің көлеңкесінің майлы бояу суретi
Usbeque: Deraza oldida qayg'u chekayotgan ayol soyasining moyli rasmi
Malaialim:ജനാലയ്ക്കരികിൽ ദുഃഖിക്കുന്ന ഒരു സ്ത്രീയുടെ നിഴലിന്റെ ഓയിൽ പെയിന്റിംഗ്
Obviamente, algumas dessas fotos são bastante diferentes do comando original. Isso pode ser devido a quantidade de dados insuficiente nos idiomas originais. Como os inventores do DALL-E explicaram numa entrevista à Tech Crunch, o modelo sobre o qual o sistema trabalha é chamado de CLIP ("Contrastive Language-Image Pre-training" [em português, Pré-treino de contraste idioma-imagem]). O CLIP foi treinado em 400 milhões de pares de imagens com legendas de texto recolhidas da internet. Como o OpenAI diz no seu website:
O GPT-3 mostrou que a linguagem escrita pode ser usada para instruir uma rede neural ampla para executar uma variedade de tarefas de geração de texto. O GPT de imagens mostrou que o mesmo tipo de rede neural pode ser também utilizada para gerar imagens com alta-fidelidade. Nós desenvolvemos essas descobertas para mostrar que manipular conceitos visuais através da linguagem escrita está agora ao nosso alcance.
OpenAI
“Nós vivemos num mundo visual”, disse Ilya Sutskever, cientista chefe do OpenAI, numa entrevista ao MIT Technological Review.
No futuro, teremos modelos que entenderão tanto o texto como as imagens. A IA será capaz de entender melhor a língua porque poderá ver o que as palavras e frases significam.
Ilya Sutskever, cientista chefe no OpenAI
Uma vez que diferentes idiomas produziram resultados tão diferentes, parece que o foco dessa recolha de dados da internet, a partir da qual o modelo trabalha, usou línguas mais amplamente faladas, como inglês ou o espanhol, mas não idiomas menos óbvios.
Então, muitas imagens da internet com uma descrição em uzbeque ou malaialim não estavam presentes nos dados originais com que a IA foi treinada. Se o modelo tem a intenção de trabalhar com mais línguas, precisa de se focar em treinar mais em imagens com descrições que não sejam em inglês. Senão, os utilizadores do Cazaquistão vão continuar a receber imagens de comida em vez de uma mulher e os que falam malaialim vão receber imagens de natureza. A imagem baseada em russo é claramente sexualizada, de alguma forma. A imagem indonésia retrata várias meninas sentadas e a checa leva o prémio de originalidade com uma jarra de óleo roubando a cena. As imagens baseadas em chinês simplificado são assustadoras.
Com base nisso, claro que não podemos afirmar que o OpenAI é racista. O que podemos ver aqui é que ainda não recebeu dados suficientes noutros idiomas além do inglês. Agora, se vai ficar assim, não sabemos, mas recomendamos fortemente que não fique.
Este artigo, escrito por Daria Dergacheva e traduzido por Isabela Rorezan, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.
Direitos reservadosOs resultados "podem ter implicações para a compreensão de como processamos e recordamos a informação linguística em diferentes contextos".
Um novo estudo sugere que os nossos cérebros processam informação inconsistente com o conhecimento prévio do mundo de forma diferente. O estudo, conduzido por uma equipa de investigadoras do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) e da Universidade de Maastrich (Países Baixos), descobriu que frases que descrevem alimentos com características inanimadas eram mais facilmente recordadas do que as que descrevem alimentos com características animadas, tanto num contexto do mundo real como num contexto ficcional.
O estudo, realizado no Laboratório de Psicologia Social e das Organizações do Iscte, utilizou eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade cerebral dos participantes enquanto liam frases sobre alimentos, ou num cenário do mundo real ou num cenário fictício. No cenário fictício, os alimentos possuíam características animadas, tais como ser mal-humorado ou capaz de falar. "O nosso cérebro processa a linguagem muito rapidamente", explica a autora principal Sara Soares, doutoranda no Iscte, acrescentando que "as dificuldades levantadas por informações incongruentes são normalmente observadas através de EEG aproximadamente 400 ms após a palavra crítica da frase ser apresentada". As investigadoras descobriram que quando os participantes liam frases sobre alimentos com características animadas no contexto do mundo real, os seus cérebros mostravam uma maior amplitude da componente N400, indicando que o processamento da frase era mais difícil. No entanto, no contexto ficcional, não houve diferença significativa na atividade cerebral entre frases sobre alimentos com características animadas e inanimadas.
De forma geral, os resultados sugerem que uma descrição mínima sobre um contexto ficcional é suficiente para o nosso cérebro se adaptar a informação inconsistente com o conhecimento prévio acerca do mundo. “A maioria dos estudos anteriores indicava que a informação inconsistente é mais fácil de processar após uma longa explicação contextual, como se as dificuldades desaparecessem. No nosso estudo, oito frases sobre uma realidade alternativa em que os alimentos tinham características humanas foram suficientes para mudar a capacidade das pessoas no processamento deste tipo de informação", explica Sofia Frade (CIS-Iscte). Além disso, as pessoas lembraram-se melhor das frases que descreviam os alimentos sem características semelhantes às humanas. Segundo a investigadora Rita Jerónimo do CIS-Iscte, “descrever alimentos em termos de características inanimadas alinha-se com o nosso conhecimento prévio do mundo, o que parece facilitar a recuperação dessa informação".
De acordo com a investigadora Sonja Kotz “este estudo contribui para perceber como o nosso cérebro processa informação inconsistente com o conhecimento prévio do mundo, e como o contexto pode influenciar esse processo.” A investigadora Sara Soares acrescentou que “estes resultados podem ter implicações para a compreensão de como processamos e recordamos a informação linguística em diferentes contextos, tais como em materiais educativos ou na publicidade". As autoras salientam ainda como este estudo pode informar modelos teóricos sobre a linguagem, mas alertam para a necessidade de mais investigação que considere características individuais, tais como propensão para a fantasia, ou capacidade de flexibilidade cognitiva, por exemplo.
DivulgaçãoEra o único canal da AMC Networks que não estava disponível na operadora.
O canal da investigação de crimes já está disponível em todas as principais operadoras portuguesas. Desde esta quarta-feira que já é possível ver o AMC Crime na grelha da Vodafone Portugal.
O canal produzido pela AMC Networks International Southern Europe era o único do grupo que não estava disponível na operadora: "Estamos muito satisfeitos por poder oferecer o nosso canal a todos os assinantes da Vodafone[Portugal], levando até casa de mais portugueses os melhores conteúdos relacionados com a investigação de crimes reais e a melhor seleção de programas de investigação policial", refere o diretor-geral Manuel Balsera numa nota enviada à imprensa.
O AMC Crime está disponível em alta-definição na posição 128 na grelha de canais da box (posição anteriormente ocupada pelo canal RT Documentary), estando também disponível na app de tv em mobilidade da operadora.
Surgido em Portugal como Crime + Investigation, o canal é designado como AMC Crime desde 2022. AMC, AMC Break, Biggs, Canal Hollywood, Canal Panda, Casa e Cozinha, História e Odisseia e os serviços de streaming AcornTV e Panda+ são também canais produzidos e distribuídos pela AMC Networks International Southern Europe.
O pack de canais ucranianos da MEO vai sofrer alterações já a partir de abril.
Segundo a informação publicada no site da operadora da Altice Portugal para o mercado residencial, o pack "Ukrainian TV" vê sair os canais públicos Ukraïne 1 e Ukraïne 2 e o canal NLO TV 2, sendo substituídos pelos canais 1+1 International, United News e Kvartal TV. Todos os restantes canais do pack mantêm-se.
A mudança de canais começará a partir do dia 05 de abril. "Se não concordar com esta alteração pode cancelar o serviço na sua MEOBox em Canais e Serviços TV", acrescenta a operadora.
Universal Music GroupEditora de música clássica reforça portefólio do grupo que já inclui a Deutsche Grammophon.
O portfólio da Universal Music Group (UMG) tem uma nova editora. A gigante anunciou esta semana a compra da editora britânica de música clássica Hyperion Records.
A editora independente junta-se assim ao grupo de editoras de música clássica que já fazem parte do UMG: para além da Decca Classics, também a Deutsche Grammophon faz parte do portefólio. Contudo, a compra não afeta a atividade da editora britânica: "Preservando e garantindo a sua identidade e legado únicos na vanguarda da música clássica, a Hyperion Records continuará a ser uma editora independente juntamente com a Decca Classics e a Mercury KX dentro da Universal Music UK, a editora líder no Reino Unido", refere o grupo UMG em comunicado enviado à imprensa.
Com mais de 40 anos de atividade tem no seu portefólio artistas como Marc-André Hamelin, Angela Hewitt ou Alina Ibragimova, contando também como um repertório "do sacro ao secular, coral e vocal solo ao orquestral, de câmara e instrumental" e com quase de 2500 discos lançados, numa cadência de 30 edições por mês: "A Hyperion tem sido um farol de excelência clássica, dedicada à criação de gravações muitas vezes pioneiras de imenso valor cultural e ampliando os horizontes musicais para os amantes da música mais exigentes", frisa o grupo.
A Hyperion Records foi fundada em 1980 e assume-se como uma editora independente britânica de música clássica, tendo-se especializado num repertório de música clássica de todos os períodos, desde o século XII até à atualidade.
Município de Ribeira de PenaAção insere-se nas comemorações da Diocese de Vila Real.
A Casa da Cultura - Museu da Escola de Ribeira de Pena vai acolher esta quarta-feira (16) uma tertúlia sobre o papel da diocese de Vila Real para o ensino na região de Trás-os-Montes.
"Contributo da diocese de VIla Real para a democratização do Ensino. Colégios e Externatos" é o nome do evento que se insere na ação "Tertúlias do Centenário", que assinala o centenário da diocese de Vila Real. Segundo a autarquia ribeira-penense, a tertúlia quer "evocar instituições educativas que tiveram uma função sociocultural relevante, bem como enaltecer o trabalho educativo de antigos párocos de Ribeira de Pena, Pe. Flávio e Heitor Sena Morais e os professores que os auxiliaram, permitindo que muitos jovens prosseguissem os seus estudos entre os anos 1958 e 1972".
A tertúlia terá o formato de painel e contará com antigos alunos oriundos de Montalegre, Ribeira de Pena, Sabrosa, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, sendo que o objetivo é que "partilham experiências e memórias que permitiram abrir horizontes e despertar sonhos a muitos transmontanos". A moderação estará a cargo de João Paulo Lopes.
O evento acontece a partir das 21h e a entrada é livre, sendo que será também transmitido online no site da diocese de Vila Real.
Divulgação"SIC Novelas" está disponível na plataforma de streaming Opto.
Há um novo canal dedicado no universo SIC: o SIC Novelas ficou disponível esta terça-feira.
No momento de publicação deste artigo, ainda não há nenhuma informação oficial sobre este novo projeto da estação do grupo Impresa. No entanto, da grelha, constam, para já, apenas as produções próprias "Lua Vermelha", "Floribela", "Amor Maior" e "Laços de Sangue". Desconhece-se se haverá outras produções na grelha ou se o canal transitará para as grelhas das várias operadoras.
O canal linear dedicado à ficção já está disponível em exclusivo na plataforma OPTO SIC, sendo que, em Portugal, é o segundo canal linear disponível no serviço. O canal não tem, para já, publicidade na emissão.
Lançada em 2020, a OPTO é a plataforma de streaming da SIC. Além de séries e documentários exclusivos, o serviço disponibiliza também conteúdos que já passaram na emissão linear dos canais SIC, assim como a emissão em direto da SIC, SIC Novelas e da SIC Notícias (fora de Portugal).
rawf8"O professor usa objectos do quotidiano como papéis e clips para explicar conceitos matemáticos."
Queira o leitor participar numa breve experiência. Só precisa de uma chávena e um conjunto de esferas como, por exemplo, as bolas perfumadas de madeira de cedro que se usam para perfumar gavetas. Coloque uma bola na chávena e comece a rodar no sentido dos ponteiros do relógio. Qual será o sentido de rotação da bola? A resposta é fácil: a bola roda no sentido dos ponteiros do relógio. Até aqui nada de novo. Mas agora vá adicionando mais bolas. À medida que vai acrescentando esferas existe um ponto a partir do qual as bolas começam a rodar no sentido oposto ao da chávena. Como será isto possível? Um truque de magia? Uma ilusão? Na verdade, a matemática e a física explicam bem este fenómeno. Chama-se transição de fase que ocorre quando, por variação de um parâmetro, o estado do sistema macroscópico subitamente se altera. No caso da nossa experiência a densidade das bolas faz com que a interação entre elas passe a ser mais forte. Se continuar a acrescentar bolas até atingir as 20, por exemplo, ocorre nova transição de fase e elas ficam imóveis. Esta interessante experiência é apenas um dos muitos brinquedos matemáticos descritos pelo japonês Tadashi Tokieda.
O professor de Standford usa objectos do quotidiano como papéis e clips para explicar conceitos matemáticos contribuindo assim para a literacia em ciência.
E para os leitores que ficaram ainda mais curiosos com a figura de Tokieda sugiro a leitura da obra mais recente da coleção “Ciência Aberta” da Gradiva. O pequeno mas fascinante livro de Jorge Buescu “Amor, matemática e outros portentos” está repleto de capítulos que tornam temas eventualmente mais difíceis em histórias que se lêem de uma assentada. Desde as desavenças da família Bernoulli até às medalhas Fields, passando pelas “contas” do chá por Fisher, há muito para descobrir.
Buescu tem, assim, contribuído para o interesse dos jovens pela matemática com os seus textos. E este seu livro merece mesmo integrar o Plano Nacional de Leitura. É que a matemática não é apenas útil para entendermos o mundo. Ela pode ser, simplesmente, divertida.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva fraca durante todo o fim de semana nas regiões do Minho e Douro Litoral.
No boletim desta sexta-feira, o instituto prevê para sábado "céu geralmente muito nublado, diminuindo de nebulosidade na região Sul a partir da tarde". Já nas regiões Norte e Centro, haverá "períodos de chuva fraca ou chuvisco", sendo "mais frequentes no Minho e Douro Litoral".
Já no domingo, o céu também estará "muito nublado, diminuindo de nebulosidade a partir da tarde, exceto no Minho". Esta região, a par como o Douro Litoral, registará "períodos de chuva fraca ou chuvisco". Haverá uma "pequena descida da temperatura mínima.
fabirydelO imaginário tem ajudado a escapar dos problemas há seculos. Quem de nós não conhece mitos ou lendas?
Somos todos diferentes, temos empregos que exigem diversificadas competências, temos preferências distintas, estilos de vida e escolhas pessoais únicas. Todavia nesta diversidade existe uma semelhança ou denominador em comum, a rotina diária. Esta desde vários seculos consiste em trabalhar, executar tarefas domésticas e lidar com os problemas da vida quotidiana, como a saúde, finanças ou outros contratempos. Mas o ser humano é fantástico e tem encontrado uma excelente almofada para aliviar a cabeça preocupada: o imaginário.
O imaginário tem ajudado a escapar dos problemas há seculos. Quem de nós não conhece mitos ou lendas?
A mitologia é o estudo dos mitos e a sua interpretação dentro de uma determinada cultura. Os mitos são histórias populares ou religiosas complexas, com vários pontos-de-vista, das pessoas que viviam na época em que os mitos foram criados. Normalmente é uma narrativa, na qual se usa a linguagem simbólica, e que busca retratar e descrever a origem e suposições de alguma cultura, explicar a criação do mundo, do universo, ou qualquer assunto de difícil explicação.
Os mitos geralmente retratam o mundo como ele era antes de o conhecermos. O tempo, o lugar e os personagens sobrenaturais e divindades fizeram com que muitos mitos tivessem um cunho religioso, sendo que em algumas religiões restam alguns resquícios mitológicos.
Atualmente, fala-se de uma Mitologia Moderna, advinda de lendas urbanas e de várias outras fontes. Exemplos claros são alguns desenhos animados e séries de televisão, que trazem inclusive personagens que defendem deuses. Os Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, são baseados em algumas mitologias, como a Grega, a Egípcia e a Nórdica. Considerando, portanto, que a mitologia é um conjunto de lendas e mitos de alguma cultura, pode-se dizer que existem inúmeras mitologias, dos mais variados locais, como as Mitologias: Azteca, Maia, Etrusca, Eslava, Ioruba, Babilônica, Africana, Bantu, Chinesa, Japonesa, Havaiana, Guarani, Malaia, Navajo, Suméria, Judaica, Islâmica, Inca, entre outras. O mito surge a partir da necessidade de explicação da origem e da forma das coisas, das suas funções e finalidade, dos poderes do divino sobre a natureza e os homens. Ele vem em forma de narrativa, criada por um narrador que possua credibilidade diante da sociedade, poder de liderança e domínio de linguagem convincente, e que, acima de tudo, imponha o que gostaria de impor adequando a estrutura do mito de uma forma que tranquilize os ânimos e responda às necessidades do coletivo.
É o narrador quem constrói o esquema do mito, porém ele só nasce e se consolida a partir da aceitação coletiva, ou seja, o mito só existe quando ele cai no senso-comum.
As lendas são histórias que podem incluir elementos fantásticos ou sobre-humanos, mas presume-se que tenham base em fatos históricos e mencionem pessoas ou eventos reais.
Um fato histórico transforma-se numa lenda quando a verdade é exagerada, dando características especiais às pessoas ou fantasiando acontecimentos. Por exemplo, nelas, as figuras históricas podem ter qualidades sobre-humanas ou extraordinárias.
Além disso, eventos reais podem incorporar elementos falsos, como um sábio ou cartomante avisando um herói sobre eventos futuros.
Apesar das características das pessoas, particularmente dos heróis, não poderem ser provadas ou serem mesmo falsas, as lendas ainda têm alguma base na verdade. Mas quem precisa de provas quando o Robin dos Bosques ajuda os pobres roubando os ricos ou quando o Galo de Barcelos faz justiça na mesa do juiz?
Hoje em dia o imaginário ganhou outras dimensões pois surgiram séries de fantasia como “A Guerra dos Tronos” ou “Harry Potter” cuja audiência em grande parte é adulta. É muito satisfatório acreditar que mesmo numa situação sem saída aparece uma rainha Daenerys Targaryen no seu dragão e vai salvar o mundo. O Zé Povinho aprecia também os pormenores de vida da família real britânica (por exemplo), o que é perfeitamente compreensível pois nas nossas idas à loja da esquina não é provável que encontremos o brilho das coroas e tradições reais. Adoramos nos mascarar no Carnaval e, mesmo que só por alguns instantes, sentirmo-nos como o pirata Jack Sparrow ou a Cinderela num baile antes da meia-noite.
Precisamos de explicar o inexplicável e se não der, entra o imaginário. O imaginário é o nosso amigo invisível que torna a realidade mais suportável.
O imaginário é uma espécie de esperança e pela esperança vale sempre a pena lutar.
Interactive Technologies Institute"As crianças usam um smartphone para adquirir informações sobre um elemento químico específico", refere a investigadora responsável.
Investigadores desenvolveram um jogo educativo que usa tecnologias de realidade aumentada e interação tangível para ensinar ciência a crianças. Os responsáveis revelaram recentemente resultados de um estudo sobre a usabilidade e a eficiência do jogo para promover a aprendizagem de química e melhorar perceção das crianças em relação à área.
O estudo surge do facto de as crianças considerarem a química uma disciplina desafiante e complexa, o que pode resultar num reduzido aproveitamento escolar e num menor interesse em prosseguir carreiras em disciplinas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). “Fábula Periódica” apresenta às crianças temas de ciência apoiados por uma atividade exploratória utilizando cubos manipuláveis e uma realidade aumentada. O jogo pretende entreter as crianças enquanto as envolve com narrativas sobre os fundamentos da química e a Tabela Periódica. “As crianças usam um smartphone para adquirir informações sobre um elemento químico específico, apontando a câmara do para a superfície dos cubos. Cada lado do cubo revela texto, áudio ou animações sobre propriedades específicas de alguns elementos químicos”, explica Sandra Câmara Olim, investigadora responsável.
Estes resultados foram apresentados em fevereiro numa conferência internacional, em Varsóvia. Sandra Câmara Olim, investigadora no Instituto de Tecnologias Interativas, lidera o projeto orientado por Valentina Nisi, Professora do Instituto Superior Técnico. Os resultados quantitativos e qualitativos do estudo mostraram resultados positivos sobre a aprendizagem e envolvimento dos participantes. “As crianças retiveram mais informações sobre Química e a Tabela Periódica, o que lhes permitiu conseguirem uma pontuação mais elevada em testes de conhecimento. Além disso, os alunos mudaram sua perceção relativamente à disciplina. O que antes era um tema difícil e aborrecido, tornou-se interessante e útil”, conta a investigadora.
O estudo incentiva a comunidade científica a continuar a avaliar sistemas semelhantes como ferramentas para aproximar crianças das áreas STEM. A investigação touxe novos conhecimentos sobre o design e desenvolvimento de experiências baseadas em jogos de realidade aumentada usando uma abordagem multidisciplinar entre o conteúdo letivo, fatores humanos e tecnologias para promover o interesse das crianças em Química. “Aliar o nosso conhecimento tecnológico às competências pedagógicas dos professores, permitiu-nos desenvolver um jogo divertido e interativo que utiliza narrativas para criar uma ligação emocional com as crianças, melhorando assim o seu interesse pelo tema”, esclarece Sandra Câmara Olim.
As mecânicas de jogo da “Fábula Periódica” foram pensadas para motivar as crianças para aprenderem Química através da narrativa, interação física com cubos manipuláveis e realidade aumentada. O jogo consiste numa experiência de aprendizagem interativa, divertida e memorável para as crianças, que poderá resultar em melhor retenção de conhecimento e aumento do interesse pela área.
Ao utilizar cubos físicos, o jogo proporciona uma experiência tátil que permite às crianças manipular e explorar os elementos da tabela periódica de uma forma prática. A realidade aumentada melhora ainda mais a experiência, adicionando uma camada digital que sobrepõe informações e animações nos cubos físicos, tornando a experiência de aprendizagem mais envolvente e imersiva. As investigadoras planeiam continuar a avaliar o design e a eficácia do jogo, conduzindo estudos com mais participantes. Vão ainda explorar o impacto a longo prazo dos jogos baseados em realidade aumentada na perseverança dos alunos na educação científica.
A “Fábula Periódica” integra do projeto de doutoramento de Sandra Câmara Olim. Os pesquisadores acreditam que este estudo terá um impacto de longo prazo no design e desenvolvimento de jogos baseados em realidade aumentada para promover a educação STEM.
DivulgaçãoProgramação é inteiramente dedicada ao futebol feminino.
Os melhores conteúdos do desporto no feminino. É o que se pode esperar do W-Sport, o novo canal da grelha da MEO que está disponível desde esta terça-feira.
Lançado em exclusivo em Portugal, o canal é inteiramente dedicado ao deporto no feminino e é lançado para assinalar o dia internacional da Mulher: "É uma homenagem às mulheres que fazem a diferença no desporto e mais um passo no caminho do MEO como marca que promove e defende as causas que nos definem como sociedade socialmente justa e inclusiva", considera o Chief Sales Officer B2C da Altice Portugal João Epifânio numa nota à imprensa.
O canal inclui conteúdos relacionados com os maiores clubes e as melhores jogadoras de futebol, além dos melhores desportos coletivos femininos do PAC 12 nos EUA, como basquetebol, ginástica, voleibol e softbol e, ainda, outros desportos diferenciadores, como a Vitality Netball League do Reino Unido, o triatlo, o salto de obstáculos e as corridas de carros Extreme E", acrescenta a operadora.
O novo canal está disponível nas plataformas ADSL e fibra na posição 29, assim como na aplicação MEO Go e smart tv.
Sobre a não publicação de conteúdos durante o dia 06 de março.
Devido a uma mudança técnica que se revelou mais complexa que o esperado, a equipa d’o largo. esteve impedida de atualizar todos os canais da rede durante esta segunda-feira.
Estamos a a enveredar todos os esforços para que situações similares não se repitam.
O fluxo redatorial será retomado esta terça-feira.
Lamentamos o inconveniente, pedindo desculpas aos nossos leitores.
Vibes & BeatsFestival decorre no final do mês de maio
A bússola continua a apontar para norte: o North Festival já tem mais dois nomes para a edição de 2023. O festival, que vai decorrer
A promotora Vibes & Beats anunciou este sábado que os artistas brasileiros Ana Castela e Gustavo Mioto vão estar no festival portuense. Os dois artistas atuarão no dia 27 de maio, estando prometidos para breve os "restantes nomes que integrarão o cartaz da noite de sábado, dia em que os ritmos quentes e as boas vibrações sobem ao palco com vista privilegiada para o rio Douro", acrescenta.
Recorde-se que Robbie Williams já tinha sido anunciado pela promotora, estando a sua atuação prevista para o palco da Alfândega do Porto no dia 28 de maio.
O North Festival acontece de 26 a 28 de maio e os bilhetes já estão à venda. O cartaz completo ainda não foi anunciado.
DivulgaçãoServiço sai da operadora "por motivos alheios".
A plataforma Nick+ vai deixar de estar disponível na MEO. A informação começou a ser enviada aos clientes esta semana através de mensagem.
Segundo o site da telefónica, esta saída deve-se a "motivos alheios ao MEO", sendo que o serviço deixará de estar disponível a partir de 31 de março.
O Nick+ é um serviço que reúne conteúdos dos canais infantojuvenis Nickelodeon e Nick Jr. Foi inicialmente lançado na operadora em 2020 com o objetivo de "diversificar e valorizar a estratégia de inovação e diferenciação da TV do MEO".
Os conteúdos dos dois canais estão também disponíveis no serviço de streaming SkyShowtime Portugal. O serviço Nick+ continua, no entanto, disponível na Vodafone Portugal.
Universidade de CoimbraPretende-se criar condições favoráveis para o intercâmbio de boas práticas de ensino e divulgação das Ciências Planetárias
Os departamentos de Física, Matemática e Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acabam de lançar uma nova plataforma digital ligada à área das Ciências Planetárias. A geoplanet.space reúne informação sobre os requisitos, os conteúdos e as saídas profissionais (carreiras de investigação, na indústria e na academia) dos mestrados em Astrofísica e Ciências Planetárias nas universidades de Coimbra, Porto, Nantes (instituição coordenadora), Gabriele d’Annunzio em Chieti/Pescara e Pádua, parceiras do projeto estratégico Erasmus+ GeoPlaNet-SP (KA203).
Esta plataforma, um dos produtos intelectuais do projeto, promove os cursos de mestrado da FCTUC com ligação ao tema das Ciências Planetárias, junto de estudantes do 1º ciclo do ensino superior, mas também estudantes do ensino secundário. Um desses cursos, o Mestrado Conjunto Erasmus Mundus em Geociências Planetárias, criado no âmbito da colaboração entre as universidades acima referidas, tem início marcado para setembro de 2023. O primeiro semestre irá decorrer na Universidade de Coimbra com a colaboração da Universidade do Porto, o segundo em Chieti/Pescara, já o terceiro semestre será em Nantes e o estágio de mestrado numa das instituições do consórcio GeoPlaNet.
O projeto estratégico GeoPlanet-SP teve como principais objetivos estruturar e enriquecer a oferta formativa em Geociências Planetárias na Europa, através do reforço da cooperação entre parceiros, e de colaborações com empresas na área da indústria espacial.
Pretende-se, desta forma, criar condições favoráveis para o intercâmbio de boas práticas de ensino e divulgação das Ciências Planetárias, no seio de uma rede de excelência, e desenvolver atividades conjuntas e resultados intelectuais de interesse para os potenciais candidatos a mestrados nessa área. Por último, o projeto trouxe aos participantes a oportunidade de uma experiência europeia multicultural, que se considera valiosa para carreiras num setor intrinsecamente internacional.
Saiba mais sobre o projeto GeoPlaNet-SP aqui e sobre o Mestrado Erasmus Mundus GeoPlaNet-EMJM aqui.
Yeoman 1st Class Donna Lou Morgan, U.S. Navy/ReleasedA última música de Shakira reflete toda a comunidade feminina.
Não é raro que um artista se inspire na sua música a partir de relacionamentos românticos, sejam bons ou maus. Para Shakira, cantora colombiana e ícone da nova cultura de massas, é catártico. O seu último tema, “BZRP Music Sessions, Vol. 53”, foi escrito após a sua separação oficial do jogador de futebol espanhol Gerard Piqué. A canção é intensa. Um jornalista argentino a descreveu como um hino de “heavy metal desprezado” e desde que foi lançada, a 11 de janeiro de 2023, a música tornou-se um sucesso e viralizou nas redes sociais.
A letra revela não apenas, direta e explicitamente, os motivos da separação do casal, mas também sugere um simbolismo de espaços comuns que serão familiares ao público feminino. Shakira, a celebridade latino-americana, está a romper com os estereótipos patriarcais.
O efeito que a última música de Shakira teve sobre o público é talvez o ponto mais controverso de sua carreira. Alguns veem-na como o completo oposto do feminismo. A raiva que ela demonstra é mais uma emoção masculina do que feminina. As mulheres são frequentemente associadas a sentimentos e emoções mais passivos, como a tristeza ou a culpa. O patriarcado exige que as mulheres suprimam os seus sentimentos de raiva ou angústia. Portanto, as mulheres que quebram o silêncio e fazem acusações são problemáticas. Essa atitude rebelde é bem acolhida pelo feminismo: as mulheres não precisam mais de ficar em silêncio e a traição é exposta abertamente.
Longe de se retratar como uma mulher submissa a sofrer com a traição do ex, ela descreve-se como uma “loba”. Ela tem plena consciência da sua superioridade e despreza o seu ex (“A ti te quedé grande”, ela canta, que se traduz em algo como “eu era demais para ti”) e sua rival (“No es como suena” ou “[Ela] não é o que parece”). Ela canta sobre “mulheres a faturar”, em vez de chorarem e, por isso, questiona a ideia de homens terem os salários mais altos, principalmente quando se trata de esposas de jogadores de futebol. Shakira não precisa de nada: nem da fama nem de dinheiro. A sua carreira de sucesso precede a de seu ex e supera-a em muito.
O amor romântico é político e patriarcal. De uma perspetiva feminista latino-americana, diríamos que é um mecanismo de controlo e de organização social. Meninos e meninas aprendem diferentes modelos de relacionamentos amorosos, de acordo com os costumes e tradições que respondem a um modelo de moral e ética, dentro duma determinada cultura. Esta cultura impõe padrões de relacionamento: os meninos defendem a sua independência enquanto as meninas desistem da sua como prova do seu amor.
Ligado a essa renúncia de si mesma está o modelo patriarcal da maternidade como o objetivo final da vida da mulher. Inúmeras histórias infantis dão apoio a esse modelo de amor romântico. O príncipe cumpre os seus objetivos sociais (no espaço público) e depois volta para sua princesa, que cuida do lar (no espaço privado) tendo sido salva da pobreza, da prisão ou do feitiço. É uma fórmula bastante básica que, felizmente, também tem um contra modelo na literatura infantil. Hoje, muitas mulheres não têm a maternidade como objetivo principal de vida, são mais propensas a serem solteiras, não se conformam com papéis pré-definidos e protestam rompendo com estereótipos comportamentais.
Shakira é a voz mais efusiva de todo um grupo de mulheres que não são tão visíveis como ela, mas que se juntam a esta tendência ao optar por uma vida mais livre, sem restrições e com outros objetivos de vida que não a maternidade e o casamento. Cada vez mais mulheres estão a repensar como querem amar e os relacionamentos que querem ter. O papel da mulher na sociedade é um modelo que pode ser desconstruído para analisar e produzir mudanças e para obter outras conquistas, diferentes das tradicionalmente estabelecidas.
A questão económica é muito mais premente. Quando Shakira canta “As mulheres não choram,/As mulheres ‘faturam'”, ela levanta um tópico masculino por excelência. É errado as mulheres ganharem dinheiro? A quantidade obscena de dinheiro que Shakira ganhou com as três músicas a que ela se refere e até menciona o seu ex é prejudicial? As mulheres não podem ser ambiciosas? Os relacionamentos tornam os homens ricos e as mulheres pobres. Não é por acaso que os papéis são distribuídos de forma desigual. O papel da criação dos filhos é confiado de preferência às mulheres, graças ao seu "instinto" politicamente atribuído de cuidar dos filhos.
A imagem de Shakira é contraditória: disruptiva e hegemónica. Não é muito feminista comparar mulheres a carros ou relógios, como ela faz na sua música, mas é muito feminista apresentar uma imagem de empoderamento pessoal.
No verdadeiro estilo capitalista, ela lucra com o seu corpo e a sua vida privada. Ela se alinha com a imagem tradicional do corpo feminino como objeto de desejo. Símbolo sexual, errática, provocadora, mas também inovadora, a sua libertação sexual feminina convive com um discurso em torno da tradição romântica. A sua vida familiar é sustentada por uma versão de si mesma como mãe e esposa tradicional.
Os seus vídeos de família mostram os sacrifícios que ela fez por amor. Ela não guarda segredos do seu público. Ela é autêntica na sua dualidade: enquanto apaixonada, ela segue as normas românticas; enquanto desprezada, ela se transforma numa heroína agressiva e raivosa. A imagem de Shakira também é influente em toda a sociedade, como escreve a investigadora e autora feminista Teresa de Lauretis:
"À margem dos discursos hegemónicos, permanecem características de uma construção de género diferente (…) Os discursos mediáticos são tecnologias de género porque têm o poder de controlar o campo da significação social e de produzir, promover e implantar representações de género".
Teresa de Lauretis
No entanto, qualquer expressão feminina é símbolo do feminismo? Sim, quando empodera todas as mulheres. As canções de Shakira definem tendências, abrem caminhos, copiam ou modificam padrões que controlam o comportamento das mulheres. Shakira representa um modelo de feminilidade hegemónica e as contradições que são concebidas e representadas no seu corpo.
Shakira, uma latina e empresária, canta uma música em espanhol que espelha toda a comunidade feminina. Ela personifica as contradições que ainda persistem em muitas sociedades: uma mulher que é sexualmente livre e uma mulher doméstica.
Este artigo, escrito por Patrícia Larrús e traduzido por Kamila Nogueira, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.