RTP/DivulgaçãoEmissão será feita em galego e em português.
Vão ser cinco horas de emissão em direto de Barcelos: a RTP e a Televisión de Galicia (TV Galicia) vão transmitir em simultâneo o programa "Aqui Portugal".
Com transmissão em direto na RTP 1, RTP Internacional, TV Galicia, TV Galicia Europa e TV Galicia America, o programa das tardes de fim de semana da estação pública portuguesa vai ocupar a manhã e a tarde do dia 01 de maio, estando mesmo incluído no programa da Festa das Cruzes, as festividades da cidade minhota: "Além de seguir todas as atividades e a animação da Festa das Cruzes, incluindo a famosa Batalha das Flores, uma das sua maiores atrações, os espetadores conhecerão a lenda do galo de Barcelos, que está relacionada com o Caminho Português de Santiago de Compostela", garante a estação pública galega em nota de imprensa. , acrescentando que a emissão terá "reportagens sobre as atrações turísticas do concelho, a tradicional olaria, os trajes típicos desta região do Baixo Minho e a importância de Barcelos para os peregrinos do Caminho de Santiago". A emissão terá músicos galegos e portugueses: da Galiza, atuarão Pili Pampín e Ortiga, Roi Casal e a orquestra Olympus; de Portugal, estarão Ciganos D'Ouro, Função Públika, Mónica Sintra, Rebeca, Siga a Farra e Yvettte Band, além do Grupo Folclórico de Barcelinhos.
O programa de cinco horas será emitido nas duas línguas, galego e português e contará com Joana Teles, José Carlos Malato e José Manuel Monteiro por parte da RTP e Alba Mancebo, Marcial Mouzo e Roberto Vilar por parte da TV Galicia.
Atualmente, a RTP e a TV Galicia mantêm uma cooperação na produção de conteúdos e projetos institucionais. Séries como "Auga Seca", "Vidago Palace" ou "Motel Valkirias" surgiram através desta parceria, assim como outros projetos como é o caso da transmissão do Festival RTP da Canção em anos recentes nos canais galegos. Esta não é a primeira vez que o programa terá emissão conjunta dos dois lados da Fronteira, tendo já sido realizadas edições especiais a partir de Santiago de Compostela, Sanxenxo, Ourense ou Porto: "O programa, desenhado para estreitar laços entre as culturas galega e portuguesa, conta com uma grande mobilização de meios técnicos e profissionais e é feito para uma audiência potencial de mais de 13 milhões de espetadores", frisa.
A emissão a partir de Barcelos terá início a partir das 10h.
dole777/Unsplash"À medida que a influência das empresas de tecnologia continua a crescer, cabe à sociedade civil, jornalistas, utilizadores de tecnologia e organizações de defesa manter estas empresas responsáveis. "
No meio da crescente influência da tecnologia na política global, particularmente em regimes autoritários, o imperativo de reconhecer a responsabilidade política das corporações da tecnologia tornou-se cada vez mais aparente. Nos últimos anos, as ramificações do desrespeito pelas práticas éticas destacam a necessidade urgente das empresas tecnológicas darem prioridade à conduta responsável. A manipulação de informações on-line, o redirecionamento de tráfego, a restrição no acesso à Internet e a vigilância operacional são alguns exemplos de como os estados podem fazer um mau uso da tecnologia. Enquanto antes se esperava que a tecnologia se tornasse um símbolo de resistência e libertação, agora, os regimes não liberais agora usam-na para produzir várias formas de falta de liberdade digital que se estendem à realidade material. Mas como podemos garantir que a "Big Tech" contribui para práticas democráticas em vez de contribuir para a opressão política?
Porque é que as empresas de tecnologia têm responsabilidade política?
Num setor impulsionado pela inovação como a tecnologia, a legislação não consegue acompanhar os novos desenvolvimentos. Frequentemente, nem os utilizadores nem os fabricantes têm em consideração as consequências negativas duma nova tecnologia até que as tenham experimentado, e a indústria fica a debater-se com as ramificações dos danos e, consequentemente, com o aumento das suas próprias responsabilidades.
Ativistas digitais da plataforma Advox da Global Voicesrelatam o crescente uso da tecnologia digital para promover regimes autoritários em todo o mundo, focando, entre outros, em questões como vigilância, informação incorreta/desinformação e acesso à internet em diferentes contextos. Os autocratas usam toda a escala de tecnologia digital disponível. Na Rússia, onde o interesse do Estado reside em manter as opiniões da oposição fora do ambiente de informação, há uma forte ênfase na desinformação e na censura. A Tanzânia e o Sudão são conhecidos pelos cortes da Internet, enquanto na Turquia e em Marrocos os casos de vigilância digital pública se tornaram mais comuns.
Ao mesmo tempo, o setor de tecnologia não joga apenas necessariamente no lado nego. Desde a invasão russa da Ucrânia, a SpaceX de Elon Musk continuou a manter o Starlink e a fornecer acesso à Internet na Ucrânia, depois da invasão russa ter interrompido os serviços. E, no entanto, a sua recente compra do Twitter trouxe várias controvérsias, fortalecendo ainda mais a economia da atenção das redes sociais, o que leva à fragmentação, polarização e ao declínio da esfera pública. É impossível separar as empresas de tecnologia da política e o seu papel tende a causar controvérsia.
Maçã boa, maçã podre
Se está a ler este texto no seu MacBook ou iPhone, provavelmente já percebeu a diferença de viver num novo espaço de informação com muito menos publicidade direcionada. Em fevereiro de 2022, a Apple apresentou os seus novos recursos de privacidade, permitindo aos utilizadores ativar ou bloquear o rastreio de dados pessoais pelas aplicações instalados nos dispositivos da empresa, uma inovação com consequências políticas, sociais e económicas significativas.
É crucial entender a decisão de negócios que sustenta o debate em curso sobre ética e regulação de dados pessoais. Proteger os dados pessoais dos utilizadores da Apple significa que eles não serão alvo de publicidade direcionada e os seus dados não serão usados para prever o comportamento do consumidor, o que permite o direito dos utilizadores à privacidade – uma das categorias centrais das responsabilidades morais dos provedores de serviços on-line, essencialmente, um direito humano. Essa garantia de direito atrai os consumidores para os produtos da Apple.
Ao mesmo tempo, essa decisão arquitetónica causou um sofrimento significativo ao mercado, já que os preços das ações da Meta e de outras empresas de redes sociais caíram a pique naquele dia. A introdução de uma exclusão especialmente para a recolha de dados pessoais significa reduzir potencialmente as suas receitas de publicidade, já que menos dados ficam disponíveis para desenvolver anúncios personalizados.
A Apple tomou uma decisão ao nível político, um marco na discussão sobre questões de regulamentação de privacidade do utilizador. Efetivamente, é um assunto que preocupa o governo e que cruza informação e ética empresarial, lei e política. Este caso ilustra o poder de uma empresa, que pode não ser apenas um fator de mudança no debate sobre a regulação da tecnologia, mas um choque para o setor, levando outras empresas a mudar os seus modelos de negócios e a desafiar a dinâmica da Big Tech.
O que é esta decisão para a Apple? Uma promulgação duma postura ética, sinalizando a sua responsabilidade política? Um ato duma excelente cidadã corporativa inovando para possibilitar os direitos de privacidade dos seus clientes? Ou é uma jogada de marketing para aumentar a venda de produtos da Apple por meio do envolvimento numa atividade não comercial? Independentemente da motivação, assistimos a uma empresa tecnológica a fazer uma mudança política a nível internacional, já que os produtos Apple são procurados e vendidos em todo o mundo.
Ao mesmo tempo, a empresa desenvolve outras atividades que podem ser consideradas controversas. Juntamente com outras grandes empresas de tecnologia, a Apple aumentou os seus gastos com o lobby em 2022, à medida que as empresas encaram maior pressão dos legisladores que levantam preocupações concorrênciais para conter o poder dos gigantes da tecnologia. Enquanto isso, saindo do clima político democrático liberal, a Apple enfrenta decisões que desafiam a sua posição política. Em 2021, a empresa confirmou o armazenamento de todos os dados pessoais de utilizadores chineses em bases de dados localizados na China.
A China é conhecida por usar a vigilância como uma ferramenta para processos políticos. Embora a Apple afirmasse manter um alto nível de segurança, fontes jornalísticas relatam que a empresa entregou as chaves ao governo. No mesmo ano, a Apple removeu uma aplicação de votação inteligente, uma das ferramentas desenvolvidas pela oposição russa para superar a fraude eleitoral. Em ambos os casos, a tomada de decisão da empresa teve consequências políticas severas e diretas, assim como a decisão de bloquear o rastrear de dados pessoais nos seus dispositivos. A única diferença era o tipo de pressão exercida sobre uma empresa pelo sistema político em que aquela estava a atuar.
Onde termina a responsabilidade política da Big Tech?
Em 2022, o mundo viu a expansão global do regime autoritário, afetando os estados em desenvolvimento e as democracias estabelecidas. De acordo com o relatório da Freedom House de 2022, apenas 20% da população da Terra vive em um país livre, enquanto os 80% restantes estão divididos igualmente entre um mundo parcialmente livre e um mundo não livre. O mundo está ficando mais autoritário e o regime político de uma democracia liberal hoje é a exceção e não a regra.
Diferentes autocracias representam obstáculos desafiadores para as empresas de tecnologia, que continuam a ser os principais produtores de tecnologia inovadora. O papel do Estado define as expetativas potenciais dos negócios e os seus padrões de relacionamento. Nas autocracias, a participação política e a deliberação pública enfrentam repressão por parte das autoridades estatais e os negócios são moldados por uma economia política com elementos de intervenção estatal. O estado prevalece e tem o controlo mais direto sobre a empresa quando necessário, e a interferência na vida económica é comum e imprevisível. Os autocratas são famosos pela censura, propaganda e intervenções em sistemas eleitorais, tudo isso por meio da tecnologia fornecida pelas empresas.
Um dos exemplos mais comuns pode ser a situação em que uma organização empresarial tem de obedecer à lei de um estado autoritário para manter a legitimidade política, enquanto a própria lei pode minar a legitimidade moral da empresa. O caso da Apple na China é um exemplo disso. No entanto, pode ter consequências diferentes para empresas de outros países. Por exemplo, a Verizon (a subsidiária que comprou o portal Yahoo! em 2017) foi processada por fornecer dados ao governo chinês que levaram a processos políticos e tortura de dissidentes. Em regimes autoritários, a legislação é muitas vezes elaborada para definir os requisitos e processos específicos para que agências governamentais obtenham acesso a dados pessoais, incluindo para fins de vigilância. Embora a transferência de dados a pedido, por exemplo, a intimação, seja comum também em regimes democráticos, a diferença é como esses dados são usados posteriormente e se há fundamentos para compensá-los com outros procedimentos institucionais.
Uma reflexão sobre a responsabilidade política da Big Tech
À medida que o cruzamento entre tecnologia e política continua a se expandir, lidar com as implicações políticas de novas criações torna-se imperativo para os inovadores tecnológicos. Eles devem tomar medidas proativas para desenvolver estratégias robustas de responsabilidade política enquanto navegam em ambientes autoritários e noutros ambientes eticamente carregados. A transparência é uma forma de atingir esses objetivos.
A prática de relatórios sociais e de governança ambiental (ESG) e a divulgação dessas questões é um excelente exemplo de como a transparência obrigatória levou à responsabilidade e que pode ser adaptada à inovação tecnológica. Revelar abertamente quem comprou uma determinada tecnologia limitará a capacidade de governos autoritários de abusar dela, por exemplo. Além disso, integrar a responsabilidade política como parte dos portfólios de investimento responsável pode representar um passo significativo para iniciar um diálogo aberto sobre tecnologia, política e sociedade. Isso pode ser feito tornando público o envolvimento político direto das empresas e adicionando transparência adicional sobre os contextos em que os negócios operam.
No entanto, tal abertura seria ainda mais problemática – e potencialmente impossível – para empresas de tecnologia que foram desenvolvidas dentro das fronteiras e, portanto, sob a jurisdição de regimes autoritários. Um dos exemplos mais ilustrativos é o caso da Yandex, uma empresa multinacional com sede na Rússia. A empresa tornou-se um importante player de tecnologia, muitas vezes referido como o “Google russo”. Apesar de assumir um compromisso ocasional com o sistema político, a empresa manteve a reputação de ser a empresa mais liberal do país, enquanto mostrava um crescimento constante dos negócios.
No entanto, quando a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, a Yandex enfrentou uma pressão significativa, restrições legislativas, sanções internacionais e críticas do público. Desde as primeiras semanas da guerra, o YandexNews, visitado diariamente por 40 milhões de pessoas, mostra apenas notícias de meios de comunicação social estatais, ampliando as narrativas da “operação especial”. Cumprir a lei tornou-se equivalente a contribuir para a cobertura mediática unívoca dominada pelo Estado russo.
A guerra tornou-se o gatilho mais significativo que afetou a empresa, pois o preço das ações desse proeminente negócio perdeu mais de 75% do seu valor. Muitos funcionários da empresa, incluindo da própria administração, pediram a demissão ou deixaram o país em protesto contra a guerra liderada pela Rússia. Sanções pessoais foram aplicadas ao CEO e fundador da empresa. Sob pressão, a empresa vendeu os seus ativos de media a uma holding leal ao Estado. Em dezembro, o fundador da empresa deixou a Yandex Rússia, mas continuou a ser o principal acionista.
Cenários como esses estabelecem um terreno controverso para empresas que devem aceitar as regras de um estado autoritário para manter seus negócios a funcionar. O livro “Saída, Voz, Lealdade: Respostas ao Declínio em Empresas, Organizações e Estados”, de Albert Hirshman, sugere uma estrutura de três estratégias para responder à diminuição percebida no desempenho de uma organização ou estado. Usando-o como um guia para uma estratégia organizacional, uma empresa de tecnologia que enfrenta o autoritarismo pode sair, protestar ou obedecer. No entanto, como a supressão da dissidência pública costuma caracterizar o autoritarismo, realisticamente, restam apenas duas estratégias: ir ou ficar.
No entanto, ambas as estratégias trazem outras preocupações éticas. tendo em conta que já muito foi dito sobre as desvantagens de colaborar com autocratas, quão ético é para com funcionários e clientes que uma empresa deixe o estado em declínio? Além disso, a empresa continua a ser geradora de lucros, em primeiro lugar, e muito poucos países no mundo criariam um mercado para um produto, de modo que a liderança da empresa pudesse manter o padrão de responsabilidade política. Afinal, não podemos todos viver na Noruega.
À medida que a influência das empresas de tecnologia continua a crescer, cabe à sociedade civil, jornalistas, utilizadores de tecnologia e organizações de defesa manter estas empresas responsáveis. Exigir transparência e colaborar para criar políticas justas que possam apoiar empresas de tecnologia em contextos difíceis pode ser um caminho a seguir. Enquanto isso, é importante educar o público e criar incentivos para o consumo de tecnologia além da gratificação instantânea. Ao trabalharem juntos, estes stakeholders podem começar a moldar um cenário tecnológico mais ético, onde o bem comum tem mais peso do que o interesse corporativo.
Este artigo, escrito por Olga Solovyeva e traduzido por Fernando Baumgarten, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.
Benoît Prieur (CC-BY-SA)Projeto foi lançado no final do ano passado. Sérvia nunca aplicou quaisquer medidas contra a Rússia.
O serviço em língua sérvia da Russia Today (RT) está na mira da União Europeia (UE)para as próximas sanções contra a Rússia. O projeto RT Balkan, para já apenas em formato online, pode ser alvo de bloqueio.
Segundo noticia este domingo a Radio Free Europe (RFE/RL), que cita fontes diplomáticas, a Comissão Europeia está a preparar um novo pacote de sanções contra a Federação Russa, devido à invasão à Ucrânia, tendo já sido feita uma ronda pelos Estados-membros da UE com vista a definir quais as novas medidas a impor. Da lista preliminar, consta o "alargamento da lista de meios de comunicação social, cuja transmissão é proibida, incluindo a Russia Roday Balkan". A proposta final será apresentada nas próximas semanas, mas o serviço para os Balcãs da RFE/RL acrescenta que os Estados-membros participaram no desenho da proposta e concordaram com ela de forma unanime.
Entre a candidatura à UE e os laços ortodoxos
Esta ação da UE estão a ser encaradas como sendo um "sistema" para impedir a Rússia de contornar as sanções impostas, introduzindo também medidas contra entidades ou pessoas em países que violem as sanções. Este "sistema" pode também ser aplicado à Sérvia, país que alberga a RT Balkan.
O projeto da estação detida pela Rússia surgiu em novembro de 2022, com intenções de se lançar como um canal de notícias 24 horas até 2024. Por altura do lançamento do projeto, o jornal digital independente The Moscow Times dizia que o novo órgão de comunicação social seria dirigido por Jelena Milincic, filha do editor da agência de notícias estatal russa Sputnik Ljubica Milincic. A jornalista era correspondente em Moscovo para a versão espanhola da RT e apresentava o programa "Propaganda" na estação NTV, controlada pelo estado russo.
Ora, o projeto em sérvio surge num momento em que a Federação Russa está com relações tensas com uma parte dos países do Ocidente e procura novos parceiros. A Sérvia parece ser o parceiro ideal, assistindo-se a uma aproximação entre os dois países, acomodando empresas e cidadãos russos e não aplicando qualquer sanção, enquanto se mantém como estado candidato à UE. Há ligações históricas e religiosas que justificam esta posição ambígua, havendo muitos russos que escolhem a Sérvia pela simpatia dos cidadãos e por partilharem da mesma religião. Com este cenário, não se surpreende que, em junho do ano passado, cerca de metade dos cidadãos sérvios acreditavam que a NATO era a responsável pela guerra na Ucrânia e que o político estrangeiro mais popular era... Vladimir Putin. Já em setembro de 2022, a consultora Ivana Stradner, da Fundação para a Defesa das Democracias, sediada em Washington, Estados Unidos da América, dizia ao The Moscow Times que a Rússia estava "a usar a Sérvia para fugir às sanções".
Mas este pacote de sanções pode assim mudar as coisas, prevendo medidas para os países que não adotem as sanções. E, sendo a Sérvia candidata à adesão à UE, o país tem de seguir as orientações de Bruxelas ou poderá sujeitar-se a medidas de retaliação por parte da UE. Em julho, ainda o projeto da RT não tinha sido lançado, o porta-voz da Comissão Europeia para os negócios estrangeiros e políticas de segurança Peter Stan apelou a que o país cumprisse e implementasse as sanções. O apelo não teve efeitos, sendo que a Sérvia não aplicou qualquer medida restritiva contra a Rússia.
Detido e financiado diretamente pelo Estado russo através da agência Rossi Segodnya, a RT é um canal de notícias multilingue. Estava disponível em Portugal através MEO, NOS Portugal, NOWO e na Vodafone Portugal, sendo que nesta última era também transmitido o canal de documentários RT Documentary. As emissões foram suspensas no passado dia 02 de março de 2022, sendo também bloqueado o acesso ao site em espaço europeu. Em abril de 2023, a versão em árabe da RT foi também bloqueada.
Joseph ChanArte e cinema também são afetados por leis de censura
Em outubro de 2022, uma reportagem da Bloombergcausou frenesim na comunicação social quando insinuou que uma sessão de cinema ao ar livre com o filme da série Batman “O Cavaleiro das Trevas” foi proibida por censores em Hong Kong. A reportagem especulava que a decisão poderia estar relacionada com a recém-sancionada Lei de Segurança Nacional, mas, no fim, a verdadeira razão era menos dramática. Devido ao conteúdo violento do filme e a exibição ser ao ar livre, o Escritório de Administração de Filmes, Jornais e Notícias recomendou que organização cancelasse a exibição.
O governo de Hong Kong foi rápido em criticar a Bloomberg pela reportagem enganosa. Mas essa tendência para manchetes chamativas a sugerir a ameaça iminente de censura ao estilo da China continental em Hong Kong desvia as atenções das práticas de censura que já aconteceram na cidade nos últimos anos.
Após os grandes protestos contra a intromissão da China em Hong Kong em 2019, Pequim impôs a Lei de Segurança Nacional em Hong Kong em junho de 2020, que definiu crimes de secessão, subversão, terrorismo e conspiração com organizações estrangeiras. Apesar da nova legislação ter como alvos principais políticos e a oposição pró-democracia, ativistas e meios de comunicação social importantes, logo também atingiu a cenário artístico e cultural de Hong Kong.
O Conselho de Desenvolvimento das Artes de Hong Kong, criado em 1995, tem sido importante para apoiar e financiar uma variedade de grupos artísticos locais, instituições, projetos e até filmes. No início de 2021, o Conselho foi acusado por um meio de comunicação social estatal de ter financiado organizações subversivas no passado, destacando o grupo de cinema Ying E Chi, que distribuiu o documentário de protesto “Inside the Red Brick Wall”, assim como o Centro de Apoio às Artes e Cultura que sediou aquele grupo no seu centro artístico no edifício Foo Tak. Desde então, o Conselho colocou em prática regras e medidas mais severas para garantir que os beneficiários de apoio financeiros não estejam em conflito com a legislação de segurança nacional. O financiamento anterior do grupo Ying E Chi, no valor de 700 mil dólares de Hong Kong (cerca de 81 mil euros) foi cancelado pelo Conselho em julho.
Em junho de 2021, o governo também aprovou emendas no Decreto de Censura de Filmes com regras elaboradas a respeito da Lei de Segurança Nacional. Elas orientam os censores a considerar “o filme como um todo e o seu efeito nos espectadores”, e que deveriam classificar qualquer filme inadequado para exibição como sendo “provável” causador de alguma transgressão. Após essa aprovação, os cineastas tiveram de lidar com decisores extremamente cautelosos. A diretora Mok Kwan-ling, cujo filme foi selecionado para uma exibição num festival de cinema, foi intimada a fazer 14 cortes no seu filme de 25 minutos. Ela recusou, considerando a intervenção exagerada. O documentário “Revolution of Our Times”, sobre os protestos sociais de 2019, que foi selecionado para o Festival de Cannes de 2021 e também ganhou o prémio de Melhor Documentário no Golden Horse Awards de Taiwan de 2021, nunca foi oficialmente lançado em Hong Kong. A polícia também permaneceu intencionalmente ambígua sobre o lançamento do documentário na internet. O comissário Raymond Siu Chak-yee quase disse que o streaming do documentário seria um ato criminoso e recomendou a todos que mantivessem distância. No entanto, até filmes não controversos têm sido atacados pelos meios de comunicação social pró-governamentais. Em fevereiro de 2022, o colunista Chris Wat Wing-yin acusou o popular filme “The Sparring Partner” de ter uma posição política disfarçada ao retratar detetives duma forma menos positiva.
Mas outros conteúdos culturais começaram a desaparecer também. Em 2021, a plataforma de streaming Disney+ removeu o episódio de "Os Simpson" “Goo Goo Gai Pan”, no qual a família do desenho animado visita a China. O episódio incluía várias referências à repressão dos protestos na Praça da Paz Celestial em 1989 [NT: Praça de Tiananmen], e continua indisponível em Hong Kong até hoje. No início de janeiro de 2022, foi revelado que as rádios públicas de Hong Kong baniram vários cantores e grupos musicais de Hong Kong, incluindo Denise Ho, Anthony Wong Yiu-ming, Serrini, Charmaine Fong, C AllStar, e RubberBand. Artistas como Denise Ho inclusive têm tido dificuldades em conseguir locais para fazer os seus espetáculos, já que muitos são diretamente administrados pelas agências governamentais ou dependem de subsídios públicos.
Em abril de 2022, o prestigiado museu M+, visto como a joia da coroa do novo distrito artístico de Hong Kong, aparentemente, removeu três obras controversas de artistas contemporâneos chineses. Apesar do comunicado oficial se referir a uma rotação normal das obras, o M+ já havia removido a obra de Ai Weiwei “Study of Perspective: Tian'anmen” do seu catálogo on-line. A imagem famosa, que mostra um dedo do meio apontado para a Porta da Paz Celestial em Pequim, permanece indisponível para visualização, enquanto outras obras que mostram a Casa Branca em Washington DC ou a Mona Lisa no Louvre permanecem acessíveis.
Enquanto isso, as bibliotecas públicas de Hong Kong tiraram vários livros das prateleiras, incluindo publicações de figuras políticas como Joshua Wong. Em julho de 2022, algumas editoras também foram banidas da feira do livro anual no Centro de Convenções, em Wan Chai. Elas nem puderam reservar outro lugar para realizar uma feira do livro alternativa.
Apesar do cancelamento repentino da exibição do filme do Batman ter sido provavelmente uma preocupação menor para a indústria criativa de Hong Kong, o incidente mais recente de censura do cinema foi um pouco alarmante. Apesar de inicialmente ter recebido permissão do Conselho, o recém-lançado filme de horror de baixo orçamento “Winnie the Pooh: Blood and Honey” foi repentinamente retirado de todos os cinemas locais dias depois do seu lançamento oficial. A distribuidora VII Pillars disse mais tarde que não recebeu uma justificação específica para esta mudança de planos repentina, porém coordenada, dos cinemas locais. Desde a crescente popularidade dos memes da internet que sugerem uma semelhança entre Winnie The Pooh e o presidente da China Xi Jimping, o personagem de desenho animado tem sido um alvo comum e recorrente dos censores chineses.
Este artigo, escrito por Advox e traduzido por Isabela Torezan, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.
Deliriss"À data de hoje, [...] não sabemos qual o imaginário de IA que se está a construir".
O monólogo de 42 palavras “Tears in Rain” do replicante/androide interpretado por Roy Batty em Blade Runner é um dos solilóquios mais comoventes da história do cinema. É tão mais interessante (e inquietante) pelo tema pensado e sentido por uma inteligência artificial (IA) ser o da morte. A inquietação face a esta expressão de consciência por uma IA, em tudo equiparável à humana, repete-se (em nós e nos personagens humanos) em filmes como Ex-machina; Homem bicentenário; Ela; Chappie ou AI. Se, nestes casos, a tónica é na relação e empatia com a IA, em muitos mais (e.g. 2001, Odisseia no Espaço; Matrix; Exterminador Implacável; Tron; I, Robot; Vingadores: a era de Ultron) é na apreensão e ameaça decorrente de uma potencial autonomização da IA, de perda da capacidade humana de a controlar e de um eventual domínio desta sobre os humanos. Os filmes e as obras de autores como Isaac Asimov, Philip K. Dick, ou Ray Bradbury modelaram este imaginário e as representações visuais mais comuns de IA.
O projeto Better Images of AI sugere que pesquisemos “AI images” e descubramos a prevalência de imagens antropomórficas e a escassez de outras representações mais realistas de aplicações atuais (e.g., sistemas de vigilância, assistentes virtuais, software de análise, de tradução, de termostato). Este elemento visual, fundamental na compreensão pública da ciência e tecnologia, terá de ser repensado para se comunicar e perceber melhor o progresso e os riscos da IA.
Este assunto ganhou novo fôlego após o lançamento e notícias subsequentes sobre o Chat GPT que culminou na carta aberta assinada por várias vozes de IA para suspender o desenvolvimento da tecnologia até se definirem padrões de segurança e éticos robustos. Mas como podemos estabelecer estes padrões se as equipas de ética de IA estão a ser demitidas massivamente?
Visões de futuro coletivamente apoiadas, institucionalmente estabilizadas e publicamente visíveis (definidas como “imaginários sociotécnicos”) são parte integrante do desenvolvimento científico e tecnológico. No entanto, e à semelhança de algumas questões subjacentes à falta de participação política, sabemos que o recurso a vocabulário tecnocrático (como tantas vezes acontece em comunicação política sobre tecnologia) limita a democratização do saber e, neste caso, o afastamento da necessária participação social.
Como consequência, à data de hoje, para além das representações visuais que ainda bebem da ficção científica, não sabemos qual o imaginário de IA que se está a construir. Urge perceber o que cidadãos em geral e grupos específicos do tecido político, empresarial, e tecnológico sabem e entendem sobre IA, bem como o que imaginam para um futuro com ela.
A UE apela agora a uma reunião mundial para encetar ação política significativa com um projeto de lei que deverá contemplar diretrizes éticas e regulamentares. Ao invés de continuar a validar a narrativa dominante de que a ética limita o lucro, deveremos fazer um esforço coletivo para perceber e ter em conta os riscos da privacidade e da segurança pública. Que não estejamos à espera de um incidente devastador, impossível de reparar, e tudo acabe como no verso do Ruy Belo: “Eu vinha para a vida e dão-me dias.”.
Humberto Patrick/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0 DEED)Veja as previsões para os próximos dias
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um fim de semana com o céu nublado e aguaceiros em algumas zonas do país.
No sábado, são esperados "períodos de céu muito nublado, diminuindo gradualmente de nebulosidade a partir da tarde". Haverá também "aguaceiros até ao meio da tarde, sendo em geral fracos e dispersos, e mais prováveis a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela". Haverá também descida da temperatura máxima no Interior.
No domingo, é esperado "céu pouco nublado ou limpo" e subida da temperatura máxima.
OlgaSmolinaJaneiro foi o mês em que se registaram mais queixas contra as três telefónicas.
MEO, NOS Portugal e Vodafone Portugal viram o número de reclamações aumentar só no primeiro trimestre de 2023. A análise partiu do Portal da Queixa que analisou o número de reclamações colocadas na plataforma.
O total das queixas registado no primeiro de trimestre de 2023 corresponde a um aumento de 47%, se comparado com o mesmo período do ano passado. Só nos primeiros três meses do ano, foram registadas 3206 reclamações no portal, com o aumento do preço das mensalidades dos serviços devido à inflação a gerarem 46% do total das queixas: "Segundo aferiu a análise, as reclamações dos consumidores dirigidas às operadoras de telecomunicações, motivadas pela subida de preço, registaram um crescimento na ordem dos 108% no primeiro trimestre (1478), face ao mesmo período de 2022 (710)", acrescenta o Portal da Queixa A cobrança indevida por parte das operadoras (18%), problemas com o cancelamento dos serviços (10%) e mau funcionamento (10%) foram outros assuntos que mereceram uma reclamação escrita.
Janeiro foi o mês onde se registaram mais queixas (1219), numa "altura em que as duas operadoras (MEO e NOS Portugal) se preparavam para o aumento dos tarifários a aplicar em fevereiro". A Vodafone Portugal só fez atualizações em março, quando se registaram 967 queixas. Analisando as reclamações, é possível concluir que os consumidores que reclamaram no portal mostraram estar a ponderar a rescisão contratual e trocar de operadora de comunicações (49% das queixas). No entanto, cerca de 37% alega incumprimento contratual por parte da operadora, pois existe ainda uma fidelização a decorrer.
Contudo, a informação enviada à imprensa não refere a NOWO, apesar de, no índice de satisfação do portal, a operadora estar no terceiro lugar do ranking da categoria "Operadoras de TV, Net e Telefone" à frente da Vodafone Portugal.
O Portal da Queixa é uma plataforma de comunicação entre marcas e consumidores, recebendo cerca de nove mil reclamações por mês e mais de 1.8 milhões de consumidores mensais. Em 2022, o setor das comunicações foi alvo de mais de 9 mil reclamações no site.
Alexander Shatov/UnsplashO Brasil é a segunda maior audiência da plataforma popular entre gamers, mas rede não responde à justiça brasileira
Racismo, misoginia, homofobia, neonazismo e incitação à violência e ao suicídio. Esse é o tom das conversas em alguns servidores do Discord, aplicativo de chat em texto e áudio bastante popular entre jovens e jogadores. Muitas vezes em forma de piadas, o chamado “shitposting” — algo como “postagem de merda”, em português — tem sido uma prática de jovens que usam a plataforma para compartilhar mensagens nas quais brincam, por exemplo, com o fato de que querem estuprar e matar mulheres e meninas.
Um dos servidores analisados, com cerca de 100 usuários, tem piadas com estupro, pedofilia, necrofilia e suicídio. “Servidor destinado a pura ironia, algazarra e entretenimento. Se é sensível por fazer não entre”, diz a descrição no grupo no Disboard, uma plataforma que reúne servidores públicos do Discord. A reportagem decidiu não publicar os nomes dos servidores para não divulgar os grupos.
Os participantes se orgulham de assistirem e compartilharem conteúdos de abuso sexual com crianças e do tipo “gore” — o termo remete a um subgênero de filmes de horror com cenas extremamente violentas. Também compartilham com frequências conteúdos neonazistas que pedem a morte de pessoas não-brancas, vídeos de pessoas negras sendo mortas pela Ku Klux Klan e mulheres sendo agredidas.
Agência Pública
As mensagens de texto seguem na mesma linha e os robôs — contas que mandam mensagens automáticas nos servidores — tem nomes como “estuprador”, “pedófilo”, “AdoroPedofilia”, entre outros. Alguns usuários desse grupo dizem que já foram banidos do Discord por conta de sua atuação, mas voltaram.
Agência Pública
Em outro servidor, voltado a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um usuário disse em uma conversa, no dia 5 de abril deste ano, que seria “forçado” a “matar” outro integrante do grupo, porque “percebi que tu é gay”. No mesmo grupo, em 12 de abril, a conversa registra que dois usuários acessaram informações privadas de outros dois integrantes por meio de um link que mandaram a eles e os ameaçaram enviando vídeos explícitos de pessoas sendo assassinadas. Os dois novatos saíram e os outros dois comemoraram. O servidor que tem nome e foto em homenagem a Bolsonaro tem 24 membros no total.
“Sou fascista e Apoio o Mito n gostou vai pra casa do krl Bolsonaro 2022 (sic)”, disse um usuário em outro servidor, que tem 87 membros, dos quais 24 são ativos. Outro grupo diz na biografia, em tom de piada: “apoiamos o bolsonaro e somos neonazistas (sic)”. Em outro servidor, em outubro de 2022, um usuário compartilhou um meme que mostrava um homem segurando uma faca. Na imagem estava escrito em inglês: “seja o motivo pelo qual mulheres não saem na rua a noite”.
Agência Pública
Todos os conteúdos citados — e muitos outros semelhantes, encontrados pela reportagem — ferem as políticas do Discord. De acordo com as orientações da comunidade, não é permitido “encorajar, coordenar ou se envolver em situações de assédio”; “usar discurso de ódio”; “ameaçar a integridade de outra pessoa ou grupo”; “organizar, promover ou apoiar extremismo violento”; e “pedir, compartilhar ou tentar distribuir conteúdo que descreva, promova ou tente normalizar abuso sexual infantil”.
A rede afirma que “todos no Discord precisam seguir estas regras e elas se aplicam a toda a nossa plataforma, inclusive ao seu conteúdo, aos seus comportamentos, aos servidores e aos aplicativos”, mas apuração da reportagem mostra que as regras não são cumpridas.
“Os termos de uso existem, mas [a moderação] é absolutamente precária. Eles não conseguem aplicar os termos de uso corretamente e os canais de interlocução no Brasil com as instituições que trabalham com os sistemas é ou precário ou inexistente”, avaliou Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil.
O especialista também pontuou que faltam moderadores que falem português. “A moderação em língua inglesa existe, e já existem dados e algoritmos treinados para reconhecer algumas palavras chave, textos e etc em inglês, mas quando o conteúdo está em português é muito falha a moderação de conteúdo”, explicou Tavares.
Um estudo sobre a extrema-direita no Discord, conduzido pela Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, também concluiu que um dos motivos da falha na moderação é que “as plataformas terceirizam responsabilidade para moderadores e usuários, em vez de abordar o problema em o nível de projeto”. Quando a responsabilidade por administrar o conteúdo compartilhado em um servidor passa a ser do moderador, ele também pode permitir e incentivar que conteúdos violentos façam parte da conversa, como acontece em servidores analisados pela reportagem.
Em retorno à Pública, o Discord afirmou que tem “uma política de tolerância zero contra ódio ou extremismo violento” e que, quando toma conhecimento desse tipo de conteúdo, toma ações como “banir usuários, desligar servidores e entrar em contato com as autoridades quando apropriado”.
“Uma das maiores prioridades do Discord é garantir uma experiência segura para nossas comunidades, e estamos investindo continuamente em nossos recursos de segurança. Nossa dedicada equipe de segurança usa uma combinação de ferramentas proativas e reativas para manter fora do serviço atividades que violem nossas políticas”, afirmou a rede. “Qualquer tipo de conteúdo ou atividade que coloque em risco ou sexualize crianças é terrível, inaceitável e não tem lugar no Discord ou na sociedade”, finalizou.
A reportagem questionou quantos moderadores do Discord falam português e por que alguns usuários disseram já terem sido banidos da rede e conseguiram voltar, mas a plataforma não respondeu. Confira a resposta na íntegra, em inglês.
O Discord foi o canal de marcha supremacista nos EUA
Em 2017, em Charlottesville, Virgínia, o poder de articulação do Discord para grupos de extrema-direita ficou mais evidente. Em agosto daquele ano ocorreu a manifestação “Unite the Right” [Unir a direita], que reuniu supremacistas brancos e neonazistas de vários locais dos Estados Unidos na cidade. O motivo era a derrubada de estátuas de líderes confederados — grupo que, durante a Guerra Civil Americana, defendia a manutenção da escravidão.
Estudos posteriores ao evento mostraram que a manifestação foi organizada pelo Discord, que então passou a excluir alguns servidores de extrema-direita. De acordo com um artigo da Associação Internacional de Contraterrorismo e Profissionais de Segurança (IACSP), a violência ocorrida em Charlottesville “não poderia ter sido planejada e executada sem a plataforma do Discord”. O artigo aponta como características que tornam a rede um bom local para a organização desses grupos o anonimato e o fato de que é necessário entrar nos servidores para ver o conteúdo, o que diminui a exposição dos temas abordados.
“Redes como o Discord têm sido utilizadas como plataforma para articulação de grupos neonazistas”, explicou o pesquisador Odilon Caldeira Neto, professor adjunto de História Contemporânea na Universidade Federal de Juiz de Fora e parte do Observatório da Extrema Direita (OEB). “Eles utilizam as redes não somente como meio de propaganda de seus ideais, mas também como meio de formação. Eu sempre insisto nisso: existe um percurso formativo do jovem neonazista, ele tem contato, ele dialoga, ele produz conteúdo, ele recebe conteúdo, ele traduz conteúdo e ele exporta conteúdo. Existe uma rede estruturada, uma rede onde esse indivíduo vai se encontrar e se formar”, disse em entrevista à reportagem.
Questionado sobre o tom de humor e ironia que a maior parte das postagens neonazistas e preconceituosas leva, o professor ressaltou que essa também é uma estratégia do grupo. “A dimensão formativa desses indivíduos não se dá exclusivamente nos conteúdos mais herméticos, ou seja, lendo Mein Kampf [livro escrito por Adolf Hitler]. Antes de chegar nesse conteúdo mais organizado, esses indivíduos passam por um processo onde esses conteúdos são naturalizados, então eles usam o humor e o que muitos desses canais chamam de shitposting”, explicou.
“A extrema-direita entendeu há muito tempo o poder dos memes como tática de propaganda, ela vem usando [o humor] como tática de propaganda há muito tempo”, acrescentou Thiago Tavares. Ele aponta que os conteúdos extremistas são ainda mais frequentes e intensos em grupos privados, cujos convites são direcionados a usuários específicos — esses servidores não foram acessados pela reportagem. “O processo de radicalização inicialmente começa ali pelas vitrines abertas das redes sociais e vai afunilando pra espaços mais fechados”, explica.
Discord não forneceu dados à justiça brasileira em caso de racismo
Outro problema ressaltado pelo presidente da SaferNet é que o Discord não tem representação legal no Brasil, o que, na avaliação do especialista, “dificulta muito a cooperação e interlocução com a os times de segurança da empresa para que eles recebam as notificações e atuem”.
As consequências da falta de representantes no Brasil podem ser vistas em um caso em específico: ao ser questionado pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (NUCCIBER), do Ministério Público Federal, sobre um caso de racismo que teria ocorrido na plataforma, o Discord respondeu que “oferece seus serviços nos Estados Unidos da América” e que “os dados dos usuários são armazenados exclusivamente nos Estados Unidos”.
A denúncia se refere a um ataque supostamente articulado contra uma turma universitária, que teve seu grupo de WhatsApp travado e foi encaminhada ao Discord. Lá, mensagens de cunho racista foram enviadas por um perfil falso que se fazia passar por um dos alunos. A empresa não foi capaz de fornecer dados que possibilitassem a identificação do usuário verdadeiro.
“Elas operam sem nenhum tipo de interlocução, sem nenhum tipo de representação formal no país”, aponta Tavares. “Existem falhas na legislação, uma ausência de lei que obrigue plataformas com esse nível de relevância para o mercado brasileiro a terem presença nacional”, conclui.
Os brasileiros são o segundo maior público do Discord mundialmente, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com análise feita na SEMRush, uma plataforma de marketing digital, em março deste ano a rede recebeu 2,9 milhões de acessos do Brasil, o que representa 7,3% do tráfego mundial da rede — os Estados Unidos respondem por 23%. Os dados da SEMRush mostram ainda que a rede pontua uma nota alta (93 de 100) no ranking do Google, o que significa que o Discord é indicado para pessoas que fazem buscas.
A reportagem pediu que o Discord explicasse por que não tem representação legal no país que representa o segundo maior público da rede, mas não obteve resposta.
Stephen McCarthy/Web Summit via Sportsfile (CC BY 2.0)Julgamento da ação movida pela estação de Paços de Arcos contra a apresentadora arranca a 21 de junho no tribunal de Sintra
A SIC reduziu o valor da indemnização pedida a Cristina Ferreira no processo que opõe o canal do grupo Impresa contra a apresentadora: de 20 milhões de euros, o valor agora pedido baixou para os 12 milhões.
A notícia é avançada esta quarta-feira pelo jornal Correio da Manhã. Numa notícia disponível apenas para subscritores, o matutino refere que a estação apresentou um requerimento no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste para atualizar o valor da indemnização. O jornal digital Observador esclarece que o valor inicial de 20,3 milhões de euros eram um valor-estimativa obrigatório para poder avançar com o processo.
O contrato da SIC com a atual acionista do grupo Media Capital e diretora de Entretenimento e Ficção da TVI, caso fosse cumprido na íntegra, terminaria a 30 de novembro de 2022 e apenas nesta data seria possível contabilizar o impacto real da saída da apresentadora nas contas da empresa. O cálculo foi feito através de uma consultora externa contratada pela SIC, chegando à conclusão de que a perda de receitas foi abaixo do previsto: dos 20,3 milhões de euros previstos inicialmente, esse valor baixou para os 12,3 milhões. O CM citado pelo jornal Observador, esclarece que o impacto da saída de Ferreira não foi tão alto quanto o esperado.
Recorde-se que Cristina Ferreira trocou a TVI pela SIC em 2018, tendo estreado "O Programa da Cristina" em janeiro de 2019, conseguindo alavancar as audiências do canal do grupo Impresa e destronando a TVI da liderança das audiências. A saída da apresentadora foi anunciada a 17 de julho de 2020, sendo que a SIC colocou um processo contra a apresentadora por quebra unilateral de contrato. O arranque do julgamento acontece a 21 de junho no tribunal de Sintra.
Município de TondelaEvento contará com a presença de Manuel Clemente e Raul Minh' Alma.
Já vai na 17.ª edição e é para todos os leitores dos 8 aos 80. A Festa do Livro e da Leitura de Tondela já arrancou.
Com diversas atividades ligadas ao livro, desde teatro e oficinas de cinema até workshops e horas do conto, a festa vai dividir-se entre a Biblioteca Municipal Tomaz Ribeiro e as várias escolas do concelho: "Estas atividades farão desta edição da festa mais uma grandiosa iniciativa cultural e educativa de celebração do livro, da leitura e do conhecimento", refere a autarquia numa nota enviada à imprensa, acrescentando que o evento pretende "promover o hábito e o gosto pela leitura, garantir o acesso aos livros e ampliar a cultura e o conhecimento, sensibilizando crianças e jovens para diversas temáticas como a proteção da natureza, a inclusão, a nossa história recente, a ilustração, a escrita e a ciência, através do lazer e do entretenimento".
Os autores Manuel Clemente e Raul Minh' Alma vão também estar presentes no evento nos dias 22 e 24 de abril, respetivamente, além de uma programação virada para a educação que incluirá também o seminário "(trans) Formar o Presente", nos dias 28 e 29 de abril.
A Festa do Livro e da Leitura prolonga-se até dia 30 de abril. Toda a programação pode ser consultada no site do município.
Masson-SimonApesar do avanço na compreensão do cérebro e da divulgação do conhecimento adquirido, várias crenças falsas sobre este órgão, cerne da nossa inteligência, persistem no imaginário colectivo
Nas últimas duas décadas assistimos a enormes avanços na nossa compreensão sobre o funcionamento do cérebro. Este avanço nas neurociências deve-se muito à implementação de várias técnicas de imagiologia cerebral, que produziram um grande volume de informação sobre a complexidade do funcionamento neuronal, com um detalhe impressionante. Mas, apesar do avanço na compreensão do cérebro e da divulgação do conhecimento adquirido, várias crenças falsas sobre este órgão, cerne da nossa inteligência, persistem no imaginário colectivo. Vejamos algumas delas.
1. Só usamos 10% do nosso cérebro?
É talvez a crença mais comum sobre o cérebro, tendo tido origem no princípio do século passado e sido bastante divulgada em diversas obras de literatura pseudocientífica e também no cinema. Todos os dados neurocientíficos que hoje possuímos, principalmente aqueles oriundos da imagiologia cerebral, a contrariam e indicam que nenhuma zona do cérebro permanece totalmente inactiva, nem sequer enquanto dormimos. De facto, até hoje, ainda não foi encontrada uma zona do cérebro à qual não esteja associada uma dada função e actividade. Para além disso, hoje sabemos que mesmo as tarefas cerebrais aparentemente mais simples, embora possam envolver mais uma dada zona cerebral, mobilizam a actividade de inúmeras outras numa complexidade de interacções espantosas. Por outro lado, o cérebro é o órgão que mais energia consome para o seu funcionamento. Gastar tanta energia para que 90% do cérebro não fizesse nada é algo que não faz sentido do ponto de vista evolutivo.
2. Dois cérebros num só
Enraizou-se a ideia de que os dois hemisférios cerebrais têm funções totalmente distintas, sendo um, o direito, mais intuitivo e artístico, e o outro, o esquerdo, mais analítico e racional. O que as neurociências têm verificado é que os dois hemisférios estão em permanente interacção, diálogo, quer estejamos a resolver um problema matemático, quer estejamos a tocar piano, por exemplo. Mais, existem inúmeros casos em que traumatismos cerebrais que afectam um dos hemisférios levam a que funções das zonas afectadas sejam transferidas para o outro hemisfério. Há pois uma grande plasticidade cerebral, uma grande conectividade e interacção entre os dois hemisférios, pelo que os dois estarão sempre de alguma forma activos independentemente da actividade em questão.
3. O tamanho do cérebro determina a inteligência
Para além da questão sobre o que é que consideramos ser a inteligência, está a crença de que somos tanto mais inteligentes quanto maior for o tamanho do nosso cérebro. A biologia mostra que existem muitos animais com cérebros maiores do que os dos seres humanos e que mais do que o tamanho per si, deve ser considerado a relação entre a massa cerebral e a massa total do corpo. E mesmo nessa relação os seres humanos não estão no topo. O que as neurociências têm demonstrado é que mais importante do que o tamanho, a quantidade e complexidade de ligações (sinapses) entre os neurónios (células do cérebro) é o que pode determinar sermos mais ou menos inteligentes. E, para além da genética que determina o tamanho, a complexidade daquelas interacções é condicionada pela aprendizagem e experiência de cada um de nós, independentemente da massa cerebral.
4. O cérebro está inactivo enquanto dormimos
O cérebro nunca descansa. A monitorização da actividade cerebral, por electroencefalogramas e pelas mais modernas imagiologias cerebrais, mostra que o cérebro está activo durante o sono. Aliás, sabemos hoje que o sono é extremamente importante para a manutenção da qualidade das ligações entre as células nervosas. Foi descoberto recentemente que durante o sono ocorrem processos de limpeza do espaço interneuronal, através de uma maior circulação do líquido encefalorraquidiano, o que promove a eliminação dos detritos resultantes da actividade em vigília. Para além disso, verifica-se que a consolidação das memórias ocorre mais intensamente durante o sono. Assim, enquanto dormimos o cérebro trata de arrumar a casa e preparar-se para o dia seguinte.
5. Cérebro masculino e cérebro feminino
É um assunto muito vulgar atribuir ao cérebro capacidades diferentes consoante o sexo. Contudo, e apesar das diferenças anatómicas e hormonais que distinguem o homem da mulher, não se encontrou até hoje nenhuma diferença distintiva na fisiologia e metabolismo do cérebro nos dois sexos. Há uma ligeira diferença de tamanhos mas, como já se disse, o tamanho não implica imediatamente uma função diferente. Contudo, devemos dizer que os neurocientistas estão apenas agora a começar a compreender como é que a complexa actividade neuronal dá origem aos fenómenos psicológicos que determinam a nossa inteligência e personalidade. Mas a diferença do corpo consoante o sexo não encontra imediata diferença no cérebro que fundamente a adjectivação de género.
Município da Marinha GrandeAtividade é totalmente gratuita.
O membro do grupo Urban Sketchers Portugal João Coutinho é o mentor da Oficina de Urban Sketching organizada pelo Museu Joaquim Correia, na Marinha Grande.
A iniciativa é totalmente gratuita e pretende envolver os participantes numa experiência em que o mentor "propõe-se guiar os participantes desta oficina através de um olhar e traço atentos aos lugares de perambulação", refere a autarquia marinhense em nota enviada à imprensa.
A oficina começa nas instalações do Museu e, daí, parte num percurso a pé pela cidade onde os participantes realizarão uma série de exercícios de desenho. No final, a oficina volta ao Museu e farão uma análise dos desenhos, partilhando-os em conjunto. Os participantes deverão trazer o seu próprio caderno de folha branca e material (canetas, lápis, marcadores, etc.).
As inscrições podem ser feitas através do email do Museu, estando limitada a 20 participantes.
Município de Viana do CasteloCompetição prolonga-se até 28 de abril.
A cerimónia de abertura das finais dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU) acontece já esta terça-feira na praça da República, em Viana do Castelo.
A cerimónia assinala o arranque das competições que, este ano, decorrem na cidade minhota e contará com a presença dos estudantes-atleta de andebol, basquetebol, futebol, futsal e voleibol, além dos embaixadores da competição Manuela Machado e Tiago Mendes. No final da cerimónia, será a vez da atuação de Augusto Canário, sendo que a noite encerra com MC Henrique Mano/Dj Ricardo Reis.
A fase final dos CNU FADU arrancaram esta segunda-feira, prolongando-se até 28 de abril.
Município de TondelaEstruturas localizam-se na freguesia de Parada de Gonta
O município de Tondela vai financiar as obras de requalificação da capela do Solar de São José e a sede do Rancho Folclórico de Parada de Gonta, onde está a ser construído um Museu Etnográfico. O protocolo de financiamento para as duas intervenções foi tornado público este domingo numa cerimónia que contou com a presença das coletividades locais e da presidente da Câmara Carla Antunes Borges.
Numa nota enviada às redações, a autarquia esclarece que o protocolo foi assinado com a junta de freguesia local e com o Rancho Folclórico, esclarecendo que as duas intervenções terão um custo de perto de 109 mil euros. Quanto à capela, estão previstos todos os trabalhos, assim como "o projeto de execução e o relatório de estabilização e de desmontagem do património existente no templo religioso". A obra ficará a cargo da junta de freguesia, sendo que deverá arrancar "na segunda quinzena do próximo mês de maio. A intervenção tem um prazo de execução de um ano", precisa a autarquia.
Quanto ao Museu Etnográfico, este ficará na antiga escola primária da localidade, onde, neste momento, também está instalada a sede do Rancho Folclórico. O museu reunirá "inúmeras peças do antigamente" e deverá abrir ao público em agosto.
Amazon Prime Video/See My Dreams/TVIGravações arrancaram este segunda-feira em Cascais
A Amazon Prime Video divulgou na manhã desta segunda-feira o elenco da nova temporada de "Morangos Com Açúcar".
O elenco conta com cinco atrizes saídas do casting realizado em fevereiro passado (Ana Andrade, Cíntia Semedo, Mafalda Peres, Rita Guerner e Rita Sanchez), além de um elenco de jovens atores já conhecidos do público. Madalena Aragão, Vicente Gil, Tomás Taborda, Cláudio Castro, Beatriz Frazão, Rui Pedro Silva, António Van Zeller, Cartina Carvalho, Oskar De La Fuente, Victoria Oliver, Simão Fumega, Duarte Santos, Gonçalo Braga, Ricardo Lagartinho Lopes e Margarida Corceiro fazem parte do núcleo de estudantes do Colégio da Barra. Além deste núcleo, Rita Pereira, Pedro Teixeira, Tiago Castro, Beatriz Godinho e Sara Barradas estão também confirmados. As gravações da nova série arrancaram também esta segunda-feira, com exteriores na zona de Cascais.
A estreia da nova série está marcada para o último trimestre de 2023 e "junta-se ao crescente catálogo de conteúdos portugueses da plataforma", refere a Prime Video. A nova temporada da série surge depois de um acordo entre o grupo Media Capital e a plataforma de streaming em fevereiro passado e que vai permitira a "a produção e distribuição de duas temporadas do reboot de Morangos com Açúcar".
A atividade redatorial regressa na segunda-feira, dia 17 de abril.
Iremos aproveitar esta paragem para recuperar energias, fazer algumas mudanças na nossa estrutura e implementar novos métodos para melhorar o trabalho que desenvolvemos.
Até lá, celebra esta época! A equipa d'o largo. deseja-te uma boa Páscoa!
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê bom tempo para os dias de Páscoa.
Segundo o boletim especial de previsão para este período, o tempo estará "estável, com pouca nebulosidade, sem precipitação e valores da temperatura máxima acima da média para a época do ano", com uma temperatura máxima "entre 23 e 27°C na generalidade do território, sedo mais elevada no interior do Alentejo e no vale do Tejo, onde poderá atingir valores ligeiramente superiores a 30°C".
As previsões são também de que "o índice ultravioleta deverá estar muito elevado, recomendando-se o uso de proteção solar em atividades ao ar livre".
RTP/DivulgaçãoProcesso de migração para HD iniciou-se em 2019
A RTP concluiu o processo de migração da RTP Madeira para as transmissões em alta-definição. A emitir em HD desde março, o Centro Regional da Madeira (CRM) foi alvo de uma série de reformulações que culminaram na passagem dos estúdios de produção e de informação para HD e a instalação dum novo sistema de gestão, automação e produção de conteúdos.
Numa nota de imprensa, o diretor do CRM Martim Santos lembra que a modernização das instalações do centro era "uma aspiração antiga e muito reclamada. Havia a necessidade de acompanhar a galopante evolução tecnológica do panorama televisivo e adaptar-nos ao seu dinamismo". O processo de migração iniciado em 2019 acabou assim com os processos de gravação, reprodução e movimentação de conteúdos ainda baseados em cassetes de vídeo: "Com a introdução deste sistema passou a ser possível agendar gravações, disponibilizar conteúdos a qualquer sala de edição, automatizar processos de entrega de conteúdos e construir playlists para os estúdios a partir do ENPS" (software utilizado para a gestão de emissão), descreve Miguel Ângelo, da direção de Engenharia, Sistemas e Tecnologia da RTP.
Os novos estúdios receberam também matrizes de vídeo de alta-definição, nove câmaras e objetivas, monitores, ecrãs multiview e iluminação: "Há uma alteração profunda na nossa forma de funcionar, que passa a ser ainda mais ágil e eficiente", diz Santos, acrescentando que o investimento traz afirmação ao canal regional pública "enquanto reforço da coesão e identidade regional [...]. No futuro, temos que seguir relevantes para a população madeirense".
A RTP Madeira está disponível, em Portugal, na grelha da Televisão Digital Terrestre (TDT) para a Região Autónoma da Madeira, e em todo o território nacional através das operadoras MEO, NOS Portugal, NOWO e Vodafone Portugal.
Município de AlijóEspetáculo envolve mais de 500 pessoas.
A vila de Alijó será o palco da recriação da "Via Dolorosa". A iniciativa acontece esta quarta-feira.
Segundo o município alijoense, a iniciativa acontece ao ar livre e envolve as catorze juntas de freguesia do concelho, associações e da comunidade, contando os últimos dias de Jesus Cristo: "Cada quadro é encenado por uma freguesia, num lugar específico da Vila, conferindo-lhe uma dinâmica própria e singular", refere a autarquia, acrescentando que o espetáculo envolve mais de 500 pessoas "naquele que será o maior espetáculo do género com participantes ativos".
Autoridade Nacional de ComunicaçõesCoima é de 2,5 milhões de euros.
A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) vai aplicar uma multa de cerca de 2,5 milhões de euros à MEO por ter violado as regras de procedimentos na cessação de contratos por iniciativa dos clientes.
Na nota publicada no seu site, o regulador considera que a MEO "teve como objetivo colocar entraves injustificados e não permitidos nos procedimentos de cessação dos contratos por iniciativa dos assinantes, de modo a dificultar, atrasar ou até a levar à desistência de processos de alteração de prestador de serviços, obstando, dessa forma, ao desenvolvimento da concorrência no mercado das comunicações eletrónicas", desobedecendo às regras instituídas pela ANACOM em 2012.
O regulador acrescenta que a operadora participada da Altice Portugal não aceitou "pedidos de denúncia contratual apresentados em loja" e sujeitando os pedidos de término de contrato a uma "prévia receção de uma chamada proveniente da linha de retenção, sem a qual os clientes não podiam apresentar os respetivos pedidos ou o procedimento já iniciado não poderia prosseguir. Além disso, a telefónica "não disponibilizou aos assinantes o formulário de denúncia que está obrigada a ceder sempre que lhe seja solicitado" e adotou alguns procedimentos em que ora não pedia "aos clientes documentos que eram necessários à confirmação da denúncia dos respetivos contratos" ora pedia "documentos que não eram necessários porque já os tinha em seu poder", ora não cancelava de facto os contratos.
O regulador acrescenta que as regras, impostas em março de 2012, servem para "facilitar o exercício do direito dos assinantes à cessação dos contratos e consequente mudança de operador", mas também para "promover a concorrência": "Os comportamentos adotados pela empresa são especialmente gravosos, por resultarem no incumprimento de uma ordem legítima da ANACOM, que lhe foi regularmente comunicada, colocando em causa a própria regulação do mercado em que opera", considera.
MEO "discorda totalmente"
Por seu turno, a operadora considera que a decisão não é melhor. À comunicação social, a MEO diz ter sido notificada da decisão, acabando por referir que as contraordenações acontecerem "nos anos de 2015 e 2016", algo que não é referido no comunicado da ANACOM.
A MEO acrescenta que "discorda [...] totalmente das imputações que lhe são efetivadas pela ANACOM no processo em apreço, pelo que irá impugnar judicialmente a presente decisão".
nina_p_vPara muitos russos, construir uma nova vida no estrangeiro é uma viagem só de ida
A invasão russa à Ucrânia arruinou a vida de milhões de pessoas. Acima de tudo, destruiu o quotidiano pacífico dos ucranianos, que agora lutam de forma destemida pelo seu país e fogem da guerra com números espantosos. Também mudou radicalmente a vida de muitas pessoas do país agressor, a Rússia, e do país vizinho governado por uma ditadura, a Bielorrússia.
O regime russo assumiu que tinha carta branca para aumentar as repressões internas, espremendo assim os últimos resquícios de dissidência explícita. A única saída para alguns russos que não concordaram em ser cúmplices da guerra foi fugir para o estrangeiro, para o mundo onde ninguém os esperava.
A Global Voices falou com russos e bielorrussos que acharam impossível permanecer no país que iniciou a invasão.
Na Polónia, os emigrantes não são iguais ao país de onde fogem
Logo após a invasão, Elena foi para Varsóvia pela facilidade: “Não há necessidade de traduções juramentadas; há oportunidades para pedir uma autorização de residência, para trabalhar ou estudar”. Para ela, esta mudança é um bilhete só de ida: “Vivi na Bielorrússia desde a infância. Depois da reação pós-eleitoral contra os protestos em 2020, ficar lá tornou-se assustador”.
Faz um ano que a guerra começou e, para muitos russos, a vida foi dividida em antes e depois. Faz muito tempo que Elena aceita que a guerra não terminará tão cedo.
Pode ser difícil e preocupante para as pessoas fugirem da Rússia, onde a comunicação social escreve sobre “duzentos anos de ódio organizado”. Mesmo antes da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, os media alinhados com o Estado já tinham relatado avidamente sobre a “russofobia no 'ocidente coletivo'”. Mas a realidade é muito diferente do quadro criado pela propaganda. Elena diz:
Os polacos já sofreram muito com os hábitos imperiais da primeira Rússia czarista, depois com a União Soviética. Mas eles não equiparam o país ao povo.
Elena, cidadã russa a viver em Varsóvia, Polónia
Elena trabalha e estuda na Polónia. No entanto, ainda é difícil olhar a longo prazo. Ela acrescenta:
O nosso mundo é lindo. Apesar da inadequação dos impérios e de seus clubes de fã. E o mundo é gigante: não precisas de viver num país que te faz mal.
Elena, cidadã russa a viver em Varsóvia, Polónia
O Quirguistão tornou-se um novo lar
O Quirguistão é uma antiga república soviética localizada na Ásia Central. No passado, por motivos económicos, o fluxo de migrantes do Quirguistão para a Rússia era grande, mas agora, por razões políticas, este fluxo inverteu-se.
Lesya escolheu este país devido à proximidade: há muitas pessoas que falam russo, o país tem alimentos e clima familiares e o custo de vida é razoável:
Antes de mais, eu queria fugir, não importava para onde. Não planeei o tempo que passaremos aqui. Eu gostaria de não depender financeiramente de meu país (a Rússia) e de encontrar um lugar para chamar de "lar", do qual fomos privados.
Lesya, cidadã russa a viver no Quirguistão
Apesar da cultura quirguiz e algumas das tradições terem sido reprimidas durante o período soviético (pois a russificação foi encorajada em todas as regiões), os quirguizes conseguiram manter as suas tradições e que inclui, segundo Lesya, a capacidade de serem abertos, de viverem e resolverem problemas em conjunto, bem como a hospitalidade. Ela refere:
Agora eu não fujo dos polícias, não apago palavras censuráveis em apps de mensagens, como fazia em Moscovo, onde a polícia podia facilmente verificar o teu telemóvel no metro.
Lesya, cidadã russa a viver no Quirguistão
Ela deseja que um dia seja possível voltar para casa, mas isso pode não acontecer nos próximos anos:
Eu já me habituei à ideia de que algo terrível como a guerra está a acontecer “em casa”, na minha terra natal. Fiquei deprimida por muito tempo, tive vergonha de fazer qualquer coisa, desenhar, aproveitar a vida, porque alguém estava a sofrer naquele exato momento.
Lesya, cidadã russa a viver no Quirguistão
Geórgia: vamos seguir em frente!
A Geórgia é cautelosa nas suas relações políticas com a Rússia. Tem um histórico de invasão russa em 2008 e algumas sondagens recentes mostraram que muitos georgianos não apoiam um regime de isenção de vistos entre os dois países. Ao mesmo tempo, está focada em aderir à OTAN e à UE. No entanto, foi o país que recebeu muitos dos cidadãos russos que fugiram. Embora a língua oficial seja o georgiano, muitas pessoas falam russo e inglês, o que torna a vida muito mais fácil para os novos migrantes.
Entre eles, está uma rapariga chamada ჯუნო (lê-se "Juno"), que, até 24 de fevereiro, apesar de todos os problemas, nunca imaginou viver fora da Rússia: “A necessidade de escolher outro país para uma estadia longa apanhou-me de surpresa. Sem um visto Schengen, a lista de opções rapidamente ficou reduzida a uma dúzia. Escolhi a Geórgia”. Por algumas razões: “Primeiro, já estive cá antes e percebi como é o país; os russos ainda podem ficar um ano inteiro sem um visto de residência; há uma tributação razoável, possibilidade de abrir uma conta bancária e registar-se como empresário individual; além de que as pessoas são maravilhosas, têm uma natureza incrível e clima ameno”, diz.
Mais de um mês e meio desde o início da mobilização russa, a Geórgia recebeu mais de 700 mil russos, dos quais cem mil ficaram. ჯუნო acrescenta: “Desde que cheguei aqui, nunca sofri ataques. Os cidadãos locais ou são neutros ou amigáveis e estou grata por isso”.
Algumas empresas russas transferiram todos os seus funcionários e as respetivas famílias para a Geórgia. Antes de 2022, foi criado o “Trabalhe da Georgia”, um programa de apoio à economia do país em que estrangeiros que trabalhavam remotamente foram convidados a participar.
ჯუნო também trabalha remotamente e mantém contacto com a família e os amigos que permaneceram na Rússia: “Posso dizer que, na sociedade russa, muitos estão iludidos pela propaganda e as pessoas precisam de tempo para descobrir isso. Eu mantenho contacto com a Rússia porque a minha família e os meus amigos estão lá e não puderam sair. Por isso, tenho muito cuidado ao escolher as palavras quando falo com eles”.
Israel: a terra prometida
Valeria considera a sua história banal: “Deixei a Rússia porque não posso e não quero ficar em silêncio, e também não quero ser presa por isso”. Ela não tinha parentes ou amigos em Israel e, apesar do direito à cidadania do país (devido à sua ascendência judaica), antes da guerra, ela estabeleceu uma ligação apenas com a Rússia, nunca tendo visitado Israel, nem sequer como turista.
Segundo ela, muitos israelitas pensam que a maioria dos que vieram após o início da guerra irão esperar que acabe e partirão logo de seguida. Alguns russos partem após receberem o passaporte israelita, enquanto outros planeiam ficar.
Na Rússia, Valeria protestou até o último momento. Mas agora ela não acredita que apoiam a guerra possam ser persuadidos. Ela seguiu de perto a agenda política e viu o florescimento da propaganda estatal no país, de modo que o estágio de aceitação do que aconteceu chegou rapidamente.
“Para mim, é importante que a minha filha cresça como uma pessoa que se valoriza a si mesma e a sua liberdade, o que inclui a liberdade de expressão. Quero que ela possa decidir onde vai morar, o que vai fazer ou que ideias vai apoiar”. Infelizmente, neste momento, na Rússia, as pessoas estão privadas dessas oportunidades”, acrescenta Valeria.
Este artigo, escrito por Anastasia Pestova e traduzido por Vanessa Lobo, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.