BOOMFITAção decorre nas redes sociais com o mote "Escolhe Viver"
Coincidindo com o dia mundial de Combate à Depressão, a marca online de fitness BOOMFIT lançou uma nova campanha nas suas redes sociais: "Escolhe Viver" é o mote de um vídeo que pretende apelar à importância da prevenção do suicídio.
A nova campanha insere-se na estratégia da marca de promoção de estilos de vida mais ativos que impactam o bem-estar emocional: "É essencial abordar a prevenção e o combate à depressão, destacando a importância de cuidar da saúde mental de forma integral”, diz o CEO da BOOMFIT Vítor Brandão. A marca recorre mesmo a dados da Organização Mundial de Saúde para dizer que a doença "afeta 300 milhões de pessoas em todo o mundo e é a principal causa de incapacidade global. A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo devido a sintomas causadas por esta doença", frisa a marca.
O vídeo, que está disponível nas redes sociais da marca, traz "a história de um jovem que enfrenta momentos depressivos, equacionando o suicídio, mas que, afinal escolhe viver, sendo o exercício físico o seu verdadeiro aliado". "Todas as ações e todo o "barulho" que se faça em prol deste tema são essenciais", acrescenta Brandão.
Esta não é a primeira vez que a marca aposta em campanhas de grande impacto social. Ainda em dezembro passado, lançou a campanha "Autodefesa não é violência", inserindo-se numa estratégia de ser "uma voz ativa na promoção de estilos de vida saudáveis"."Muito mais do que um simples vídeo que apela ao estilo de vida saudável ou ao exercício físico, a BOOMFIT pretende passar uma mensagem encorajadora e de apelo ao pedido de ajuda profissional", conclui a marca em nota enviada à imprensa.
O jornalista português Daniel Ribeiro morreu esta sexta-feira em Lisboa. A informação foi avançada pela Rádio Alfa na manhã deste sábado.
O profissional colaborou com a edição em português da Radio França Internacional (RFI) e Antena 1, tendo desempenhado funções de diretor de antena na Rádio Alfa, em Paris. Atualmente, era correspondente da estação lusófona de rádio em Portugal e jornalista no Expresso.
No seu site, a Alfa recorda Ribeiro como "um profissional que sempre dignificou a profissão, respeitando sempre a isenção e a objectividade e um grande respeito pelos ouvintes e leitores nos orgãos de informação onde trabalhou". Ao longo da sua carreira, o jornalista publicou reportagens sobre situações de guerra, de crise e até sobre a emigração portuguesa.
A morte de Ribeiro mereceu uma reação por parte do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que fez publicar uma nota no site da Presidência em que lembra o "jornalismo sério e competente" do profissional
O funeral acontece esta terça-feira, a partir das 16h, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
Milton Martínez/Secretaría de Cultura de la Ciudad de México (CC BY 2.0 DEED)Quatro das 14 investigadoras que fazem parte do grupo que acusa o docente de assédio sexuais e morais tornaram-se arguidas
Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Mariama Correia e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.
Quase dois anos depois de divulgarem a primeira carta anônima com denúncias de assédio sexual e moral contra o professor e sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, as pesquisadoras do coletivo internacional de vítimas do acadêmico estão sob julgamento. Quatro das 14 mulheres que fazem parte do grupo foram processadas pelo próprio Boaventura em uma ação de defesa da honra chamada de pedido de tutela de personalidade, que corre no Juízo Local Cível de Coimbra, em Portugal.
A primeira audiência aconteceu nesta quarta-feira, 8 de janeiro. Na ação, Boaventura pede retratação pública nos principais jornais de Portugal, com o reconhecimento de sua excelência como professor e demonstração de profundo arrependimento. Também que a Justiça estabeleça multa contra as vítimas para forçar a retratação. As pesquisadoras que estão sendo julgadas são Sara Araújo, Carla Paiva, Maria Teresa Martins e Gabriela Freitas Figueiredo Rocha. Três delas foram ouvidas com exclusividade pela Agência Pública, em maio de 2024, quando decidiram sair do anonimato pela primeira vez e falar sobre os assédios sofridos enquanto estudaram ou trabalharam com Boaventura.
Os relatos delas envolvem denúncias de assédio sexual e moral, abuso de poder, violência verbal e extrativismo intelectual, que é quando o trabalho de outra pessoa é utilizado sem reconhecimento devido de autoria nem remuneração.
O coletivo de vítimas classifica a ação judicial como uma nova forma de assédio e de censura, e denunciam que as redes sociais das mulheres processadas estariam sofrendo monitoramento por Boaventura. Elas lançaram a página Academia Sem Assédio e uma campanha de arrecadação de fundos para pagar os gastos com o processo. A pesquisadora portuguesa Sara Araújo, que está entre as rés, escreveu no Facebook: “Fizemos tudo o que nos cabia e as únicas pessoas sob julgamento somos nós, as vítimas”.
Sara Araújo contou à Públicaque sofreu assédios morais e sexuais quando trabalhou com Boaventura no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, que era coordenado por ele. Em uma das reuniões, o professor teria dito a ela: “O problema que existe entre nós é que tu és a única mulher com quem eu tenho uma relação tão próxima que não tem caráter sexual”. Boaventura nega as acusações feitas por ela e pelas outras pesquisadoras. Ele se diz vítima de “perseguição” e “vingança”.
A advogada das rés, Lara Roque Figueiredo, informou que duas pesquisadoras foram ouvidas neste dia 8 e que outras seis audiências já estão marcadas para janeiro. Ela disse que a “ação busca constranger a liberdade e os direitos” dessas mulheres. “É um ataque para tentar silenciá-las. Consideramos inadmissível que alguém seja obrigado a desmentir a história da sua vida”, disse à Pública.
Segundo Élida Lauris, pesquisadora brasileira que faz parte do coletivo de vítimas de Boaventura, o professor solicitou à Justiça que outras nove pesquisadoras que assinaram uma carta de denúncias contra ele sejam incluídas no julgamento. “Esse processo é um exemplo do assédio que sempre sofremos. É um processo feudal em que Boaventura de Sousa Santos espera que a Justiça lhe dê razão com base na ideia de que é uma autoridade, não importam os procedimentos, regras ou direitos fundamentais”, comentou.
Para ela, a discussão que está sendo feita no tribunal em Portugal é central para os direitos das vítimas de assédio. “Pode se criar um precedente de defesa absurda dos agressores ou de afirmação do direito à denúncia. Se o tribunal afirmar que denunciar não é ofensa à honra abre um precedente para reforçar as denúncias e atacar a estratégia de defesa dos agressores, que querem tentar reverter as denúncias esperando que o conservadorismo dos tribunais os favoreça”, considera.
A reportagem procurou Boaventura por e-mail, mas não recebeu respostas dele até a publicação. O espaço segue aberto.
Inquérito sobre denúncias de assédio foi encerrado
O professor, que tinha sido suspenso de suas atividades em 2023, demitiu-se em novembro passado alegando que o CES tinha conduzido o inquérito de forma parcial e sem direito à defesa. O CES encerrou o inquérito interno para apuração das denúncias sem que as conclusões do processo tenham se tornado públicas. A direção pediu desculpas públicas às vítimas de assédio e abuso, mas não citou Boaventura nominalmente.
A advogada Lara Roque informou que, ainda em janeiro, representantes do Coletivo Internacional de Vítimas de Boaventura esperam se reunir com a direção do CES para entender o que aconteceu. “As pesquisadoras foram ouvidas mas não sabemos se chegaram a concluir a investigação”, disse. O processo do Ministério Público de Portugal que apura as denúncias de assédio sexual e moral contra o professor continua correndo em segredo de justiça.
Boaventura de Sousa Santos é um sociólogo de renome internacional, com livros publicados em vários idiomas e países. As primeiras acusações de assédio contra ele surgiram em março de 2023, no capítulo de um livro assinado por pesquisadoras de Coimbra. O texto protegia a identidade das denunciantes e não citava nominalmente Boaventura, chamado apenas de “professor-estrela”. Ele mesmo assumiu ser o “professor-estrela”.
Em abril de 2023, a Públicarevelou com exclusividade as denúncias da deputada federal Bella Gonçalves (PSOL-MG), que contou ter sofrido assédio sexual do professor quando foi orientanda de doutorado.
GaudiLab/Envato ElementsCinco deles são de autores portugueses
Esta é a minha escolha dos doze melhores livros de ciência publicados em Portugal em 2024. Cinco deles são de autores portugueses. A ordem é a alfabética do apelido do primeiro autor.
Acemoglu, Daron e Johnson, Simon. Poder e Progresso. A nossa luta milenar pela tecnologia e prosperidade. Temas & Debates. Os dois autores, professores de Economia no MIT, receberam o Prémio Nobel da Economia em 2024. O primeiro autor já tinha sido autor, com James Robinson, de O Equilíbrio do Poder e do best-seller Porque Falham as Nações, ambos publicados pela Temas e Debates. O tema do livro é a evolução da ciência e tecnologia e o seu impacto na economia e na vida.
Alves, Miriam e Kono, Yara. As Peças Mais Pequenas. Tudo o que vemos é feito do que não vemos. Planeta Tangerina. Uma jornalista portuguesa e uma ilustradora brasileira fizeram um belo livro para crianças que explica que «tudo o que vemos é feito do que não vemos». Na ciência, o essencial é invisível aos olhos: os átomos formam tudo à nossa volta e dentro de nós. Mas, mais do que descrever a ciência, a primeira autora fala do processo de descoberta. E a segunda ilustra o texto esplendidamente.
Cardoso, Vítor. O Eclipse do Tempo. Guia para entrar em buracos negros. Oficina do Livro. Um astrofísico português com grande currículo no estudo de buracos negros, professor no Instituto Superior Técnico e no Instituto Niels Bohr em Copenhaga, escreveu uma obra de divulgação sobre o tempo e esses «monstros cósmicos» que engolem tudo. O prefácio é do Nobel da Física Reinhard Genzel, o astrofísico alemão que ajudou a determinar a massa do superburaco negro que está no centro da nossa galáxia, e o posfácio de Emanuele Berti, presidente da Sociedade Internacional de Relatividade Geral e Gravitação.
Carvalho, António Galopim de. Ao Romper da Aurora. Âncora. O professor jubilado de Ciências da Terra da Universidade de Lisboa, autor de muitos outros livros, reúne aqui muitos dos textos, à volta da sua vida, que escreveu para as redes sociais. O título explica-se porque o professor gosta de escrever de madrugada. O resultado é um longo depoimento pessoal de um dos nossos maires divulgadores de ciência. No final do ano, Galopim de Carvalho publicou ainda, na mesma editora, Aprender a Gostar de Saber.
Conway, Ed. Mundo Material. Uma história substancial do nosso passado e futuro. Temas e Debates. Um premiado jornalista de economia inglês realizou uma viagem pelo mundo para nos contar os materiais que se extraem dom interior do nosso planeta e o modo como são transformados para formarem os objetos de que precisamos. Por exemplo, de onde vem o silício dos nossos chips de computadores? Vem da areia…
Kissinger, Henry; Mundie, Craige; e Schmidt, Eric. Génesis. Inteligência artificial, esperança e o espírito humano. Dom Quixote. Um ensaio que fornece uma ampla matéria de reflexão sobre os prementes desafios da Inteligência Artificial, da autoria do político e estadista norte-americano falecido em 2023 com cem anos, de um ex-diretor da Microsot e de um ex-CEO da Google. O primeiro e o terceiro autores já tinham analisado o assunto no seu livro, com Daniel Huttenlocher, A Era da Inteligência Artificial e o Nosso Futuro Humano (também na Dom Quixote).
Levitt, Dan. De Que Somos Feitos? A história dos átomos do seu corpo, desde o Big Bang até ao jantar de ontem, Lua de Papel. Este livro de um realizador norte-americano de documentários científicos conta-nos como temos dentro de nós quer partículas do Big Bang quer átomos cozinhadios nas estrelas. Somos essencialmente água e, na molécula de água, o hidrogénio veio do Big Bang e o oxigénio das estrelas. Escrevi o prefácio.
Marçal, David. Como Perder Amigos Rapidamente e Aborrecer Pessoas com Factos e Ciência. Gradiva. O bioquímico e comunicador de ciência que escreve regularmente no Público disseca o mundo de hoje, largamente irracional, numa perspectiva racional, baseada em factos e na ciência, neste livro com um título irónico. No mundo polarizado em que vivemos, é natural que alguns dos seus textos, bem escritos e documentados, sejam polémicos. E escrevi o prefácio.
Osório, Luís. A Última Lição de Manuel Sobrinho Simões. Contraponto. O conhecido jornalista e escritor fez uma longa entrevista a um dos dois cientistas portugueses mais conhecidos, Manuel Sobrinho Simões, médico patologista da Universidade do Porto, especialista em cancro da tiroide e fundador do IPATIMUP.
Reich, David. Quem Somos e Como Chegámos até Aqui. O ADN antigo e os novos avanços científicos acerca do passado. Gradiva. Um especialista norte-americano em genoma antigo conta como a decifração do genoma está a revelar a nossa ancestralidade. As diferenças biológicas entre as populações actuais pode ser compreendida pode ser mais bem compreendida à luz dos mais recentes desenvolvimentos.
Rovelli, Carlo. Há lugares no mundo onde a gentileza é mais importante do que as regras. Objectiva.O físico italiano Rovelli é um dos nomes cimeiros da divulgação da Física. Este livro, que surge na sequência de outros sucessos do mesmo autor, contém um conjunto de crónicas originalmente saídas na imprensa italiana. Na sua diversidade, exibem os dotes de escrita do autor, para além claro do seu conhecimento da ciência e da história e da sua sensibilidade para ligar a ciência à arte.
Tyson, Neil de Grasse e Walker, Lindsay. Para o Infinito e Mais Além. Uma viagem de descoberta cósmica. Gradiva. O norte-americano Tyson, autor de Astrofísica para Gente com Pressa (também na Gradiva), é um dos divulgadores de ciência mais brilhantes da era pós Carl Sagan, com quem aliás se encointrou em jovem. Walker, por sua vez, é uma comunicadora de ciência na área do audiovisual. Juntos fizeram um belo volume ilustrado que nos conduz aos mistérios do cosmos, dos quais os maiores estão bem longe da Terra. A tradução é minha.
Ficaria mal comigo se não juntasse em nota final os meus dois livros deste ano, o primeiro para pré-adultos e adultos e o segundo para os mais pequenos: Toda a Física Divertida, Gradiva, com desenhos de José Bandeira, e, com Luísa Ducla Soares e Daniel Completo, No Mundo dos Porquês. A ciência cantada e contada, Canto das Cores, com desenhos de Cristina Completo.