MEOEstá prevista a saída de 14 estações da grelha.
A MEO anunciou a saída de vários canais da sua grelha.
Canais infantis, séries e música estão incluídos na listagem que atinge mais de catorze canais. Além dos canais MTV 00's e MTV Live, que terminam emissão a 01 de janeiro, E! Entertainment, Fashion TV, Fashion TV 4K, Mezzo, Mezzo Live, MTV Portugal, Nick Jr, Nickelodeon, Q,SyFy, Trace Brasil e Trace Toca deixam a grelha "a partir do próximo dia 31-12-2025", refere a operadora em nota de rodapé no site publicada à data da publicação deste artigo.
A operadora não diz qual o motivo para a saída destes canais da grelha. Contudo, muitos dos canais mantêm-se disponíveis nas restantes operadores nacionais.
BOOMFIT/DivulgaçãoAção homenageia profissionais em serviço na noite de 24 de dezembro.
Traz uma "mensagem emotiva" e quer homenagear "aqueles que passam a noite mais mágica do ano ao serviço da comunidade". A marca portuguesa BOOMFIT lançou esta quarta-feira a campanha "Há vitórias que nem sempre acontecem em campo". A decorrer nas páginas das várias redes sociais da loja online de produtos de fitness, a ação de Natal reúne atletas de várias modalidades para lembrar os profissionais que estão na "linha da frente" durante esta quadra.
Numa nota enviada às redações, a empresa de Vila Nova de Famalicão diz que optou por uma tónica simbólica e sentida: "Com um tom emocional, o vídeo pretende homenagear enfermeiros, agentes de autoridade, operários, assistentes sociais e todos os que, mesmo na noite de Natal, continuam a cuidar, proteger e assegurar o funcionamento do país", refere. Por seu turno, o CEO da BOOMFIT Vítor Brandão diz que, com a ação, a BOOMFIT quis "dar voz a uma mensagem maior do que nós: agradecer a todos os profissionais que continuam a dar o seu melhor quando o resto do mundo está a celebrar. O gesto simbólico de trocar o equipamento desportivo por uma farda representa respeito, empatia e reconhecimento por quem mantém o país em movimento, mesmo nos dias mais especiais".
Produzido internamente, o vídeo da loja online de equipamentos e acessórios de fitness tem a participação de atletas das equipas de ténis e voleibol do Ginásio Clube Vilacondense, da equipa do Basquete Clube de Barcelos e da equipa de futsal do Futebol Clube de Famalicão: "“Acreditamos que integrar atletas de clubes locais acrescenta autenticidade e profundidade à mensagem", acrescenta Brandão.
karmanovalive/Envato ElementsCOMECE diz que decisão pode ser o combustível para "sentimentos antieuropeus".
Um acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) levou a que a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) emitisse uma posição que alerta que a decisão pode extravasar as competências comunitárias na questão do direito da família e do reconhecimento do casamento homossexual.
Segundo a agência de notícias católica Ecclesia, a COMECE diz que a decisão pode interferir em questões da soberania e identidade de cada país da União, podendo mesmo levar a "fomentar a pressão para alterar o direito nacional da família" e "desenvolvimentos negativos noutras áreas sensíveis, como a barriga de aluguer" ou, até, "alimentar sentimentos antieuropeus nos Estados-Membros".
O caso, denominado de "Wojewoda Mazowiecki", remonta à 2023 quando um casal homossexual polaco tentou efetuar a transcrição da sua certidão de casamento, celebrado em Berlim, Alemanha, em 2018. Contudo, na Polónia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido, pelo que o pedido foi negado. Chamado a decidir, o Tribunal, apesar de não impor a alteração da definição de casamento no direito nacional, obrigou ao reconhecimento daquela união, até porque tal decisão viola o direito de circulação de pessoas dentro do espaço comunitário, causando "graves inconvenientes a nível administrativo, profissional e privado" e obrigando o casal a viver como pessoas não casadas no país de onde são originários.
"A decisão do Tribunal da UE terá impacto nos sistemas nacionais de direito da família" - COMECE
É certo que a Igreja Católica não reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, a posição dos Bispos europeus vai um pouco mais longe, referindo que a decisão do Tribunal faz força para o reconhecimento de um ato que não existe nas leis de um país: "Exige [...] a introdução de procedimentos de reconhecimento e apela mesmo à não aplicação, se necessário, das disposições nacionais em causa", refere o comunicado, reforçando que a decisão "cria efetivamente uma convergência dos efeitos do direito matrimonial, muito embora a União não tenha mandato para harmonizar o direito da família", que é responsabilidade de cada Estado-Membro.
Assim, o COMECE alerta que "a decisão do Tribunal da UE terá impacto nos sistemas nacionais de direito da família e poderá fomentar pressões para a sua alteração", focando que a definição de casamento, em alguns países, "é parte integrante" da sua identidade nacional.
O comunicado termina dizendo que a decisão pode também alimentar outras sensibilidades contra a UE: "Recordando o contexto desafiante que a União Europeia atravessa atualmente, inclusive no que toca à sua perceção em vários países, não surpreende que este tipo de decisões alimente sentimentos antieuropeus nos Estados-Membros e possa ser facilmente instrumentalizado nesse sentido", conclui.
Image-Source/Envato ElementsResultados poderão abrir caminho a novas práticas educativas.
É a esta questão que Marta Martins, investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), pretende responder. Em dois projetos complementares, estuda tanto a predisposição rítmica das crianças como o efeito causal do treino musical rítmico na aquisição da leitura e da escrita. Esta investigação irá ainda mapear as bases neuronais desta relação através de ressonância magnética estrutural e funcional.
“O processamento de vários aspetos rítmicos musicais tem sido consistentemente associado às competências de leitura e escrita das crianças, sobretudo nas fases iniciais de aprendizagem. No entanto, continua por esclarecer como esta relação se desenvolve e quais os mecanismos que a sustentam”, explica Marta Martins. A investigadora sublinha que os estudos existentes deixam várias questões sem resposta, incluindo se o treino musical que trabalha predominantemente aspetos rítmicos poderá promover estas aprendizagens e se esse efeito é independente da fase de aprendizagem em que a crianças se encontra. Para responder a estas questões, a investigadora do CIS-Iscte coordena agora dois projetos de investigação dedicados a explorar estes efeitos.
Dois projetos, um objetivo
O projeto “RhythMus_inRaw – Evaluating Musical Rhythm Predisposition and Training in Shaping Children’s Reading and Writing Skills”, financiado pela fundação BIAL (Ref. 139/2024) e realizado em colaboração com o Agrupamento de Escolas Irmãos Passos (Matosinhos), dá continuidade ao trabalho de Marta Martins sobre os fatores neurocognitivos associados às dificuldades de leitura, aprofundando o papel que o treino musical rítmico poderá desempenhar na sua mitigação.
Neste projeto, a investigadora conduz um ensaio controlado randomizado por grupo (cluster randomized control trial), em que turmas inteiras são distribuídas aleatoriamente por três condições experimentais: treino musical exclusivamente rítmico, treino musical Orff (treino musical compreensivo que funciona como um controlo ativo) ou grupo sem treino organizado e sistemático (controlo passivo). No estudo participarão crianças de 6 anos, falantes de português, que frequentam escolas públicas do Agrupamento, e que serão monitorizadas ao longo de dois anos letivos. “As crianças serão avaliadas antes, durante e após o treino em tarefas rítmicas, leitura, escrita e motricidade fina, bem como em medidas de cognição geral, musicalidade e variáveis sociodemográficas.”, esclarece Marta Martins. O estudo decorre no contexto escolar regular, assegurando elevada validade ecológica. Serão também recolhidos dados de ressonância magnética, com enfoque na função cerebral, permitindo mapear as redes neuronais que sustentam estes processos e a relação entre ritmo e literacia.
A investigadora antecipa que “o treino rítmico melhore diferentes processos rítmicos, incluindo a perceção e sincronização”, competências que os seus trabalhos anteriores relacionam à leitura através de processes fonológicos, bem como às melhorias motoras resultantes do treino musical. Assim, prevê-se que o treino rítmico reforce simultaneamente processos fonológicos e motores, que contribuirão para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Em contraste, “o treino musical Orff que iremos implementar deverá melhorar a motricidade fina e alguns processos rítmicos (ainda que em menor escala), replicando resultados dos nossos estudos anteriores e, consequentemente, impactar principalmente a fluência da escrita”, explica. Os correlatos neuronais deverão refletir as alterações comportamentais observadas, particularmente em regiões auditivas e motoras.
Para expandir esta linha de investigação, Marta Martins iniciará em breve o projeto “Rhythm4RAW – Can Training in Musical Rhythm Improve Children’s Reading and Writing Skills?”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Ref. 2023.16303.ICDT). O projeto integra três estudos: a adaptação e validação de uma escala para avaliar de forma compreensiva a musicalidade de crianças, criando a primeira ferramenta portuguesa com este propósito; um estudo transversal com crianças dos 6 aos 12 anos, que compara as competências de leitura e escrita de crianças com e sem treino rítmico, incluindo no grupo sem treino rítmico crianças com elevada predisposição rítmica; e um ensaio controlado randomizado por grupo, semelhante ao implementado no projeto RhythMus_inRaw, que replicará o estudo anterior mas com enfoque nos correlatos de estrutura cerebral que suportam a relação entre processamento rítmico e leitura e escrita. Em conjunto, estes estudos permitirão distinguir os efeitos da predisposição dos efeitos causais do treino, e clarificar em que condições o processamento rítmico pode apoiar o desenvolvimento da literacia.
De acordo com a investigadora, as diferenças-chave entre os dois projetos residem no tipo de correlato neuronal analisado e no desenho experimental adotado para estudar a mesma questão de investigação. O projeto RhythMus_InRaw centra-se na predisposição rítmica e nos efeitos do treino rítmico ao longo de dois anos letivos em crianças de 6 anos, e na função cerebral subjacente ao processamento rítmico e às competências de literacia. O projeto Rhythm4RAW tem um alcance mais abrangente, inclui estudos com desenho transversal e longitudinal, integra a validação de uma escala de musicalidade, e foca-se nos correlatos estruturais associados aos efeitos em estudo. Além disso, examina a relação entre ritmo e literacia numa faixa etária mais alargada, envolvendo crianças dos 6 aos 12 anos.
Porquê treinar as competências rítmicas?
A fundamentar estes projetos, o trabalho anterior de Marta Martins, realizado em colaboração com investigadores da Universidade do Porto, demonstrou que a perceção de ritmo – e não a de melodia – se associa às competências de leitura de crianças do primeiro ano de escolaridade. “Os nossos resultados sugerem ainda que esta relação é mediada pelo processamento fonológico”, explica Marta Martins, sublinhando que “os processos rítmicos parecem ajudar as crianças a discriminar e organizar as unidades sonoras de fala, suportando o desenvolvimento da leitura”, acrescenta. A investigadora do CIS-Iscte está neste momento a trabalhar sobre os dados de um novo estudo em que participaram mais de 300 crianças do 1º ao 4º ano de escolaridade, e em os resultados suportam novamente a relação entre perceção rítmica e leitura e a mediação desta relação por processos fonológicos. A investigadora adianta, no entanto, que “esta relação se esbate em crianças em estados de desenvolvimento leitor mais avançado”. Estes resultados preliminares levaram ao reorientar da faixa etária alvo nos dois estudos longitudinais agora a arrancar, e que incluirão crianças com 6 anos, acompanhando-as ao longo do 1º e 2º ano do ensino básico, precisamente a fase mais sensível e inicial de aquisição da leitura e da escrita.
De uma forma geral, o conhecimento atual sugere que o treino rítmico pode ser útil como suporte à aprendizagem da leitura e da escrita, em particular em estádios iniciais de aquisição. Contudo, esta premissa necessita ser testada através de estudos longitudinais que considerem as diferenças individuais entre crianças e os seus contextos.
A pré-disposição rítmica e o contexto familiar são importantes para a aprendizagem da leitura e da escrita?
Num outro estudo publicado em coautoria com colaboradores das Universidades do Porto e de Jena, Marta Martins explorou longitudinalmente como a predisposição rítmica modula os efeitos do treino musical na componente motora e quais as regiões cerebrais implicadas nesse processo. Durante cerca de 6 meses, crianças de 8 anos participaram em treino musical, treino desportivo, ou integraram um grupo de controlo sem treino sistemático e organizado, sendo avaliadas antes e após o treino em competências rítmicas e motoras e através de neuroimagem estrutural. “Observámos que, antes do treino musical, as crianças com melhor perceção rítmica apresentavam menor volume de matéria cinzenta em diversas regiões motoras”, afirma Marta Martins. A investigadora acrescenta que “o treino musical melhorou o desempenho motor das crianças, e esse efeito foi mais saliente naquelas com melhor discriminação rítmica no início do estudo”. Os resultados indicaram ainda que o treino musical induziu a redução de volume de matéria cinzenta no cerebelo e no giro fusiforme do hemisfério esquerdo—regiões que se associavam à perceção rítmica antes do treino—e que esta redução se correlacionou com melhorias superiores na motricidade. Nenhum destes efeitos foi observado nos grupos de treino desportivo ou de controlo. “Este estudo demonstrou que o treino musical Orff promove o desenvolvimento motor e fá-lo de forma mais marcada em crianças com melhor perceção rítmica. Resta-nos ainda clarificar se estas melhorias motoras podem transferir-se para a fluência de escrita—uma das questões a que queremos responder nos novos projetos”, sintetiza a investigadora.
Num estudo prévio, distinguido pela Associação Portuguesa de Psicologia Experimental com o Prémio APPE 2023, a mesma equipa investigou se diferenças no QI e no estatuto socioeconómico se refletiam em diferenças estruturais no cérebro de crianças com dificuldades de fluência de leitura. Os resultados indicaram que as crianças com défices de fluência apresentavam menor volume de matéria cinzenta no giro temporal superior direito e noutras regiões occipito-temporais e fusiformes, quando comparadas com os leitores típicos. Além disso, entre as crianças com dificuldades de leitura, as diferenças no volume de determinadas áreas dependiam do estatuto socioeconómico, mas não do QI. Como refere a investigadora, “entre as crianças com dificuldades de leitura, aquelas que provinham de contextos socioeconómicos mais favorecidos apresentavam maior volume de matéria cinzenta no giro angular direito do que crianças provenientes de contextos menos favorecidos.”. O giro angular é uma região do lobo parietal envolvida na integração de informação multimodal e que está implicado na compreensão semântica da linguagem, no processamento simbólico (incluindo o numérico), e em funções cognitivas como memória e atenção. Para a equipa de investigação, as diferenças nesta região podem refletir níveis distintos de estimulação cognitiva ou de linguagem, ou variações nos níveis de atenção, frequentemente associados a contextos socioeconomicamente menos favorecidos.
O que se espera descobrir e porque é que isso importa
Apesar dos avanços já alcançados, a literatura é ainda parca em estudos longitudinais e multimétodo que permitam acompanhar, com rigor, o processo de aquisição da leitura e da escrita, contribuindo para diminuir os seus défices. Ainda menos são aqueles que investigam como o processamento rítmico e o treino musical rítmico podem influenciar estas aprendizagens. É precisamente essa lacuna que os projetos que agora se iniciam e que têm parceiros nas Universidades do Porto, Jena e Boston, na Unilabs—Boavista, nas ULS São João e Matosinhos e no Agrupamento de Escolas Irmãos Passos, procuram preencher. Ao combinar medidas comportamentais, treino musical rigorosamente controlado e neuroimagem funcional e estrutural, estes projetos posicionam-se para responder a perguntas fundamentais: De que forma o comportamento e o cérebro se moldam com o treino rítmico? Quem beneficia mais deste treino e porquê? Como é que predisposição e experiência interagem no moldar da literacia? Os resultados que emergirem destes estudos não só aprofundarão o conhecimento científico sobre este tema, como poderão abrir caminho a novas práticas educativas, mais sensíveis às diferenças individuais e informadas por evidência robusta. No conjunto, este trabalho antecipa uma contribuição decisiva para compreender como o ritmo, um elemento universal da experiência humana, se pode tornar um aliado poderoso na promoção da literacia infantil.
Dremia/DivulgaçãoProjeto "único" é uma iniciativa conjunta do Canal Hollywood e da Majora.
Quem será o produtor do próximo blockbuster? Esta é a premissa do jogo de tabuleiro "Missão Hollywood", uma iniciativa do Canal Hollywood e da empresa portuguesa Majora, e que vem a tempo de ser uma "sugestão ideal de presente para este Natal".
Na nota enviada às redações, o canal de cinema produzido pela Dreamia refere que o projeto é "inédito" e é "inspirado no universo do cinema", juntando "sorte, estratégia e humor". O jogo envolve todo o processo de um filme, "desde contratar atores e escrever o guião até escolher o estúdio ideal para as filmagens". Contudo, nem tudo é fácil: "O percurso (...) está repleto de desafios e imprevistos que testam a capacidade de adaptação e planeamento dos jogadores", reforça o canal.
Para a estação, "o jogo “Missão Hollywood” é uma forma de transformar o amor pelos filmes numa experiência partilhada, onde todos se podem sentir parte de uma grande produção", refere o diretor de marketing do Hollywood Jorge Ruano, acrescentando que o projeto "traduz o traduz o espírito do Canal Hollywood: entretenimento, emoção e união em torno do cinema, sendo uma oportunidade para juntar famílias e amigos à volta da mesa, criando as suas próprias histórias". Por seu turno, o CEO da octagenária Majora Ricardo Feist considera esta parceria com "todo o sentido, pela afinidade natural entre o entretenimento e o espírito familiar que ambos promovemos", sustenta.
O jogo está já à venda em grandes superfícies e pequeno retalho com um preço de €29,99.
iLixe48/Envato Elements"A validação através de “likes” tornou-se um símbolo de aceitação e sucesso."
No mundo contemporâneo, as redes sociais tornaram-se um espaço onde a validação social é constantemente medida através de “likes”, comentários e partilhas. Esta nova “economia da atenção” transformou a forma como nos relacionamos, levando a um sentimento inevitável: a inveja. Podemos analisar como esta emoção, considerada negativa, se manifesta e se intensificou na era digital.
A inveja, enquanto sentimento humano, é tão antiga quanto a própria civilização. Na Antropologia, é estudada como um motor de comportamento social que pode, paradoxalmente, promover a coesão ou gerar conflitos. Nas redes sociais, no entanto, a inveja ganha uma nova dimensão. Quando visualizamos as vidas aparentemente perfeitas de amigos, influenciadores ou celebridades, é fácil sentir que não estamos à altura. A comparação constante que as plataformas digitais promovem alimenta um ciclo vicioso de insatisfação e descontentamento.
A falta de apreciação nas redes sociais é um fenômeno notável. O “não like” pode ser interpretado como um sinal de desprezo, com consequências que criam uma espécie de hierarquia social. Os jovens, em particular, são suscetíveis a esta dinâmica; a validação através de “likes” tornou-se um símbolo de aceitação e sucesso. Quando publicam uma foto ou um momento especial e recebem uma resposta fria do público, a desilusão é palpável. Essa sensação de desvalorização pode levar a um estado de angústia emocional, gerando uma busca incessante por mais validação, que, por sua vez, intensifica a competição entre pares.
Do ponto de vista antropológico, esta dinâmica pode ser compreendida através do conceito de “capital social”. O antropólogo Pierre Bourdieu destacou que o “capital social” é acumulado através de redes de relações e interações sociais. Nas redes sociais, os “likes” e comentários funcionam como uma forma de capital. Aqueles que têm mais seguidores e interações são, muitas vezes, vistos como mais influentes e desejáveis. Este fenómeno não aumenta apenas a pressão para ter uma presença digital “perfeita”, mas também solidifica a ideia de que o valor de uma pessoa pode ser medido em termos de popularidade online.
A natureza efémera das interações digitais também exacerba a inveja. Uma publicação que recebe uma enxurrada de “likes” e comentários positivos num dia, pode ser rapidamente esquecida no “feed”, levando os indivíduos a lutar por uma atenção fugaz. Essa volatilidade alimenta uma cultura de superficialidade onde o conteúdo autêntico muitas vezes é deixado de lado em favor do que é visualmente apelativo ou que gera mais “engagement”. A necessidade de ser constantemente visto e validado torna-se uma pressão omnipresente, criando um ambiente onde a inveja pode prosperar.
Para lidar com este ciclo de inveja e validação social, é crucial promover uma maior consciencialização sobre a natureza das redes sociais. Precisamos lembrar que o que vemos online é frequentemente uma construção da realidade, filtrada e editada para parecer ideal. A verdadeira conexão humana não deve ser medida em “likes”, mas sim na profundidade das relações que cultivamos fora das telas. A valorização de experiências autênticas e a promoção da empatia nas interações online podem ajudar a mitigar os efeitos corrosivos da inveja.
Em suma, a inveja nas redes sociais é um reflexo de uma sociedade que valoriza a aparência e a validação superficial. Ao entendermos as dinâmicas sociais que operam nestes espaços, podemos começar a desconstruir as narrativas que alimentam a insegurança e a comparação. É tempo de resgatar o valor das relações autênticas e da autoapreciação, reconhecendo que a verdadeira riqueza está nas nossas experiências e conexões humanas, e não no número de “likes” ou subscrições.