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26 fevereiro 2025

Cientistas desenvolvem filmes de nanocelulose para conservação e restauro de documentos históricos

Universidade de Coimbra
Películas oferecem vantagens significativas em comparação aos materiais convencionais.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver biofilmes de nanocelulose, com o objetivo de criar soluções eficazes e sustentáveis para a conservação e restauro de documentos históricos em papel.

Estes filmes, feitos de materiais renováveis, são semelhantes à película aderente de cozinha, mas mais resistentes, apresentando-se como uma alternativa inovadora aos métodos tradicionais, como o uso de papel japonês, amplamente utilizado nesta área.

«Durante séculos, a tinta ferrogálica foi bastante usada em manuscritos devido à sua nitidez e permanência. No entanto, certas características químicas que possui, como acidez e o elevado teor de ferro, causam, com o tempo, degradação no papel, resultando em fissuras, perda de resistência e até formação de furos no documento, para além do desvanecimento da própria tinta resultando em perda de legibilidade», explica José Gamelas, investigador do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES).

De acordo com o líder do projeto “NANOCELIRONGAL – Nanocellulose films for the repair of old documents containing iron gall ink”, os filmes de nanocelulose oferecem vantagens significativas em comparação com os materiais convencionais. Entre as principais caraterísticas destacam-se a elevada resistência mecânica que possuem, garantindo uma maior durabilidade e estabilidade estrutural do papel tratado, a barreira protetora superior, que impede a entrada de oxigénio e humidade, principais causas de degradação, e a transparência, que permite uma aplicação quase impercetível do filme. Para além disso, à semelhança do papel japonês, contribui para práticas de conservação mais verdes.

Durante a investigação, a equipa testou diferentes técnicas de aplicação, incluindo a colagem do filme ao papel com adesivos específicos. «Aplicamos os filmes em papel de trapos (usado para simular papel antigo) escrito com tinta ferrogálica (recriada em laboratório). Posteriormente, são feitos testes de envelhecimento acelerado em condições controladas de temperatura e humidade, entre outras, para avaliar a durabilidade e eficácia dos filmes», conta Ana Marques, membro do projeto.

«Os resultados obtidos são bastante promissores e indicam que os filmes de nanocelulose superam o papel japonês em termos de resistência mecânica e capacidade de proteção, posicionando-se como uma alternativa mais eficaz», afirmam os investigadores.

Em março, José Gamelas irá liderar um novo projeto, financiado pela Comissão Europeia no valor de 2,2 milhões de euros, que dará continuidade à investigação que tem vindo a ser feita nesta área. «Este novo capítulo visa consolidar uma linha de investigação de ponta na criação de materiais bio baseados por abordagens sustentáveis e explorar o seu potencial na conservação de património histórico e cultural», conclui o professor da FCTUC.

25 fevereiro 2025

Extrema direita cresce na Alemanha impulsionada por Elon Musk

vinnikava/Envato Elements
Nas vésperas da eleição, o AfD ganha tração no Parlamento com o apoio do multimilionário da tecnologia.

Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo em inglês da autoria de Matt Fitzpatrick na publicação The Conversation, e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.

Este artigo foi originalmente publicado a 22 de fevereiro de 2025.

Poucas semanas antes das eleições na Alemanha, marcadas para 23 de fevereiro, Elon Musk declarou de forma inequívoca seu apoio ao partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Em um vídeo exibido durante um comício do partido, no dia 25 de janeiro, ele incentivou os alemães a “seguir em frente” em relação a qualquer “culpa do passado” relacionada ao Holocausto: “É bom ter orgulho da cultura alemã, dos valores alemães, e não perder isso em um tipo de multiculturalismo que dilui tudo.”

De forma preocupante, a AfD agora está solidamente estabelecida como o segundo partido mais popular da Alemanha, atrás apenas da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita. No entanto, como todos os partidos nas eleições alemãs, a AfD não pode conquistar uma maioria absoluta. Também é improvável que seja convidada a integrar qualquer coalizão governista que surja após as eleições de 23 de fevereiro.

Por que isso importa?

A Alemanha é a terceira maior economia do mundo, atrás dos EUA e China. Além disso, ela tem papel importante nas decisões da União Europeia, onde partidos de extrema direita têm avançado.

Mas o discurso anti-imigrantes e antigoverno da AfD já distorceu significativamente o debate público e a cultura democrática na Alemanha, levando muitos a questionar se o partido precisa vencer eleições para ver suas políticas implementadas.

Isso ficou evidente após uma semana dramática em janeiro no Bundestag, o Parlamento alemão.

O primeiro sinal foi uma ruptura radical com as normas políticas da Alemanha: o líder da oposição, Friedrich Merz (CDU), contou deliberadamente com os votos da AfD para aprovar à força uma moção radical que promovia o endurecimento das fronteiras e restringia os pedidos de asilo no país.

Foi a primeira vez na história do Bundestag que uma maioria parlamentar foi alcançada com a ajuda da extrema direita. A ação de Merz foi amplamente condenada como uma violação de tabus e um passo em direção à legitimação da AfD.

Dias depois, Merz tentou ir ainda mais longe, com um projeto de lei abrangente para endurecer os controles de imigração. Embora o projeto tenha sido derrotado por uma margem estreita, toda a AfD votou com Merz. Doze membros de seu próprio partido, a CDU, se recusaram a apoiá-lo.

A aproximação de Merz com a extrema direita é amplamente vista como politicamente desnecessária, já que sua CDU conservadora já lidera as pesquisas nacionais, tornando-o o favorito para suceder Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), como chanceler.

Isso levanta algumas questões cruciais antes da eleição. São os insiders ou os outsiders que estão desempenhando o maior papel na normalização da extrema direita? E qual será o papel da AfD após as eleições?

X/Divulgação

O efeito Musk

O apoio de Musk à AfD não deveria ser uma surpresa, dado o papel essencial que ele desempenhou na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. No contexto alemão, no entanto, seu comportamento e declarações assumiram tons ainda mais sombrios.

Os alemães sabem muito bem o que está em jogo quando a democracia é corroída por aqueles que abusam de suas liberdades para atacá-la. Se as saudações nazistas de Musk após a posse de Trump tivessem sido feitas em Berlim, por exemplo, ele poderia ter enfrentado até três anos de prisão.

O lema “nunca mais” tem sido um princípio fundamental da política alemã desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a resposta às recentes provocações de Musk foi estranhamente contida em algumas partes da mídia alemã.

O tabloide alemão Bild minimizou de forma constrangedora a saudação hitleriana de Musk, enquanto outros veículos falaram de forma vaga de um “gesto questionável”.

Com algumas exceções notáveis, coube a ativistas lembrar aos alemães a gravidade desse gesto – projetando a imagem da saudação de Musk em uma fábrica da Tesla na Alemanha, ao lado da palavra “heil”.

Dado o rigor com que a Alemanha fiscaliza representações de seu passado nazista, foi surpreendente ver tão poucos jornalistas dispostos a afirmar sem rodeios que “uma saudação de Hitler é uma saudação de Hitler”.

A aproximação de Merz com a extrema direita

Inicialmente, houve alguns sinais de que os principais líderes políticos da Alemanha condenariam as tentativas de Musk de normalizar a política de extrema direita no país.

Quando Musk chamou a AfD de “a última centelha de esperança” em dezembro, tanto Scholz quanto Merz rapidamente condenaram sua interferência.

Scholz continuou a classificar as tentativas descaradas de Musk de influenciar a política alemã como “inaceitáveis” e “repugnantes”.

Embora Merz afirme manter distância de Musk, sua estratégia para vencer as eleições não parece muito diferente do que o bilionário sugere —– Merz tem imitado as políticas da AfD e colaborado com o partido em votações anti-imigração.

Steffen Prößdorf/Wikimedia Commons

Na ruptura mais radical com o centrismo que caracterizou a CDU sob o governo da ex-chanceler Angela Merkel, Merz derrubou os obstáculos ao trabalho com a extrema direita. Sabendo exatamente o que isso significava, ele usou o apoio da AfD para aprovar no Parlamento a moção nacionalista sobre a proteção de fronteiras.

A AfD celebrou publicamente, chamando o episódio de “um dia histórico para a Alemanha”.

Enquanto isso, líderes de partidos democráticos manifestaram choque e indignação. A própria Merkel se pronunciou contra Merz, dizendo que era “errado” colaborar conscientemente com a AfD.

A intervenção da ex-chanceler parece ter sido crucial para a rejeição do projeto de lei sobre imigração, já que muitos dos ex-apoiadores de Merkel na CDU se recusaram a votar a favor da proposta.

O que a ascensão da AfD pode significar

Dadas essas duas votações e a intervenção de Musk, muitos na Alemanha agora temem que uma vitória da CDU nas eleições possa sinalizar uma colaboração maior com a AfD.  

O partido de Esquerda chamou Merz de fantoche da AfD e exigiu que Musk fosse proibido de entrar na Alemanha.  

Steffen Prößdorf/Wikimedia Commons

Robert Habeck, vice-chanceler da Alemanha e membro do Partido Verde, afirmou que a coalizão nacionalista de Merz “destruiria a Europa”. Ele alertou Musk para manter as “mãos longe de nossa democracia”, o que levou o bilionário a chamá-lo de “traidor do povo alemão”.  

Musk não é, de forma alguma, a causa da popularidade da AfD, mas seu apoio ao partido extremista deu a ele um perfil global e credibilidade em círculos que talvez nunca o considerassem antes.  

Musk tem sido uma figura controversa na Alemanha desde a chegada da “gigafábrica” da Tesla no estado de Brandemburgo, perto de Berlim, que foi imediatamente acusada de derrubar 500 mil árvores e causar danos irreparáveis a valiosas reservas de água subterrânea. Acusações de que a Tesla violou leis trabalhistas alemãs e até realizou verificações-surpresa em trabalhadores de licença médica também não ajudaram a imagem da empresa entre os alemães progressistas.  

Como alguns comentaristas sugeriram, provavelmente não é coincidência que os planos da AfD para a economia alemã beneficiariam os interesses comerciais de Musk. No entanto, o interesse econômico por si só parece insuficiente para explicar por que Musk se aproximou tanto da extrema direita.  

O mesmo pode ser dito de Merz. Os cálculos eleitorais por si sós não explicam seu perigoso flerte com a extrema direita. Ele já era o favorito para vencer as próximas eleições há muito tempo. Aproximar-se da AfD apenas dificultará uma coalizão com o Partido Social-Democrata, do chanceler Scholz, ou com o Partido Verde.  

Se esses dois partidos se recusarem a negociar com Merz, o único bloco grande o suficiente para garantir o controle do governo à CDU seria a AfD. Ele chegaria a esse ponto?  

Seja parte formal do próximo governo ou não, a AfD e seus aliados (como Musk) podem estar prestes a ter uma influência muito maior na política alemã. Como isso mudará a Alemanha a longo prazo ainda é uma incógnita.


Reportagem publicada originalmente em inglês no site The Conversation.

24 fevereiro 2025

Podemos ter bifes de vaca sem (muitos) danos no clima?

karandaev/Envato Elements
"Com a procura global por carne bovina a aumentar, otimizar os sistemas produtivos para reduzir as emissões sem comprometer a produtividade é fundamental", dizem investigadores.

    Criar bovinos em sistema de pastoreio, com suplementação nutricional adequada e escolher bem a raça. Esta é a receita que desafia a ideia de a carne bovina ser o alimento com maiores emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na sua produção. Da autoria de investigadores do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências, ambas da Universidade de Lisboa, o estudo publicado na revista ‘Environmental Impact Assessment Review’ demonstra que as emissões de GEE da produção de carne bovina podem variar entre 124 kg e apenas 15 kg de dióxido de carbono (CO₂) e por 100 g de proteína, dependendo do sistema de produção adotado. A investigação aponta, no entanto, que os sistemas baseados em pastoreio tendem a ter menores emissões do que os sistemas de confinamento apenas quando os animais recebem suplementação nutricional adequada. Se os animais em pastoreio não forem devidamente alimentados, o confinamento pode ser a opção com menor pegada de carbono, desafiando a ideia generalizada de que a produção em pastoreio é sempre mais sustentável. O estudo também destaca a importância da escolha da raça, uma vez que algumas têm naturalmente uma menor pegada ambiental.

    “Nem sempre é compreendido é que este impacto ambiental tem uma enorme variabilidade. Diferentes raças de bovinos crescem a ritmos distintos e podem ser alimentadas com cereais próprios para consumo humano ou com fontes alternativas, como erva ou subprodutos da indústria agroalimentar. Além disso, os animais podem ser criados em pastagens ou em confinamento. Até agora, era difícil perceber como estas diferentes práticas afetam a pegada de carbono da carne bovina”, explica o principal autor do estudo, Ricardo Teixeira, investigador do Técnico e do Centro de Ambiente e Tecnologia Marítimos – MARETEC.

    O estudo com o título “Grazing or Confining — Decoding Beef’s Environmental Footprint” lnaça novos ângulos sobre a sustentabilidade da criação de bovinos e fornece informações essenciais para decisores políticos, agricultores e indústria da carne, orientando o desenvolvimento de estratégias para uma produção pecuária mais sustentável.

    “Com a procura global por carne bovina a aumentar, otimizar os sistemas produtivos para reduzir as emissões sem comprometer a produtividade é fundamental. O estudo reforça que não existe uma solução única para a produção sustentável de carne — factores como as práticas de maneio, a escolha da raça e a qualidade das pastagens desempenham um papel crucial. Embora algumas das dificuldades na redução da pegada de carbono da carne bovina estejam além do controlo dos produtores, outras podem ser mitigadas através de práticas ambientalmente mais responsáveis”, conclui Ricardo Teixeira.

    Assinam o estudo o investigadores Ricardo Teixeira, Tiago G. Morais, Manuel P. dos Santos, todos do Técnico / MARETEC, Tiago Domingos (Técnico / MARETEC e Terraprima) e Lúcia Barão (Faculidade de Ciências da Universidade de Lisboa).

    Nova temporada de "The Challenge" chega à MTV Portugal

    Laura Barisonzi/MTV ENTERTAINMENT/Paramount+
    Terceira temporada conta com "veteranos" do formato e traz "twists" que vão alterar todo o programa.

    São 22 concorrentes "icónicos e ousados" que vão "competir pelo prémio de campeão e provar que são os melhores dos melhores". Este é o mote da terceira temporada de "The Challenge: All Stars", que estreia no próximo dia 05 de março na MTV Portugal.

    Segundo o canal de música, a terceira temporada traz novos "twists": "Esta nova temporada exige que os participantes tenham conseguido a qualificação ou vencido uma final do "The Challenge", o que resulta num line-up com os concorrentes mais ferozes e competitivos de todas as eras do programa, que agora têm uma segunda chance de combater pelo prémio final de meio milhão de dólares e pelo título de campeão".

    Além disso, a nova temporada traz também duas novas vantagens que vão alterar toda a mecânica do programa: "a Sabotagem, uma vantagem dada aos vencedores dos desafios diários para penalizar outros concorrentes; e as Estrelas, um sistema de “pontos” acumulados através de vitórias, especialmente na Arena – e que podem fazer toda a diferença no Desafio Final", acrescenta a estação.

    Brad Fiorenza, Darrell Taylor, Derrick Kosinski, Veronica Portillo ou Wes Bergmann são alguns dos concorrentes que fazem parte do elenco de 22 concorrentes.

    "The Challenge: All Stars" vai para o ar a partir das 22h.

    21 fevereiro 2025

    Projeto alerta para o impacto da mineração do mar profundo

    EwaStudio/Envato Elements
    No contexto da União Europeia, Portugal, é considerado um dos locais com recursos minerais, muitos dos quais ocorrem na proximidade de áreas protegidas com elevado valor ecológico.

    Nos últimos quatro anos, um projeto liderado pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) dedicou-se ao estudo e à caracterização dos riscos e impacto das atividades de mineração em mar profundo e desenvolveu ferramentas inovadoras, cujo propósito é servir de base à implementação de medidas de mitigação e gestão que minimizem os efeitos negativos nos ecossistemas.

    A investigação, que contou também com investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR-UP), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do Instituto de Investigação em Ciências do Mar Okeanos, da Universidade dos Açores, realizou-se no âmbito do Deep-Risk.

    O trabalho surge numa altura em que há uma pressão cada vez maior para se avançar com estas atividades, em resultado do aumento da procura e do custo de metais para uso industrial, considerados essenciais para a transição energética.

    No contexto da União Europeia, Portugal, e em particular a região dos Açores, é considerado um dos locais com recursos minerais, muitos dos quais ocorrem na proximidade de áreas protegidas com elevado valor ecológico, como campos hidrotermais, jardins de corais e agregações de esponjas associados a montes submarinos.

    “Com este projeto inovador, quisemos contribuir para colmatar algumas das lacunas mais importantes associadas com a avaliação de risco ambiental da mineração em mar profundo, em particular o risco das plumas de sedimentos que serão produzidas durante a atividade de mineração”, destaca o coordenador do projeto, Miguel Santos, docente da FCUP e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR-UP).

    Efeitos nocivos e /ou letais em todos os grupos estudados

    A dispersão de sedimentos durante o processo de mineração é a consequência mais imediata e esperada da mineração de mar profundo. Os investigadores descobriram, no entanto, que a mineração também liberta quantidades elevadas de metais dissolvidos para a coluna de água.

    Estas plumas podem espalhar-se por grandes distâncias, conduzidas pelas correntes, afetando, potencialmente, organismos a vários quilómetros do local de mineração.

    No início do projeto, em laboratório, os cientistas avaliaram os efeitos de plumas de sedimentos em diversos grupos de organismos tais como esponjas, bivalves e corais de profundidade de água fria, recorrendo a câmaras hiperbáricas que simulam as condições do oceano profundo.

    Os resultados que obtiveram apontam para efeitos negativos em todos os grupos estudados. Verificaram, por exemplo, que a existência de pequenas concentrações de partículas de sulfuretos polimetálicos em plumas de sedimentos provenientes de uma potencial exploração mineira em águas profundas provoca efeitos letais nos corais de águas frias.

    Linhas orientadoras para as atividades de mineração em mar profundo

    No âmbito do Deep-Risk, que terminou recentemente, desenvolveram-se também novos modelos hidrodinâmicos e ecológicos para avaliar o comportamento e efeitos das plumas de sedimentos e antecipar a evolução destes ecossistemas na presença de fatores de stress, como os sedimentos resultantes da mineração. Trata-se de modelos numéricos que permitem descrever, com elevada fiabilidade, a dinâmica oceânica nestas regiões, sendo, destacam os investigadores, “fundamentais como ferramenta de suporte à sua exploração sustentável”.

    As previsões dos modelos hidrodinâmicos acoplados a modelos ecológicos complementam a avaliação in situ das condições do mar profundo e a consequente caracterização da sua variabilidade, que é “muito difícil e dispendiosa”. A equipa alerta ainda para um dos resultados na sequência destes modelos: “os ecossistemas hidrotermais impactados pelas plumas poderão entrar em colapso, indicando que têm pouca resiliência para ultrapassarem esse impacto”.

    Os resultados destas ferramentas inovadoras poderão contribuir para o estabelecimento de linhas orientadoras para as atividades de mineração em mar profundo.

    Impacto dos resultados e investigação futura

    Os principais resultados do Deep-Risk foram discutidos no âmbito do workshop final que decorreu em dezembro de 2024, nas instalações do IPMA em Lisboa, e espera-se que possam contribuir para a implementação de diretrizes ambientais.

    A investigação do Mar Profundo, incluindo o impacto de potenciais fatores de stress, foi identificada na “Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030”, como uma área de investigação prioritária em Portugal para o período 2020-2030.

    Sendo a Plataforma Continental uma área-chave para futuras atividades, prospeção e exploração, em conformidade com as Diretivas Marinhas da UE para a proteção ambiental e a submissão portuguesa para extensão da plataforma continental, os resultados deste projeto contribuirão para o estabelecimento de instrumentos legais para a gestão sustentável e conservação dos ecossistemas marinhos, incluindo os recursos naturais não vivos de mar profundo.

    A equipa do projeto destaca ainda a importância de se continuar a estudar e caracterizar os ecossistemas de mar profundo, em aspetos como a longevidade das espécies, a sua reprodução e dispersão e também os efeitos das plumas de mineração nestes organismos, nomeadamente, no seu metabolismo e no desenvolvimento de ovos e larvas. “Essa incerteza tem de ser diminuída, para que os modelos sejam cada vez mais precisos, e se consigam estabelecer limites e metas ambientais”, destacam os investigadores.

    O DEEPRISK – Mineração do mar profundo e alterações climáticas: novas ferramentas de modelação no suporte à gestão de risco ambiental (PTDC/CTA-AMB/7948/2020) contou com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

    20 fevereiro 2025

    Novo estudo revela o impacto de música “doce” nas experiências alimentares

    cottonbro studio/Pexels
    A equipa de investigação do CIS-Iscte teve como objetivo investigar os efeitos da música de fundo na avaliação do sabor de alimentos e bebida.

    Um estudo realizado no Centro de Investigação e de Intervenção Social (CIS-Iscte) desvenda como estímulos auditivos podem melhorar as nossas experiências sensoriais, nomeadamente no que diz respeito ao paladar. O estudo teve como objetivo explorar a interação entre a música e a perceção do paladar, informando a forma como o som pode influenciar a nossa satisfação com alimentos e bebidas.

    A equipa de investigação do CIS-Iscte, composta pelo investigador David Guedes e as investigadoras Marília Prada e Margarida Garrido, teve como objetivo investigar os efeitos da música de fundo na avaliação do sabor de alimentos e bebidas, particularmente quando as pistas visuais estão menos acessíveis. “Com o crescente interesse em experiências multissensoriais na restauração e no consumo de alimentos, o nosso estudo testou se a música poderia funcionar como um intensificador da perceção do sabor, mesmo quando os aspetos visuais da comida ou bebida estão escondidos”, explica David Guedes.

    No estudo, participantes provavam um conjunto de bebidas com diferentes cores e sabores. Para metade dos participantes, as bebidas estavam visíveis, enquanto para a outra metade, estavam escondidas num copo fechado. A equipa de investigação utilizou excertos musicais, previamente testados como estando associados à doçura ou aos sabores amargo e ácido, para avaliar o seu impacto na perceção destes sabores nas bebidas.

    Os resultados da experiência revelaram que a música “doce” aumentou significativamente a perceção da doçura das bebidas, enquanto a música não doce amplificou a sua acidez. “Prevíamos que os participantes se baseassem mais em pistas auditivas quando não pudessem ver o que estavam a provar. No entanto, não foi isso que aconteceu”, afirma Marília Prada. “As pessoas classificaram as bebidas visíveis como mais agradáveis, o que sugere que as pistas visuais continuam a desempenhar um papel crucial na experiência global de degustação”, acrescenta.

    Segundo Margarida Garrido, “estes resultados indicam que as pistas auditivas podem modular eficazmente a perceção do sabor, reforçando a ideia de que as nossas experiências sensoriais estão interligadas”, o que pode ter uma potencial aplicação para estratégias de marketing de alimentos e bebidas.

    Embora reconhecendo que é necessária mais investigação, nomeadamente com diferentes alimentos e bebidas, a equipa de investigação destaca os contributos deste estudo para a nossa compreensão das interações sensoriais no consumo de alimentos. Portanto, as implicações desta investigação vão para além do laboratório, especialmente em termos de estratégias de marketing e da melhoria das experiências de consumo na indústria alimentar. David Guedes afirma que “a música pode ser utilizada como um potenciador de sabor mesmo quando os produtos estão visualmente ocultos”, como é o caso do café para levar (takeaway). O investigador sugere ainda que os restaurantes e cafés podem considerar a possibilidade de personalizar listas de reprodução específicas para complementar os seus menus, “criando uma atmosfera que aumenta a satisfação com o sabor”.

    19 fevereiro 2025

    ChatGPT: “Penso, logo existo?"

    frimufilms/Envato Elements

    Leviatã é o nome de um monstro bíblico e também o título da obra mais célebre do filósofo inglês Thomas Hobbes, publicada em 1651. Este texto é um dos mais influentes sobre a estrutura da sociedade organizada. Como salienta o Prof. Arlindo Oliveira em seu recente ensaio “A Inteligência Artificial Generativa”, é um dos primeiros registos do argumento de que o raciocínio humano resulta da manipulação aritmética de símbolos.

    Embora seja um conceito antigo, é inegável que foi durante a Segunda Grande Guerra que se começaram a construir os primeiros computadores. Desde então, sucessivos avanços tecnológicos permitiram ao consumidor ter no seu bolso um telemóvel que parecia pura ficção científica há apenas algumas décadas.

    Tudo isso parecia natural para os consumidores, e o termo “Inteligência Artificial” era, até então, apenas motivo de estudo para investigadores. No entanto, a chegada do ChatGPT em 2022 rapidamente transformou essa realidade, sendo adotado por milhares de utilizadores. Atualmente, a recente entrada do DeepSeek, uma ferramenta chinesa, também está a gerar enorme entusiasmo.

    Quem já interagiu com o ChatGPT pode ter ficado convencido de que esses modelos são infalíveis e possuem a capacidade de pensar. Mas será realmente assim? O que são e como funcionam?

    De forma simplificada, os grandes modelos de linguagem (em inglês, Large Language Models – LLMs) são sistemas complexos, treinados com quantidades gigantescas de texto da Internet. Eles utilizam redes neuronais profundas, que são estruturas matemáticas que imitam o funcionamento do cérebro humano, para processar e analisar a linguagem. Uma arquitetura específica de rede neuronal, chamada de Transformer, permite que o modelo preste atenção a diferentes partes do texto simultaneamente, compreendendo o contexto e as relações entre as palavras. Ao receber um texto, esses modelos usam o seu conhecimento para prever a próxima palavra, frase ou parágrafo mais provável, gerando respostas coerentes.

    No entanto, apesar das numerosas vantagens, como a assistência na escrita ou na geração de ideias, recomenda-se sempre a verificação de factos, pois está documentado que esses modelos podem inventar fontes inexistentes de forma convincente.

    Concluindo, o ChatGPT existe, mas (por agora) quem pensa é o leitor.

    18 fevereiro 2025

    Chaves: MACNA encerra para obras

    Município de Chaves
    Espaço estará fechado até março

    O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA), em Chaves, vai estar estar encerrado durante quase um mês devido a obras, anunciou a autarquia esta segunda-feira.

    Numa pequena nota enviada às redações, o município esclarece que o encerramento é necessário devido aos "trabalhos necessários para desmontagem da exposição “Os lugares de Nadir”, bem como a preparação do espaço com reparação de paredes e pinturas para acolher o próximo momento expositivo".

    O espaço estará, assim, encerrado até dia 15 de março, coincidindo com a inauguração da exposição "NADIR: Sequenzas".

    "Solicita-se a compreensão pelo incómodo que este encerramento temporário possa causar", acrescenta o município.

    O MACNA foi inaugurado em 2016. Gerido pela autarquia, expõe em permanência obras do pintor flaviense Nadir Afonso, bem como obras de outros artistas nacionais.

    14 fevereiro 2025

    BOOMFIT vai para a rua em campanha para Dia dos Namorados

    BOOMFIT
    Marca diz que a ação serve para "humanizar a marca"

    É mais uma ação da marca portuguesa de equipamentos e acessórios de fitness: a BOOMFIT quis pôr à prova os mais apaixonados numa ação pela ruas do Porto.

    Incentivando as pessoas a "realizar alguns exercícios como prova dos seus sentimentos", a ação, que se transformou num vídeo disponível nas redes sociais da marca, "teve como objetivo lançar questões sobre o amor": "Desafiamos casais e solteiros a responder a perguntas e a enfrentar desafios físicos ligados ao mundo do fitness", diz o CEO da marca Vítor Brandão, que se mostrou satisfeito com a iniciativa, até porque "a adesão foi muito positiva".

    Numa nota enviada à imprensa, a marca de Vila Nova de Famalicão sustenta que a iniciativa é "uma oportunidade para humanizar a marca", criando uma ligação com o público potencial ou já conhecedor do mundo do fitness: "Somos uma equipa feita de pessoas e queremos reforçar essa ligação com a nossa comunidade", refere o CEO, acrescentando que a ação se insere numa estratégia de "dar a conhecer a nossa marca a quem ainda não está tão familiarizado com o nosso meio".

    A BOOMFIT é uma loja online de equipamentos e acessórios. Fundada em 2016, a marca equipa dezenas de ginásios e espaços fitness por todo o país.

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