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29 agosto 2025

INDIEROR leva a cena "Acampamento"

INDIEROR/Divulgação


Está prometido muito "humor, mistério e aventura" numa peça de teatro musical criada durante o Workshop de Verão do INDIEROR: "Acampamento" estreia este sábado, dia 30 de agosto, em Chaves. 


"Durante duas semanas intensivas, os/as participantes do Workshop de Verão 2025 da INDIEROR mergulharam na representação, canto e dança, criando este espetáculo de raiz", explica a entidade em nota enviada à imprensa. Ao todo, serão 16 jovens a levar a cena o espetáculo, algo que a entidade considera ser uma "adulta responsabilidade",  acrescentando que o enredo de "Acampamento" é para toda a família. "Num acampamento de verão, dois grupos rivais disputam provas e contam histórias à volta da fogueira. Mas quando uma nave espacial cai na floresta e surge Zé, o extraterrestre, tudo muda", frisa. 


O espetáculo será levado a cena no auditório do Centro Cultural de Chaves, a partir das 21h30. Os bilhetes ainda estão à venda. 

27 agosto 2025

A corrida contrarrelógio.

Rawpixel/Envato Elements


Na sociedade contemporânea, somos bombardeados por estímulos a cada segundo. O zumbido constante das notificações, o ”scrolling” infinito nas redes sociais e a expectativa de respostas imediatas transformaram a nossa forma de viver. Neste cenário, a urgência de tudo ser rápido e sem esforço tornou-se uma norma. Mas a que custo?


Um estudo revela que pessoas de várias cidades em redor do mundo andam 10% mais rápido do que há vinte anos. Este fenómeno é particularmente visível em centros empresariais como Singapura, Tóquio ou Nova Iorque. Contudo, essa pressa constante não se limita apenas ao modo como nos movemos, ela permeia todos os aspetos da nossa vida. A cultura da gratificação instantânea é notada, por exemplo, na coleção “One-Minute Bedtime Stories”, que visa atender à necessidade dos pais em contar histórias rápidas e objetivas. Esta ideia de que “cada segundo conta” molda a nossa percepção sobre a vida.


A tecnologia, embora traga inegáveis benefícios, contribui para a nossa impaciência. Se um elevador demora mais de 15 segundos a chegar, muitos já se sentem angustiados. A internet, com as suas promessas de velocidade, também nos condiciona a exigir respostas imediatas. A comunicação escrita tornou-se cada vez mais curta, com plataformas como o Twitter (agora “X”) a limitarem o número de caracteres, reforçando a ideia de que a brevidade é sinónimo de eficiência. No entanto, esta rapidez pode prejudicar a profundidade das nossas interações. Além disso, a pressão para sermos produtivos em todos os instantes gera um ciclo vicioso. O conceito de “burnout” ou esgotamento profissional, bastante discutido na atualidade, é um resultado direto dessa cultura de fazer mais em menos tempo. A psicóloga Christina Maslach, uma das principais investigadoras sobre o tema, alerta que a falta de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal pode levar a sérios problemas de saúde mental. A multitarefa, frequentemente glorificada como uma habilidade essencial, pode ser um dos principais vilões desse processo. Pesquisas da Universidade de Stanford mostram que, ao tentarmos realizar várias tarefas de uma só vez, diminuímos a nossa eficiência em até 40%. A fragmentação da nossa atenção não só nos torna menos produtivos, como também nos priva da capacidade de nos concentrarmos no que realmente importa.


No nosso tempo livre, a pressa também se faz sentir. Embora os nossos carros sejam mais rápidos, o trânsito nas cidades, como em Nova Iorque ou Paris, faz com que muitas vezes gastemos mais tempo nas estradas do que em lazer. Assim, estamos sempre apressados, mesmo quando não há necessidade. Essa busca incessante por velocidade pode levar a um estado de constante stress e ansiedade.


A era dos estímulos rápidos traz desafios significativos, mas também oportunidades para refletirmos sobre o que realmente queremos. Ao valorizarmos o esforço e a paciência, podemos transformar a pressão da modernidade numa força para o crescimento pessoal. Afinal, como disse o filósofo Sêneca, “A pressa é a inimiga da perfeição.”


Que possamos aprender a apreciar o tempo, e a beleza do caminho que percorremos.


12 agosto 2025

O assassinato de Anas al-Sharif e o colapso moral do jornalismo ocidental

AmparoGV/Envato Elements



É impossível como jornalista não ficar comovido com o contínuo massacre de jornalistas por Israel — como parte da sua campanha para matar o maior número possível de palestinianos em Gaza. Em 10 de agosto, Anas Al Sharif — cujas reportagens acompanhei esporadicamente através de traduções nas redes sociais desde 7 de outubro de 2023, e que ganhou o prémio Defensor dos Direitos Humanos da Amnistia Internacional no ano passado — foi morto juntamente com outros três jornalistas da Al Jazeera e dois jornalistas freelancers. Eles estavam alojados numa tenda para jornalistas montada em frente ao hospital Al-Shifa. Foi um assassinato direcionado: Israel admitiu isso, alegando, como sempre de forma patética, que a sua última vítima era membro do Hamas.


É impossível não ficar afetado, como disse antes. Mas alguns jornalistas estão a conseguir isso muito bem. Aqui está a BBC a repetir sem questionar a alegação de Israel. E aqui está a Reuters a fazer o mesmo:


Em português: "Al Sharif era o chefe de uma célula do Hamas e 'foi o responsável por promover ataques com rockets contra civis israelitas e tropas das FDI (Forças de Defesa de Israel)', afirmaram os militares israelitas num comunicado, citando como prova informações dos serviços secretos e documentos encontrados em Gaza."/Reprodução Reuters


A Reuters alterou o texto da sua notícia. Esta captura de ecrã, do segundo parágrafo do artigo, foi uma das várias captadas por utilizadores diligentes no Twitter, e começa como se a Reuters tivesse a certeza de que Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas. Note-se que a parte inicial da frase não aparece entre aspas, o que, ao lidar com material tão absolutamente falso, é imperdoável. Na verdade, as palavras «Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas» vêm quase literalmente de um tweet das Forças de Defesa de Israel; retirá-las das aspas é negligência jornalística.


A Reuters alterou o texto da sua notícia. Esta captura de ecrã, do segundo parágrafo do artigo, foi uma das várias captadas por utilizadores diligentes no Twitter, e começa como se a Reuters tivesse a certeza de que Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas. Note-se que a parte inicial da frase não aparece entre aspas, o que, ao lidar com material tão absolutamente falso, é imperdoável. Na verdade, as palavras «Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas» vêm quase literalmente de um tweet das Forças de Defesa de Israel; retirá-las das aspas é negligência jornalística.


Também é imperdoável que os jornalistas não denunciem uma mentira quando lhes é apresentada. Nenhuma das principais publicações ocidentais demonstrou sequer um pingo de ceticismo em relação à campanha implacável de Israel para pintar todos os jornalistas que mata como membros do Hamas, mesmo que, até agora, tenham sido mortos mais profissionais da comunicação social em Gaza do que nas duas guerras mundiais juntas. Estes dados não são do Hamas; são da Watson School of International and Public Affairs da Brown University. Nos Estados Unidos da América.


Captura de ecrã do site "Costs of War" ("Custos da Guerra"), em português) da Watson School of International and Public Affairs at Brown University. Fair Use


Parte da razão pela qual a BBC, o New York Times e outros meios de comunicação social não protestaram contra esses homicídios é porque podem se safar com base em um detalhe técnico. Eles não têm permissão para entrar em Gaza para reportar, então não podem «verificar de forma independente» se esses jornalistas assassinados eram realmente membros do Hamas. (É claro que essa é a razão pela qual Israel não permite que repórteres entrem em Gaza.) Mas a verdade também é que a linha traçada pela cor da pele continua viva e forte no jornalismo ocidental — em todos esses veículos de comunicação que, de outra forma, gritam com toda a convicção sobre a Primeira Emenda, a liberdade de imprensa e a importância do quinto poder.


Na sequência do Holocausto e da fundação de Israel, o Ocidente acolheu no seu seio branco um grupo de pessoas que anteriormente não considerava de todo brancas: os judeus. (Neste livro, o rabino americano Michael Lerner afirma que, no passado, os judeus foram «os principais “Outros”, foram discriminados social e legalmente, foram alvo de racismo e genocídio e, nesses termos, os judeus não são brancos». Ao que o académico negro Cornel West argumenta que os judeus alcançaram desde então o «privilégio da pele branca». Algumas destas dinâmicas históricas absorvi em conversas com amigos e colegas, nomeadamente com o formidável Pankaj Mishra).


O conflito entre Israel e a Palestina deveria ser enquadrado mais frequentemente como um conflito entre (os agora considerados) brancos e (os sempre e eternamente) pardos. Quando se enquadra dessa forma, fica mais fácil perceber por que o Ocidente apoia Israel incondicionalmente todas as vezes, mesmo quando Israel desrespeita os princípios que o Ocidente tanto apregoa. Como a liberdade de imprensa.


Assim , tal como o massacre de pessoas de pele morena e negra não importa muito para os governos ocidentais, também o assassinato seletivo de jornalistas de pele morena e negra não importa muito para as publicações ocidentais.


De qualquer forma, para a maioria dos editores em Londres e Nova Iorque, esses jornalistas só são bons o suficiente para permanecerem nas suas áreas e cobrirem os seus próprios quintais — e/ou para serem reduzidos ao estatuto de «facilitadores» quando há um correspondente estrangeiro disponível para ser enviado ao local.


Na morte, um jornalista de pele morena só encontrará defensores ocidentais se trabalhar para uma publicação ocidental ou se a sua morte puder ser aproveitada para ganhar pontos políticos. Jamal Khashoggi, o escritor do Washington Post esquartejado pela Arábia Saudita na sua embaixada em Istambul em 2018, cumpria ambos os critérios. Anas al-Sharif, um homem de pele morena que reportava em árabe para um meio de comunicação árabe durante um ataque de Israel, não cumpria nenhum dos dois.


06 agosto 2025

"Lilo e Stitch" chega ao Disney+ em setembro

The Walt Disney Company Portugal/Divulgação


A Disney promete "uma aventura inesquecível cheia de caos, charme e fofura". Depois do sucesso no cinema, "Lilo e Stitch" chega agora ao serviço de streaming da dona do Mickey Mouse: o filme estreia no Disney+ em setembro. 


A nova versão em imagem real conta com as interpretações de Sydney Elizebeth Agudong, Billy Magnussen, Tia Carrere, Hannah Waddingham, Chris Sanders, Courtney B. Vance, Zach Galifianakis e Maia Kealoha. Baseado no filme homónimo em desenho animado, a readaptação mantém-se algo fiel ao original, trazendo "uma nova energia à hilariante e comovente história de Lilo e do seu “animal de estimação” adotado e pouco convencional, Stitch", refere a Disney, acrescentando que os "cenários tropicais exuberantes oferecem visuais acolhedores e calorosos, à imagem da “família encontrada” que Lilo e Stitch constroem juntos, homenageando de forma autêntica a cultura e a beleza do Havai". 


A nova versão do filme de 2002 atingiu a marca dos mil milhões de dólares em todo o mundo, sendo mesmo "o primeiro título da Motion Picture Association (MPA) de 2025 a atingir este marco". 


O original "Lilo e Stitch" está também disponível na plataforma de streaming e mantém-se um sucesso, estando já "em desenvolvimento" uma nova sequela: "Com mais de 640 milhões de horas vistas em todo o mundo, a franquia continua a conquistar corações e a encantar fãs por todo o planeta", frisa a gigante do entretenimento. 


O filme ficará disponível a partir de 03 de setembro. 


 

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