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28 fevereiro 2022

Vodafone muda grelha de canais RF

Vodafone Group
A mudança está a acontecer de forma gradual para todos os clientes do serviço de televisão.

A Vodafone Portugal vai acrescentar canais à grelha de canais para televisões sem box, alterando a grelha oferecida até ao momento.

Segundo a informação disponibilizada no site da operadora, vai ser possível sintonizar até 100 canais digitais e 45 canais analógicos. Ao contrário do que acontecia até agora, todos os canais analógicos têm a sua versão na grelha digital.

A mudança está a acontecer de forma gradual e prevê-se que chegue a todos os clientes do serviço de televisão até 30 de abril. Os susbcritores "serão informados via SMS quando esta alteração se verificar na sua área de residência", refere a operadora.

A Bola TV (até agora, apenas sintonizável em alguns equipamentos), Localvisão TV, Televisión de Galicia, Casa e Cozinha ou S+ são apenas algumas das adições à grelha digital.

A nova grelha poderá ser consultada no site da Vodafone Portugal.

Bloc Party lançam tema e anunciam digressão

BMG/Wunmi Onibudo
Digressão na Europa não tem previstos concertos em Portugal
Listen on Apple Music

Já está lançado o novo single dos Bloc Party: "Sex Magik" já está disponível as plataformas digitais e serve de avanço para o sexto álbum da banda, "Alpha Games". O novo álbum chega seis anos depois de "Hyms".

Já está lançado o novo single dos Bloc Party: "Sex Magik" já está disponível as plataformas digitais e serve de avanço para o sexto álbum da banda, "Alpha Games". O novo álbum chega seis anos depois de "Hyms".

"Sex Magik" é o terceiro single retirado do novo álbum, depois de "Traps" e de "The Girls Are Fighting".

O tema serviu também de mote para o lançamento da nova tour dos Bloc Party. "É a primeira tour depois dos enormes concertos que deram em 2019, na qual apresentaram na totalidade o seu álbum de estreia Silent Alarm", refere a editora BMG. A digressão vai passar por França, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido, mas não tem previstos concertos em Portugal. Os bilhetes já estão à venda.

https://www.youtube.com/watch?v=s5f7Srcg2Wk

27 fevereiro 2022

Russia Today e Sputnik banidos do espaço europeu

Benoît Prieur (CC-BY-SA)
Desconhece-se se a proibição de se aplica apenas às emissões lineares de televisão ou também aos sites

É mais uma das sanções impostas pela União Europeia (UE) à Rússia: o canal Russia Today (RT) e a agência de notícias Sputnik vão ser proibidas de emitir no espaço europeu. A medida foi anunciada na tarde deste domingo pela presidente da Comissão Europeia (CE) Ursula von der Leyen.

Desconhece-se se a proibição de se aplica apenas às emissões lineares de televisão ou também aos sites e conteúdos dos dois órgãos de comunicação social, além de se desconhecer se esta medida também se prolongará a outros canais, como Channel One ou o RTR Planeta, e como será operacionalizada.

Classificando os dois órgãos de comunicação social como uma "máquina mediática do Kremlin", van der Leyen diz que é uma "medida sem precendentes": "Os órgãos de comunicação Russia Today e Sputnik, detidos pelo estado russo, assim como as suas filiadas, não poderão mais espalhar as suas mentiras para justificar a guerra de Putin e semear a discórdia na nossa União"., afirma a dirigente. Von der Leyen foi mais longe e refere que a Europa está a desenvolver "ferramentas para banir a informação tóxica e ameaçadora" dos meios russos na Europa.

"Sabemos fazer o nosso trabalho em condições de bloqueio." - editora-chefe da RT

Do lado dos dois órgãos de comunicação, já houve uma resposta. A editora-chefe da Sputnik e da RT Margarita Simonyan fez uma publicação na sua conta do Telegram, assegurando que a proibição não fará mossa na empresa.

Numa publicação provocadora, Simonyan afirmou que "há oito anos que estamos preparados para isto, devido a estes amantes da liberdade". Além disso, garantiu "oficialmente" que "nem uma única pessoa que tenha trabalhado e continue a trabalhar connosco de forma fiel em qualquer país será despedida. Sabemos fazer o nosso trabalho em condições de bloqueio", afirma.

A RT e o site Sputnik são meios de comunicação social detidos e financiados diretamente pelo estado russo através da agência Rossi Segodnya. A RT é transmitida em Portugal na MEO e na Vodafone, sendo que nesta última é também transmitido o canal de documentários RT Documentary. Já o Sputnik é um órgão multilingue, presente em diversos países. Tem uma versão em português dedicada ao mercado brasileiro.

25 fevereiro 2022

O absurdo da guerra, com Goya

Direitos reservados
A que nos referimos quando pesamos os prós e os contras de uma guerra? Ou melhor: será de facto possível contemporizar com a ideia de adequação da guerra ou de uma em particular?

A reflexão que agora vos apresento foi arquitectada no dia 23 de Fevereiro, durante a tarde, antes mesmo da Rússia iniciar o ataque à Ucrânia, o que viria a acontecer pelas 6h00 em Moscovo, 3h00 em Lisboa, do dia seguinte: 24 de Fevereiro de 2022 ficará para a História futura como aquele em que se iniciou uma Guerra Mundial. Todavia, na minha visão, a guerra generalizada havia começado no dia 21 deste mês, quando Vladimir Putin reconheceu a independência das regiões de Donetsk e Lugansk. Os antecedentes especulativos sobre este acontecimento trágico, seja para a Ucrânia, seja para a Rússia, ou para a Europa, e para o Mundo, também para a Terra, perdiam-se, na minha perspectiva, nas classes de argumentos que pudessem sustentar uma ofensiva militar: era legítimo, ou não, a Rússia avançar contra a Ucrânia? Não era: não é. Uma guerra é indefensável, sempre: tanto pelo instinto que nos leva a preservar a vida, como porque espiritualmente o humano está designado a transcender, seja perdoando, seja dialogando, seja criando. Claro que não será razoável pensarmos que a arte nos mune, sempre, de boas metáforas visuais para o alcance da paz; não se esqueça que Eugène Delacroix pintou “A Liberdade Guiando o Povo” em 1830, com uma atmosfera de fúria guerreira, e em que a uma ordem – a do Antigo Regime, deveria suceder outra – a da Contemporaneidade; mas também é certo que Francisco de Goya, entre 1810 e 1815, imprimiu gravidade e dor aos seus/nossos “Os Desastres da Guerra”, 82 gravuras impiedosas na denúncia do absurdo disso: da guerra.

Toda a arte, mesmo se etérea, mais conceptual, menos comprometida com o visível a olho nu, é feita num tempo preciso e, por tal, responde sempre, mesmo que ninguém lhe tenha colocado uma pergunta. E se Jean Genet cria que a arte é dedicada aos mortos, o que Pier Paolo Pasolini também secundou; e se Maurice Merleau-Ponty, após Friedrich Nietzsche, claro, reconhecia poder ser consentida ao artista uma irresponsabilidade existencial, digamos assim, que ao filósofo não se perdoaria; também é certo que, na arte, os artistas, ainda que de olhos fechados, sempre os mantiveram abertos, nem que fossem os da pele, avultando neles essa respiração, e transpiração, do Mundo. Ou seja, os artistas têm o corpo na vida e a oficina na arte, uns mais do que outros: mas é desta forma, sim. E quando digo artistas e arte claro que me refiro a todos e a todas que nos querem transmitir uma, e única coisa: a sua verdade. E a verdade é uma constelação de seres humanos, é vibrátil, é aspersora, é nuclear, é racional. A guerra mata a verdade, como tão bem soube Goya ao transmiti-lo na gravura número 79 da série “Os Desastres da Guerra”. Muitos são os outros desastres a que a guerra nos submete ao violentar o humano, ao interromper com violência a frequência da relação entre pessoas, ao castrar correntes benéficas, ao ir directa ao ninho dos corações todos, ao ser irracional.

Vamos certamente assistir, agora, a uma dialéctica informativa intensa sobre a guerra, mas não existem vencedores nem vencidos nesta história: todos e todas perdem, perdemos.

EBU retira Rússia da Eurovisão

EBU/Andres Putting
Decisão surge após "amplas consultas" aos membros da organização de radiodifusão europeia.

A decisão surgiu esta tarde: a Rússia está fora da Eurovisão. A tomada de posição da União Europeia de Radiodifusão surge depois de iniciado o conflito com a Ucrânia e a entidade teme que o conflito seja trazido para o concurso. A decisão afeta apenas a decisão deste ano.

Num comunicado, a EBU sustenta que a decisão surge depois da "recomendação feita hoje (sexta-feira) pelo órgão diretivo do Festival" e com base "nas regras do evento e dos valores" da organização: "A decisão reflete a preocupação de que, à luz da crise sem precedentes na Ucrânia, a inclusão de uma participação russa no Festival deste ano iria desacreditar o evento", afirma.

Afirmando-se como uma "organização apolítica", a EBU sustenta que a decisão foi tomada após "amplas consultas aos seus membros. Continuamos empenhados em proteger os valores de uma competição cultural, que promove o intercâmbio e a compreensão internacional, reúne audiências, celebra a diversidade através da música e une a Europa num só palco", sublinha organização.

O Festival Eurovisão da Canção decorre em Turim, Itália, nos dias 10, 12 e 14 de maio.

Incomunicabilidade

TVI/Divulgação
Entre os mais de trezentos canais de televisão a que já posso aceder, um – descobri muito recentemente – vigia quase em permanência uma casa onde estão voluntariamente enclausurados, em convívio, homens e mulheres tidos como sendo pessoas famosas

Quando os comerciais das empresas de telecomunicação a operar em Portugal tentam vender-me um novo pacote de Internet, televisão e voz (com mais velocidade, mais canais, mais tempo para chamadas e mais mensagens de texto), eu esquivo-me dizendo que aderiria ao novo contrato se este oferecesse, como extra, duas ou três horas a mais por dia.

Entre os mais de trezentos canais de televisão a que já posso aceder, um – descobri muito recentemente – vigia quase em permanência uma casa onde estão voluntariamente enclausurados, em convívio, homens e mulheres tidos como sendo pessoas famosas. Caí lá recentemente, quando o foco da emissão era uma senhora famosa, sentada num banco de exterior, a fumar e a sacudir a cinza do cigarro para todo o lado, raramente para um cinzeiro.

Também lá estava um futebolista a manifestar apreensão pela possível opinião que o público pudesse estar a formar dele. Este atleta outrora famoso resolveu gravar uma mensagem de vídeo a pedir que o público o não nomeie para ser expulso da casa. Deduz-se que o público pode, provavelmente com uma chamada telefónica, expulsar um dos famosos residentes.

Naquele canal da vida que passa na casa vigiada, vi também uma outra senhora em exercício de marcha num desses tapetes de ginásio e ouvi, em directo, o desabafo da senhora famosa que fuma – "A gente sai daqui maluca. Isto é terapia. Aqui em casa é terapia. Lavar louça. Falar sozinha. Correr vinte quilómetros depois de não ter dormido."

Um senhor que transporta, possivelmente por castigo, dois cartazes ligados entre si, um nas costas outro no peito, entrou em cena, logo seguido de uma terceira senhora que vai direita ao frigorífico para retirar uma garrafa, parecida com as garrafas de litro e meio dos refrigerantes, emborcando o que esta continha.

O futebolista disse que o vídeo que ele queria gravar não estava a sair como ele gostaria. Vários famosos bocejaram. Reparei que nem todos punham a mão na boca quando bocejavam. Transparecia um tédio generalizado na casa quando tocou uma sirene, era meio dia em ponto, e eu mudei de canal surpreendido e envergonhado por ter estado mais de duas horas a olhar para aquela casa.

Surpreendido e desconfiando que estes programas de entretenimento favorecem e consolidam esta civilização do espectáculo onde, mais facilmente, cresce a desinformação e a iliteracia mediática que a alimenta.

ANACOM sanciona MEO por práticas comerciais desleais

Autoridade Nacional de Comunicações
Regulador diz que operadora transmitiu "informações falsas aos consumidores" e que não olhou para situações de especial vulnerabilidade.

A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) vai multar a MEO em 48 mil euros por práticas comerciais desleais face aos consumidores.

Em comunicado, o regulador esclarece que a situação aconteceu por altura dos incêndios de 2017: "A MEO prestou informações falsas aos consumidores", acrescentando que isso era suscetível de levar os consumidores a celebrar novos contratos.

Limite máximo da coima "não é suficientemente dissuasor", diz ANACOM.

A situação iniciou-se em outubro de 2017.

Após os incêndios, a operadora demorou "meses" a repor os serviços. E quando a situação foi normalizada, a MEO levou a cabo "práticas especialmente gravosas", prestando "informações falsas aos consumidores", transmitindo-lhes que "não era possível a prestação isolada do telefone fixo, sendo necessária a contratação de um pacote de serviços, informação essa que era suscetível de levar os consumidores a celebrarem novos contratos – o que se verificou em alguns casos". O regulador considera que a situação é grave tendo em conta a "catástrofe", até porque não a MEO não olhou para "a vulnerabilidade dos assinantes consumidores, que ficaram privados dos serviços de comunicações eletrónicas durante meses", alguns deles "especialmente vulneráveis em razão da sua idade e pelo facto de viverem sozinhos, em locais isolados".

Numa decisão de 08 de fevereiro, e comunicada ao público esta quinta-feira, o regulador sancionou a operadora pela "prática dolosa de 16 contraordenações económicas graves", num valor total de 329 mil euros. Mas, em cúmulo jurídico, as coimas foram convertidas num valor único de 48 mil euros, o máximo previsto na lei.

A ANACOM considera que o limite existente não é "suficientemente dissuasor". A entidade diz mesmo que a Comissão Europeia deu orientações para que os estados-membros da União Europeia "assegurem a aplicação de sanções “…efetivas, proporcionadas e dissuasivas…” e que o valor máximo de multa que existe atualmente "limita o efeito preventivo que se pretende atingir com a aplicação de sanções, o que demonstra a necessidade de revisão desse regime", sustenta.

A MEO ainda pode impugnar judicialmente a decisão da ANACOM.

24 fevereiro 2022

O segredo de Vénus talvez se esconda no calor da noite

Direitos reservados
O mais completo perfil dos ventos de Vénus paralelos ao equador no lado noturno lança novos indícios sobre a possível relação entre o efeito de estufa descontrolado na atmosfera e a violência dos ventos no topo da camada das nuvens, segundo um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

Apesar de estar perto da Terra e ter praticamente o mesmo tamanho, Vénus é outro mundo. Sob o espesso manto de nuvens de ácido sulfúrico, à superfície reinam 460 graus Celsius. Esta temperatura é mantida pelo efeito de estufa de uma atmosfera feita quase só de dióxido de carbono. Setenta quilómetros mais acima vive-se uma tempestade de vento permanente, fruto da chamada superrotação de Vénus. Uma equipa de investigadores liderada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IAstro) está cada vez mais perto de explicar como estas características infernais estão interligadas.

Um estudo publicado na revista Atmosphere, liderado por Pedro Machado, do IAstro e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), apresenta o conjunto de medições mais detalhado e completo alguma vez feito, de um observatório na Terra, das velocidades dos ventos em Vénus paralelos ao equador e à altitude da base das nuvens. Um dos resultados, inédito, foi a medição simultânea da velocidade dos ventos a duas altitudes separadas de 20 quilómetros. A equipa verificou uma diferença na velocidade do vento de cerca de 150 quilómetros por hora mais rápido no topo das nuvens, o que oferece indícios de como ocorre em Vénus a transferência de energia do calor das camadas baixas para alimentar a misteriosa superrotação da atmosfera.

“Os ventos vão acelerando à medida que vamos subindo em altitude, mas não se sabe bem ainda porquê”, diz Pedro Machado. “Este estudo traz muita luz sobre isso, porque conseguimos pela primeira vez fazer o estudo da componente vertical do vento, ou seja, como é que é transportada a energia das camadas mais baixas, que estão mais aquecidas, para o topo das nuvens, e que vai levar à aceleração dos ventos.”

A temperatura junto ao solo atinge 460 graus Celsius e produz radiação infravermelha (chamada emissão térmica), que aquece o ar e o faz subir. Esta radiação passa através das zonas mais transparentes da base das nuvens, a cerca de 48 quilómetros de altitude. Quando Vénus é observado no infravermelho, vê-se esta irradiação do calor da superfície e as silhuetas de nuvens, opacas e escuras.

Observando e acompanhando as nuvens de hora a hora, e utilizando uma técnica de seguimento aperfeiçoada por Javier Peralta, coautor deste estudo, os investigadores calcularam indiretamente a velocidade do vento que impele essas nuvens. A velocidade ronda os 216 quilómetros por hora na base das nuvens e a latitudes médias, diminuindo para metade mais perto dos polos.

Este trabalho foi realizado quase de polo a polo no lado noturno recuperando imagens que a equipa captou no infravermelho com o Telescopio Nazionale Galileo (TNG), em La Palma, nas ilhas Canárias, entre 11 e 13 de julho de 2012. Nesses mesmos dias e de forma coordenada, a sonda Venus Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), então a orbitar o planeta, observou na luz visível, fornecendo imagens do topo das nuvens, cerca de 20 quilómetros mais acima, a 70 quilómetros de altitude. 

Seguindo também essas nuvens, os investigadores obtiveram velocidades da ordem dos 360 quilómetros por hora. Outros estudos, e simulações por computador indicam que a velocidade do vento na base das nuvens é quase constante, sem variações significativas entre o dia e a noite. A equipa pôde assim assumir que a velocidade que obteve para a noite se aplica também às baixas camadas da atmosfera no lado diurno.

Obtiveram-se assim, pela primeira vez, medidas da diferença entre a velocidade do vento a duas altitudes a partir de observações simultâneas, concluindo-se que, no lado diurno e em apenas 20 quilómetros na vertical, ocorre um incremento de cerca de 150 quilómetros por hora na velocidade do vento paralelo ao equador. O calor da superfície poderá ser o motor que sustenta estas velocidades ciclónicas dos ventos no topo das nuvens.

A precisão dos dados obtidos com telescópios na Terra é comparável à das câmaras de infravermelho das sondas espaciais, graças a um método trazido a este estudo por Javier Peralta. “Utilizámos o mesmo método de referenciação geográfica das imagens obtidas pelas sondas espaciais, que foi desenvolvido pela NASA, e complementado pela Agência Espacial Europeia”, explica Pedro Machado. “É como se o telescópio aqui no solo fosse uma nave espacial.”

Com o sucesso desta abordagem, a equipa irá agora expandir a pesquisa da componente vertical dos ventos com novas observações no solo coordenadas com a sonda atualmente em órbita de Vénus, a Akatsuki, da agência espacial japonesa JAXA. Este estudo demonstra que observações feitas a partir da Terra complementam os dados que estejam a ser coletados nesse mesmo momento por missões no espaço. Apesar da menor resolução espacial, devido à distância a que está o nosso planeta, é em geral possível ter uma visão global de Vénus, que as sondas no local, devido às suas órbitas, nem sempre conseguem ter.

Está a ser planeada a próxima missão da ESA dedicada a Vénus, a EnVision. Irá estudar a superfície do planeta e tentar conhecer o seu passado. Portugal está envolvido na missão, e Pedro Machado lidera o consórcio português, além de ser coinvestigador responsável por um dos instrumentos, um espectrógrafo no infravermelho. “Este trabalho mostra o tipo de ciência que se vai poder fazer com os instrumentos da EnVision. Nós já estamos a provar a grande relevância que tem a ciência que se pode fazer com esta futura missão”.

A experiência do IAstro e dos investigadores portugueses na compreensão da dinâmica da atmosfera de Vénus irá ajudar a escolher os comprimentos de onda de luz em que a missão EnVision irá observar, assim como as camadas da atmosfera mais relevantes do ponto de vista científico, contribuindo assim para o desenho e planeamento da missão e dos seus instrumentos.

Espera-se também que a participação nacional consiga trazer para bordo indústria portuguesa em mais um projeto internacional da ESA, com a perspectiva de apoio da Agência Espacial Portuguesa, a Portugal Space.

Russia Today pode ser suspenso em França

Benoît Prieur (CC-BY-SA)
Canal enfrenta pressão a nível europeu contra o que se diz serem os seus conteúdos de "propaganda" do Kremlin.

O canal de informação russo Russia Today (RT)pode ver a sua emissão suspensa em território francês, à semelhança do que já acontece na Alemanha. O pedido de suspensão surge na sequência da operação militar russa na Ucrânia, lançada na madrugada desta quinta-feira.

Segundo nota o jornal francês Le Figaro, o presidente da Comissão de Cultura do Senado francês Laurent Lafon enviou uma carta ao presidente da "Autorité de Régulation de la Communication Audiovisuelle et Numérique" (ARCOM - Autoridade de Regulação da Comunicação Audiovisual e Digital, o equivalente francês da Entidade Reguladora para a Comunicação Social) Roch-Olivier Maistre, pedindo que a emissão da RT seja suspensa: "É urgente questionarmo-nos sobre a ameaça que este órgão de comunicação do governo russo representa aos nossos valores democráticos à luz da nova situação criada pela eclosão das operações militares na Ucrânia", sustenta o senador.

Lafon vai mais longe e considera que o canal e o site, que tem uma versão em francês sob o nome RT France, transmitem "diariamente" informações que considera serem "ações de propaganda" do Kremlin, sem "contraditório real".

Mas suspender não é assim tão fácil...

Para que o regulador francês possa avançar com uma suspensão da emissão do canal, tem de abrir um processo de averiguação e encontrar incumprimentos no protocolo assinado entre a ARCOM e a estação russa.

O senador considera que esses incumprimentos existem. A começar, desde logo, pela ausência de pluralismo de opiniões nas emissões: "Observo que esse acordo se refere à exigência de honestidade dos programas. Questiono, à luz dessas obrigações, que o serviço Russia Today nunca dê voz à oposição na Rússia e nem realize nenhum trabalho que consista em questionar o povo russo sobre as decisões tomadas pelos seus líderes, em particular, esta decisão de atacar a Ucrânia. Este serviço também se abstém de destacar as consequências desastrosas desta agressão nas populações civis ucranianas", refere o senador.

Além disso, para Lafon, o canal é uma "ameaça", usando da liberdade de comunicação consagrada na lei: "O exercício desta liberdade pode ser limitado a fim de assegurar o respeito de certos princípios essenciais, incluindo a dignidade da pessoa, o caráter pluralista da expressão de correntes de pensamento e opinião, a proteção das crianças e adolescentes, a salvaguarda da ordem pública e das necessidades da defesa nacional. Acredito que a propaganda veiculada pelo Russia Today ameaça todos esses princípios e justifica plenamente a suspensão deste serviço", frisa.

Por seu turno, o regulador francês já veio dizer que tem uma vigilância "constante" sobre a estação de televisão e que vai intervir "se for constatada uma violação".

Esta ameaça surge num momento em que Russia Today foi banida da Alemanha e o governo britânico pediu o regulador que reveja a licença atribuída à edição em inglês. Em retaliação, Moscovo fechou a delegação da Deutsche Welle, a estação pública alemã de rádio e televisão, e ameaçou a BBC com o mesmo destino: "Se o Reino Unido cumprir a sua ameaça aos media russos, não demorarão a chegar medidas de retaliação", afirmou Maria Zakharova, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Ministério dos Negócios Estrangeiros alvo de ciberataque

NomadSoul/Envato Elements
Até ao momento, desconhece-se a dimensão e a origem do ataque.

Depois do grupo Impresa e da Vodafone, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi alvo de um ataque informático. O ciberataque foi detetado na semana passada pelo Serviços de Informações de Segurança.

Segundo a revista Sábado, a origem e a dimensão do ataque ainda não foram determinadas, mas teve consequências visíveis: desde sexta-feira que os funcionários e diplomatas não têm acesso ao correio eletrónico.

A revista do grupo Cofina acrescenta que o ataque pode ter comprometido informação classificada do Estado, algo que a tutela já desmentiu. Em entrevista à TVI, Augusto Santos Silva garantiu que não houve comprometimento da informação confidencial, assegurando que este tipo de ataques é algo comum: "Infelizmente, nos dias que correm estamos sempre sujeitos a ciberataques, que vamos respondendo e superando", sustenta o governante.

Recorde-se que, na segunda-feira, os sites do Ministério dos Negócios Estrangeiros estiveram indisponíveis durante uma parte da manhã. Na altura, à Rádio Observador, fonte oficial do ministério assegurava que a indisponibilidade se deveu a uma manutenção informática.

Sam The kid atua no Campo Pequeno com orquestra e Orelha Negra

Divulgação
Bilhetes estão à venda a partir desta quinta-feira

O rapper Sam the Kid vai atuar no Campo Pequeno e traz os Orelha Negra e uma Orquestra, anunciou a Everything Is New.

O espetáculo vai "revisitar a carreira de um dos artistas fundamentais do Hip Hop Nacional" e irá "ficar para a memória de todos", afirma a promotora em comunicado: "Sam The Kid não é só "Entre(tanto)", "Sobre(tudo)", "Beats Vol1: Amor", "Pratica(mente)" ou "Mechelas". É uma das mais influentes vozes da música nacional, é "TV Chelas", é "Três Pancadas", é um dos mais competentes e apreciados produtores do nosso país, é "Orelha Negra", é "Crime do Padre Amaro" ou "Classe Crua"", acrescenta.

Além de Samuel Mira, também vão estar em palco os Orelha Negra (Fred Ferreira, Francisco Rebelo, João Gomes e DJ Cruzfader) e uma orquestra de 24 elementos, que será dirigida pelo maestro Pedro Moreira.

O concerto está marcado para o dia 27 de maio, sendo que os bilhetes ficarão disponíveis a partir desta quinta-feira.

Museu FC Porto lança semana de descontos para sócios

Divulgação
Campanha aplica-se a visitas ao museu e ao estádio do Dragão.

Até 20% de desconto. Este é o mote da campanha "Blue Monday", promovida pelo Museu Futebol Clube do Porto (FC Porto): entre 26 de fevereiro e 01 de março, os sócios do clube da "Invicta" poderão beneficiar de um desconto sobre a tabela de sócio.

Em comunicado, o Museu indica que esta "promoção exclusiva" permite que os sócios possam comprar bilhetes para uma tour FC Porto, que engloba uma visita ao Museu e ao Estádio do Dragão, com um desconto de 20%, quando a compra é feita na receção do Museu. No entanto, a compra tem de ser feita com a apresentação do cartão de sócio, com a quota regularizada.

Todas as informações podem ser encontradas no site do museu.

22 fevereiro 2022

Lolly Kids sai do satélite do MEO

Lolly Kids TV
Canal continua disponível nas restantes plataformas da operadora.

O canal musical Lolly kids vai sair da grelha de canais do serviço de satélite da MEO. A alteração está a ser comunicada aos clientes através da fatura de fevereiro.

O canal musical, apresentado em janeiro de 2021, é o primeiro canal de música infantil e é um exclusivo da operadora participada da Altice Portugal. Na altura do lançamento, a operadora explicava que a disponibilização do canal era um reforço na “estratégia de inovação e diferenciação da TV do MEO, também caracterizada pela melhor oferta destinada aos públicos mais jovens”.

O canal continua disponível nas restantes plataformas fibras, ADSL e app TV.

21 fevereiro 2022

Livros de Adelaide Graça e Maria José Areal lançados em Vila Nova de Cerveira

Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira
Apoio da autarquia é "uma forma de reconhecimento pela entrega pessoal, emotiva e voluntária" das duas escritoras

Os livros "Vamos Lá!" e "No Chão do Caminho-Contos" vão ser apresentados oficialmente na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira, anunciou a autarquia local.

Em comunicado, o município cerveirense sustenta que as autoras Adelaide Graça ("Vamos Lá!") e Maria José Areal ("No Chão do Caminho-Contos") têm um "vínculo natural e/ou profissional ao concelho" e que as publicações apoiadas pela câmara municipal para "promover o gosto pelo livro e pela leitura junto da comunidade cerveirense". O autarca Rui Teixeira considera que o apoio municipal é "uma forma de reconhecimento pela entrega pessoal, emotiva e voluntária com que estas duas escritoras sempre participaram num conjunto de atividades educativas e culturais dinamizadas em parceria com a autarquia, com as escolas e com as demais entidades locais".

Os dois livros são dirigidos a públicos diferentes: enquanto "Vamos Lá!" é voltado para o público infantojuvenil, "No Chão do Caminho-Contos" reúne 21 histórias sobre o quotidiano.

Adelaide Graça é natural de Vila nova de Cerveira, tendo já um "longo currículo" como escritora em diferentes categorias, tendo apostado recentemente na literatura infantojuvenil. Já Maria José Areal é coordenadora da Comunidade de Leitores - Chá com Letras, tendo publicado diversas obras desde 1999.

A sessão de apresentação de "Vamos Lá!" acontece no sábado, dia 26 de fevereiro, sábado. "No chão do Caminho - Contos" será apresentado na semana seguinte no dia 05 de fevereiro, sábado. As sessões têm início previsto a partir das 15h.

O puzzle da vida

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"E que tal, em vez de nos focarmos no início e no fim, aprofundarmos o que acontece pelo meio?", pergunta a docente a universitária.

Na vida há poucas coisas garantidas e por isso quando conseguimos encontrar uma delas, vale a pena não a deixarmos fugir das mãos, pois é uma verdadeira “riqueza”. Um dos achados é a velha regra da vida humana, em que tudo o que tem um início terá também um fim. O facto do início se associar à alegria e positividade é quase tão evidente como o fim nos fazer sentir o oposto: tristeza e negatividade. Tal acontece porque o ser humano, para se sentir bem, precisa de segurança, que nos dias que correm se traduz na sensação de poder ter algum controlo sobre os acontecimentos. Se um dia sentirmos este poder é sinal que estamos a viver numa ilusão, pois além da impossibilidade de prever os humores da vida, não conseguimos evitar o inevitável: os ciclos da existência humana irão executar as suas sentenças.

E que tal em vez de nos focarmos no início e no fim, aprofundarmos o que acontece pelo meio? Isto confirmará que os ciclos fazem parte da vida, e são eles que dão a forma à nossa existência.

O primeiro deles é a infância. É curioso como uma fase, que conforme Tracy Hogg (enfermeira e autora de vários livros de parentalidade) passa num “pestanejar”, dá fundamento a tudo que acontecerá a seguir e terá os seus ecos em todos os aspetos do nosso futuro. Em criança, o nosso cérebro é como um solo fértil, em que o que plantarmos depois colheremos. Tudo parece alcançável como nos filmes de Hollywood em que existem bons e maus, mas quem sempre vence é o bom, ao menos assim costuma ser. Depois chega a adolescência…. Aí as coisas complicam, a nossa paciência começa a ganhar contornos e entende que só há dois caminhos, o da vitória ou da derrota, e os problemas parecem becos sem saída: “Se ele não gostar de mim, não vou gostar de mais ninguém na vida! Se não tiver uma boa nota, não vou conseguir entrar na Faculdade! Se não comprar esta roupa, na festa ninguém vai reparar em mim!”.

Depois de uma série de vitórias e derrotas segue-se a fase adulta, a fase na qual estaremos inseridos até ao fim da vida. A passagem para os “enta” é uma ameaça para muitos, talvez porque a simples matemática mostra que o nosso percurso estará a meio do caminho. Mas os números não revelam a parte mais enriquecedora, pois ao contrário do que nos sussurra ao ouvido a nossa teimosa subconsciência, pouco a pouco a vida vai-nos revelando as suas cartas. Embora os nossos olhos possam precisar de óculos, vamos conseguir ver muito melhor o que realmente importa. Vamos deixar de nos preocupar tanto com a nossa aparência física, vamos ficar a saber quem são os nossos verdadeiros amigos, conheceremos melhor a nos próprios, e vamos conseguir gerir o nosso tempo de forma mais consciente e adequada. Finalmente perceberemos que acumular anos é como fazer um puzzle. Conseguir completá-lo é um privilégio, privado a muitos.

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