Glória do Ribatejo pode ter andado nas bocas do mundo com a série da Netflix "Glória", mas a vila é também conhecida pelo "Glória ao Rock". O festival decorre de 19 a 21 de junho e tem um cartaz com "foco na cena alternativa nacional".
Segundo a associação Febre Amarela, organização do festival mais antigo da região, o festival quer manter a missão de "valorizar a nova música portuguesa, criando uma ligação direta entre artistas, comunidade e território". Nesta 24.ª edição, o evento muda de local, transferindo-se para o Jardim Público da vila, trazendo "um ambiente único para três dias de música, convívio e celebração da cultura alternativa". O primeiro dia do festival é mesmo de acesso gratuito.
Ganso, MAQUINA, Yakuza, Benny Broker, Bad Tomato, Girls 96, Samuel Úria & Bunny O’Williams (dj set), Divã, Clauthewitch, Pato Bernardo, Cortada, Francisco Fontes, Proxy Fae, Africangroove e Gabzz são os artistas já confirmados num cartaz que a organização descreve como uma "combinação poderosa de nomes já firmados e projetos emergentes".
O canal Casa e Cozinha vai ter uma emissão especial dedicada a conteúdos portugueses ao longo de todo o feriado do Dia de Portugal, anunciou a estação. Marlene Vieira, Fátima Lopes, Joana Laranjinha ou João Kopke são algumas das caras que farão parte desta grelha especial que durará 24 horas.
"Os programas “Personaliza a tua Casa”, “Os Amigos do Chef”, “Pastelaria para Todos”, “Cozinhamos Contigo”, “Raízes”, “Experiências.pt”, “Plantmania”, “Ó da Casa”, “A Nossa Cozinha”, “Aqui Há Mão” e “Cozinha de Chef” preenchem a grelha televisiva do Casa e Cozinha no Dia de Portugal, a partir das 00h00, com conteúdos pensados de raiz para agradar ao público português", descreve o canal em comunicado, acrescentando que a iniciativa serve para "assinalar o Dia de Portugal".
Os vários episódios dos conteúdos serão exibidos ao longo de todo o dia, com especial enfoque na madrugada e no final da tarde, com o chef Chakall, Fátima Lopes e a chef Marlene Vieira em grande destaque.
Após mais de três anos em plataforma própria, o blogue informativo o largo. está de regresso à plataforma SAPO Blogs. O regresso consumou-se esta segunda-feira, 26 de maio.
A mudança, que está a ser feita de forma faseada, prevê a migração de todo acervo de conteúdos, bem como a reativação a longo prazo da versão em inglês do blogue informativo e dos projetos Informadouro e Emprego & Empreendedorismo. Para o diretor Bruno Micael Fernandes, a mudança trará uma nova dinâmica ao projeto: "Apesar do orgulho que temos na plataforma que desenvolvemos para todos os nossos projetos, a verdade é que precisavamos de recentrar a nossa atuação na escrita de conteúdos informativos, trazendo-os para a maior comunidade de blogues em língua portuguesa".
Mantendo uma produção de conteúdos próprios, o blogue tem apostado na publicação de conteúdos de texto e áudio de outros órgãos de comunicação social, como a brasileira Agência Pública ou a Rádio França Internacional, ou de projetos como o "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa" da APImprensa. Para Fernandes, estes conteúdos "acrescentam ainda mais valor à nossa missão de informar, trazendo pluralidade e visões diferentes do mundo para um pequeno "bairro" e dinamizando o debate em torno de questões tão complexas como o ambiente, a cultura ou a sexualidade e igualdade. Este é também o nosso propósito", reforça.
O regresso do blogue à plataforma detida pelo maior portal português da internet está a ser acompanhado também de várias mudanças técnica internas e externas: "Vão melhorar o nosso fluxo de informação, mas também melhorar a forma como os leitores percecionam e consomem a informação que produzimos diariamente", sustenta Fernandes.
A recente pesquisa revela que a resistência a medicamento essencial no tratamento da doença se deve a alterações genéticas no seu parasita.
Uma equipa científica internacional demonstrou que o parasita da malária está a resistir a tratamento devido às suas múltiplas alterações genéticas e não a uma única mutação, como se julgava até aqui. O estudo saiu na conhecida revista “Nature Communications” e reforça a teoria proposta em 2020 pela equipa de Pedro Ferreira e Isabel Veiga, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho, que participaram no novo trabalho e defendiam a hipótese de alterações nos genes plasmepsin e mdr1.
A recente pesquisa revela que a resistência à piperaquina (um medicamento essencial no tratamento da malária) deve-se a múltiplas alterações genéticas no parasita da malária. Em particular, variações no gene plasmepsin 3 estão associadas a uma eficácia reduzida do tratamento com di-hidroartemisinina-piperaquina e a um maior risco de recorrência da malária, sobretudo entre crianças em países africanos, onde a doença é mais prevalente.
“Esta descoberta confirma o que sugerimos há cinco anos e tem implicações importantes na forma como controlamos e tratamos a malária”, afirma Pedro Ferreira. O estudo sublinha a urgência de métodos avançados para acompanhar e monitorizar a resistência a antimaláricos. As atuais estratégias de vigilância centradas em mutações genéticas individuais podem não ser suficientes.
Tratamento repetido reduz eficácia
A piperaquina permanece no organismo humano durante várias semanas e protege contra novas infeções. Já a di-hidroartemisinina só perdura algumas horas, deixando a piperaquina depois isolada. Ou seja, futuras combinações de medicamentos antimaláricos devem ter uma farmacocinética similar para retardar a resistência do parasita.
Além disso, a vida semi-longa da piperaquina pode deixar de ser uma vantagem se o seu uso for repetido em escala, sobretudo em regiões com muitos casos de malária ou ao ser aplicada habitualmente por prevenção em crianças e grávidas. Isto é, o parasita tende a adaptar-se mais rapidamente e corre-se o risco de haver doentes novamente infetados após o tratamento. Os cientistas alertam que, se nada for feito, a piperaquina pode deixar de ser eficaz como medicamento preventivo em muitos países.
O novo estudo foi coordenado pelo Instituto Karolinska (Suécia) e juntou vinte cientistas, incluindo das universidades do Minho, Lisboa, Nova de Lisboa, Exeter (Reino Unido), Tübingen, Heidelberg (ambas na Alemanha) e de Ciências e Tecnologias de Bamako (Mali), bem como do Centro de Investigações Médicas de Lambaréné (Gabão), do Centro Alemão de Investigação de Infeções e da Fundação Oswaldo Cruz (Brasil).
Esta equipa prepara-se agora para testar alternativas antimaláricas em grávidas, como a sulfadoxina-pirimetamina e a sua eficácia profilática em alternância com a piperaquina, procurando assim formas de manter a proteção sem acelerar a resistência.
Dia Mundial da Luta contra a Malária
A 25 de abril assinalou-se o Dia Mundial da Luta contra a Malária, reconhecendo os esforços globais neste âmbito. Esta doença é transmitida pela picada dos mosquitos Anopheles, contaminados pelo parasita Plasmodium. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2023 houve 263 milhões de casos de malária, incluindo 597 mil mortes em 83 países. A África está associada a 95% dos casos, 76% dos quais com crianças até 5 anos de idade. A Ásia, a América Latina e, em menor escala, o Médio Oriente e partes da Europa também têm sido afetados.
Uma equipa científica internacional demonstrou que o parasita da malária está a resistir a tratamento devido às suas múltiplas alterações genéticas e não a uma única mutação, como se julgava até aqui. O estudo saiu na conhecida revista “Nature Communications” e reforça a teoria proposta em 2020 pela equipa de Pedro Ferreira e Isabel Veiga, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho, que participaram no novo trabalho e defendiam a hipótese de alterações nos genes plasmepsin e mdr1.
A recente pesquisa revela que a resistência à piperaquina (um medicamento essencial no tratamento da malária) deve-se a múltiplas alterações genéticas no parasita da malária. Em particular, variações no gene plasmepsin 3 estão associadas a uma eficácia reduzida do tratamento com di-hidroartemisinina-piperaquina e a um maior risco de recorrência da malária, sobretudo entre crianças em países africanos, onde a doença é mais prevalente.
“Esta descoberta confirma o que sugerimos há cinco anos e tem implicações importantes na forma como controlamos e tratamos a malária”, afirma Pedro Ferreira. O estudo sublinha a urgência de métodos avançados para acompanhar e monitorizar a resistência a antimaláricos. As atuais estratégias de vigilância centradas em mutações genéticas individuais podem não ser suficientes.
Tratamento repetido reduz eficácia
A piperaquina permanece no organismo humano durante várias semanas e protege contra novas infeções. Já a di-hidroartemisinina só perdura algumas horas, deixando a piperaquina depois isolada. Ou seja, futuras combinações de medicamentos antimaláricos devem ter uma farmacocinética similar para retardar a resistência do parasita.
Além disso, a vida semi-longa da piperaquina pode deixar de ser uma vantagem se o seu uso for repetido em escala, sobretudo em regiões com muitos casos de malária ou ao ser aplicada habitualmente por prevenção em crianças e grávidas. Isto é, o parasita tende a adaptar-se mais rapidamente e corre-se o risco de haver doentes novamente infetados após o tratamento. Os cientistas alertam que, se nada for feito, a piperaquina pode deixar de ser eficaz como medicamento preventivo em muitos países.
O novo estudo foi coordenado pelo Instituto Karolinska (Suécia) e juntou vinte cientistas, incluindo das universidades do Minho, Lisboa, Nova de Lisboa, Exeter (Reino Unido), Tübingen, Heidelberg (ambas na Alemanha) e de Ciências e Tecnologias de Bamako (Mali), bem como do Centro de Investigações Médicas de Lambaréné (Gabão), do Centro Alemão de Investigação de Infeções e da Fundação Oswaldo Cruz (Brasil).
Esta equipa prepara-se agora para testar alternativas antimaláricas em grávidas, como a sulfadoxina-pirimetamina e a sua eficácia profilática em alternância com a piperaquina, procurando assim formas de manter a proteção sem acelerar a resistência.
Dia Mundial da Luta contra a Malária
A 25 de abril assinalou-se o Dia Mundial da Luta contra a Malária, reconhecendo os esforços globais neste âmbito. Esta doença é transmitida pela picada dos mosquitos Anopheles, contaminados pelo parasita Plasmodium. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2023 houve 263 milhões de casos de malária, incluindo 597 mil mortes em 83 países. A África está associada a 95% dos casos, 76% dos quais com crianças até 5 anos de idade. A Ásia, a América Latina e, em menor escala, o Médio Oriente e partes da Europa também têm sido afetados.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
Site Nininho Vaz MaiaOperação contra rede de tráfico de droga resultou na detenção de dois indivíduos. Cantor ficou em liberdade e diz-se inocente.
A casa do cantor português Nininho Vaz Maia foi alvo de buscas pela Polícia Judiciária (PJ) na sequência de uma operação de combate ao tráfico de droga, avançam vários órgãos de comunicação social.
A operação "SKYS4ALL" foi realizada pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes e visou uma rede internacional de tráfico de droga por via aérea, com alvos na zona da Grande Lisboa, com buscas domiciliárias e não domiciliárias, especialmente em oficinas de automóveis. Foram feitas duas detenções. "A operação teve em vista a recolha de prova, sobre as presumíveis atividades ilícitas, de um grupo criminoso, que se dedicava ao tráfico de estupefacientes por via aérea e branqueamento de capitais", refere a PJ em comunicado, acrescentando que "foram, ainda, apreendidas cinco viaturas, duas armas de fogo, uma elevada quantidade de dinheiro em numerário, diverso material de comunicações e documentação".
Segundo avança a edição online do Correio da Manhã, o cantor não foi detido nem alvo de qualquer mandado de detenção, não sendo sequer o principal visado na investigação. A PJ não encontrou provas relevantes para os crimes em causa, mas Vaz Maia foi constituído arguido pelo seu alegado envolvimento na rede através de branqueamento de capitais através da sua atividade artística, tendo sido apreendido o seu telemóvel. A SIC Notícias avança também que o cantor é suspeito de ter transportado droga para Espanha.
As buscas na casa do cantor iniciaram-se a partir das 07h. Na altura, os três filhos do cantor encontravam-se na habitação.
"Importa deixar absolutamente claro que o Nininho está inocente" - Agência de Nininho Vaz Maia
Entretanto, a agência do cantor emitiu um comunicado e enviou-o a alguns meios de comunicação social. Segundo cita o jornal digital Observador, Vaz Maia confirmou as buscas, "colaborando desde o primeiro momento com as autoridades". O comunicado frisa a inocência do artista: "Importa deixar absolutamente claro que o Nininho está inocente e que confiamos plenamente na Justiça e estamos certos de que tudo será esclarecido com brevidade", acrescenta.
Agradecendo o "enorme carinho dos fãs" e o "respeito da imprensa", a agência remata o comunicado acrescentando haver "total disponibilidade" do artista para "colaborar com as autoridades em tudo o que for necessário", rejeitando, contudo, "qualquer associação precipitada" aos crimes.
wirestock/Envato ElementsNos últimos anos, as orcas têm dominado os títulos dos jornais devido às suas crescentes interações com barcos à vela ao largo das costas portuguesa e espanhola.
Um conjunto de estudos realizados no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) revelam como as perceções humanas acerca dos animais marinhos moldam as atitudes, emoções e até os esforços de conservação. Os resultados desta investigação, da autoria de Sandra Godinho e Margarida Garrido, foram publicados nas revistas Environmental Communication e Anthrozoös.
Nos últimos anos, as orcas têm dominado os títulos dos jornais devido às suas crescentes interações com barcos à vela ao largo das costas portuguesa e espanhola. Os relatos de orcas que embatem e danificam embarcações têm alimentado a cobertura sensacionalista dos media, enquadrando frequentemente os animais como ameaças. Sandra Godinho e Margarida Garrido, investigadoras do CIS-Iscte, analisaram a forma como esta imagem mediática molda a perceção que o público tem das orcas, e os resultados revelam uma mudança significativa.
As investigadoras analisaram mais de 400 notícias online divulgadas no período de 3 anos antes e 3 anos depois de 2020, ano em que os encontros com orcas começaram a aumentar, tendo descoberto que as descrições se têm vindo a tornar mais negativas e abstratas. Palavras como “ataque” surgem agora frequentemente, reforçando narrativas orientadas para o conflito. “Quando os meios de comunicação social apresentam as orcas como vilãs e não como criaturas complexas e inteligentes a responderem às alterações ambientais, podem moldar as atitudes do público de forma a alimentar a hostilidade e os apelos à retaliação”, afirma Sandra Godinho. O objetivo desta investigação foi medir vieses linguísticos na cobertura mediática, mas também explorar as representações sociais das orcas. Assim, num segundo estudo, a equipa de investigação entrevistou cerca de 350 pessoas para examinar as suas representações acerca das orcas. Participantes com conhecimento dos incidentes tinham mais probabilidade de descrever as orcas com termos relacionados com conflitos, tais como “perigosas”, “predadoras” ou “assassinas”, enquanto os com menos conhecimento tenderam a manter uma imagem mais positiva.
“A simplificação linguística do fenómeno, retratando as orcas como agressoras ou resumindo o fenómeno como um duelo entre humanos e orcas, parece contribuir para a difusão de representações sociais que favorecem comportamentos hostis, avessos à preservação da biodiversidade”, afirma Margarida Garrido. De acordo com a investigadora, esta descoberta ilustra a complexidade das representações sociais, sublinhando a necessidade de uma cobertura mediática responsável sobre a vida selvagem para promover relações positivas entre humanos e animais.
Mas serão as orcas uma exceção, ou será que os humanos concetualizam outras espécies marinhas de forma semelhante?
Esta questão levou as investigadoras a um segundo conjunto de estudos, que aplicou modelos cognitivos bem estabelecidos, originalmente desenvolvidos para estudar estereótipos face a grupos de pessoas, a animais marinhos. Os resultados sugerem que a forma como categorizamos pessoas também se estende ao restante reino de animais marinhos.
“Os seres humanos classificam naturalmente os grupos sociais com base na sua sociabilidade (boas ou más intenções) e competência (capacidade para concretizar essas intenções)”, explica Sandra Godinho. “Pedimos aos participantes que aplicassem estas mesmas dimensões ao avaliarem os animais marinhos e analisámos a forma como essas classificações estavam associadas a diferentes emoções e comportamentos.” Os resultados mostraram que os golfinhos e as tartarugas marinhas eram vistos como calorosos e competentes, levando a emoções positivas e a um forte apoio à conservação. Em contraste, os tubarões e as orcas eram vistos como competentes, mas ameaçadores, o que pode desencadear medo e reações defensivas.
Estas perceções podem ter implicações para os esforços de conservação de diferentes animais. As investigadoras afirmam que, embora as orcas possam estar atualmente num ciclo negativo dos meios de comunicação social, os dados mais alargados sugerem que as interações entre humanos e animais selvagens são moldadas por processos cognitivos bem consolidados. A compreensão destes mecanismos pode ajudar responsáveis políticos e conservacionistas a desenvolver estratégias para alterar a perceção do público e incentivar a coexistência em vez do conflito. Considerando que os ambientes marinhos enfrentam um crescente impacto humano, estes estudos realçam a necessidade urgente de repensar a forma como se comunica sobre a vida selvagem. Apelando a abordagens interdisciplinares, Sandra Godinho afirma que “se quisermos promover a conservação, temos de considerar não só a ciência sobre os próprios animais, mas também a psicologia das pessoas que interagem com eles”.
grafvision/ENvato ElementsA honestidade foi sempre a única garantia de sobrevivência? Ou será que a evolução das espécies é mais complexa e mais interessante?
O mito da natureza como entidade pura e perfeita teve início provavelmente com os nossos primeiros antepassados.
Sob a abóbada estrelada e perante a dureza de cada dia, a Mãe Natureza ascendeu rapidamente ao divino.
Depois dos contos e símbolos transmitidos de geração em geração ela foi celebrada mais tarde em prosa e em verso por variadíssimos escritores.
A historiadora Anna Brownell Jameson (1794 – 1860) condensou esta ideia na célebre frase
“A natureza e a verdade são uma só, imutável e inseparável como a beleza e o amor”.
Mas será mesmo assim?
A honestidade foi sempre a única garantia de sobrevivência?
Ou será que a evolução das espécies é mais complexa e mais interessante?
Estas e outras indagações são habilmente respondidas pelo académico Lixing Sun no livro de divulgação científica intitulado “Os mentirosos da natureza e a natureza dos mentirosos”.
O professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Central Washington ilustra a sua tese com exemplos concretos destes fascinantes “aldrabões” do mundo biológico que vão desde os vírus até aos grandes primatas.
Há estratégias de dissimulação sofisticadas de variadas espécies.
Olhemos com atenção para as trufas. Absolutamente inocentes, certo? Na verdade, até elas fazem batota: emitem um esteroide semelhante à feromona dos javalis. Assim que a fêmea detecta este aroma ela escava ansiosamente em busca do macho que, afinal, não está lá. O resultado desanimador para a “apaixonada” javali é por outro lado excelente para as trufas: assim se espalham os seus esporos. A comunicação também é muito útil no reino animal e veículo para a desinformação que, portanto, não é exclusiva do Homo sapiens.
O leitor certamente sabe que muitos animais (incluindo o cão do seu vizinho) avisam recorrendo a variados sons que um determinado predador ou invasor está perto. Mas nem sempre a mensagem é assim tão bem-intencionada. O corvo usa a vocalização de perigo para literalmente enganar os companheiros e concorrentes que assim se afastam assustados.
Os macacos, ainda mais sofisticados, escondem objectos dos seus companheiros atrás das costas e ocultam suas intenções de “namoro” do macho dominante. Assim evitam lutas desnecessárias com o mais forte do grupo.
A obra está, portanto, repleta de exemplos como estes que provam que afinal a dissimulação é uma estratégia comum no mundo vivo.
Vencedor em 2024 do prémio PROSE da Associação de Editores Americanos, Lixing Sun não defende o uso de mentiras intencionalmente maliciosas.
O que o autor gostaria de realçar é que o engano na biologia representa um poderoso catalisador de diversidade, sofisticação e até de beleza.
Assim, se entendermos e reconhecermos os “mentirosos” da natureza no jardim da nossa cidade ou no campo da nossa aldeia ficamos, paradoxalmente, mais perto da verdade.