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03 novembro 2024

É possível experienciar níveis elevados de bem-estar apesar de enfrentarmos significativos desafios psicológicos?

myjuly/Envato Elements
Investigadora realizou revisão de 85 estudos empíricos.

Uma recente revisão sistemática conduzida por Eunice Magalhães do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) explorou a saúde mental a partir da relação entre bem-estar e psicopatologia. Os resultados sublinham a importância de considerar as dimensões positivas e negativas da saúde mental na investigação e na prática clínica.

Eunice Magalhães, autora do estudo, explica que, nas últimas duas décadas, a saúde mental tem sido conceptualizada como incluindo duas dimensões inter-relacionadas, mas distintas – psicopatologia e bem-estar. Esta abordagem de duplo fator contradiz uma visão tradicional da saúde mental como sendo unidimensional e envolvendo a simples ausência de psicopatologia. “A investigação tem demonstrado que as pessoas podem ter resultados positivos em termos de saúde mental e reduzida psicopatologia, mas não é impossível obter níveis elevados de bem-estar e também de psicopatologia”, esclarece a investigadora. Com o objetivo de sistematizar as evidências ancoradas nesta abordagem da saúde mental de duplo fator, Eunice Magalhães realizou a revisão de um total de 85 estudos empíricos, tendo como participantes crianças, adolescentes e adultos.

Como o modelo de duplo fator oferece uma compreensão mais abrangente da saúde mental, é possível classificar quatro perfis de saúde mental baseados na intersecção do bem-estar e da psicopatologia. Estes perfis foram claramente identificados na literatura revista: “Saúde Mental Positiva” (elevado bem-estar e baixa psicopatologia), “Sintomático, mas com bem-estar” (elevado bem-estar e psicopatologia), “Vulnerável” (baixo bem-estar e psicopatologia) e “Problemático” (baixo bem-estar e alta psicopatologia). A maioria dos estudos analisados mostrou que o perfil “Saúde Mental Positiva” é o que apresenta maior prevalência, e os dados longitudinais sugerem que a maioria dos participantes (cerca de 50%-64%) tende a permanecer no mesmo perfil ao longo do tempo. Especificamente, os resultados sugerem que os indivíduos podem experienciar níveis elevados de bem-estar apesar de enfrentarem desafios psicológicos significativos, e também que as pessoas que não apresentam psicopatologia significativa não apresentam necessariamente uma saúde mental positiva. Esta constatação sublinha que as intervenções psicológicas devem ir além de uma perspetiva tradicional de redução dos sintomas.

No que diz respeito aos fatores associados a estes perfis de saúde mental, os estudos revistos neste artigo concentram-se principalmente em resultados relacionados com o contexto escolar, seguidos por relações de suporte, caraterísticas sociodemográficas, recursos psicológicos, atributos individuais, saúde física e eventos estressantes. Eunice Magalhães apela à necessidade de mais investigação que considere as variáveis individuais e englobe populações diversificadas, particularmente aquelas em risco devido a trauma ou violência.

As implicações desta revisão podem informar a prática clínica, mas também as políticas relacionadas com a promoção da saúde mental. Torna-se evidente a necessidade de uma mudança de foco da abordagem exclusiva da psicopatologia para a promoção do bem-estar, para que as intervenções possam ser mais eficazes na melhoria da saúde mental em geral. A autora defende o desenvolvimento de programas psicossociais que respondam às necessidades específicas de diferentes perfis de saúde mental, promovendo, em última análise, a resiliência e a adaptação positiva. “Reconhecendo a interação entre o bem-estar e a psicopatologia, podemos criar intervenções mais eficazes que apoiem as pessoas na obtenção de melhores resultados em termos de saúde mental”, conclui Eunice Magalhães.

Comissão da CEP lança nova tradução para livro da Bíblia

Aaron Burden/Unsplash
Nova versão das "Lamentações" é "um texto sempre atual", dizem especialistas.

A Comissão Coordenadora de tradução da Bíblia da Conferência Episcolar Portuguesa (CEP) disponibilizou a nova versão do chamado "Livro das Lamentações", incluído no Antigo Testamento. A nova tradução foi disponibilizada online esta sexta-feira.

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a Comissão da CEP frisa que o texto é algo "atual quando acompanha o sofrimento do crente", acrescentnado que o tema que levou à construção dos poemas do Livro "não é muito diferente das situações vividas por pessoas de gerações sucessivas ao longo dos séculos". Por seu turno, o Secretariado Nacional da Liturgia nota que o texto "não é um relato histórico" da destruição da cidade de Jerusalém, quando a cidade foi tomada por Nabucodonosor entre os anos de 597 e 586 a.C., do final do reino de Judá e o exílio que se seguiu, mas antes uma "expressão da dor de uma experiência intensa e dramática, que sugere simultaneamente uma razão para que tal drama tenha acontecido".

O lançamento da nova tradução do Livro das Lamentações insere-se na iniciativa da CEP de lançar uma nova tradução em português de Portugal da Bíblia. Vários investigadores estão envolvidos na tradução a partir das línguas originais, sendo que a tradução de cada livro que compõe a Bíblia é lançado mensalmente em formato digital na página da CEP e na da Agência ECCLESIA.

O padre Mário de Sousa, coordenador da Comissão, refere que a tradução é feita de forma "ad experimentum", isto é, a tradução é colocada "colocada à apreciação dos leitores de língua portuguesa, cristãos ou não", sendo convidados a participarem nela através de email.

Até ao momento, já foram disponibilizadas traduções de 20 livros do Antigo Testemento e 19 do Novo Testamento, sem contar com os Evangelhos segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.

Trabalho pioneiro abre caminho para novos dispositivos eletrónicos flexíveis

IFIMUP
Este é um progresso significativo para a eletrónica de spin

E se pudéssemos ter um telemóvel incorporado na nossa roupa ou até como pulseira? Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) acaba de dar mais um passo, através de um estudo pioneiro, para que estas tecnologias sejam parte do nosso dia a dia.

Num trabalho publicado na conceituada revista Advanced Functional Materials, os cientistas testaram um material promissor da classe dos isoladores topológicos e comprovaram que este pode ser utilizado em substratos flexíveis que podem, por exemplo, “alojar” tecnologia na nossa roupa. Para além disso, avançam com um importante contributo para a fabricação escalável destes nanomateriais, uma vez que utilizam técnicas igualmente usadas a nível industrial.

Mas o que torna estes materiais tão vantajosos para a indústria e tecnologia? Os dispositivos eletrónicos, como memórias avançadas para telemóveis e computadores, querem-se cada vez mais pequenos, mais rápidos, eficientes e de baixo consumo energético. No entanto, a exigência de um tamanho mini faz com que rapidamente aqueçam, o que reduz substancialmente a velocidade de processamento e a sua eficiência.

Para resolver este problema de dissipação de energia e de aquecimento, os cientistas têm investido na área da eletrónica de spin, que utiliza o spin (efeito de íman) dos eletrões, e não o movimento de carga, para processar e armazenar informações. Desta forma, uma vez que a manipulação de spin não envolve o movimento literal dos eletrões, é reduzido o aquecimento.

A solução passa pela utilização dos isoladores topológicos, ainda pouco estudados, mas que prometem ser a chave para a tecnologia do futuro. Por duas razões: apresentam à superfície canais condutores de eletrões – estados de superfície topológicos que permitem às extremidades ou superfícies conduzir eletricidade sem perder energia; estes estados potenciam vários efeitos de spin que podem ser aproveitados no desenvolvimento de novos dispositivos.

Um progresso significativo para a eletrónica de spin

Os investigadores perceberam que, mesmo em substratos flexíveis, estes canais condutores permanecem estáveis, abrindo assim caminho para tecnologias, não só mais eficientes e rápidas à pequena escala, mas também para materiais que podem ser dobrados e moldados para serem usados, por exemplo, junto ao nosso corpo.

“Estes avanços são especialmente relevantes para a integração de isoladores topológicos em tecnologias flexíveis de eletrónica de spin, permitindo o desenvolvimento de dispositivos eletrónicos de elevada eficiência e de baixo consumo energético”, destaca André Pereira, docente da FCUP e líder da equipa responsável por este avanço.

Com o objetivo de promover a condução de superfície, e assim aumentar a eficiência energética, os investigadores desenvolveram na FCUP filmes finos numa estrutura flexível e que incorporou o Bi2Te3, um material da classe dos isoladores topológicos. “Este trabalho representa um progresso significativo na fabricação deste tipo de nanomateriais a um nível escalável para a indústria de eletrónica de spin e no controlo das propriedades quânticas destes materiais”, sublinha o investigador.

“Usamos técnicas escaláveis de magnetron sputtering e tratamentos térmicos pós-deposição e demonstramos como a organização estrutural dos filmes influencia as suas propriedades elétricas e topológicas”, destaca.

O estudo publicado insere-se no âmbito do doutoramento em Física da estudante da FCUP, Mafalda Moreira, que conta com a orientação dos docentes e investigadores do Departamento de Física e Astronomia da FCUP, André Pereira, do Instituto de Física de Materiais Avançados, Nanotecnologia e Fotónica(IFIMUP) e Eduardo Castro, do Centro de Física das Universidades do Porto e do Minho, e da investigadora da FCUP e IFIMUP, Ana L.Pires. Assinam ainda o artigo, Rui Vilarinho, investigador da FCUP e IFIMUP, e Sofia Ferreira-Teixeira, alumna da FCUP.

02 novembro 2024

Homebanking da CGD indisponível devido a "problemas técnicos"

Joehawkins/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Clientes não puderam efetuar qualquer transação. Serviços só foram repostos ao fim da tarde.

Os serviços digitais da Caixa Geral de Depósitos (CGD) registaram dificuldades de acesso e indisponibilidade total ao longo deste sábado, tendo o acesso sido reposto ao final da tarde.

Segundo o blogue noticioso Pplware, os problemas começaram a registar-se desde manhã, com os clientes do banco a não poderem fazer qualquer operação quer no site, quer nas aplicações para telemóvel. Já ao início da tarde, por meio de um comentário nas redes sociais, o banco confirmou a situação: "Estamos a verificar problemas técnicos na gestão do sistema de internet que afeta alguns serviços da Caixa, incluindo Caixadirecta e Contact Center", indicou a instituição bancária, acrescentando que as equipas estavam a trabalhar "para a rápida reposição dos serviços". 

A meio da tarde, a CGD emitiu uma nova nota informativa nas redes sociais, indicando que os canais "Caixadirecta e Contact Center" estariam indisponíveis até às 20h "devido a uma intervenção técnica. Lamentamos o incómodo causado", acrescenta.

Os serviços foram entretanto repostos. Contudo, o banco ainda não avançou qualquer motivo para a indisponibilidade.

28 outubro 2024

Cientistas revelam como o cérebro consegue antecipar cenários através da codificação de experiências temporais

vetre/Envato Elements

Um estudo recentemente publicado na revista Nature revela informação inédita fundamental sobre a forma como o cérebro aprende com as experiências vivenciadas e antecipa potenciais acontecimentos futuros. A equipa de investigação estudou o hipocampo e o córtex entorrinal – regiões do cérebro cruciais para a memória e a aprendizagem – em indivíduos submetidos a procedimentos clínicos.

O primeiro autor do estudo e investigador do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, Pawel Tacikowski, refere que “a capacidade de reconhecer padrões e antecipar potenciais eventos futuros é uma parte essencial da aprendizagem humana”.

Estudos anteriores recorreram a técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética funcional (fMRI), para estudar a forma como estes processos ocorrem no cérebro. No entanto, este tipo de métodos não permite uma observação direta da atividade neuronal. Neste estudo inovador, os investigadores conseguiram registar a atividade neuronal de células individuais em tempo real, permitindo uma nova compreensão dos processos de codificação cerebral.

Os participantes no estudo visualizaram uma série de imagens numa sequência específica, sem que lhes tivesse sido dito para memorizarem ou preverem nada. Surpreendentemente, os neurónios do hipocampo e do córtex entorrinal ajustaram gradualmente a sua atividade para refletir o padrão subjacente, mostrando que o cérebro foi capaz de aprender implicitamente a estrutura da sequência e construir um mapa mental de ‘quando’ e ‘o quê’ se seguiria.

Os investigadores observaram também que os neurónios ativaram o mesmo padrão espontaneamente. Pensa-se que esta atividade de repetição é a forma como o cérebro consolida a aprendizagem.

Os resultados obtidos permitem-nos compreender melhor como o nosso cérebro codifica e memoriza a sequência das nossas experiências vivenciadas, combinando informação sobre “o que” acontece e “quando” acontece, permitindo assim antecipar comportamentos futuros.

“Estamos muito entusiasmados com este estudo. Poder compreender como é que o cérebro organiza temporalmente as nossas vivências pode ter aplicações clínicas importantes, com em futuras terapias para melhorar a memória, que poderão centrar-se no aumento da atividade neuronal específica que representa as memórias relevantes”, acrescenta o investigador.

Além do primeiro autor, Pawel Tacikowski, são coautores do estudo os investigadores Güldamla Kalender, Davide Ciliberti, e Itzhak Fried. A investigação decorreu na Universidade da Califórnia, Los Angeles (Departamento de Neurocirurgia), no Instituto Karolinska (Departamento de Neurociências) e na Universidade de Coimbra.

26 outubro 2024

Teatro da Trindade evacuado devido a curto-circuito

Etasobal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Espetadores foram retirados por precaução.

O Teatro da Trindade, em Lisboa, foi evacuado este sábado devido a um curto-circuito. O incidente aconteceu enquanto uma peça estava em cena. 

Segundo vários meios de comunicação social, o serviço municipal de Proteção Civil indicou como fonte do incêndio um curto-circuito num edifício contíguo, acrescentando que a situação está controlada. Ao todo, foram retiradas 40 pessoas do teatro, sendo que a peça já estava a terminar.

No local, estão vários meios dos Bombeiros sapadores de Lisboa, da Polícia Municipal e da PSP, mas, aos jornalistas, a Proteção Civil não precisou o número de operacionais ou de viaturas.

Uma pessoa foi assistida no local.

24 outubro 2024

Morreu o cantor Marco Paulo

Facebook Marco Paulo
Tinha 79 anos.

O cantor português Marco Paulo morreu esta quinta-feira, avançou a SIC Notícias.

O artista lutava há vários anos contra um cancro de pulmão e outro no fígado, sendo que, em setembro, o estado de saúde agravou-se, com a quimioterapia a não surtir efeito. Há vários dias que estava internado no hospital CUF Tejo, em Lisboa.

Nascido em Mourão, Évora, em 21 de janeiro de 1945, Marco Paulo era o nome artístico de João Simão da Silva. A longo da sua carreira, editou mais de 70 álbuns, com temas como "Eu Tenho Dois Amores", "Morena Morenita", "Joana", "Sempre Que Brilha O Sol", "Taras E Manias" ou "Nossa Senhora", tendo atingido recordes de vendas.

O cantor também teve uma série biográfica: "Marco Paulo" foi lançada em 2023 na plataforma OPTO e emitida na íntegra na SIC.

Já este ano, o artista descobriu um novo tumor no fígado, sendo que, já esta terça-feira, na sua crónica "Postal do Dia", o jornalista Luís Osório dizia que "Marco Paulo está pronto para sua última viagem".

Marco Paulo tinha 79 anos.

22 outubro 2024

Granito do Porto é Pedra Património Mundial da UNESCO

Christian Baudet/Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)
O facto de não existirem pedreiras ativas com granito na cidade do Porto, um dos requisitos solicitados, dificultou esta missão, mas a professora não desistiu.

O Granito do Porto, presente em edifícios históricos da cidade invicta como a Reitoria da Universidade do Porto, o Hospital de Santo António e a Sé do Porto, foi reconhecido como Pedra Património Mundial, num processo gerido pela Subcomissão da Pedra Patrimonial, da União Internacional das Ciências Geológicas, IUGS, (International Union of Geological Sciences) e apadrinhado pela UNESCO.

O anúncio oficial decorreu recentemente no Congresso Geológico Internacional, organizado pela IUGS e no qual a UNESCO atribuiu ao Granito do Porto um diploma que assim o certifica.

A trabalhar nesta candidatura desde 2013, Maria Ângela Almeida, geóloga e professora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), foi a responsável por este feito. O facto de não existirem pedreiras ativas com granito na cidade do Porto, um dos requisitos solicitados, dificultou esta missão, mas a professora não desistiu. Com um artigo publicado em 2015, juntamente com o investigador e professor Arlindo Begonha da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, sobre a importância histórica e cultural do Granito do Porto, voltou a tentar, em 2023, com uma candidatura mais detalhada e conseguiu que esta pedra integrasse a lista das 55 primeiras pedras mundiais consideradas Património da UNESCO.

Maria Ângela Almeida | Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

A designação de “Pedra Património da UNESCO” pretende realçar o conhecimento geológico, uso e conservação da pedra natural com importância histórica em todo o mundo. Consiste no reconhecimento internacional de pedras naturais cuja aplicação contribui para a compreensão da evolução de diferentes civilizações ao longo da História, em particular através da identificação da pedra local aplicada no património construído, explorada em pedreiras históricas.

Maria Ângela Almeida, geóloga e professora da FCUP, realizou a candidatura que levou ao reconhecimento do Granito do Porto como Pedra Património Mundial. Foto: SIC.FCUP

Como tudo começou

Foi Fernando Noronha, professor da FCUP e reconhecido geólogo do Porto, quem desafiou Maria Ângela Almeida a trabalhar com esta pedra natural. “Entrou no meu gabinete com uma caixa de amostras de granito e perguntou-me se estava interessada em estudar o granito do Porto”, recorda a professora do Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da FCUP.

A resposta foi positiva e daí resultou um trabalho que a fez mergulhar, também, na história da cidade.

“É um granito de duas micas, que se instalou há cerca de 310-320 milhões de anos”, descreve a professora, que estudou, ao pormenor, este granito e as suas características petrográficas, geoquímicas e petrogenéticas. “Quisemos compreender a relação das propriedades intrínsecas do granito com a riqueza e diversidade do património construído na cidade, pois grande parte da cidade do Porto se desenvolveu sob este maciço”, acrescenta Maria Ângela Almeida.

“Chama-se Granito do Porto porque foi, pela primeira vez, na cidade do Porto, nos anos 30, que este tipo de granito recebeu uma atenção diferente. O estudo de granitos semelhantes em outras regiões do norte do país teve início neste granito do Porto”, conta. Apesar do nome, não é exclusivo do Porto, existindo noutras cidades como a Póvoa de Varzim, e parte de Vila Nova de Gaia, por exemplo.

A ratificação de 13 novas candidaturas a nível mundial em 2024 decorreu em junho. Assim, em Portugal, o Granito do Porto e o Calcário de Ançã, este ano distinguidos, juntam-se aos mármores de Estremoz (2017), ao calcário Lioz (2019) e à brecha da Arrábida (2022), que já contavam com as designações de Pedra Património Mundial.

O processo é gerido pela Subcomissão da Pedra Patrimonial, HSS, (Heritage Stone Subcommission) da União Internacional das Ciências Geológicas, IUGS, (International Union of Geological Sciences) em parceria com a UNESCO.

21 outubro 2024

Estudo sugere que as 'células velhas' da pele podem acelerar o envelhecimento de outras partes do corpo

Rita Félix/CNC-UC
"A investigação abre caminho a novas possibilidades de investigação sobre o envelhecimento".

A partir do estudo dos efeitos das células senescentes – células que se acumulam à medida que os órgãos envelhecem – em outras partes do corpo humano, duas equipas de cientistas portugueses descobriram que a presença destas ‘células velhas’ na pele pode afetar negativamente outros órgãos do corpo humano, especialmente o cérebro, ao espalhar sinais de envelhecimento. Esta descoberta abre caminho ao estudo de futuras terapias que possam atrasar o processo de envelhecimento do corpo humano.

“Esta investigação constitui a primeira evidência direta que células senescentes na pele podem acelerar o envelhecimento noutras partes do corpo. Sugere, portanto, que a senescência de células da pele pode contribuir para efeitos generalizados de envelhecimento”, explica a equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC-UC/CiBB) da Universidade de Coimbra (UC) e da Faculdade de Farmácia da UC (FFUC) envolvida na investigação.

Para desenvolver este estudo, as equipas de cientistas investigaram os efeitos de células senescentes na pele de ratinhos jovens. Conseguiram perceber que a presença destas células envelhecidas na pele levou à diminuição da função musculo-esquelética, aumentou a fraqueza física e diminuiu a capacidade de memória dos ratinhos. Observaram ainda que o cérebro era afetado, nomeadamente o hipocampo, zona-chave para a memória e a função cognitiva, “condições frequentemente observadas no envelhecimento”, sublinha uma das coordenadoras do estudo, Cláudia Cavadas, líder do grupo de investigação em Neuroendocrinologia e Envelhecimento do CNC-UC/CiBB. “Estas reações indicam que houve uma ligação entre as células envelhecidas na pele e o cérebro”, avança.

Os resultados deste estudo contribuem, assim, para o conhecimento do envelhecimento do organismo, “podendo abrir caminho para investigar intervenções inovadoras que visem atrasar o processo de envelhecimento sistémico”, destaca a cientista. “Potencialmente, podem ainda explicar a ligação entre doenças cutâneas e outras doenças associadas ao envelhecimento”, acrescenta.

Novos dados sobre o envelhecimento do corpo humano são cruciais na atualidade, uma vez que “o envelhecimento da população é uma preocupação global e um dos maiores fatores de risco das principais doenças crónicas, como as doenças neurodegenerativas”, refere ainda a cientista.

A investigação abre, assim, caminho a novas possibilidades de investigação sobre o envelhecimento que podem focar-se, por exemplo, “em conhecer melhor as células senescentes na pele e explorar novas estratégias que visem eliminar ou neutralizar células senescentes na pele com o objetivo de reduzir os seus efeitos sistémicos no envelhecimento do organismo”, acrescenta o cocoordenador deste estudo, líder do Laboratório de Envelhecimento Celular e Molecular da Clínica Mayo, nos Estados Unidos da América, João Passos.

Os resultados desta investigação estão disponíveis no artigo científico "Senescent cell transplantation into the skin induces age-related peripheral dysfunction and cognitive decline", publicado na revista Aging Cell, que tem como primeira autora a estudante de doutoramento da FFUC e do CNC-UC, Ana Catarina Franco.

20 outubro 2024

“O nosso coração ardeu": Israel está a destruir séculos de património no sul do Líbano

Serviço de Imprensa IDF/Domínio Público
Em apenas algumas horas, os ataques aéreos israelitas destruíram o mercado histórico de Nabatieh e a antiga árvore Maloula

Em apenas algumas horas, dois ataques aéreos israelitas arrasaram locais que representam séculos da riquíssima história do sul do Líbano. A região, conhecida como Jabal Amel, está desde há muito associada à sua comunidade muçulmana xiita, predominantemente duodecimano, com raízes profundas e considerada uma das mais antigas do mundo. Esta zona montanhosa, atravessada pelo rio Litani, tem vista para o mar Mediterrâneo e está ligada ao monte Líbano, a Wadi al-Taym e ao vale de Beqaa.

Estes ataques não se limitam a fazer vítimas humanas; o seu objetivo é eliminar as raízes, a cultura e os meios de subsistência das populações do Líbano e da Palestina. Não se tratam de danos colaterais - é uma estratégia intencional para apagar a alma da terra, a sua história e o seu povo.

Mas, à medida que milhares de pessoas são mortas e feridas no genocídio israelita em curso na Palestina e nos ataques brutais ao Líbano, a necessidade urgente de salvar vidas e de lidar com o trauma ofusca muitas vezes a perda devastadora causada pela destruição sistemática do património, da memória e da história.

O coração do sul

Uma das inúmeras vítimas desta ação foi o mercado histórico de Nabatieh[nota]Nota do tradutor: apesar de encontrar a designação "Nabatia", optou-se por manter a designação inglesa, pois não conseguimos encontrar essa designação em documentos oficiais[/nota], a maior cidade de Jabal Amel e um movimentado centro de vida e comércio durante gerações, com edifícios e lojas mais antigos do que a própria Israel.

Nabatieh foi durante muito tempo um centro comercial e cultural de uma região que historicamente ligava a Jordânia, a Palestina, a Síria e o sul do Líbano, um ponto de encontro onde comerciantes e viajantes se reuniam, trocando bens e histórias, mantendo viva a força vital cultural e económica da região.

A destruição do mercado não é um incidente isolado, mas faz parte da estratégia de longa data de Israel de atacar marcos culturais, espelhando um desejo colonial de apagar as raízes e as memórias dos povos que habitam estas terras.

https://twitter.com/Hisham10452/status/1845469010093113767
Publicação na rede social X de Hisham (@Hisham10452): "O mercado de Nabatieh, antes e depois. Não nos vergamos" [Tradução livre]

Segundo Kamel Jaber, um jornalista local que há muito acompanha a história da sua amada cidade, “a destruição é tão completa que torna os socos [nota]Nota do tradutor: também designados de "azoques" ou "souq" em inglês, socos corresponde a todo o tipo de mercados árabes.[/nota] irrecuperáveis. Desde 1975, temos vindo a perder gradualmente o nosso património devido aos ataques israelitas e, de todas as vezes, a resposta tem sido reconstruir algo moderno, não recriar o antigo como era”.

Milhares de pessoas recorreram às redes sociais para documentar os rostos e as histórias deste antigo mercado, entre as quais Badia Hani Fahs[nota]Nota do tradutor: Badia é uma ativista libanesa, conhecida na imprensa internacional por ter lutado contra o facto do divórcio no Líbano retirar a mães a custódia dos filhos, entregando-a à autoridade masculina da família paterna. Apesar disso, conseguiu reunir-se com os filhos mais de 10 anos depois do divórcio[/nota]:

O coração de Nabatieh ardeu…

Aqui estava a loja de guloseimas Dimasi, aquela que deixou Sidon há muito tempo e se instalou em Nabatieh. Há apenas alguns meses, fizeram uma remodelação e começaram de novo.

Ao lado, estava a loja do meu primo Kamel Jaloul, a primeira sapataria de homem do mercado. Nenhum noivo ia ter com a sua noiva sem usar sapatos do Jaloul.

Na esquina, ficava a livraria Hijazi. Todos nós comprávamos lá as mochilas e o material escolar para nós e para os nossos filhos. Quando éramos miúdas, costumávamos pedir emprestados romances em segunda mão por apenas algumas liras.

Em frente, ficava o Studio Al-Amal. Entrávamos para ver o Al-Husseini e encontrávamos fotografias com 60 a 70 anos, fotografias dos nossos avós e dos seus amigos.

Um pouco mais abaixo ficava a Farmácia Baalbaki, gerida por uma família que veio como refugiada do vale do Beqaa. As suas origens são da família Alou, mas foi-lhes dado o nome Baalbaki, tornando-se este o seu apelido.

Virando à esquerda, deparamo-nos com o orgulho da indústria de Nabatieh, a Sultan Sweets. O cheiro a limpo, a natas frescas e a kunafa extra estaladiça enchia o ar. Não se podia entrar sem que nos oferecessem um doce e um gole de água.

Seguindo em frente, passávamos pela Livraria Farol, propriedade do simpático Rafaat Hatit, que fugiu de Kfeyoun durante a Guerra das Montanhas e se instalou em Nabatieh, mantendo o mesmo nome da livraria.

Em frente à livraria, encontravam-se as duas lojas mais importantes do mercado, geridas por duas mulheres notáveis: Hasiba, Umm Rami Al-Amin, e Maha, mulher do ativista Afif Qaddih.

Na porta ao lado, as Especiarias Al-Mashaal, propriedade de Ali Batata.

Subindo a colina, encontrava-se a Arnout's Falafel, a loja de falafel mais famosa de todo o Sul. Arnouti é de origem albanesa e viveu em Akka, onde aprendeu a arte de fazer falafel. Depois da Nakba, veio para Nabatieh, trazendo consigo o seu ofício e, a cada ataque a Nabatieh, era atingido por outro desastre.

Ao seu lado, estava a loja do Mukhtar Hassan Jaber, que herdou do seu pai, Nizar Jaber. Era nesta loja que se encontrava tudo o que se precisava. Aqueles que não conheciam Nizar Jaber nunca tinham visto o amor e a bondade encarnados num homem.

Do outro lado, a Discoteca Al-Sha'ar, que fazia o mercado dançar ao som das últimas tendências musicais de leste a oeste.

Este é o nosso coração que ardeu, e não apenas um quarteirão de betão.

Kamel Jaber, jornalista, numa publicação na rede social Facebook

Oliveiras antigas, mercados históricos e comunidades inteiras. Não são apenas vítimas da guerra, mas alvos deliberados de uma campanha para negar às populações o seu património e a sua identidade.

Árvores antigas, raízes profundas

Horas depois da destruição do mercado de Nabatieh, outro ataque aéreo israelita atingiu a cidade vizinha de Mayfadoun, destruindo a casa da família Rtail, conhecida pelo seu antigo carvalho do Monte Tabor, que é testemunha da história da região há séculos e é conhecido localmente como a árvore Maloula. Com uma altura superior a 18 metros e um tronco de cinco metros, a árvore de Maloula é mais do que uma relíquia natural. Tem um significado cultural, histórico e pessoal.

De acordo com a tradição local, a árvore esteve sempre ali. Em 1995, Abu Rashid Rtail, um dos seus muitos cuidadores ao longo dos séculos, partilhou histórias contadas pelo seu pai, que viveu até aos 100 anos, e por um ancião da família Najda, que viveu até aos 115, sendo que um e outro alegavam que a árvore tinha o mesmo aspeto ao longo das suas vidas. Com uma longevidade de séculos, a árvore tornou-se um monumento vivo, encarnando o património e a memória de Mayfadoun.

O município de Mayfadoun deu o seu nome ao bairro - “Hay Al Maloula” - como reconhecimento da sua importância. Segundo Rashid Rtail, filho de Abu Rasheed, um grupo de engenheiros chegou a inspecionar o monumento e confirmou a sua notável idade de mais de 500 anos, estimando que poderia até ter uma longevidade mais de, talvez, até 1100 anos. Este tipo de longevidade é raro, sendo que as árvores antigas sobrevivem graças à sua resistência às doenças e ao clima.

Numa entrevista em 2010, Rasheed recorda que a Maloula era muito maior antes de ser repetidamente atingida pela artilharia israelita, destruindo muitos dos seus ramos mais altos. E com a destruição da sua casa “mais do que uma vez devido aos alvos da Maloula, esta recusou-se a cair, mesmo depois da sua congénere na cidade de Deir Siryan ter caído durante a última agressão [na guerra de 2006], tornando-a na árvore antiga mais importante do distrito de Nabatieh”.

A árvore servia de ponto de encontro para viajantes e peregrinos que se dirigiam a Nabatieh para a comemoração anual da Ashura, um famoso evento que honra o martírio do Imã Hussein na Batalha de Karbala, ligando Nabatieh e Mayfadoun através de tradições partilhadas e servindo de testemunha silenciosa dos rituais mais importantes da região. Outrora, os seus ramos acolheram o riso das crianças durante as festas e a sua sombra ofereceu descanso aos viajantes e aos habitantes locais cansados.

Um ataque aéreo israelita a este antigo e majestoso ser vivo e à casa da família Rtail, que se encontrava ao seu lado durante gerações, reduziu a casa a escombros e danificou a árvore que sobreviveu a séculos e talvez a um milénio, mas que poderá ter sido finalmente morta por este último ataque israelita.

O coração de Mayfadoun
A casa do falecido Haj Toufic Rtail, pai dos falecidos Haj Rashid Rtail e Haj Mohammad Reda Rtail.
O lugar da árvore Maloula.

Destruição sistemática

A destruição destes símbolos culturais e históricos está relacionada com uma lógica colonial mais alargada. A árvore de Maloula, a casa de Rtail e o mercado de Nabatieh, tal como inúmeros outros marcos e lugares, não são apenas estruturas físicas: são a personificação da resistência, da história, dos laços e da cultura da comunidade. A sua existência desafia a narrativa de erradicação que Israel procura impor. Durante muitos séculos esta terra foi habitada, o seu povo cultivou histórias ricas, construiu cidades e manteve comunidades que continuam a viver, a criar e a resistir.

Ao lamentar a perda destes marcos insubstituíveis e a perda de vidas humanas de cortar o coração, encontramos o consolo na força da memória e da comunidade. O amor que une as pessoas à sua terra, à sua história e umas às outras permanece inquebrável. Este amor, esta memória, permitir-lhes-á reviver, reconstruir e continuar a viver. Os lugares e as histórias existem na memória e, a partir dessa memória, as pessoas - e a natureza - erguer-se-ão de novo, como têm feito ao longo de gerações.

Licença Creative Commons

Este artigo, escrito por Walid El Houri, foi originalmente publicado no site Global Voices Online e republicado em português de Portugal n'o largo. ao abrigo da licença Creative Commons CC BY 3.0.

19 outubro 2024

Estudo revela alta prevalência de Sintomas Depressivos e Ansiosos em Estudantes Universitários, com impactos preocupantes Pós-Pandemia

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Entre os problemas de saúde mental mais mencionados, a ansiedade e a depressão lideram a lista.

Um estudo coordenado por Lara Guedes de Pinho, professora do Departamento de Enfermagem da Universidade de Évora e investigadora do CHRC, revelou dados preocupantes sobre a saúde mental dos estudantes do ensino superior. O estudo iniciou a recolha de dados a 10 de outubro de 2022 e repetiu esta recolha em 2023, envolvendo neste último ano 2.136 universitários de 6 universidades portuguesas. Os resultados indicam uma prevalência preocupante de sintomas depressivos e ansiosos, com quase 23% dos estudantes a referirem estar diagnosticados com uma doença mental. Destes, 49,7% referem ter sido diagnosticados após a pandemia de COVID-19.

Entre os problemas de saúde mental mais mencionados, a ansiedade lidera com 19,4%, seguida da depressão com 13,3%. O estudo mostrou ainda que 38,9% dos estudantes sofrem de sintomas depressivos que variam de moderados a severos, com 7,2% apresentando sintomas graves. Como agravante, 11,8% referem ter pensamentos acerca de que estaria melhor morto ou de se ferir a si mesmo de alguma forma.

Lara Guedes de Pinho, refere que se mantém a tendência em relação ao ano de 2022, embora com um ligeiro aumento na gravidade dos sintomas. Acrescenta que as universidades estão já a tomar algumas medidas, nomeadamente com atividades promotoras da saúde mental e reforço do apoio psicológico aos estudantes, mas é necessário um reforço externo às universidades. Muitos dos problemas surgem antes da entrada para a universidade, pelo que devem ser tomadas medidas também no ensino básico e secundário, bem como haver uma estratégia de promoção da saúde mental desde a infância nos cuidados de saúde primários e nas escolas.

Além disso, quando questionados sobre o impacto desses problemas no desempenho académico e na vida pessoal, 31,5% relataram dificuldades significativas. Os sintomas ansiosos também são uma realidade para 39,2% dos estudantes, que se classificam entre moderados e graves.

O estudo também destaca que o sexo feminino e os estudantes de menor nível socioeconômico, especialmente aqueles que vivem deslocados de suas casas, são os mais afetados. Questionados sobre a quem recorreriam se necessitassem de ajuda, a maioria refere que conversaria com os amigos (75,4%), seguida de psicoterapia (40%), porém, somente 26,4% dos alunos recorreriam ao aconselhamento psicológico oferecido pela universidade.

A investigadora do Comprehensive Health Research Centre (CHRC) da Universidade de Évora acrescenta que tendo em conta os dados revela-se de extrema importância capacitar os pares para a primeira ajuda em saúde mental e para o encaminhamento para especialistas em caso de necessidade. O Programa de Saúde Mental da Universidade de Évora, Vagar (Mente), pretende monitorizar a saúde mental dos universitários anualmente e desenvolver programas que visam esta capacitação na academia.

Os motivos mais citados para a não procura de ajuda foram os custos elevados (62,6%) e o longo tempo de espera para conseguir uma consulta (54,7%). Para Lara Guedes de Pinho, esses dados revelam a urgência de políticas de saúde mental mais acessíveis e eficazes não só no meio universitário, mas também com respostas ao nível do Serviço Nacional de Saúde.

Este estudo sublinha a necessidade de atenção redobrada à saúde mental dos estudantes, um problema crescente que foi agravado pela pandemia e que merece mais atenção das instituições de ensino e das autoridades de saúde.

18 outubro 2024

Nova temporada de "Pocoyo" chega ao Panda Plus

Dreamia/Divulgação

O serviço de streaming do Canal Panda Portugal vai ter mais conteúdos a partir de 01 de novembro: a quinta temporada da série de animação "Pocoyo" vai ficar disponível de forma exclusiva durante um mês no Panda Plus.

Os episódios serão disponibilizados durante os dias 01 e 02 de novembro, numa cadência de 13 episódios em cada dia: "Os pequenos fãs vão poder assistir às aventuras de uma das suas personagens favoritas, que estarão disponíveis na plataforma ao longo de todo o mês", refere o canal produzido pela Dreamia.

A nova temporada mantém a forte componente educativa, ajudando as crianças "a explorar e a descobrir coisas novas, ao mesmo tempo que promove valores como a curiosidade, a franqueza, o interesse, a tolerância, o respeito e o amor". A grande novidade no mundo "Pocoyo" é a chegada da sua irmã: "Enquanto os primeiros episódios mantêm o seu charme clássico, a segunda parte apresenta uma nova dinâmica em que vemos Pocoyo a viver as alegrias e desafios desta nova fase". Além desta novidade, a série terá também dois episódios especiais dedicados ao Dia das Bruxas.

"Pocoyo" é uma série infantil hispano-britânica, estreada originalmente em 2005. Ao todo, já foram produzidos mais de 200 episódios dedicados ao "menino de 3 anos, cheio de curiosidade, que abre as portas do quotidiano para incentivar a aprendizagem".

O Panda Plus é o serviço de streaming do Canal Panda. Lançado em 2021, a plataforma disponibiliza filmes e séries emitidas no canal, assim como as músicas que passam em antena.

17 outubro 2024

RTP celebra 65 anos do Telejornal

RTP/Divulgação
Evento de "talks inspiradoras" de vários jornalistas que fizeram ou fazem parte do principal bloco noticioso do canal.

"Jornalismo que faz História" é o nome de um ciclo de conferências que a RTP vai dinamizar para assinalar os 65 anos do "Telejornal". E a primeira "talk" acontece esta sexta-feira, dia 18.

"Iniciamos um ciclo de talks inspiradoras, que se estenderá ao longo do próximo ano, e onde os grandes protagonistas serão os jornalistas que testemunharam e viveram em primeira mão alguns dos eventos mais marcantes da nossa história", refere a estação pública em comunicado, acrescentando que estas ações "pretendem mostrar ao publico as emoções, os desafios e decisões que estão por detrás da notícia. Queremos, mais do que nunca, reforçar a nossa proximidade com quem nos acompanha há décadas".

Além de assinalar o aniversário do principal bloco de notícias do serviço público de rádio e televisão, o objetivo do ciclo é também humanizar o jornalismo, "refletindo sobre o papel transformador das histórias reais na nossa sociedade. Mais do que uma celebração, este ciclo de "talks" será uma oportunidade para refletir sobre o impacto do jornalismo no passado, presente e futuro, e sobre a forma como as histórias reais continuam a moldar a sociedade.

A primeira conferência do ciclo será moderada pela jornalista Maria Nobre e contará com as intervenções de Carlos Fino, Daniela Santiago, Fátima Campos Ferreira, Hélder Silva, João Pedro Mendonça, José Rodrigues dos Santos, Magda Rocha, Pedro André Esteves e Rita Marrafa de Carvalho: "Cada um destes jornalistas trará uma experiência única, partilhando histórias que marcaram a sua carreira e a história do nosso país e do mundo", assegura. A ação terá transmissão em direto através da plataforma RTP Play a partir das 18h45.

O "Telejornal" é o programa mais antigo da televisão portuguesa, sendo emitido diariamente desde 19 de outubro de 1959. É transmitido em simultâneo na RTP1, RTP Internacional e RTP África.

28 setembro 2024

Novo restaurante do grupo Marco recebe branding criado pela Drible

Agência Drible // Marketing Digital, Branding & Web
"Solto" abriu no passado dia 19 de setembro no centro de Vila Nova de Famalicão.

Uma marca "elegante" e "bem definida" com uma "perfeita harmonia" entre todos os elementos. É desta forma que a agência criativa Drible descreve o branding do novo restaurante "Solto", do grupo Marco, no centro de Vila Nova de Famalicão.

Inaugurado no passado dia 19 de setembro, o Solto assume-se como uma steakhouse que promete "surpreender e conquistar pela qualidade a ambiente", refere a agência, sublinhando que o restaurante tem uma "decoração moderna e acolhedora, acompanhada de um serviço de excelência" para qualquer "jantar especial ou uma refeição descontraída".

Assumindo-se como "um espaço premium", a nova unidade do grupo Marco foca-se nas carnes frescas grelhadas, "a grande estrela" de um menu que inclui também as massas a disputar as atenções. O grupo pretende que o novo restaurante reafirme o posicionamento como referência na cidade, diversificando "a sua oferta gastronómica na região": "O Solto convida todos os apreciadores de boa carne a visitarem o espaço", acrescenta.

O trabalho da equipa criativa da Drible passou por desenhar uma "marca elegante e bem definida, com todos os elementos em perfeita harmonia": "Soltamos a nossa criatividade e o Restaurante Solto nunca mais se sentiu perdido", acrescentou a equipa.

Esta colaboração entre a agência de marketing digital, branding e web e o grupo de restauração não é de agora. Ao longo de sete anos, a Drible foi a responsável pelo branding de todo o grupo, gerindo atualmente as redes sociais do primeiro restaurante, o "Restaurante Marco", "conhecido pelas suas francesinhas em Vila Nova de Famalicão". Além do "Marco" e do "Solto", o grupo tem ainda o espaço de brunch e lunch "Roma Romã".

O grupo Marco é um dos vários clientes do portfólio da Drible. No mercado há 8 anos, a agência é responsável pela criação de branding e "marketing aliado à performance", sendo também coorganizadora da Growth Conference, um evento de empreendedorismo que acontece já no próximo dia 01 de outubro, em Vila Nova de Famalicão.

26 setembro 2024

Teologia coaching tem discurso violento, diz jornalista Ranieri Costa

mstandret/Envato Elements
O também teólogo alerta para as consequências de unir preceitos religiosos com pretensões políticas

Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Andrea DiP, Clarissa Levy, Claudia Jardim, Ricardo Terto e Stela Diogo e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.

O Brasil é um Estado laico, pelo menos oficialmente, desde o final do século 19. Na prática, porém, as influências da religião no governo ainda são evidentes. Nos últimos anos, pesquisadores têm chamado atenção para a tendência de algumas igrejas neopentecostais se organizarem como grandes empresas, difundindo ideologias que atribuem aos indivíduos a responsabilidade por seu sucesso ou fracasso. Entre elas, é possível destacar a teologia da prosperidade e a teologia coaching.

Um desses pesquisadores é o jornalista Ranieri Costa, convidado do Pauta Pública desta semana. Ele é autor do livro "Teologia coaching: a ilusória ideologia de que nascemos só para vencer", lançado este ano pela Fonte Editorial[nota]ainda não disponível em Portugal[/nota]. Na entrevista, ele explica o que é esse pensamento, difundido por igrejas e agora também por influenciadores ou coaches, que utilizam a linguagem religiosa com foco no sucesso individual – um exemplo deles é o atual candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal. Para Costa, que também é teólogo e pastor evangélico, o problema não está nas crenças individuais, mas na instrumentalização da fé nas relações sociais e políticas.

Segundo o pesquisador, a lógica de responsabilizar unicamente as pessoas e negar os problemas sociais constitui uma forma de violência discursiva. Ele entende que é violento negar a dor e a fragilidade humana. “A teologia coaching ignora as desigualdades e trata como falta de vontade própria, de entusiasmo e de propósito. Com isso, o ciclo de violência é intensificado neste caso, porque as pessoas que já estão sofrendo com a desigualdade sofrem com culpa de não conseguirem prosperar.”

Leia os principais pontos da entrevista e ouça o podcast completo abaixo.

[Andrea Dip] O que é a teologia coaching? Como ela se diferencia da teologia da prosperidade?
Na teologia da prosperidade, ainda que de forma distorcida, havia uma relação com o divino, ou seja, o sujeito que está envolvido dentro de uma igreja que comunica a mensagem da prosperidade, ele tinha a figura de Deus dentro dessa equação. Para prosperar ele precisava de Deus. Ele precisava dar o dízimo, ter uma vida íntegra e ser uma pessoa com participação ativa na igreja, mas, no final das contas, o que daria a ele a prosperidade financeira era a ação de Deus em retribuir o seu ato de obediência, de generosidade e de comprometimento com a igreja.
Na teologia coaching, isso muda um pouco porque Deus é tirado dessa relação. É uma teologia que defende que tudo que o sujeito precisa para prosperar e alcançar o sucesso está dentro dele mesmo, ou seja, ele não precisa ser retribuído por Deus. Basta apenas que ele se dedique intensamente a cumprir metas estabelecidas, quase sempre, através de algum tipo de guru, como esses que nós temos visto por aí. Então, a teologia da prosperidade barganha[nota]Nota do editor: negócio de troca por troca[/nota] com Deus e a teologia coaching é formada por sujeitos que se consideram deuses de si mesmos, capazes de fazer tudo que precisa.

[Andrea Dip] No último domingo, vimos um absurdo protagonizado por Datena e Marçal durante um debate eleitoral para a prefeitura de São Paulo. Você diz que a teologia coaching é violenta, principalmente na política. Por quê? E de que maneira essa onda tem crescido na política brasileira?
A teologia coaching é violenta porque nega a dor e a fragilidade humana. Ao fazer essa negação, ela coloca as pessoas que sofrem numa situação em que, ao buscar essa prosperidade, elas acabam sendo vítimas da lógica desse discurso e passam a ser os algozes de si mesmos. Então, o sujeito que passa a ser abastecido com esse tipo de conteúdo passa a desconsiderar o fracasso e as negatividades. Só que, por mais que eles desconsiderem essas, elas não deixam de existir. Negar tudo isso, negar o cenário de desigualdade social que enfrentamos em nosso país, produz violência.
A teologia coaching ignora as desigualdades e trata como falta de vontade própria, de entusiasmo e de propósito. Por isso ela é violenta. Por negar as dores, as fragilidades e as mazelas, colocando as pessoas que estão sendo abastecidas por esse discurso em uma posição de que não podem sofrer nem demonstrar o sofrimento. Devem buscar o sucesso, ignorando todas essas dores e mazelas. Contudo, essas coisas não deixam de acontecer. Com isso, o ciclo de violência é intensificado neste caso, porque as pessoas que já estão sofrendo com a desigualdade sofrem com culpa de não conseguirem prosperar.

[Andrea Dip] Silas Malafaia, que influencia bastante o eleitorado evangélico, se posiciona contra Pablo Marçal. Os dois teoricamente são evangélicos e de direita. Quais são as diferenças e o desentendimento entre eles.
Primeiro, a gente precisa falar que esse desentendimento é temporário, não vai durar. Caso Marçal vá para o segundo turno [contra Boulos], imediatamente Malafaia não vai retirar o que disse, mas vai declarar apoio ao Marçal. Isso porque, [em entrevista], ele me disse que apoiaria qualquer pessoa contra o Boulos. Então, a única forma dessa guerra continuar é com Marçal não indo pro segundo turno ou indo contra Nunes. Aí pode ser que o Malafaia continue essa briga. Caso contrário, não vai continuar.
O Malafaia, ele tem de fato uma importante influência política no contexto evangélico. A igreja Assembleia de Deus é a maior denominação evangélica do país e é toda segmentada, não existe uma Assembleia de Deus. Há inúmeras igrejas Assembleia de Deus, e Silas Malafaia é líder de uma delas, mas, por ele ser líder da Assembleia, é um cara muito influente. Contudo, a minha leitura é que o Silas tem uma influência política menor do que ele acha e maior do que a imprensa acha que ele tem. É aquele cara que tem uma noção exagerada de si mesmo.
Essa briga toda se dá por questões políticas de apoio a Bolsonaro. O Malafaia percebeu que o Marçal tem potencial de ocupar o posto do Bolsonaro, mas ele não gosta do Marçal, nunca gostou. Isso começou lá atrás, quando o Marçal quis falar que o Malafaia tinha participação na maçonaria. Para um pastor evangélico é uma ofensa muito grande, e ali começou toda a briga deles. Ele disse para mim que, a princípio, os problemas que ele tinha com o Pablo Marçal eram teológicos. Silas Malafaia foi pregador da teologia da prosperidade. Então esse sujeito, que é um dos maiores pregadores da teologia da prosperidade, diz que tem problemas teológicos com o cara da teologia coaching. Olha onde a gente tá inserido.
A diferença entre eles é que o Malafaia é um cara analógico, assim como a teologia da prosperidade. Muito embora ele se comunique bem nas redes sociais dele, ele tem um alcance considerável, maior inclusive que os outros pregadores mais antigos da teologia da prosperidade, mas ele é o cara analógico. Ele não é o cara do online como Pablo Marçal. E isso se aplica no aspecto teológico, se aplica num aspecto político e vai para todas as esferas. A capacidade que um tem de se mobilizar nas redes sociais, ser mais do que a do outro, afeta todas as suas participações na sociedade.

24 setembro 2024

Exposição sobre os Caminhos de Santiago patente em Fátima

Associação Espaço Jacobeus
Mostra quer levar peregrinos a um "percurso que nunca acaba".

"Não passes pelo Caminho... Deixa antes que o Caminho passe por ti" é o mote da exposição inaugurada no passado dia 21 de setembro no Posto de Turismo de Fátima, Ourém.

Dinamizada pela Associação Espaço Jacobeus (AEJ), em colaboração com o Turismo Centro de Portugal e o município de Ourém, a mostra pretende levar os peregrinos a descobrirem os Caminhos de Santiago de uma perspetiva: "Esta exposição é um desafio a quem visita o posto de turismo para iniciar a preparação do Caminho de Santiago", diz o presidente do AEJ António Devesa, acrescentando que, quem vier visitar a exposição, "perceberá melhor o que é o Caminho e se vai ao encontro dos seus desejos".

A mostra reúne vários objetos relacionados com a "peregrinação jacobeia", assim como fotos dos "diferentes caminhos de Santiago e do património que atravessam", símbolos e estatuetas de Santiago, além de "um conjunto de histórias ilustradas de peregrinos, recordações, peças de artesanato e o pote da típica queimada galega", frisa a associação.

A exposição estará patente até dia 03 de novembro, sendo visitável diariamente no horário de funcionamento do Posto de Turismo. A entrada é gratuita.

A AEJ é uma associação católica de Braga surgida em 2004 que "preserva, na sua essência, o espírito ecuménico de aceitação de todas as pessoas, raças e credos". Conta com 800 associados.

Oeiras promove workshop de tatuadores

microgen/Envato Elements
Ação é gratuita.

O município de Oeiras vai promover um workshop sobre a arte das tatuagens já no próximo dia 19 de outubro.

"Iniciação à Arte de Ser Tatuador" é o nome da ação que será dirigida pelo artista Paulo Viegas na Casa da Juventude de Oeiras e é dirigida a jovens entre os 15 e os 35 anos.

As inscrições são gratuitas, devendo ser formalizadas para o email juventude@cm-odivelas.pt.

O workshop tem início previsto às 14h.

MEO descontinua "MEO Kanal"

Divulgação
Operadora recomenda que utilizadores descarreguem conteúdos antes do fim do serviço.

É o fim de um serviço galardoado! A MEO vai descontinuar o serviço MEO Kanal já a partir de novembro. A informação começou a ser enviada aos clientes da operadora esta semana.

"Em 2012, criámos o MEO Kanal que veio revolucionar e democratizar o acesso dos portugueses ao pequeno ecrã. Passados 12 anos, outras soluções foram desenvolvidas pelo mercado, aliadas a novas necessidades dos utilizadores e espetadores", refere a empresa.

A operadora detida pela Altice Portugal refere que o serviço será descontinuado a partir do dia 28 de novembro, recomendando que, se os clientes ainda tiverem conteúdos na plataforma, descarreguem-nos até esse dia: "Após 28 de novembro, não será possível qualquer recuperação, pelo que deve fazer o download antes dessa data", acrescenta.

Apesar do fim do serviço, a MEO promete novidades: "Esta descontinuação permitirá libertar recursos para continuarmos a inovar e a apresentar-lhe soluções de qualidade", acrescenta.

O MEO Kanal surgiu em 2012 como uma forma de partilha de conteúdos, criando um canal de televisão em formato playlist acessível através da televisão (carregando no botão verde do comando e introduzindo um sequência de seis números), mas também através da internet. O serviço foi utilizado por dezenas de pessoas e empresas que viram ali uma forma de divulgar os seus conteúdos, tendo mesmo sido galardoado com vários prémios em ao longo dos anos.

Conveniência vs. Nutrição: Serão as barras de cereais a melhor opção para ti?

"As implicações deste estudo vão para além das escolhas individuais dos consumidores", afirma a equipa de investigação.

Uma equipa de investigadoras do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), do Ispa e da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa-IPL analisou as barras de cereais disponíveis no mercado português, tendo encontrado discrepâncias entre as perceções de consumidores e o conteúdo nutricional real destes produtos.

Num mundo em que a conveniência muitas vezes se sobrepõe às escolhas saudáveis, as investigadoras Magda Saraiva (William James Center for Research, Ispa), Margarida Garrido (CIS-Iscte), Cláudia Viegas (ESTSL, IPL) e Marília Prada (CIS-Iscte) tiveram como objetivo mapear o perfil nutricional das barras de cereais, uma escolha popular de snack entre os consumidores atarefados. “A qualidade nutricional dos diferentes tipos de barras de cereais disponíveis em Portugal e as perceções das pessoas sobre elas não tinham sido exploradas anteriormente”, afirma Magda Saraiva, a primeira autora do estudo, destacando o seu aspeto inovador.

Depois de analisar a informação nutricional de 277 barras de cereais de dois grandes retalhistas, a equipa de investigação descobriu que muitas barras de cereais, muitas vezes comercializadas como alternativas saudáveis aos snacks tradicionais, não cumprem as diretrizes nutricionais nacionais relativas a nutrientes essenciais como o açúcar, a gordura e o sal. “O teor de açúcar variava muito entre os produtos analisados”, afirma Marília Prada. “Verificámos que algumas barras tinham menos de 1%, enquanto outras chegavam a uns surpreendentes 57%”, continua. De acordo com o trabalho de investigação, mais de metade dos produtos foram classificados como tendo um elevado teor de açúcar e menos de 20% seriam classificados como “verdes” no sistema de semáforo nutricional. “Estes dados são alarmantes, especialmente quando consideramos que estes produtos podem ser considerados muito convenientes e são comummente anunciados como uma escolha saudável”, acrescenta Magda Saraiva.

No estudo, os e as participantes apreciaram o sabor e a conveniência destes snacks. Contudo, também os consideraram pouco saudáveis, altamente calóricos e excessivamente processados. Margarida Garrido acrescenta que “a perceção das barras de cereais como pouco saudáveis foi particularmente evidente entre as pessoas com formação em áreas relacionadas com a saúde”.

Uma das tarefas que os participantes tinham de completar no estudo era estimar a percentagem de açúcar, fibra, gordura e proteína contida em diferentes barras de cereais. “Verificou-se uma lacuna significativa na compreensão do consumidor sobre o conteúdo nutricional, com participantes a sobrestimarem os níveis de proteína e fibra nestes produtos”, afirmou Cláudia Viegas. De acordo com a equipa de investigação, estes resultados sugerem a necessidade de melhor educar sobre a leitura dos rótulos e a compreensão das orientações nutricionais, uma vez que esta perceção errada pode levar os consumidores a fazer escolhas que não estão alinhadas com os seus objetivos de saúde.

“As implicações deste estudo vão para além das escolhas individuais dos consumidores”, afirma a equipa de investigação. Os fabricantes devem reconsiderar a fórmulas dos seus produtos, com foco na redução do açúcar e da gordura e melhorando a qualidade nutricional, algo que deve ser acompanhado de uma rotulagem clara e transparente. A principal conclusão é a necessidade de um esforço colaborativo entre as partes interessadas, incluindo decisores políticos e organizações de saúde, para promover opções mais saudáveis no mercado e, sobretudo, ajudar os consumidores a tomar decisões informadas.

Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa“, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa. 

Conveniência vs. Nutrição: Serão as barras de cereais a melhor opção para ti?

Uma equipa de investigadoras do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), do Ispa e da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa-IPL analisou as barras de cereais disponíveis no mercado português, tendo encontrado discrepâncias entre as perceções de consumidores e o conteúdo nutricional real destes produtos.

Num mundo em que a conveniência muitas vezes se sobrepõe às escolhas saudáveis, as investigadoras Magda Saraiva (William James Center for Research, Ispa), Margarida Garrido (CIS-Iscte), Cláudia Viegas (ESTSL, IPL) e Marília Prada (CIS-Iscte) tiveram como objetivo mapear o perfil nutricional das barras de cereais, uma escolha popular de snack entre os consumidores atarefados. “A qualidade nutricional dos diferentes tipos de barras de cereais disponíveis em Portugal e as perceções das pessoas sobre elas não tinham sido exploradas anteriormente”, afirma Magda Saraiva, a primeira autora do estudo, destacando o seu aspeto inovador.

Depois de analisar a informação nutricional de 277 barras de cereais de dois grandes retalhistas, a equipa de investigação descobriu que muitas barras de cereais, muitas vezes comercializadas como alternativas saudáveis aos snacks tradicionais, não cumprem as diretrizes nutricionais nacionais relativas a nutrientes essenciais como o açúcar, a gordura e o sal. “O teor de açúcar variava muito entre os produtos analisados”, afirma Marília Prada. “Verificámos que algumas barras tinham menos de 1%, enquanto outras chegavam a uns surpreendentes 57%”, continua. De acordo com o trabalho de investigação, mais de metade dos produtos foram classificados como tendo um elevado teor de açúcar e menos de 20% seriam classificados como “verdes” no sistema de semáforo nutricional. “Estes dados são alarmantes, especialmente quando consideramos que estes produtos podem ser considerados muito convenientes e são comummente anunciados como uma escolha saudável”, acrescenta Magda Saraiva.

No estudo, os e as participantes apreciaram o sabor e a conveniência destes snacks. Contudo, também os consideraram pouco saudáveis, altamente calóricos e excessivamente processados. Margarida Garrido acrescenta que “a perceção das barras de cereais como pouco saudáveis foi particularmente evidente entre as pessoas com formação em áreas relacionadas com a saúde”.

Uma das tarefas que os participantes tinham de completar no estudo era estimar a percentagem de açúcar, fibra, gordura e proteína contida em diferentes barras de cereais. “Verificou-se uma lacuna significativa na compreensão do consumidor sobre o conteúdo nutricional, com participantes a sobrestimarem os níveis de proteína e fibra nestes produtos”, afirmou Cláudia Viegas. De acordo com a equipa de investigação, estes resultados sugerem a necessidade de melhor educar sobre a leitura dos rótulos e a compreensão das orientações nutricionais, uma vez que esta perceção errada pode levar os consumidores a fazer escolhas que não estão alinhadas com os seus objetivos de saúde.

“As implicações deste estudo vão para além das escolhas individuais dos consumidores”, afirma a equipa de investigação. Os fabricantes devem reconsiderar a fórmulas dos seus produtos, com foco na redução do açúcar e da gordura e melhorando a qualidade nutricional, algo que deve ser acompanhado de uma rotulagem clara e transparente. A principal conclusão é a necessidade de um esforço colaborativo entre as partes interessadas, incluindo decisores políticos e organizações de saúde, para promover opções mais saudáveis no mercado e, sobretudo, ajudar os consumidores a tomar decisões informadas.

23 setembro 2024

RTP3 aumenta cobertura internacional

Pedro A. Pina/RTP
Canal de informação chega a duas novas operadoras esta segunda-feira.

O canal de notícias RTP3 está agora disponível em Angola e Moçambique através das operadoras Multichoice Africa naqueles dois mercados.

Numa nota desta segunda-feira, a estação pública portuguesa esclarece que o acordo de distribuição vai permitir "levar mais longe a missão da RTP, enquanto operador de serviço público, pela sua relação privilegiada com os países de língua portuguesa e ir ao encontro das necessidades dos diversos públicos".

Os espetadores angolanos poderão acompanhar a RTP3 através da operadora DStv, na posição 532. Já os espetadores moçambicanos, poderão ver a estação através da operadora GOtv, no canal 35. Contudo, para assistir, poderá ser necessário subscrever um pacote de canais específico.

"O que se passa no mundo e os temas que marcam a atualidade, sempre com o rigor e a confiança que definem a cobertura informativa da RTP, é agora também assegurado pela distribuidora MultiChoice", acrescenta a estação pública.

Pertencente ao serviço público de rádio e televisão, a RTP3 é um canal de notícias 24 horas, tendo esta designação desde 2015. Atualmente, está presente em todos os operadores nacionais, assim como na TDT.

SIC Novelas salta da OPTO para o cabo

Divulgação
Canal vai estar presente em três operadoras nacionais.

Depois da substituição da TVI Ficção pelo V+TVI, o espaço no cabo dedicado à ficção nacional ficou orfão... mas não por muito tempo. A SIC prepara-se para lançar um novo canal: o SIC Novelas, que está disponível na plataforma de streaming do grupo Impresa, a Opto SIC, vai chegar à MEO, NOS e Vodafone Portugal.

A informação foi divulgada pela própria estação num anúncio que tem estado a passar nos intervalos da emissão do "terceiro canal".

Não se sabe, contudo, quais serão os conteúdos que farão parte da grelha do canal. Atualmente na Opto SIC, "Dancing Days", "Rosa Fogo", "Floribella" e "The Light Of Hope" estão em emissão em formato maratona.

O canal ficará disponível no dia 01 de outubro na posição 14 da MEO, 131 da NOS e 69 na Vodafone Portugal.

Lançado em 2023, o SIC Novelas foi anunciado como sendo o primeiro canal FAST ("Free ad-supported streaming) de uma televisão portuguesa, sendo o seu acesso gratuito para o espetador.

"This Town" estreia nos canais TVCine

© Kudos MMXXIV
Série de seis episódios é do mesmo criador de "Peaky Blinders".

É descrito como sendo um "thriller de alta cilindrada" e uma "saga familiar". Chama-se "This Town" é a nova série do TVCine Edition, que estreia esta quarta-feira, dia 25.

Criada por Steven Knight, que também desenvolveu a série "Peaky Blinders", "This Town" passa-se no Reino Unido de 1981: "Ambientada num mundo de laços familiares, emoções adolescentes e música que definiu uma geração, "This Town" conta a história da formação de uma banda num cenário de violência, capturando o modo como o génio criativo pode emergir de um tempo de loucura", refere o canal premium de cinema, acrescentando que a série seguirá "um grupo de jovens que lutam para escolher o seu próprio caminho na vida e que precisam de uma segunda oportunidade oferecida pela música".

Com seis episódios, a série terá também uma banda sonora de Kae Tempest, Dan Carey e ESKA, além dos temas que marcaram aquela época. Levi Brown, Jordan Bolger, Ben Rose e Eve Austin encabeçam o elenco que inclui Michelle Dockery, Nicholas Pinnock, David Dawson e Geraldine James.

A série de seis episídios será emitida todas as quartas-feiras, a partir das 22h10, no canal TVCine Edition, ficando disponível na plataforma de streaming TVCine+.

https://www.youtube.com/watch?v=YHEDd09al1A&feature=youtu.be
YouTube TVCine

IKEA Portugal lança nova coleção de gamming que se adapta à decoração da casa

IKEA Portugal
Chama-se BRÄNNBOLL e conta com 14 artigos no cardápio.

Querem-se adaptar a qualquer divisão da casa, assumindo um "design arrojado e colorido". É o objetivo dos 14 artigos da coleção BRÄNNBOLL que a IKEA Portugal lançou nas suas lojas este mês.

Segundo a marca sueca, a coleção "pretende mostrar que, tal como brincar, jogar deve ser para todos, e devemos conseguir fazê-lo em qualquer área da casa, sem ter de esconder ou disfarçar", reforçando que o conjunto é algo "revolucionário", até porque segundo a investigação dos designers, "os jogadores e as pessoas com as quais partilham o espaço, querem peças flexíveis que permitam criar um espaço para gaming, quando se está a jogar, e que se integrem muito bem na decoração da casa, quando não se está a jogar".

Com "móveis portáteis e produtos adaptáveis para vários fins, bem como produtos para organizar o equipamento ou manter os petiscos de fácil alcance", a coleção também se destaca pelo facto de se afastarem "da estética de gaming tradicional, de forma a serem integradas na decoração da casa", mas "contribuindo para um melhor desempenho durante as sessões de gaming".

A coleção também incluiu "valores fundamentais, como união, inclusão, saúde e bem-estar, com o objetivo de reforçar que o gaming é acessível a todos, independentemente da idade, do género ou do estilo".

Os produtos BRÄNNBOLL já estão disponíveis nas lojas da IKEA Portugal.

Viana do Castelo: Sta. Marta de Portuzelo vai ter uma "Noite Branca"

Associação Cultural e Desportiva de Santa Marta de Portuzelo
É a segunda vez que associação local organiza o evento.

É na Casa do Povo de Santa Marta de Portuzelo que vai acontecer a "Noite Branca" daquela freguesia de Viana do Castelo. O evento acontece no dia 28 de setembro e terá dj para levar a festa a um "outro nível".

Numa nota enviada às redações, a Associação Cultural e Desportiva de Santa Marta de Portuzelo indica que o objetivo é "ter um número elevado de participantes. A animação começa a partir das 22 horas", acrescenta. O dj Ricardo Ribeiro será o animador.

A entrada tem um custo de três euros.

Esta é a segunda edição da Noite Branca de Santa Marta de Portuzelo.

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