⌕

16 dezembro 2024

Estudo destaca importância do suporte social e familiar para adolescentes em acolhimento residencial

MegiasD/Envato Elements
Jovens enfrentam adversidades que podem afetar a sua saúde mental e emocional.

Investigação realizada no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) explorou os fatores que protegem o bem-estar psicológico de adolescentes em acolhimento residencial. Os dados obtidos podem contribuir para melhorar as estratégias de intervenção neste contexto, informando a prática e as políticas referentes ao acolhimento residencial.

O objetivo desta investigação foi “identificar as perspetivas de adolescentes em acolhimento residencial sobre o conceito de resiliência, bem como sobre fatores que contribuem para o seu bem-estar psicológico”, explica a investigadora Micaela Pinheiro, doutoranda em Psicologia no Iscte-Instituto Universitário de Lisboa. De acordo com a investigadora, jovens em acolhimento residencial enfrentam, muitas vezes, adversidades que podem afetar a sua saúde mental e emocional, como o estigma social, relações familiares disruptivas ou de negligência e, ainda, situações de trauma e abuso. Apesar disso, alguns e algumas jovens apresentam resultados adaptativos de saúde mental. Portanto, importava perceber, acrescenta a investigadora, “que fatores contribuem para o bem-estar psicológico destes/as adolescentes?”

Para responder a esta questão, a equipa de investigação, que inclui as investigadoras do CIS-Iscte Eunice Magalhães e Joana Baptista, entrevistou 19 jovens de três casas de acolhimento portuguesas. De acordo com os dados obtidos, a maioria dos/as jovens desconhecia o conceito de resiliência e os/as que o conheciam, tiveram dificuldades em defini-lo. Através da análise do conteúdo das entrevistas, foi ainda possível identificar diversos fatores que estes e estas adolescentes consideraram importantes para a sua resiliência.

“O suporte social, dos pares e do staff da casa de acolhimento, foi um dos fatores mais mencionado pelos jovens entrevistados”, afirma Eunice Magalhães. “A maioria dos adolescentes salientou, aliás, a importância do apoio emocional”, acrescenta. Ainda no contexto da casa de acolhimento, o apoio financeiro como promotor de autonomia, a abertura para o envolvimento da família e a estabilidade foram também identificados como importantes. Para além disso, foram identificados fatores externos à casa de acolhimento, como a participação em atividades extracurriculares, que parecem fomentar sensações de empoderamento e segurança e, mais uma vez, o suporte social, nomeadamente, da família; mas também fatores individuais relacionados com os próprios jovens, como as estratégias de "coping" (os processos cognitivos utilizados pelas pessoas para lidar com situações de stress e gerir problemas no dia-a-dia), as competências de regulação emocional e o otimismo. Contudo, a equipa de investigação alerta para as limitações do estudo, realizado a partir de uma amostra de conveniência numa única cidade e que, por isso, não permite uma generalização para a diversidade de contextos a nível nacional.

A investigadora Joana Baptista fala sobre o potencial impacto desta investigação: “Estes dados salientam a importância do envolvimento da família e dos cuidados individualizados, o que pode orientar as intervenções nestes contextos e contribuir, em última análise, para um maior bem-estar psicológico nestes jovens”. No artigo, a equipa de investigação deixa quatro prioridades de intervenção bem claras para a promoção da resiliência destes/as adolescentes:

  • Garantir contacto familiar de qualidade para apoiar a resiliência dos/as adolescentes e facilitar processos de reunificação bem-sucedidos;
  • Melhorar a qualidade da relação entre jovem e o staff em acolhimento residencial, assegurando formação adequada para a prestação de suporte emocional, instrumental e financeiro;
  • Envolver a comunidade escolar e os seus recursos (e.g., professores)
  • As características individuais dos adolescentes como a auto-regulação e as estratégias de "coping" devem ser consideradas no âmbito das intervenções em acolhimento residencial.

“Esperamos, com estas recomendações, poder informar não só a prática direta nos contextos de acolhimento residencial, mas também as políticas do próprio sistema de acolhimento”, conclui a investigadora Micaela Pinheiro. Este estudo foi realizado no âmbito do seu projeto de doutoramento, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Ref. 2021.06556.BD).

09 dezembro 2024

Inteligência Artificial e o Nobel de Química 2024: Uma Nova Era na Biologia Molecular

MargJohnsonVA/Envato Elements
A capacidade de modelar e prever estruturas proteicas permitirá novas abordagens na pesquisa médica.

O Prémio Nobel da Química de 2024 foi concedido a três cientistas cujas inovações transformaram o campo da biologia molecular e expandiram os horizontes da pesquisa sobre as proteínas, elementos essenciais para a vida. David Baker, Demis Hassabis e John Jumper foram laureados pelas suas contribuições significativas ao entendimento, criação e previsão das estruturas proteicas.

As proteínas são conhecidas como as ferramentas químicas da vida, controlando e conduzindo reações bioquímicas que sustentam todos os organismos vivos. Elas atuam como hormonas, anticorpos e blocos de construção dos tecidos do corpo.

David Baker destacou-se ao projetar proteínas completamente novas, utilizando aminoácidos para criar estruturas que não existem na natureza. A sua pesquisa, iniciada em 2003, resultou em novas proteínas aplicáveis em produtos farmacêuticos, vacinas, nanomateriais e sensores biológicos.

Demis Hassabis e John Jumper foram reconhecidos pelo desenvolvimento do AlphaFold2, um modelo de inteligência artificial que resolveu o enigma da previsão precisa das estruturas tridimensionais das proteínas a partir de suas sequências de aminoácidos. Este marco de 2020 abriu inúmeras possibilidades científicas, desde o combate à resistência aos antibióticos até a criação de enzimas para decompor plásticos. AlphaFold2 já foi adotado por mais de dois milhões de investigadores globalmente.

Heiner Linke, presidente do Comité do Nobel de Química, realçou que essas descobertas têm um impacto profundo: “Uma delas diz respeito à construção de proteínas espetaculares. A outra realizou um sonho de 50 anos: prever estruturas proteicas a partir das suas sequências de aminoácidos.”

Com este contexto, a interseção entre a Inteligência Artificial e os avanços em biologia molecular reflete uma revolução no campo da química. A capacidade de modelar e prever estruturas proteicas permitirá novas abordagens na pesquisa médica, criando oportunidades inexploradas para o desenvolvimento de tratamentos inovadores e soluções para desafios globais, como a poluição plástica.

A verdadeira revolução científica está em andamento, e a combinação de IA e química promete não apenas acelerar a pesquisa, mas também ampliar nosso entendimento sobre a vida molecular.

Estes prémios Nobel não são apenas uma celebração de conquistas passadas; eles representam uma promessa para o futuro da ciência e da saúde.

Novo livro de Astérix e Obélix sai em outubro de 2025

Les Éditions Albert René/Goscinny-Uderzo

Será mais uma viagem para as personagens criadas por Goscinny e Uderzo: Astérix e Obélix têm um novo livro de banda desenhada previsto para 2025. A Les Édtions Albert René, editora original da coleção, divulgou a data na manhã desta segunda-feira.

Num comunicado de imprensa, a editora francesa garantiu que o novo livro, ainda sem título definido, contará com Fabcaro no argumento pela segunda vez, mantendo a parceria com Didier Conrad e prometendo "gargalhadas e  peripécias", além de "grandes encontros e descobertas gastronómicas": "Os nossos dois comparsas não vão ficar tranquilamente na aldeia, a gozar o brilho dos seus bigodes, e tencionam ir ver se o sol brilha noutro lugar", indica a editora. Esta, contudo, não é a primeira vez que os dois amigos gauleses partem em viagem, tendo outros livros já saído das fronteiras da Gália como em "Astérix e Cleopátra" ou em "Astérix entre os Bretões": "Astérix e Obélix são verdadeiros viajantes da antiguidade, tendo percorrido toda a Gália, sem parar em nenhuma fronteira", acrescenta a editora.

O novo livro será lançado a 23 de outubro de 2025, mas a editora já lançou uma página terminada do novo livro.

Les Éditions Albert René/Divulgação

Também haverá série na Netflix

O lançamento do novo livro em 2025 coincidirá com um ano em que haverá uma exposição na Suíça sobre o irredutível gaulês. Mas o grande destaque é mesmo o lançamento da série de animação "Astérix e Obélix - O Combate dos Chefes" na Netflix.

A série chegará à plataforma de streaming na primavera de 2025 e é uma "criação original" para a gigante, estreando em simultâneo em 190 países e dobragem em 39 idiomas: "Esta série, ansiosamente aguardada pelos fãs gauleses e não só, será também uma oportunidade para elevar ainda mais a visibilidade da pequena Gália na cena internacional", acrescenta a editora.

As histórias de Astérix surgiram em 1959 na revista francesa "Pilote", sendo primeiro livro publicado em 1961. Atualmente, é publicado em 83 idiomas, incluindo o português e o mirandês.

08 dezembro 2024

Estudo sobre materiais ferroelétricos para uso em células solares do futuro

CreativeNature_nl/Envato Elements
O trabalho surge para dar ênfase a uma linha de investigação sobre a qual existem poucos estudos publicados.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Fábio Figueiras, acaba de publicar, na prestigiada revista Applied Materials Today, um artigo de revisão que mostra o potencial dos materiais ferroelétricos para utilização nas tecnologias solares da próxima geração.

Estes materiais, como por exemplo, as manganites de lutécio, foram caracterizados e estudados nos laboratórios do Instituto de Física de Materiais Avançados, Nanotecnologia e Fotónica (IFIMUP) na FCUP e os investigadores verificaram que há uma série de características promissoras que os colocam como candidatos à utilização em células solares no futuro.

“A revisão investiga o efeito fotovoltaico “maciço” (BPVE), uma propriedade fascinante dos materiais ferroelétricos que potencialmente permitem ultrapassar os limites de eficiência das células solares convencionais à base de silício. Com efeito, ao contrário dos semicondutores, os os materiais ferroelétricos aguentam grandes diferenças de potencial e não precisam de junções p-n, pelo que possibilita alcançar outros patamares de eficiência energética”, explica o investigador do IFIMUP.

O trabalho agora publicado surge para dar ênfase a uma linha de investigação pouco explorada e sobre a qual existem poucos estudos publicados.

No artigo, Fábio Figueiras descreve, de forma abrangente, as “propriedades excecionais dos ferroelétricos que abrem novas possibilidades empolgantes para as tecnologias solares de próxima geração”. O investigador está a coorientar o trabalho de doutoramento de Abderrazzak Ait Bassou, do Centro de Química – Vila Real da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em conjunto com os professores Pedro Bandeira Tavares e José Ramiro Afonso Fernandes.

O artigo de revisão apresenta um importante contributo para a comunidade científica, ao explorar os mecanismos por detrás do BPVE, analisar a síntese e modificações de óxidos ferroelétricos de baixo band-gap e também a apresentar os desafios que se seguem para aprimorar estes materiais de forma a poderem ser aplicados na prática, por exemplo, em células solares.

Próximos passos

“São materiais óxidos “desenhados” com propriedades ferroelétricas e hiato de banda baixo inócuos e inertes, ao contrário, das perovskitas híbridas orgânicas/inorgânicas, atualmente exploradas para as células solares, aguentam temperaturas muito elevadas na ordem dos 700 graus sem perder as propriedades.”, detalha Fábio Figueiras.

“Estamos já a trabalhar na publicação de mais um artigo, pois conseguimos fazer filmes finos de manganites de lutécio e já os testamos: estamos em condições de provar que funciona e que dará resultados”, acrescenta o investigador.

O próximo passo da equipa será integrar estes materiais em protótipos de células solares para serem testados.

O trabalho “Photo-ferroelectric oxides for photovoltaic applications: Insights, challenges and opportunities” representa mais uma contribuição a juntar aos esforços contínuos no desenvolvimento de soluções de energia solar altamente eficientes.

A investigação que deu origem a esta publicação já decorre há cerca de quatro anos, numa proposta e projeto liderados pelo investigador da FCUP, Fábio Figueiras.

05 dezembro 2024

idealista compra portal imobiliário Kyero

idealista
Os dois portais vão manter as suas operações independentes

O portal imobiliário idealista comprou o portal concorrente britânico Kyero, anunciaram as duas plataformas esta quinta-feira.

Numa nota enviada à imprensa, o idealista diz que a compra, por um valor não divulgado, insere-se numa "estratégia de crescimento do idealista e com o seu compromisso em expandir a sua presença tecnológica no mercado internacional, com o objetivo de proporcionar a melhor experiência possível aos compradores internacionais".

O portal, que atua no mercado português, espanhol e italiano, considera que a nova parceria dará frutos: "Estou convicto de que o futuro de ambas as empresas, ao trabalharem em conjunto, trará melhores resultados, uma excelente experiência aos utilizadores e novas oportunidades de negócio para todos os nossos clientes", frisa o fundador e CEO do idealista Jesús Encinar. Já para os fundadores do Kyero Louise e Martin Dell, "Esta parceria é uma grande oportunidade para nós e para a nossa equipa".

Fundado em 2003 no Reino Unido, o Kyero integra uma equipa de 33 pessoas e tem uma carteira de mais de 7 mil agentes e imobiliárias. Contudo, a aquisição não vai impactar o funcionamento do portal britânico, que manterá as suas operações e compromissos independentes da operação do idealista: "Os fundadores da Kyero vão continuar a liderar a Kyero após a conclusão da aquisição e vão integrar a equipa de administração do idealista, contribuindo com a sua experiência para as operações do idealista em todos os mercados em que está presente", reforça.

A compra está apenas pendente de autorizações regulatórias.

Recorde-se que 70% das ações do idealista foram adquiridas no passado mês de junho pelo fundo britânico Cinven por um valor de 2 900 milhões de euros, sendo que o negócio acabou por ser aprovado pela Comissão Europeia no passado mês de outubro. O portal imobiliário é um dos mais visitados em Portugal e Espanha, com mais de 38 milhões de visitantes mensais no sul da Europa.

MEO lança novo website com funcionalidades IA

Altice Portugal
Plataforma pretende dar uma experiência "mais personalizada e intuitiva".

O MEO tem uma nova página na internet. A marca para o mercado residencial e empresarial da Altice Portugal (também detentora do SAPO) introduziu várias funcionalidades que garantem uma personalização para cada cliente.

Numa nota enviada às redações esta quinta-feira, a Altice Portugal refere que "a nova plataforma eleva os padrões de qualidade de serviço e reforça o compromisso com uma experiência do cliente diferenciada", utilizando "tecnologias avançadas" e "inteligência artificial (IA) generativa (Gen AI)".

O website da operadora foi redesenhado para oferecer "links rápidos, promoções personalizadas e conteúdos adaptados aos interesses de cada utilizador, sejam novos clientes ou já registados", além do sistema de pesquisa ter recebido "melhorias significativas", do site ter uma versão em em inglês, através de tradução automática por IA, e acessibilidades para utilizadores com necessidades especiais. O chatbot do portal foi também alvo de intervenção, integrando IA e "permitindo respostas mais naturais, precisas e contextualizadas. Esta evolução melhora a eficiência no atendimento, fortalecendo a relação entre a marca e o cliente", acrescenta. 

O lançamento do novo site insere-se num objetivo de construir um "futuro digital mais inclusivo e disruptivo": "O MEO reafirma a sua posição de liderança tecnológica, investindo na melhoria contínua da sua presença digital", refere a operadora, acrescentando que o site "é uma experiência que combina design disruptivo, qualidade de serviço e foco na experiência do cliente".

A nova versão já está disponível no site da operadora.

04 dezembro 2024

BOOMFIT lança campanha "Autodefesa não é violência"

BOOMFIT/Divulgação
Marca de fitness quer ser "uma voz ativa na promoção de estilos de vida saudáveis"

Não está associado a nenhuma ocasião especial, mas a BOOMFIT decidiu lançar um novo vídeo: a campanha "Autodefesa não é violência" já está disponível online.

"A autodefesa não é sobre força: é sobre estratégia, inteligência e preparação", considera o CEO da BOOMFIT Vítor Brandão, que esclarece que a campanha tem como objetivo "reforçar a importância da Autodefesa", algo que "é sempre atual e necessário”.

O vídeo retrata "uma jovem que, ao longo da sua vida, enfrenta situações de risco": "Os episódios de risco podem surgir sem aviso e estar prevenido é, muitas vezes, a nossa melhor resposta", considera Brandão", que acrescenta que a autodefesa é um conjunto de "ferramentas para protegeres a tua integridade sem necessidade de agredir ou criar conflitos desnecessários".

A campanha insere-se na estratégia de ser "uma voz ativa na promoção de estilos de vida saudáveis", algo já seguido noutros vídeos institucionais já criados pela marca dedicados aos Bombeiros, à Mulher ou do Dia de São Valentim: "Acreditamos que estar dotado de ferramentas para agir com inteligência e confiança é essencial para enfrentarmos os desafios do dia a dia com segurança e serenidade", diz o CEO.

O vídeo está disponível nas redes sociais da marca.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por BOOMFIT (@boomfit.eu)

27 novembro 2024

José Sócrates acusa Conselho Superior de Magistratura de estar "ao serviço" da imprensa

José Goulão/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Ex-primeiro-ministro enviou carta ao órgão judicial

O Conselho Superior de Magistratura (CSM) colocou-se  "publicamente ao serviço do jornal Observador". A acusação é do ex-primeiro-ministro português José Sócrates, numa carta que enviou ao presidente daquele órgão judicial.

Segundo noticia o próprio jornal digital Observador, a missiva vem na sequência de de uma notícia publicada esta terça-feira no órgão de comunicação social, em que é referido que o CSM vai criar um grupo de trabalho para acompanhar o processo "Operação Marquês". 

A notícia não foi bem recebida do lado do antigo primeiro-ministro e líder do Partido Socialista, com este a questionar o "fundamento" de tal decisão e qual seria a "missão" do grupo de trabalho, algo que não aconteceu noutros processos, e exigindo uma resposta do próprio presidente: "Este é o meu direito que, pelos vistos, foi esquecido — o de ser informado das deliberações do Conselho que me dizem respeito", cita o jornal digital.

Sócrates vai mais longe e diz mesmo que o Conselho de se colocar "publicamente ao serviço do jornal Observador", não tendo já "qualquer preocupação de disfarce": "Chegámos portanto a este ponto — o Conselho não informa os interessados, informa o Observador".

"O jornalismo divulgou, o jornalismo justificou, o jornalismo branqueou" - José Sócrates

Esta não foi, contudo, a primeira vez que José Sócrates se referiu à imprensa. Numa crónica publicada no Diário de Notícias no passado dia 21 de novembro, o ex-primeiro-ministro dizia estar a ser alvo de uma "guerra de extermínio" há "10 anos": "A operação de lawfare segue à risca os procedimentos: manipularam a escolha do juiz, fabricaram acusações falsas e estapafúrdias, incumpriram todos os prazos e violaram o segredo de justiça, por forma a alimentar o jornalismo e fazer dele o seu principal aliado".

Na crónica, que passa em revista os dez anos do processo "Operação Marquês", o ex-político diz que não teve "presunção de inocência, nem direito de defesa, nem igualdade de armas" e que o jornalismo não deu voz a essa injustiça: "Para o jornalismo português há sempre um qualquer fim social que justifica a selvajaria do Estado e a quebra das mais elementares garantias individuais. Para o jornalismo, o Estado nunca demora, só a defesa, só o advogado , só o cidadão tem interesse no atraso", acrescenta.

E vai mais longe: "O adiamento dos prazos de inquérito, o adiamento dos prazos de instrução, o incumprimento de qualquer tipo de prazo pelo Estado é visto, pelo jornalismo, como a procura da “verdade material” ou como resposta à chamada “dificuldade em provar”, ou ainda como forma de ultrapassar a costumeira “falta de meios”", frisa, acrescentando que o facto do Ministério Público ter "decidido apagar" [sic] o artigo relacionado com os prazos de inquérito do Código de Processo Penal é uma "ameaça à separação de poderes". "No entretanto, o jornalismo cumpriu o seu papel. O jornalismo divulgou, o jornalismo justificou, o jornalismo branqueou - manobras dilatórias são as dos advogados, não existem manobras dilatórias do Estado", frisa.

José Sócrates foi acusado há dez anos de vários crimes de branqueamento de capitais e falsificação de documentos. O ex-primeiro-ministro é apenas um dos vários arguidos do processo "Operação Marquês".

26 novembro 2024

Arte-terapia para melhorar o bem-estar na universidade

CIS-Iscte
"Jovens universitários enfrentam desafios que podem afetar a sua saúde mental", diz investigadora.

Um estudo realizado no Iscte-Instituto Universitário de Lisboa testou a eficácia de um workshop de arte-terapia em grupo desenvolvido para promover o bem-estar de estudantes na universidade. Os resultados indicaram um aumento do bem-estar subjetivo, caracterizado por emoções positivas (com destaque para gratidão, inspiração e relaxamento), satisfação com a vida e a redução de sentimentos negativos.

“Os jovens universitários e as jovens universitárias enfrentam desafios únicos que podem afetar a sua saúde mental” – quem o afirma é a psicóloga e investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) Patrícia Arriaga, primeira autora deste estudo. Considerando fatores como a pressão para o bom desempenho académico, mas também sentimentos de solidão, que podem causar ansiedade e sintomas depressivos, “a promoção da saúde mental em estudantes universitários é essencial para o sucesso académico e social, e também para prevenir o desenvolvimento ou o agravamento de perturbações psicológicas”, afirma Patrícia Arriaga.

Uma das formas de promover o bem-estar que tem recebido atenção na investigação é a arte-terapia. Neste sentido, em colaboração com o CIS-Iscte, o Centro de Investigação e Estudos em Sociologia (CIES-Iscte) e arte terapeutas da Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT), foi desenvolvido um Workshop de arte-terapia para realizar em contexto de grupo dirigido a estudantes universitários e avaliado o seu impacto em 89 estudantes que aderiram à iniciativa. Em workshops de três horas, realizados por arte-terapeutas certificadas, os/as participantes exploraram diversos recursos artísticos, como som e música, imagética guiada, artes visuais, e ainda escrita criativa e encenação dramática. Para avaliar o impacto destas sessões, foi pedido a estudantes que preenchessem questionários acerca de bem-estar, estados de ansiedade e solidão, e autoconsciência antes e após o workshop. Tendo o workshop sido desenvolvido para realizar em grupo, foi ainda avaliada a perceção de coesão no grupo, em termos de sentimentos de ligação, união e sincronismo entre os/as estudantes em cada grupo. Duas a três semanas após o workshop foi avaliada novamente a solidão e a satisfação com a vida.

“De uma forma geral, após o workshop, houve um aumento significativo do bem-estar subjetivo relatado pelas pessoas participantes”, afirma a investigadora Sibila Marques (CIS-Iscte). Estes resultados foram ainda acompanhados pela redução de estados de ansiedade, sugerindo que o envolvimento nas atividades ajudou a reduzir sensações imediatas de stress e tensão. A investigadora e arte-terapeuta Raquel Freitas (CIES-Iscte, SPAT) acrescenta que “o workshop facilitou o aumento da consciência dos próprios pensamentos e sentimentos, mas também acerca do ambiente circundante e reduziu preocupações com julgamentos sociais”. Para além disso, foi registada uma redução temporária dos sentimentos de solidão, que as autoras do estudo atribuem às ligações interpessoais proporcionadas durante a atividade de grupo, atendendo ainda à elevada coesão de grupo que foi expressa pelo/as estudantes.

Porém, de acordo com a equipa de investigação, duas a três semanas após o workshop, as perceções de satisfação com a vida e de solidão regrediram aos níveis reportados antes do workshop, indicando a ausência de um efeito duradouro. “Apesar de os/as participantes terem avaliado positivamente a sua experiência e a coesão no grupo facilitada pelas terapeutas, uma única intervenção é insuficiente para o desenvolvimento pleno dos grupos e para gerar efeitos duradouros. Ainda assim, os resultados temporários positivos no bem-estar e o interesse manifestado em continuar as atividades são indicativos da relevância de prosseguir com estas intervenções em estudantes universitários”, conclui a investigadora Patrícia Arriaga. A investigadora salientou ainda a necessidade de maior investimento na saúde mental neste contexto, acompanhado de investigação que analise a eficácia destas intervenções e produzir recomendações baseadas em evidências.

Numa época em que a preocupação com a saúde mental ganha ênfase na nossa sociedade, com diferentes estratégias a serem adotadas – como é o caso dos cheques-psicólogos para estudantes universitários/as distribuídos pelo Governo – o recurso a intervenções através da arte-terpia pode ser uma das vias de promoção de bem-estar. A equipa de investigação é composta por Patrícia Arriaga, Madga P. Simões, Sibila Marques, Raquel Freitas, Helena D. Pinto, Maria Paula Prior, Sílvia Candeias e Margarida Rodrigues. O trabalho foi publicado na revista The Arts in Psychotherapy e inclui material suplementar a especificar e explicar os objetivos de cada atividade realizada no Workshop, permitido a sua replicabilidade.

22 novembro 2024

Por trás da COP29: governo azerbaijano prende jornalistas e ativistas que criticam questões climáticas

The Presidential Press and Information Office of Azerbaijan/Wikimedia Commons
APública falou com ativista Nargiz Mukhtarova: o seu marido foi levado com um saco na cabeça pela polícia

Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Isabel Seta e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.

“É uma boa oportunidade para as autoridades encobrirem esses problemas de liberdade de expressão e liberdades políticas.” Foi assim que a jornalista Leyla Mustafayeva definiu a 29ª Conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP29), que começou na nesta segunda-feira (11 de outubro) para o governo do Azerbaijão.

Enquanto diplomatas e organizações ambientalistas veem o evento como a data mais importante do calendário global sobre o clima, para a mídia independente e ativistas do Azerbaijão, a COP29 é um problema.

Mustafayeva se referia à onda de prisões de jornalistas, ativistas, pesquisadores e lideranças políticas no país, já denunciadas como arbitrárias pela organização internacional Human Rights Watch (HRW) e condenadas, no final de outubro, pelo Parlamento Europeu.

“É como se esses problemas não existissem e como se o Azerbaijão fosse muito aberto a resolver as questões ambientais e climáticas. Eles [as autoridades do governo] estão se escondendo e escondendo suas atividades ilegais com a Conferência do Clima”, disse a jornalista em setembro, ao receber um prêmio em nome da Abzas Media, organização que ela dirige do exílio, em Berlim, por seu trabalho pela liberdade de imprensa.

Desde o ano passado, pelo menos 15 jornalistas já foram presos no país e podem ser condenados a longas sentenças, segundo o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ). Muitos deles trabalhavam para a Abzas Media, que também enfrenta acusações criminais. Além deles, vários defensores de direitos humanos e ativistas políticos foram encarcerados. Em setembro, Mustafayeva falou em um total de mais de 300 presos políticos.

Por que isso importa?

O governo do Azerbaijão, país que sedia a 29ª Conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP), está sendo acusado de prender ilegalmente ativistas, pesquisadores e jornalistas que criticam a relação do estado com combustíveis fosseis.

“Os detidos arbitrariamente incluem um ativista anticorrupção crítico do setor de petróleo e gás do país e um defensor dos direitos humanos que cofundou uma iniciativa para advogar liberdades cívicas e justiça ambiental no Azerbaijão antes da COP29”, afirmou a Human Rights Watch.

Segundo organizações de direitos humanos, as autoridades do país têm um longo histórico de retaliação contra críticos do governo, comandado há 21 anos pelo presidente Ilham Aliyev – em 2003, ele sucedeu o pai, que presidiu o Azerbaijão por uma década.

Agora, essas organizações denunciam uma nova onda de detenções mal fundamentadas antes da COP29. “A repressão e o ambiente legal altamente restritivo para as operações de organizações sociais independentes ameaçam erradicar todas as formas de dissenso e o trabalho legítimo de direitos humanos”, afirmaram mais de 20 organizações em um comunicado emitido em setembro.

Em uma resolução aprovada em outubro, o Parlamento Europeu declarou que os abusos contra os direitos humanos no país são incompatíveis com a realização da conferência sobre o clima.

The Presidential Press and Information Office of Azerbaijan/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A crítica à onda de repressão se soma às preocupações ambientais com a realização do evento em um país altamente dependente de petróleo, que, junto com o gás natural, respondem por mais de 90% das exportações do Azerbaijão. O país, localizado nas montanhas do Cáucaso, é o 11º maior exportador de combustíveis fósseis do mundo (atrás do Brasil, que é o nono).

Segundo uma pesquisa da organização sem fins lucrativos Oil Change International, a estimativa é que a produção azerbaijana de gás e petróleo aumente 14% até 2035 – apesar de o país ter se comprometido a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 35% nos próximos seis anos na comparação com 1990.

Em abril, o presidente chegou a dizer que o petróleo é um “presente dos deuses” e que defendia o direito do seu e de outros países de continuarem investindo na produção de combustíveis fósseis.

Economista preso criticava a dependência das energias fósseis

Entre as detenções denunciadas está a do economista Farid Mehralizada, conhecido por analisar indicadores econômicos do governo em canais da TV e colaborar como pesquisador para a organização europeia Radio Liberty. O economista publicava textos sobre temas como o impacto da pandemia na educação nacional, as reformas econômicas do governo, a migração interna e as privatizações.

Mehralizada falava abertamente sobre o problema econômico representado pelo setor petroleiro e sobre o desperdício de água nos sistemas de irrigação do país, castigado por secas severas.

“Eu acredito que a detenção dele foi motivada por vários fatores, um deles é a crítica pública que ele fazia sobre as políticas econômicas do Azerbaijão. Ele sempre alertou que a forte dependência de combustíveis fósseis representa sérios riscos para as pessoas e para o meio ambiente”, afirmou a esposa dele, Nargiz Mukhtarova.

O Comitê para Proteção dos Jornalistas e a Radio Liberty já se manifestaram pedindo a soltura do economista.

Acervo pessoal

Em entrevista exclusiva à Agência Pública, Mukhtarova, que atua como ativista e pesquisadora dos direitos das mulheres no país, falou sobre a prisão do marido, o histórico de repressão no Azerbaijão e os impactos socioambientais do modelo econômico baseado em combustíveis fósseis.

A Pública questionou o governo do Azerbaijão sobre as detenções. A embaixada do país ainda não respondeu à reportagem – o texto será atualizado caso haja posicionamento. Em resposta à imprensa dos Estados Unidos, a embaixada azerbaijana em Washington contestou o relatório da Human Rights Watch e afirmou que todos os casos estão sendo analisados de forma apropriada. Disse, ainda, que o país é vítima de uma “campanha orquestrada de desinformação”.


Agência Pública: Você escreveu um artigo sobre a prisão do seu marido, em maio. Pode contar o que aconteceu naquele dia e desde então?

Nargiz Mukhtarova: No dia 30 de maio, meu marido, Farid, foi violentamente detido no centro de Baku [capital do país] por policiais à paisana. Eles colocaram um saco na cabeça dele e, mais tarde naquele dia, um grupo de policiais fez uma busca no nosso apartamento, confiscando o equipamento dele.
Farid foi levado para o principal departamento de polícia da cidade, onde foi interrogado por dois dias antes de o tribunal sentenciá-lo a quatro meses de prisão preventiva. Ele foi acusado de contrabando, em conexão com o caso da Abzas Media, mas não apresentaram evidências para essa acusação [a Abzas Media já declarou que Farid não tinha qualquer conexão com a organização]. Farid me contou, depois, que a prisão foi violenta, com ameaças e intimidações.
Na época, eu estava grávida de cinco meses, e o estresse daquele dia foi insuportável. Desde então, a prisão dele foi estendida para seis meses, e nossas vidas mudaram totalmente. Nós tivemos nossa filha durante esse período, mas Farid ainda não teve a chance de conhecê-la, perdendo esses primeiros meses preciosos da vida dela. Em agosto de 2024, adicionaram mais acusações, incluindo empreendimento ilegal, evasão fiscal, falsificação de documentos, o que estendeu a prisão até dezembro.

Acervo pessoal

Agência Pública: Você já falou sobre o trabalho crítico do Farid e os comentários públicos dele sobre a dependência do Azerbaijão de combustíveis fósseis. Você acredita que isso estaria por trás da prisão dele?

Nargiz Mukhtarova: Eu acredito que a detenção dele foi motivada por vários fatores, um deles é a crítica pública que ele fazia sobre as políticas econômicas do Azerbaijão. Ele sempre alertou que a forte dependência de combustíveis fósseis representa sérios riscos para as pessoas e para o meio ambiente.
Farid dizia que essa abordagem é insustentável, não só porque contribui para a degradação ambiental, mas porque torna a população mais vulnerável à pobreza. Ele falava das secas crescentes impactando a nossa região, enfatizando como elas ameaçam a agricultura, reduzem a produtividade, aumentam a insegurança alimentar.
As críticas dele questionam os fundamentos da abordagem do governo, fazendo com o que o trabalho dele seja inerentemente arriscado no clima político atual.

Agência Pública: O caso dele não é isolado. Como era a relação do governo com o jornalismo independente e com o ativismo climático e de direitos humanos há alguns anos atrás, antes do Azerbaijão ser anunciado como anfitrião da COP29? E como você vê a influência da conferência nessa relação?

Nargiz Mukhtarova:  A restrição de vozes independentes não é nova. Desde 2013, o governo do Azerbaijão mantém uma postura dura contra o jornalismo independente e o ativismo. Ao longo da última década, muitos veículos de comunicação foram forçados a fechar suas redações em Baku, enfrentando ações na Justiça e outras formas de intimidação.
A Radio Liberty, organização com a qual o Farid colabora, agora opera no exílio. Jornalistas e ativistas que falam de questões críticas – principalmente aquelas relacionadas a preocupações ambientais ou direitos humanos – são muito pressionados. O caso do Farid é emblemático de uma repressão maior contra vozes independentes.

Agência Pública:Você pesquisa direitos das mulheres no Azerbaijão. Eu assisti a uma entrevista sua de quatro anos atrás sobre uma série de feminicídios e abusos contra mulheres no país. Alguma coisa mudou nesses últimos anos? Qual a situação hoje?

Nargiz Mukhtarova: Existe uma dinâmica similar no caso dos direitos das mulheres, e, infelizmente, pouca coisa mudou nos últimos anos. As autoridades no Azerbaijão demonstram pouca preocupação com a segurança das mulheres, e o nosso sistema jurídico não é estruturado para apoiar as vítimas de forma efetiva.
Ainda existem lacunas significativas na legislação que deixam as mulheres vulneráveis. Por exemplo, feminicídio não é reconhecido como um crime distinto [diferente de homicídio], as autoridades não reconhecem sua natureza de gênero, o que obscurece a escala e o impacto do problema.
Assim, o número de vítimas continua alto, mas medidas de proteção não são implementadas. A falta de ação do governo sobre o assunto reflete um padrão mais amplo de desrespeito aos direitos humanos e à segurança.

Agência Pública: Você escreveu que o Azerbaijão é comumente descrito como um “Estado rentista”. Em que aspectos?

Nargiz Mukhtarova: A dependência estrutural do Azerbaijão de recursos naturais, particularmente petróleo e gás, é um traço distintivo da economia e da governança. A economia do Azerbaijão depende da receita da venda externa de recursos, e não de atividades produtivas dentro do país. Essa dependência molda a economia de várias maneiras.
Primeiro, a estabilidade econômica é vulnerável às flutuações nos mercados de energia, já que a maior parte da nossa receita se deve às exportações de petróleo e gás. A diversificação econômica é limitada, o que faz com que o país seja muito suscetível a crises quando os preços desses mercados caem.
E há muitas consequências ambientais e sociais desse modelo. A extração de recursos já levou a uma degradação ambiental significativa, incluindo poluição do ar e da água, com impactos negativos para a saúde e agricultura. Ao focar na riqueza dos combustíveis fósseis, o governo tem desviado a atenção de necessidades sociais, como educação, saúde e infraestrutura.
É nesse sentido que o Azerbaijão exemplifica as características de um Estado rentista, em que os sistemas político e econômico são moldados principalmente pela riqueza de recursos em vez de pelo crescimento sustentável e inclusivo.

Bruno Girin/Wikimedia Commons

Agência Pública: Os países que vão participar da COP29 se manifestaram pouco sobre a repressão no Azerbaijão, com exceção do Parlamento Europeu, que aprovou uma resolução em outubro condenando as violações de direitos humanos. É o suficiente?

Nargiz Mukhtarova: Só isso não é o suficiente. A comunidade internacional precisa fazer mais para garantir que os direitos humanos sejam priorizados junto com os objetivos ambientais.
Direitos humanos não são apenas uma questão periférica – eles são fundamentais para alcançarmos uma resposta significativa e justa para a crise climática. Esforços internacionais mais fortes e coordenados são necessários para tornar esse alinhamento uma realidade, principalmente com o Azerbaijão sediando a COP29.

21 novembro 2024

Estudo internacional publicado na The Lancet aponta que mais de 400 milhões de adultos com diabetes não recebem tratamento

wirestock/Envato Elements
"As taxas de tratamento da diabetes estagnaram nos países de baixo rendimento", dizem investigadores

Entre 1990 e 2022, a taxa global de diabetes em adultos – tipo 1 e 2 combinados – duplicou, de aproximadamente 7% para cerca de 14%, com o maior aumento a ser registado em países de baixo e médio rendimento. Dos 828 milhões de pessoas diagnosticadas em 2022, estima-se que mais de metade (cerca de 450 milhões) esteja sem receber tratamento. As conclusões são de um estudo internacional, com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra, que foi publicado esta quinta-feira (14 de novembro), Dia Mundial da Diabetes, na prestigiada revista científica The Lancet.

“Este estudo destaca o aumento das desigualdades globais na diabetes, com taxas de tratamento estagnadas em muitos países de estatuto socioeconómico médio-baixo, onde o número de adultos com diabetes está a aumentar drasticamente”, destaca Aristides M. Machado-Rodrigues, docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, e um dos coautores da publicação, que também contou com a participação de Lèlita C. Santos e Luísa M. Macieira, professoras da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

O estudo, coordenado pela rede NCD Risk Factor Collaboration em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, fornece informação detalhada sobre a evolução das taxas globais da diabetes, que duplicaram tanto nos homens (6,8% em 1990 para 14,3% em 2022) como nas mulheres (de 6,9% para 13,9%), no período em análise. Com o impacto adicional do crescimento populacional e do envelhecimento, isto equivale a cerca de 828 milhões de adultos com diabetes em 2022, “um aumento de aproximadamente 630 milhões em relação a 1990”, referem os autores deste artigo, que foi a primeira análise global das tendências da prevalência e do tratamento da diabetes que incluiu dados mais de 140 milhões de pessoas, provenientes de mais de 1000 estudos populacionais de diferentes países.

A análise global dos dados mostrou que dos 828 milhões de adultos com diabetes em 2022, mais de um quarto (212 milhões) vivia na Índia e cerca de um sexto (148 milhões) residia na China, seguindo-se EUA (42 milhões), Paquistão (36 milhões), Indonésia (25 milhões) e Brasil (22 milhões) como os países com maior número de diabéticos. Simultaneamente, o artigo aponta que apenas as pessoas que vivem na América do Norte, na Australásia, na Europa Central e Ocidental e em algumas partes da América Latina, da Ásia Oriental e do Pacífico registaram uma melhoria significativa nas taxas de tratamento da diabetes entre 1990 e 2022, registando-se um agravamento das desigualdades globais no tratamento da diabetes.

“O nosso estudo destaca que, durante as últimas décadas, as taxas de tratamento da diabetes estagnaram nos países de baixo rendimento, resultando em quase 450 milhões de adultos com diabetes, em todo o mundo, que não receberam tratamento em 2022. Isto é especialmente preocupante porque as pessoas com diabetes tendem a ser cada vez mais jovens nos países de baixo rendimento. E, na ausência de tratamento eficaz, correm um risco aumentado de complicações ao longo da vida, incluindo amputação, doenças cardíacas, danos renais e perda de visão, ou em alguns casos, morte prematura”, concluiu o coordenador do estudo, Majid Ezzati, professor do Imperial College London, do Reino Unido.

20 novembro 2024

A nova paisagem alentejana

luisviegas/Envato Elements
"Vivemos hoje de trigo importado, na ordem de mais de um milhão de toneladas/ano."

Relativamente ao clima, excepção feita à grande irregularidade verificada nos últimos anos, o Alentejo (e também o Algarve) caracteriza-se por um clima de características marcadamente mediterrâneas, onde a seara de trigo, o olival, a vinha e o porco alentejano, a “tetralogia mediterrânea”, no dizer de Alfredo Saramago, foram base de uma economia rudimentar, limitada ao todo nacional. Nas últimas décadas, desta tetralogia” apenas o azeite e o vinho têm alcançado desenvolvimentos, com importância considerável na economia nacional e expressão no mercado externo. O porco alentejano, de que falaremos mais tarde, tem uma importância bem mais modesta e a seara de trigo está em via de extinção.

É do domínio comum que a produção cerealífera no Alentejo, tem vindo decrescer substancialmente. Vivemos hoje de trigo importado, na ordem de mais de um milhão de toneladas/ano.

Em contrapartida, o olival, a vinha e, também, o amendoal (uma inovação no panorama agrícola local) ganharam lugares cimeiros na economia desta vasta região do país.

“Uma açorda comida por estes dias dificilmente será confecionada com pão de trigo alentejano. Em contrapartida, a possibilidade de ser temperada com azeite da região aumentou, e muito, nos últimos anos”.

Esta expressiva e feliz frase do jornalista Aníbal Fernandes, do Diário do Alentejo, tem o aroma dos poejos e diz, com palavras a condizer, uma realidade que estamos a viver.

Em aproveitamento da água da barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Europa Ocidental, assegurando, em 2022, cerca de 120 mil hectares de regadio”, em crescimento, temos assistido, nos últimos anos, à substituição da “seara de pão”, não só pelo olival (ocupando mais de 70 mil hectares e em crescimento), como também por outras culturas de regadio, como o amendoal (com cerca de 20 mil hectares), o girassol, o milho, as pastagens e as forragens (azevém, luzerna e sorgo).

Falemos agora do olival

O olival de que falam Orlando Ribeiro e Alfredo Saramago é o que hoje chamamos de olival antigo. Antigo, porque há um novo, dito moderno. Em uma trintena de anos, passou-se de um trabalho tradicional, duro, da colheita manual no chão, feita no inverno, para uma colheita mecanizada, onde a azeitona é colhida em verde, sem ser batida, nem cair ao chão, permitindo a produção de azeites de alta qualidade.

Introduzido, na Península, por gregos e fenícios e alargado pelos invasores romano e árabe, o olival a que se referiram os citados autores, resiste, meio disperso na paisagem, com oliveiras, muitas vezes, centenárias e, algumas, milenárias. Foi durante séculos base de uma exploração de sequeiro, tradicional, e de uma indústria meio artesanal, incapazes de prover às necessidades de consumo nacional. Durante as três últimas décadas, o olival português transformou-se num olival de regadio, de exploração intensiva, elevando o Alentejo à região do país com maior produção de azeitona, na ordem das 10 a 12 toneladas por hectare. De país importador, Portugal passou a país exportador de azeite de qualidade superior que ganha prémios no estrangeiro.

Fala-se hoje deste olival moderno, como uma autêntica revolução no panorama agrícola nacional, graças ao “milagre” da água da Barragem do Alqueva. Vastas áreas do Alentejo são hoje um tapete verde, devido ao plantio superintensivo (no dizer dos ambientalistas) do olival de regadio. Os opositores a esta “revolução” falam de destruição de biodiversidade, de esgotamento de recursos hídricos e de poluição atmosférica. Do outro lado de interesses, os agricultores contrapõem que o olival moderno é responsável por mais de 85% do total da produção de azeite nacional, um valor em crescimento, uma vez que a área de plantio tem vindo a aumentar. Contrapõem, ainda, que é uma cultura com baixas exigências hídricas, que degrada menos o solo e que, pelo contrário, lhe aumenta a quantidade de matéria orgânica, que sequestra mais CO2 da atmosfera (presentemente estimada em cerca de 540 mil toneladas/ano), sendo, portanto, mais sustentável, havendo quem o defenda como o expoente máximo da tecnologia ao serviço da qualidade do azeite e da sustentabilidade ambiental.

Inclino-me para o lado dos ambsientalista e duvido sempre das boas intenções destes superemprendimentos.

19 novembro 2024

Tribunal executa bens de empresa de Cristina Ferreira

Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile (CC BY 2.0)
A "Amor Ponto" já tinha sido condenada a pagar à SIC por quebra contratual.

A empresa "Amor Ponto", detida pela apresentadora portuguesa Cristina Ferreira, foi alvo de uma ordem de execução por parte do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste, avançam vários meios de comunicação social.

Ao todo, a execução é de 4,7 milhões de euros, incluindo juros, tendo o tribunal notificado diversas entidades sobre o ato e penhorado créditos e bens da "Amor Ponto", por forma a assegurar o pagamento à SIC pela quebra contratual, depois da saída de Ferreira do canal do grupo Impresa em 2020.

Segundo o Correio da Manhã, as notificações começaram a chegar na semana passada às empresas com as quais a "Amor Ponto" trabalhou ou trabalha, incluindo o grupo Media Capital. As contas bancárias da empresa também foram congeladas.

Recorde-se que a empresa, que tem como acionistas, além da apresentadora, o pai desta António Jorge Ferreira e a Docasal Investimentos (também detida por Ferreira e o seu pai), foi condenada pelo tribunal de Sintra em junho deste ano a pagar cerca de 3 milhões e 300 mil euros, acrescidos de juros, à estação de Paço de Arcos até porque havia um "concreto contrato de prestação de serviços" entre as duas partes. Contudo, a apresentadora foi absolvida, pois o tribunal frisou que o contrato não era livremente revogável e havia sido celebrado entre a SIC e a "Amor Ponto" e não com Ferreira, "não se confundindo esta com a sua sócia maioritária e gerente". Por seu turno, o tribunal também reconheceu que a "Amor Ponto" deveria receber cerca de 260 mil euros, com juros, devido a faturas de comissões de publicidade e passatempos.

Cristina Ferreira decidiu avançar com um recurso da decisão, mas não apresentou quaisquer garantias bancárias nem avançou com um pedido de efeitos suspensivos.

Todo o processo foi espoletado com a saída da apresentadora da SIC em junho de 2020 e o seu regresso à TVI, sendo que Ferreira se tornou diretora do canal e acionista do grupo Media Capital. Em setembro, a estação de Paço de Arcos avançou com um processo contra a apresentadora e a "Amor Ponto" por quebra contratual.

14 novembro 2024

Município de Chaves alvo de ataque informático

NomadSoul/Envato Elements
Serviços estão sem acesso a sistema informático e comunicações

O Município de Chaves foi alvo de um ataque informático durante a madrugada da última quarta-feira, informou a autarquia.

Numa nota enviada às redações, o município esclarece que os sistemas informáticos foram comprometidos "de forma severa": "O conjunto dos serviços da autarquia encontram-se sem acessos informáticos e comunicações, não sendo possível garantir, neste momento, o normal atendimento aos munícipes", acrescenta a autarquia.

O ataque ocorreu na madrugada de 13 de novembro, com o município a desencadear os " procedimentos internos de segurança pré-estabelecidos e notificadas as entidades competentes, designadamente o Centro Nacional de Cibersegurança e a Polícia Judiciária, que se encontram a acompanhar o processo".

Até ao momento, não se sabe qual a dimensão do ataque, sendo que os serviços informáticos do municipio flaviense, em conjunto com uma "entidade externa especializada" estão a avaliar a situação, não havendo para já um prazo para o restabelecimento dos serviços: "A autarquia encontra-se a laborar para a célere resolução do incidente, [...] lamentando os transtornos causados e, bem assim, apela à compreensão de todos os munícipes", conclui.

04 novembro 2024

"RITA" celebra carreira da atriz Rita Ribeiro

MAGIABRANGENTE/Divulgação
Monólogo estará em cena no Parque Mayer, em Lisboa.

O texto é de Sandra José, mas a história e quem lhe dá corpo é Rita Ribeiro: "RITA" celebra os 50 anos de carreira da atriz portuguesa e vai estar em cena no Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa.

Descrito pela produtora MAGIABRANGENTE como "um abrir de cortina de bastidores da vida de qualquer artista, pondo em evidência o que a luz do palco tantas vezes esconde", o espetáculo é "uma viagem pela vida da atriz", recorrendo a "dados biográficos" fornecidos por Ribeiro e que a "autora descreve de forma fiel e poética" através de um monólogo: "Assistimos ao conto da sua [Ribeiro] história de vida pessoal e profissional, descobrindo as experiência comuns a qualquer ator", acrescenta.

Encenada por João Ascenso, "RITA" é produzida pela própria atriz e por João Prior, Alexandre Tavares e Maria Cancela.

A peça vai estar em cena de 06 a 17 de novembro em sessões de quarta a domingo. Os bilhetes já estão à venda.

03 novembro 2024

É possível experienciar níveis elevados de bem-estar apesar de enfrentarmos significativos desafios psicológicos?

myjuly/Envato Elements
Investigadora realizou revisão de 85 estudos empíricos.

Uma recente revisão sistemática conduzida por Eunice Magalhães do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) explorou a saúde mental a partir da relação entre bem-estar e psicopatologia. Os resultados sublinham a importância de considerar as dimensões positivas e negativas da saúde mental na investigação e na prática clínica.

Eunice Magalhães, autora do estudo, explica que, nas últimas duas décadas, a saúde mental tem sido conceptualizada como incluindo duas dimensões inter-relacionadas, mas distintas – psicopatologia e bem-estar. Esta abordagem de duplo fator contradiz uma visão tradicional da saúde mental como sendo unidimensional e envolvendo a simples ausência de psicopatologia. “A investigação tem demonstrado que as pessoas podem ter resultados positivos em termos de saúde mental e reduzida psicopatologia, mas não é impossível obter níveis elevados de bem-estar e também de psicopatologia”, esclarece a investigadora. Com o objetivo de sistematizar as evidências ancoradas nesta abordagem da saúde mental de duplo fator, Eunice Magalhães realizou a revisão de um total de 85 estudos empíricos, tendo como participantes crianças, adolescentes e adultos.

Como o modelo de duplo fator oferece uma compreensão mais abrangente da saúde mental, é possível classificar quatro perfis de saúde mental baseados na intersecção do bem-estar e da psicopatologia. Estes perfis foram claramente identificados na literatura revista: “Saúde Mental Positiva” (elevado bem-estar e baixa psicopatologia), “Sintomático, mas com bem-estar” (elevado bem-estar e psicopatologia), “Vulnerável” (baixo bem-estar e psicopatologia) e “Problemático” (baixo bem-estar e alta psicopatologia). A maioria dos estudos analisados mostrou que o perfil “Saúde Mental Positiva” é o que apresenta maior prevalência, e os dados longitudinais sugerem que a maioria dos participantes (cerca de 50%-64%) tende a permanecer no mesmo perfil ao longo do tempo. Especificamente, os resultados sugerem que os indivíduos podem experienciar níveis elevados de bem-estar apesar de enfrentarem desafios psicológicos significativos, e também que as pessoas que não apresentam psicopatologia significativa não apresentam necessariamente uma saúde mental positiva. Esta constatação sublinha que as intervenções psicológicas devem ir além de uma perspetiva tradicional de redução dos sintomas.

No que diz respeito aos fatores associados a estes perfis de saúde mental, os estudos revistos neste artigo concentram-se principalmente em resultados relacionados com o contexto escolar, seguidos por relações de suporte, caraterísticas sociodemográficas, recursos psicológicos, atributos individuais, saúde física e eventos estressantes. Eunice Magalhães apela à necessidade de mais investigação que considere as variáveis individuais e englobe populações diversificadas, particularmente aquelas em risco devido a trauma ou violência.

As implicações desta revisão podem informar a prática clínica, mas também as políticas relacionadas com a promoção da saúde mental. Torna-se evidente a necessidade de uma mudança de foco da abordagem exclusiva da psicopatologia para a promoção do bem-estar, para que as intervenções possam ser mais eficazes na melhoria da saúde mental em geral. A autora defende o desenvolvimento de programas psicossociais que respondam às necessidades específicas de diferentes perfis de saúde mental, promovendo, em última análise, a resiliência e a adaptação positiva. “Reconhecendo a interação entre o bem-estar e a psicopatologia, podemos criar intervenções mais eficazes que apoiem as pessoas na obtenção de melhores resultados em termos de saúde mental”, conclui Eunice Magalhães.

Comissão da CEP lança nova tradução para livro da Bíblia

Aaron Burden/Unsplash
Nova versão das "Lamentações" é "um texto sempre atual", dizem especialistas.

A Comissão Coordenadora de tradução da Bíblia da Conferência Episcolar Portuguesa (CEP) disponibilizou a nova versão do chamado "Livro das Lamentações", incluído no Antigo Testamento. A nova tradução foi disponibilizada online esta sexta-feira.

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a Comissão da CEP frisa que o texto é algo "atual quando acompanha o sofrimento do crente", acrescentnado que o tema que levou à construção dos poemas do Livro "não é muito diferente das situações vividas por pessoas de gerações sucessivas ao longo dos séculos". Por seu turno, o Secretariado Nacional da Liturgia nota que o texto "não é um relato histórico" da destruição da cidade de Jerusalém, quando a cidade foi tomada por Nabucodonosor entre os anos de 597 e 586 a.C., do final do reino de Judá e o exílio que se seguiu, mas antes uma "expressão da dor de uma experiência intensa e dramática, que sugere simultaneamente uma razão para que tal drama tenha acontecido".

O lançamento da nova tradução do Livro das Lamentações insere-se na iniciativa da CEP de lançar uma nova tradução em português de Portugal da Bíblia. Vários investigadores estão envolvidos na tradução a partir das línguas originais, sendo que a tradução de cada livro que compõe a Bíblia é lançado mensalmente em formato digital na página da CEP e na da Agência ECCLESIA.

O padre Mário de Sousa, coordenador da Comissão, refere que a tradução é feita de forma "ad experimentum", isto é, a tradução é colocada "colocada à apreciação dos leitores de língua portuguesa, cristãos ou não", sendo convidados a participarem nela através de email.

Até ao momento, já foram disponibilizadas traduções de 20 livros do Antigo Testemento e 19 do Novo Testamento, sem contar com os Evangelhos segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.

Trabalho pioneiro abre caminho para novos dispositivos eletrónicos flexíveis

IFIMUP
Este é um progresso significativo para a eletrónica de spin

E se pudéssemos ter um telemóvel incorporado na nossa roupa ou até como pulseira? Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) acaba de dar mais um passo, através de um estudo pioneiro, para que estas tecnologias sejam parte do nosso dia a dia.

Num trabalho publicado na conceituada revista Advanced Functional Materials, os cientistas testaram um material promissor da classe dos isoladores topológicos e comprovaram que este pode ser utilizado em substratos flexíveis que podem, por exemplo, “alojar” tecnologia na nossa roupa. Para além disso, avançam com um importante contributo para a fabricação escalável destes nanomateriais, uma vez que utilizam técnicas igualmente usadas a nível industrial.

Mas o que torna estes materiais tão vantajosos para a indústria e tecnologia? Os dispositivos eletrónicos, como memórias avançadas para telemóveis e computadores, querem-se cada vez mais pequenos, mais rápidos, eficientes e de baixo consumo energético. No entanto, a exigência de um tamanho mini faz com que rapidamente aqueçam, o que reduz substancialmente a velocidade de processamento e a sua eficiência.

Para resolver este problema de dissipação de energia e de aquecimento, os cientistas têm investido na área da eletrónica de spin, que utiliza o spin (efeito de íman) dos eletrões, e não o movimento de carga, para processar e armazenar informações. Desta forma, uma vez que a manipulação de spin não envolve o movimento literal dos eletrões, é reduzido o aquecimento.

A solução passa pela utilização dos isoladores topológicos, ainda pouco estudados, mas que prometem ser a chave para a tecnologia do futuro. Por duas razões: apresentam à superfície canais condutores de eletrões – estados de superfície topológicos que permitem às extremidades ou superfícies conduzir eletricidade sem perder energia; estes estados potenciam vários efeitos de spin que podem ser aproveitados no desenvolvimento de novos dispositivos.

Um progresso significativo para a eletrónica de spin

Os investigadores perceberam que, mesmo em substratos flexíveis, estes canais condutores permanecem estáveis, abrindo assim caminho para tecnologias, não só mais eficientes e rápidas à pequena escala, mas também para materiais que podem ser dobrados e moldados para serem usados, por exemplo, junto ao nosso corpo.

“Estes avanços são especialmente relevantes para a integração de isoladores topológicos em tecnologias flexíveis de eletrónica de spin, permitindo o desenvolvimento de dispositivos eletrónicos de elevada eficiência e de baixo consumo energético”, destaca André Pereira, docente da FCUP e líder da equipa responsável por este avanço.

Com o objetivo de promover a condução de superfície, e assim aumentar a eficiência energética, os investigadores desenvolveram na FCUP filmes finos numa estrutura flexível e que incorporou o Bi2Te3, um material da classe dos isoladores topológicos. “Este trabalho representa um progresso significativo na fabricação deste tipo de nanomateriais a um nível escalável para a indústria de eletrónica de spin e no controlo das propriedades quânticas destes materiais”, sublinha o investigador.

“Usamos técnicas escaláveis de magnetron sputtering e tratamentos térmicos pós-deposição e demonstramos como a organização estrutural dos filmes influencia as suas propriedades elétricas e topológicas”, destaca.

O estudo publicado insere-se no âmbito do doutoramento em Física da estudante da FCUP, Mafalda Moreira, que conta com a orientação dos docentes e investigadores do Departamento de Física e Astronomia da FCUP, André Pereira, do Instituto de Física de Materiais Avançados, Nanotecnologia e Fotónica(IFIMUP) e Eduardo Castro, do Centro de Física das Universidades do Porto e do Minho, e da investigadora da FCUP e IFIMUP, Ana L.Pires. Assinam ainda o artigo, Rui Vilarinho, investigador da FCUP e IFIMUP, e Sofia Ferreira-Teixeira, alumna da FCUP.

02 novembro 2024

Homebanking da CGD indisponível devido a "problemas técnicos"

Joehawkins/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Clientes não puderam efetuar qualquer transação. Serviços só foram repostos ao fim da tarde.

Os serviços digitais da Caixa Geral de Depósitos (CGD) registaram dificuldades de acesso e indisponibilidade total ao longo deste sábado, tendo o acesso sido reposto ao final da tarde.

Segundo o blogue noticioso Pplware, os problemas começaram a registar-se desde manhã, com os clientes do banco a não poderem fazer qualquer operação quer no site, quer nas aplicações para telemóvel. Já ao início da tarde, por meio de um comentário nas redes sociais, o banco confirmou a situação: "Estamos a verificar problemas técnicos na gestão do sistema de internet que afeta alguns serviços da Caixa, incluindo Caixadirecta e Contact Center", indicou a instituição bancária, acrescentando que as equipas estavam a trabalhar "para a rápida reposição dos serviços". 

A meio da tarde, a CGD emitiu uma nova nota informativa nas redes sociais, indicando que os canais "Caixadirecta e Contact Center" estariam indisponíveis até às 20h "devido a uma intervenção técnica. Lamentamos o incómodo causado", acrescenta.

Os serviços foram entretanto repostos. Contudo, o banco ainda não avançou qualquer motivo para a indisponibilidade.

28 outubro 2024

Cientistas revelam como o cérebro consegue antecipar cenários através da codificação de experiências temporais

vetre/Envato Elements

Um estudo recentemente publicado na revista Nature revela informação inédita fundamental sobre a forma como o cérebro aprende com as experiências vivenciadas e antecipa potenciais acontecimentos futuros. A equipa de investigação estudou o hipocampo e o córtex entorrinal – regiões do cérebro cruciais para a memória e a aprendizagem – em indivíduos submetidos a procedimentos clínicos.

O primeiro autor do estudo e investigador do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, Pawel Tacikowski, refere que “a capacidade de reconhecer padrões e antecipar potenciais eventos futuros é uma parte essencial da aprendizagem humana”.

Estudos anteriores recorreram a técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética funcional (fMRI), para estudar a forma como estes processos ocorrem no cérebro. No entanto, este tipo de métodos não permite uma observação direta da atividade neuronal. Neste estudo inovador, os investigadores conseguiram registar a atividade neuronal de células individuais em tempo real, permitindo uma nova compreensão dos processos de codificação cerebral.

Os participantes no estudo visualizaram uma série de imagens numa sequência específica, sem que lhes tivesse sido dito para memorizarem ou preverem nada. Surpreendentemente, os neurónios do hipocampo e do córtex entorrinal ajustaram gradualmente a sua atividade para refletir o padrão subjacente, mostrando que o cérebro foi capaz de aprender implicitamente a estrutura da sequência e construir um mapa mental de ‘quando’ e ‘o quê’ se seguiria.

Os investigadores observaram também que os neurónios ativaram o mesmo padrão espontaneamente. Pensa-se que esta atividade de repetição é a forma como o cérebro consolida a aprendizagem.

Os resultados obtidos permitem-nos compreender melhor como o nosso cérebro codifica e memoriza a sequência das nossas experiências vivenciadas, combinando informação sobre “o que” acontece e “quando” acontece, permitindo assim antecipar comportamentos futuros.

“Estamos muito entusiasmados com este estudo. Poder compreender como é que o cérebro organiza temporalmente as nossas vivências pode ter aplicações clínicas importantes, com em futuras terapias para melhorar a memória, que poderão centrar-se no aumento da atividade neuronal específica que representa as memórias relevantes”, acrescenta o investigador.

Além do primeiro autor, Pawel Tacikowski, são coautores do estudo os investigadores Güldamla Kalender, Davide Ciliberti, e Itzhak Fried. A investigação decorreu na Universidade da Califórnia, Los Angeles (Departamento de Neurocirurgia), no Instituto Karolinska (Departamento de Neurociências) e na Universidade de Coimbra.

26 outubro 2024

Teatro da Trindade evacuado devido a curto-circuito

Etasobal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Espetadores foram retirados por precaução.

O Teatro da Trindade, em Lisboa, foi evacuado este sábado devido a um curto-circuito. O incidente aconteceu enquanto uma peça estava em cena. 

Segundo vários meios de comunicação social, o serviço municipal de Proteção Civil indicou como fonte do incêndio um curto-circuito num edifício contíguo, acrescentando que a situação está controlada. Ao todo, foram retiradas 40 pessoas do teatro, sendo que a peça já estava a terminar.

No local, estão vários meios dos Bombeiros sapadores de Lisboa, da Polícia Municipal e da PSP, mas, aos jornalistas, a Proteção Civil não precisou o número de operacionais ou de viaturas.

Uma pessoa foi assistida no local.

Pesquisar neste blogue

Com tecnologia do Blogger.

Etiquetas