⌕

13 novembro 2025

Vítimas de nudes com IA sofrem num limbo digital enquanto os sites lucram: “Senti-me abusada”

Yasmin Velloso/Agência Pública
Mulheres são as principais vítimas. Lei brasileira endurece penas, mas criadores contam com impunidade.

Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Guilherme Cavacanti, e editado por Ed Wanderley, e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.

“Ruivinha”, “Novinha”, “Safada”. As tags buscadas por Rafaela Bomfim em um site internacional, para seu desespero, revelavam ela mesma, mas sem roupas. Nos comentários, usuários discutiam sua identidade e faziam discursos que a deixaram em estado de paranoia por semanas. As imagens, falsas, foram recriadas com auxílio de inteligência artificial (IA) a partir de suas publicações pessoais no Instagram.

“E a minha paranoia é: e se dessa [numa próxima] vez ninguém ver? E se ficar por aí? Eu entrei no perfil do cara que postou e tinha milhares de meninas. Muitas provavelmente nem sonham que isso está sendo feito com elas”, contou a estudante de design de 21 anos que vive em Brasília. A criação de deep nudes, imagens falsas que usam o rosto de pessoas reais em corpos criados com IA, já é alvo de uma lei específica deste ano que eleva a punição de violência psicológica com o uso de tecnologia, mas que, segundo especialistas ouvidas pela Agência Pública, não acompanham a dimensão e velocidade do problema.

O problema é mais recorrente do que se pensa. Em junho deste ano, estudantes de uma escola de Belo Horizonte venderam montagens pornográficas de alunas, entre 12 e 17 anos, em aplicativos de mensagens, como mostrouO Tempo. Dois anos antes, em 2023, jovens de um colégio da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, também usaram IA para criar imagens íntimas falsas de mais de 20 colegas, como reportou a CNN.

A líder de projetos em inteligência artificial no Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (Ip.Rec), Clarissa Mendes, explica que a violência dos deep nudes não se reduz ao caráter “irreal” das imagens. “Existe a tendência de achar que porque não é verdade, porque não são imagens reais, não há consequências práticas. Só que o que a gente encontra de pesquisa em relação aos efeitos diz o contrário: vítimas de abuso digital têm danos duradouros, complexos e abrangentes”, explica a pesquisadora.

Impactos na saúde mental de mulheres de todas as idades vítimas desse tipo de crime foram relatados na tese de doutorado da socióloga Laís Patrocínio, professora da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Depressão, automutilação, transtornos alimentares, ideações suicidas e dificuldades de convívio social estão entre as sequelas e a pesquisadora destaca que a culpa se torna central em “qualquer tipo de violência de gênero”: “Culpa e vergonha. A culpa é uma grande vilã, porque se você [acha] que é a culpada, por que você pediria ajuda?”, diz Patrocínio.

“Talvez, no fim das contas, faça muito pouca diferença se aquela bunda é daquela mulher ou não, porque o rosto dela tá ali. Por mais que seja falso, a pessoa está exposta de uma forma íntima, descontextualizada”, destaca Patrocínio. “A exposição, em si, uma hora passa, porque as pessoas esquecem. Mas os danos para vida pessoal e profissional são muito mais difíceis de reverter”, completou.

A estudante universitária Rafaela Bomfim foi vítima de uma deep nude criada com Inteligência Artificial | Yasmin Velloso/Agência Pública

“Vês que tem uma foto tua, nua, na casa de banho da tua casa”

Era um dia frio e Rafaela Bomfim estava em uma viagem na Europa quando recebeu a ligação do então namorado. “Ele me ligou e falou: ‘eu preciso te contar uma coisa, mas eu preciso que você fique calma’”, relembra. Do outro lado da linha, veio a notícia: fotos suas, publicadas recentemente no feed e stories do Instagram, haviam sido transformadas em pornografia exposta em um site adulto e já somava milhares de visualizações.

A plataforma atendia a pedidos de usuários para criar nudes com uso de IA. As fotos originais, lembra a estudante, eram imagens despretensiosas, tirada de costas, fazendo pose, até serem adulteradas. “Minha reação foi ficar muito assustada […] A sensação que me deixou foi que eu fui abusada. A partir do momento que parece muito [real], sabe? Era uma foto no cenário que eu tinha tirado. Era no banheiro da minha casa. E você bate o olho naquilo e você vê que tem uma foto sua, nua, no banheiro da sua casa…”, contou, emocionada. 

“O pior de tudo isso é o sentimento de você como mulher, de saber que tem gente por ai que se sente titular do seu corpo”, afirmou Bomfim. O medo então não foi apenas da exposição, mas da insegurança constante que se instalou. Em um dos comentários, um usuário perguntou quem era a mulher da imagem; outro sugeriu chamá-lo na DM, insinuando saber sua identidade. Então, a estudante passou a desconfiar de colegas de faculdade, desfez conexões nas redes e passou a viver em estado de alerta.

A estudante universitária Rafaela Bomfim foi vítima de uma deep nude criada com Inteligência Artificial | Yasmin Velloso/Agência Pública

“Criei uma paranoia muito grande. Eu pensava: ‘todo dia eu pego o mesmo ônibus, vejo pessoas que não conheço, e se alguém ali sabe da minha rotina?’ […] Poderia ser alguém que estudou comigo, alguém próximo ou um desconhecido que sabe da minha rotina. Se uma pessoa tem a capacidade de fazer algo assim, o que ela não faria comigo na vida real?”, lembrou. 

“Eu me arrependo, tipo, se eu tivesse corrido atrás dessa parada […] tivesse contratado alguém que sabe rastrear IP [identificação digital do criador das imagens]. […] Mas essa oportunidade eu perdi. E isso que faz a gente se sentir culpado, porque foi um momento muito difícil e eu não tava com a cabeça no lugar pra correr atrás”, confessa.

Segundo Rafaela, após acionar a plataforma, a remoção das imagens foi rápida – a postagem foi excluída no mesmo dia. Se livrar do impacto da experiência, no entanto, não ocorreu na mesma velocidade, o que ela descreve como uma sensação de trauma e “muito humilhante”: “Como é que a gente se protege disso? Você se isola do resto da sociedade? Para de postar foto sua? Não existe isso”.

Muito além da lei: o desafio de prevenir a violência

Desde abril, está em vigor no Brasil a Lei 15.123/25, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que aumenta a pena de violência psicológica contra a mulher quando praticada com o uso de IA. Nesses casos, a punição, que varia de seis meses a dois anos de prisão, é agravada em 50%. Apesar do avanço, especialistas ouvidos pela Pública apontam que a legislação não acompanha a rapidez das novas formas de agressão.

A advogada e pesquisadora Lucimara Plaza Tena explica que as vítimas podem recorrer a instrumentos já previstos no ordenamento jurídico, como o Código Penal e o Marco Civil da Internet. Ainda assim, há lacunas importantes, como a ausência de responsabilização efetiva das plataformas que lucram com esse conteúdo e a dificuldade de identificar os autores. 

“Não existe uma regulamentação hoje suficiente que responsabiliza o provedor […] Ele monetiza por conta disso. Então, ele tem que ter alguma responsabilidade também”, afirma Tena, que pesquisa as conexões entre direito e IA.

Foi nesse cenário que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou uma audiência pública para discutir os impactos da tecnologia na violência de gênero, em setembro. “A que não estão sujeitas as crianças e os adolescentes navegando nas redes sociais sem nenhum tipo de controle, de fiscalização e de legislação específica que nos proteja?”, questionou a deputada Erika Hilton (Psol – SP), que presidiu o início da sessão.

Entre as participantes, estava a diretora de pesquisa do InternetLab, Clarice Tavares, que destacou a insuficiência do arcabouço legal e a necessidade de novas formas de regulação. Para ela, o debate brasileiro ainda está excessivamente focado na criminalização. “Quando a gente pensa no uso do direito penal para esses casos, a gente está falando de uma resposta que vem depois que a violência já aconteceu. Não existe uma camada preventiva”, disse Tavares à Pública.

De acordo com a SaferNet, canais no Telegram têm sido usados para comercializar conteúdos ilícitos, inclusive mídias artificiais de celebridades brasileiras em contextos sexuais, com transações feitas via PIX. Além disso, o relatório aponta que, entre janeiro e julho de 2025, 64% das denúncias recebidas pelo Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos envolveram abuso sexual de crianças e adolescentes, número que inclui casos de imagens manipuladas e deepfakes gerados por inteligência artificial. 

Já uma pesquisa do Instituto de Internet de Oxford (Oxford Internet Institute, em inglês), em 2024, identificou cerca de 35 mil modelos de deepfake públicos, baixados 15 milhões de vezes ao redor do mundo — 96% deles voltados para retratar mulheres.

Outro desafio, segundo Tavares, é enfrentar um problema que não se resume a indivíduos isolados, mas a um sistema inteiro que lucra e se organiza em torno da misoginia digital. “Essas plataformas, as redes masculinistas que se criam com essas novas tecnologias, é algo que se fortalece, que vão criando cada vez mais novos capítulos, ferramentas e aprofundamentos da misoginia, de formas de violência contra a mulher”, conclui.

03 novembro 2025

CEP divulga nova tradução de livro da Bíblia

halfpoint
Comissão está a pedir o envolvimento da comunidade no projeto de tradução

A Comissão Coordenadora de tradução da Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disponibilizou a nova versão do chamado “Livro de Joel”, incluído no Antigo Testamento. A nova tradução foi disponibilizada online este sábado, dia 01. 

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a Comissão da CEP considera que o livro é uma reflexão poética sobre a realidade do povo de Israel: "Com bons rasgos de lirismo, devemos admitir que Joel escreveu uma obra-prima de poesia vigorosa e possante, construída com rigor literário, na qual são habilmente utilizados alguns motivos proféticos tradicionais", refere a apresentação do texto bíblico, acrescentando que o profeta, cujo nome poderia ser "Yo'el", visto que é o nome que surge em epígrafe no texto, "usa um vocabulário quase clássico, mas em estilo exuberante, com recurso a imagens, a metáforas e a paralelismos". Não é possível datar com precisão a data em que o "Livro de Joel" foi redigido, mas os especialistas concordam que o texto terá sido escrito entre 515 e 332 a.C., uma época posterior ao "exílio de Israel". 

CEP quer participação da comunidade

Tal como já fez com as traduções dos outros livros da Bíblia, que têm vindo a ser publicados desde 2021, a Comissão quer envolver todos no processo de tradução para português. 

O processo, iniciado em 2019, envolve 34 investigadores e tem feito a tradução dos livros da Bíblia a partir dos idiomas originais. Na altura do lançamento, o coordenador da Comissão da Tradução da Bíblia Padre Mário de Sousa dizia que o desafio estava em manter a fidelidade às línguas originais e, ao mesmo tempo, ser “compreensível para os leitores de hoje“.

Com o "Livro de Joel", a Comissão quer continuar a "acolher o contributo dos leitores, em ordem ao melhoramento da compreensibilidade do texto", sendo possível descarregar a tradução provisória no site da CEP.   

O "Livro de Joel" é um dos livros do Antigo Testamento, sendo um dos mais pequenos de toda a Bíblia, sendo composto apenas por três capítulos. 

01 novembro 2025

Ser ou Ter? O Fascínio das Marcas.

Kit Suman/Unsplash
"O consumismo tornou-se mais do que um mero hábito — é um palco de afirmação social."

Estou no meio do centro comercial, cercada por vitrines reluzentes, gente apressada, música animada e aquele cheiro de novidade misturado com desejo. Os meus olhos percorrem os logótipos das marcas, as camisolas no expositor, as sapatilhas na montra e os perfumes que prometem adoçar a minha imagem. Sinto que não lhes pertenço, que há um muro invisível entre mim e tudo isto.

No bolso, o dinheiro não chega. Sei disso, mas cá dentro cresce uma vontade: quero ser vista, reconhecida, valorizada. Pergunto-me se, ao comprar algo de marca, vou conseguir esse objetivo, sentir aquela confiança que vejo nos anúncios ou nos amigos que as exibem. O preço pisca, desafia, e a minha cabeça começa a negociar comigo própria: será que vale a pena? Talvez consiga se poupar este mês? Talvez escolha uma só peça?

Cresce um nó na garganta — o medo de ficar de fora, de parecer menos, de não acompanhar os demais. A razão diz que é só um objeto, uma marca, mas a emoção grita que é mais do que isso: é aceitação, é identidade. Penso, repenso, hesito. Não quero estar sempre à margem. Comprar, só um pouco, talvez me faça sentir parte do grupo e elevar o meu valor, mesmo que por uns instantes.

No fundo, no meio das luzes do centro comercial, procuro alguma coisa que me faça sentir especial.

Num mundo onde a publicidade nos envolve por todos os lados, o consumismo tornou-se mais do que um mero hábito — é um palco de afirmação social, aspiração e identidade. No coração deste fenómeno late uma obsessão: a procura incessante por produtos de marca. Mas porquê este fascínio? O que nos leva a medir o nosso valor através do que compramos?

Desde as primeiras civilizações até à sociedade globalizada de hoje, a relação do ser humano com os objetos que possui sempre foi muito mais do que utilitária. Se antes um objeto era símbolo de sobrevivência ou ferramenta de trabalho, a modernidade atribuiu-lhes um papel novo — o de símbolos. Com a Revolução Industrial, a avalanche de bens acessíveis gerou novos desejos e, com eles, nasceu o branding: um passaporte para o reconhecimento e a pertença.

As marcas deixaram de ser assinaturas de garantia e passaram a ser bandeiras de estilos de vida. São elas que nos dão entrada para certos grupos, que nos posicionam socialmente, que alimentam sonhos e imaginários. Comprar um produto de marca, nos dias de hoje, é um ato carregado de significado: uma declaração pública de quem somos, de quem ambicionamos ser. Somos, também, cutucados constantemente por campanhas de marketing engenhosas, criadoras de desejos por vezes utópicos, de modas passageiras e de necessidades construídas.

A antropologia lança luz sobre esta dinâmica: nós, seres sociais, procuramos pertença e reconhecimento. A teoria da identidade social explica que nos vemos refletidos nos grupos a que aspiramos pertencer, e para isso seguimos os códigos — um deles é o consumo visível. Não surpreende, por isso, que o valor pessoal seja frequentemente confundido com a posse de bens, reflexo de uma cultura mediática que associa sucesso à imagem.

Contudo, esta corrida frenética ao consumo tem consequências profundas. O planeta ressente-se da exploração de recursos, trabalhadores veem-se esmagados por lógicas produtivas implacáveis — e nós próprios ficamos reféns de uma constante inquietação: será que tenho o suficiente? Será que sou aquilo que pareço?

É, pois, urgente repensar o consumo. Mais do que nunca, precisamos de um olhar crítico, de abraçar a compra consciente, de valorizar a durabilidade sobre a moda, a necessidade real sobre o impulso. Ser humano é mais do que possuir; é saber escolher o que importa. O futuro, sustentável, agradece.

30 outubro 2025

"O Que Acontece Depois" estreia no TVCine

© 2023 TERMINAL 4, LLC. All Rights Reserved.
Filme é realizado e protagonizado por Meg Ryan.

É descrito como um filme que traz "uma abordagem sensível e madura ao amor e às escolhas feitas durante a juventude". "O Que Acontece Depois" estreia este domingo, dia 02, no TVCine Top. 

Protagonizado por David Duchovny e Meg Ryan, que também realiza, o filme traz a história de Bill (Duchovny) e Willa (Ryan), um casal há muito separado e que se reencontra anos depois num aeroporto, durante uma tempestade de neve: "À medida que a noite avança e os respetivos voos são cancelados, mergulham numa troca de memórias da sua anterior relação, frustrações e emoções antigas, num diálogo cheio de humor, tensão e nostalgia", descreve o canal premium de cinema, realçando que o casal vai-se confrontar "com o que foram e as pessoas que, entretanto, se tornaram", entrando num processo de reflexão sobre "o que ainda os une. Será esta uma segunda oportunidade ou há feridas que o tempo não consegue curar?".

"O Que Acontece Depois" será emitido a partir das 21h35. Após a transmissão, o filme fica disponível no serviço de streaming TVCine+. 

 

29 outubro 2025

Como é que as pessoas assexuais navegam a intimidade?

Chiara Guercio/Unsplash


Um estudo realizado no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) explorou os fatores associados às diferentes cognições, emoções e desejos reportados por pessoas do espetro da assexualidade (“a-spec” – termo mais inclusivo para ilustrar a diversidade de experiências e vivências). Os resultados deste estudo salientam a importância das diferenças individuais nas vivências das pessoas a-spec, algo que pode contribuir para promover uma sociedade mais informada e a elaboração de políticas mais inclusivas.


A assexualidade é tipicamente definida como a falta de atração sexual (por vezes, associada a uma repulsa sexual). Contudo, essa definição é simplista e limitada para descrever a multiplicidade de experiências vividas pelas pessoas da comunidade a-spec. Explorar e caracterizar essa pluralidade de vivências foi o mote para a investigação levada a cabo por Ana Catarina Carvalho, doutoranda em Psicologia no Iscte-Instituto Universitário de Lisboa, e David L. Rodrigues, investigador no CIS-Iscte. O estudo foi recentemente publicado na revista Sexuality Research and Social Policy e parcialmente financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Refs.: 2023.01784.BD e 2020.00523.CEECIND).


Ana Catarina Carvalho refere que “nos últimos anos, tem havido uma crescente visibilidade da assexualidade, através de ativismo e de comunidades online como a Rede para a Visibilidade e Educação Assexual (AVEN, do inglês Asexual Visilibity and Education Network)”. Apesar disso, a assexualidade continua sub-representada na investigação.


“As experiências das pessoas a-spec são muito diversas”, afirma o investigador David L. Rodrigues. De acordo com a literatura, as vivências de pessoas a-spec incluem: pouca ou nenhuma atração sexual; sentir atração sexual apenas após o estabelecimento de ligações emocionais profundas; e até experienciar níveis flutuantes de atração sexual. Da mesma forma, algumas pessoas a-spec podem sentir pouca ou nenhuma atração romântica, enquanto outras podem sentir atração romântica (com ou sem atração sexual). “Estas diferenças e nuances relacionam-se a perceções, sentimentos e experiências distintas dentro da comunidade assexual. Por exemplo, na forma como as pessoas interpretam e navegam por relacionamentos sociais e afetivos”, afirma o investigador.


No estudo realizado, 456 pessoas de diversas nacionalidades que se identificaram como a-spec, responderam a diversas questões relacionadas com a sua identificação com a assexualidade, a intensidade das suas atrações sexuais e românticas, e acerca de estilos de vinculação (i.e., a forma como as pessoas experienciam a intimidade e dependência emocional). Foram também exploradas as suas experiências prévias relativamente a relações passadas, para melhor compreender as suas vivências e preferências.


De uma forma geral, os resultados indicaram uma forte identificação com a assexualidade. Pessoas com maior identificação com a assexualidade relataram ter menos experiência com parceiros românticos e sexuais. Paralelamente, pessoas que reportaram maior atração sexual e romântica reportaram ter tido mais relacionamentos. Ana Catarina Carvalho explica que “estes resultados salientam que algumas pessoas assexuais podem necessitar de relacionamentos para perceberem e aceitarem a sua falta de atração sexual, enquanto outras estão ainda a explorar os seus desejos e muitas vezes têm dificuldades em estabelecer relações por sentirem receio de assumir a sua identidade assexual a parceiros ou parceiras”. Quando analisados os padrões de vinculação, os dados indicam que um estilo de vinculação evitante estava associado a níveis mais elevados de identificação assexual e com menores níveis de atração sexual e romântica; foi ainda encontrada uma associação entre a vinculação ansiosa e a atração romântica e desejo por relações íntimas. A investigadora esclarece que os resultados observados vão de encontro a resultados prévios da literatura, acrescentando que “ter um vínculo afetivo evitante pode criar conflitos entre a identidade assexual e os sentimentos de atração romântica, levando algumas pessoas a temer a intimidade, evitar a proximidade e manter uma distância emocional com parceiros ou parceiras; paralelamente, um padrão de vinculação ansiosa nas pessoas assexuais pode estar associado ao facto de considerarem a possibilidade de ter relações íntimas no futuro e sentirem ansiedade devido a um medo de rejeição, que pode estar relacionado, ou não, com a incerteza do que a outra pessoa poderá esperar delas em termos da relação romântica e sexual”.


22 outubro 2025

Jornalistas detidos Andrzej Poczobut e Mzia Amaglobeli galardoados com o Prémio Sakharov 2025

Beko/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)



O Prémio Sakharov 2025 foi atribuído a dois jornalistas, o polaco-bielorrusso Andrzej Poczobut e a georgiana Mzia Amaglobeli, que estão presos por acusações relacionadas com as suas peças sobre democracia e sociedade civil.


A Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu, composta pelos líderes dos grupos políticos do parlamento e pela presidente Roberta Metsola, anunciou os vencedores a 22 de outubro.


"Ambos são jornalistas atualmente detidos, sob acusações forjadas, por simplesmente fazerem o seu trabalho e por se manifestarem contra a injustiça", disse Metsola num comunicado em que anuncia os vencedores.


"A sua coragem tornou-os símbolos da luta pela liberdade e pela democracia. Esta Câmara está com eles e com todos aqueles que continuam a exigir liberdade."


Estudantes sérvios que protestam contra o governo em Belgrado há mais de um ano e jornalistas e trabalhadores humanitários na Faixa de Gaza também foram pré-selecionados para o prémio de 50 mil euros.


O principal prémio de direitos humanos da União Europeia foi criado em 1988 em honra do cientista e dissidente russo Andrei Sakharov e tornou-se uma das principais ferramentas de relações públicas da câmara, com regimes repressivos a atacar frequentemente os legisladores europeus por causa das nomeações e dos vencedores.


A lista de laureados anteriores inclui o antigo presidente sul-africano Nelson Mandela, o líder da oposição russo Aleksei Navalny e a ativista paquistanesa pela educação Malala Yousafzai.


Crítico Aberto de Lukashenko


Poczobut trabalhou para várias publicações bielorrussas e polacas e foi um dos líderes da organização política "União de Polacos na Bielorrússia", que representa a minoria polaca no país. Crítico aberto do regime do governante autoritário de longa data Aleksandr Lukashenko, Poczobut foi repetidamente detido pelas autoridades.


Detido em 2021 como parte da repressão política contra a oposição e a sociedade civil no país, após as eleições presidenciais fraudulentas do ano anterior, foi posteriormente condenado a oito anos numa colónia penal.


Embora tenham sido negadas visitas à sua família, tem havido esperança de que ele possa ser libertado em breve, uma vez que os Estados Unidos têm estado a negociar com Minsk o alívio de algumas sanções em troca da libertação de alguns dos estimados milhares de prisioneiros políticos no país.


O político da oposição Alyaksandr Milinkevich, a associação de jornalistas bielorrussos e a oposição democrática na Bielorrússia, liderada por Svyatlana Tsikhanouskaya, já foram anteriormente galardoados com o prémio.


Deterioração da Saúde na Prisão


Amaglobeli, fundadora dos meios de comunicação independentes Batumelebi e Netgazeti, foi detida no início de 2025 e posteriormente condenada a dois anos de prisão por "resistir ou usar violência contra um agente da autoridade" durante um protesto pró-europeu após as controversas eleições parlamentares na Geórgia, em outubro de 2024.


Desde então, tem havido numerosos relatos sobre a deterioração da sua saúde enquanto está presa. O seu veredito, denunciado pela UE, pelas Federações Europeia e Internacional de Jornalistas e por grupos de defesa dos direitos, é visto como parte de uma campanha estatal mais ampla para silenciar a dissidência e restringir a liberdade de expressão na Geórgia.


Considerada a primeira prisioneira política do sexo feminino na Geórgia desde a sua independência em 1991, é também a primeira georgiana a receber o prémio.


A cerimónia de entrega do prémio terá lugar em Estrasburgo, a 16 de dezembro.


21 outubro 2025

Morreu o empresário Francisco Pinto Balsemão

Grupo IMPRESA


O empresário e ex-político português Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, em Lisboa. A informação foi avançada pela SIC Notícias, que acrescentou que morte aconteceu de causas naturais. 


Fundador do Partido Social Democrata, onde era o militante n.º 1, teve uma atividade política bastante ativo, tendo desempenhado funções de deputado, ministro e primeiro-ministro. Foi também fundador do jornal Expresso em 1978,  já na década de 90 do século XX, foi o principal promotor e fundador da SIC. Atualmente, era o presidente não executivo do grupo Impresa. 


Aos jornalistas, o primeiro-ministro português Luís Montegro frisou o papel de Balsemão para a democracia, dizendo que o empresário foi "alguém que também representou Portugal exercendo a missão de liderar um Governo e ser primeiro-ministro". O governante acrescentou que quer decretar luto nacional pela morte de Balsemão. 


Já o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada no site da Presidência, classificou Balsemão como "uma das personalidades mais marcantes dos últimos sessenta anos. Na política, na sociedade, na afirmação da liberdade de expressão e de imprensa". Elencado o passado político e de atividade nos media, Rebelo de Sousa acrescenta que o empresário era um "visionário, pioneiro, criativo, determinado, batalhador, democrata, social-democrata, europeísta e atlantista [...] Portugal não o esquece. Portugal nunca o esquecerá". 


Francisco Pinto Balsemão tinha 88 anos. 

20 outubro 2025

Apagão na Amazon deixa sites indisponíveis

Abid Shah/Unsplash


Um problema num dos centros de dados da Amazon Web Services, a divisão da Amazon para serviços de alojamento de aplicações web, afetou sites e empresas em todo o mundo esta segunda-feira. A falha aconteceu ao início da manhã e afetou plataformas como o Canva, Fortnite, Snapchat ou Google, além de bancos ou sites governamentais. 


O erro foi classificado pela gigante como um "problema operacional" num centro de dados nos estado da Vírgina, nos Estados Unidos da América, e já estará em resolução. 


Aquando da publicação deste artigo, a dimensão do impacto do problema a nível mundial não era totalmente conhecida. 

18 outubro 2025

O que vem depois do cessar-fogo na Faixa de Gaza?

Abedallah Alhaj/UNRWA/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)



Por mais difícil que tenha sido alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, essa foi a parte mais fácil. Resta agora encarar de frente um desafio que se arrasta desde 1948, sem solução: a criação de um Estado palestino soberano, com fronteiras definidas e reconhecidas internacionalmente.


Não há nada na articulação feita pelo presidente americano, Donald Trump, que garanta à nação palestina a criação de um Estado próprio agora. Pelo contrário, as declarações dele vão no sentido oposto – Trump já disse que Gaza deveria ser transformada num resort de luxo e seus habitantes, mandados para países vizinhos. Além disso, criticou as potências europeias que reconheceram o Estado palestino, desaprovando e desinflando um movimento coordenado, coerente e contundente, que poderia ter desembocado num desenlace positivo e definitivo para toda essa história.


Daniel Torok//The White House/Governo dos Estados Unidos da América/Domínio Público


Um cessar-fogo frágil, mas importante


A despeito das insuficiências, o cessar-fogo deve, ainda assim, ser saudado por ter permitido a devolução a Israel 20 civis que passaram mais de 700 dias sequestrados ilegalmente pelo Hamas em Gaza e de 2 mil palestinos que, ao deixarem as prisões israelenses – alguns dos quais após longos períodos de encarceramento, sem acusação formal e direito de defesa –, relataram os suplícios aos quais foram submetidos, muitos deles durante anos. Além disso, mesmo sendo um cessar-fogo frágil, dezenas ou centenas de vidas inocentes – incluindo muito especialmente a vida de crianças – já estão sendo poupadas, a cada bomba que deixa de cair, a cada tiro que não é mais disparado.


Contudo, o arranjo é precário e há um risco permanente de que tudo retroceda. A falta de uma solução definitiva para a questão palestina pode reascender a espiral de violência que tantas vezes ao longo da história assaltou a região. A soma do ressentimento com o desejo de vingança é um combustível de alta octanagem, que permanece estocado na região, à espera de uma nova fagulha de agressão, seja de que lado for.


Unidade do Serviço de Comunicação das Forças de Defesa de Israel (CC BY-SA 3.0)


Palestina e Israel: a solução dos dois Estados


A criação de um Estado palestino é fundamental para desarmar esses explosivos. Só que Israel – este governo em particular, chefiado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu – teme, de forma cada vez mais paranoica e eloquente, a existência de um Estado vizinho organizado, soberano e hostil, que possa vir a ter uma Força Armada própria, fronteiras livres e acesso a armas de munição. O temor israelense é que um Estado vizinho com essas características acabe se convertendo numa ameaça existencial ainda mais difícil de ser contida do que um mero grupo armado organizado. Esse temor não é de todo absurdo, porque o Hamas de fato tem como fundamento proclamado a destruição do Estado de Israel.


Em tese, a solução seria alijar o Hamas das estruturas formais de poder na Faixa de Gaza e obliterar sua capacidade militar, de maneira que seus membros remanescentes não tivessem influência para além do mero discurso. Segundo essa ideia, o poder seria administrado, no fim, pela própria Autoridade Nacional Palestina (ANP), que já governa a Cisjordânia, tendo Mahmoud Abbas como sua figura de proa – um personagem palatável aos EUA e às potências europeias, com trânsito nos países árabes e com relativa boa aceitação dos palestinos, apesar das acusações de corrupção e incompetência.   


Em termos simples, a ANP – ou alguma outra estrutura civil correlata que viesse a ser criada – representaria a expressão política do poder palestino sem o componente violento e incendiário do Hamas. Foi afinal para apoiar esse arranjo que, no encontro que selou o cessar-fogo, no Egito, esta semana, Trump apertou a mão de Abbas e se deixou fotografar ao lado dele, num encontro em que o Hamas, obviamente, jamais estaria presente.


Tudo isso, entretanto, é discurso, não ação. Na prática, em Israel, o percentual da população que realmente acredita numa solução de dois Estados é muito baixo: só 27%, na pesquisa Gallup publicada em setembro deste ano. Do lado palestino, a situação é só um pouco melhor: 33% dos moradores da Cisjordânia acreditam na solução de dois Estados. Não existem dados de Gaza, pois não foi possível fazer essas perguntas à população local em meio à guerra.


O que esses percentuais demonstram é que a melhor saída política possível só tem o apoio de um terço das populações envolvidas. O restante prefere um Estado israelense que expulse ou incorpore os palestinos como cidadãos de segunda classe; ou um Estado palestino que expulse ou incorpore os israelenses ou judeus, como queira, também na qualidade de cidadãos de segunda categoria. Ou seja, as alternativas à solução de dois Estados são, na melhor das hipóteses, receitas para um Apartheid institucionalizado, no interior de um único Estado, seja ele qual for.


Unidade do Serviço de Comunicação das Forças de Defesa de Israel (CC BY-SA 3.0)


Gaza: três caminhos para o futuro


Qualquer um desses cenários é, no entanto, distante. Por enquanto, o que existe é um mero cessar-fogo, que apenas congela o conflito em seu estado atual. O próximo passo – seja na direção longínqua da solução de dois Estados ou não – passa por pelo menos três fatores intermediários: formação de uma burocracia administrativa internacional para gerir os assuntos locais, incluindo a administração de toda a ajuda humanitária; criação de algum tipo de força estrangeira, sem a participação de Israel e com anuência do Conselho de Segurança, para exercer o controle securitário da zona; e reconstrução física das estruturas civis que, por mais de 700 dias, foram bombardeadas de maneira inclemente, no que alguns especialistas passaram a chamar de “urbicídio”.


O plano de Tony Blair para os palestinianos


Como as Nações Unidas estão alijadas das principais decisões recentes sobre a Faixa de Gaza e ainda não existe nenhuma autoridade constituída que substitua o Hamas na gestão desse território palestino, torna-se difícil saber quem é realmente o ponto de referência nesse processo de reconstrução. A pista mais sólida nesse sentido é o plano atribuído ao ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair. São 21 páginas de um planejamento de três anos, nos quais são descritas as estruturas de governança da Faixa de Gaza, no que seria um período de transição até uma suposta autonomia total das autoridades locais.


Até lá, seria montado um governo controlado por personalidades estrangeiras instaladas no exterior, cujo mandato seria outorgado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, prevendo prerrogativas para negociar desde a entrada de ajuda humanitária até os contratos de reconstrução, passando pela criação de uma polícia local e de outros corpos armados de segurança que atuariam dentro de Gaza. 


Os palestinos participariam dessa entidade chamada Gita, sigla em inglês de Autoridade Internacional Transitória em Gaza, mas só na base da pirâmide. No topo, estariam personalidades estrangeiras, que assumiriam a interlocução internacional com doadores, agências humanitárias, governos estrangeiros, Nações Unidas, Banco Mundial, empresas privadas e outros atores envolvidos.


ONU pode fazer da Palestina um Haiti no Médio Oriente


A receita de Blair não é muito diferente da abordagem que a ONU tentou nos anos 1990 e 2000 em lugares como o Haiti, nos quais Estados burocraticamente disfuncionais ou simplesmente falidos foram substituídos por uma burocracia internacional, acompanhada de forças multinacionais de paz, que realizaram ações ambiciosas e abrangentes de “peace building” ou “construção da paz”. Na teoria, a ideia era promover uma reconstrução meramente técnica e apolítica, para que então as forças políticas pudessem dar sequência ao trabalho, de maneira autônoma.


Se essa estratégia passa a impressão de tutela é porque de fato se trata de mais uma proposta de tutela sobre os palestinos, ironicamente protagonizada por um cidadão do Reino Unido, numa reedição aproximada do Mandato Britânico que vigorou na Palestina dos anos 1920 até 1948. Se de fato for implementado, o plano de Blair repetirá uma receita desgastada, que desperta a ojeriza própria do antigo colonialismo.


O problema é que não existe hoje sobre a mesa nenhuma outra proposta viável. Se Israel recuar da Faixa de Gaza, o mais provável é que o Hamas simplesmente reassuma o papel que desempenha na região desde 2007, quando expulsou o rival Fatah e assumiu o controle militar e político. Como isso seria inadmissível para Israel e EUA, o mais provável é a formação de um consórcio político estrangeiro para a gestão local, seja nos moldes propostos por Blair, seja em algum outro esquema semelhante.


A questão de uma força armada palestiniana


Criar um Estado soberano livre de tutela inclui outorgar à burocracia local a gestão da segurança de seu próprio território e de sua população. Enquanto os palestinos não tiverem a gestão de sua própria polícia e de suas Forças Armadas, não haverá de fato um Estado soberano, mas um Estado tutelado, seja por uma potência de ocupação, como Israel, seja por uma força multinacional de paz. Serão estrangeiros detendo palestinos e eventualmente, em casos extremos, disparando contra palestinos.


Como está fora de cogitação rearmar e empoderar o Hamas, então o mais provável é que se forme um consórcio de forças estrangeiras para exercer essa função. Uma das hipóteses é a de que o Conselho de Segurança empregue “seus” capacetes azuis em Gaza, mesmo com todo o risco de inoperância e de incompetências que isso envolve, como demostram os 46 anos de existência da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil, na sigla em inglês), onde armas e munições continuaram chegando ao Hezbollah e onde Israel seguiu fazendo incursões armadas – duas claras violações ao mandato dos capacetes azuis alocados na região desde 1978.


A outra hipótese é a de que essa costura seja feita fora das Nações Unidas, seja por meio da formação de um consórcio militar de países árabes, seja por meio de uma intervenção unilateral americana, que poderia agir tanto por meio de suas próprias forças armadas quanto com o envio de agentes privados de segurança, como os americanos cansaram de fazer nos processos de “reconstrução”, em lugares como Iraque, Afeganistão e Paquistão, e como os russos fizeram em outros contextos, como por exemplo nos países do Sahel. 


A reconstrução física de Gaza


Grande parte da Faixa de Gaza está no chão. Foram mais de 700 dias de intensos ataques israelenses, dirigidos contra a estrutura civil palestina. Além da demolição de prédios e de casas inteiras, grande parte da rede de coleta de esgoto e de suprimento de água limpa foi afetada, assim como as cadeias de transmissão de energia elétrica e a infraestrutura de locomoção, como estradas e ruas. O impacto de uma bomba não provoca apenas a demolição de seu alvo, mas também desconjunta tubulações, corta fios e cabos de transmissão, causa danos estruturais em viadutos e em pontes próximas, condenando estruturas e construções ao redor, que precisam ser interditadas e demolidas, antes de se pensar em reconstrução. 


O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento diz que 80% de todos os edifícios da Faixa de Gaza estão danificados e 92% da Cidade de Gaza também. A quantidade de escombros é monumental: são 55 milhões de toneladas de material arruinado, o que equivale a 13 pirâmides do Egito.


Em fevereiro deste ano, o Banco Mundial estimava em 53 bilhões de dólares o custo de reconstrução da Faixa de Gaza. Agora, esse custo subiu para 70 bilhões de dólares, dos quais pelo menos 20 bilhões teriam de ser desembolsados ao longo dos próximos três anos.


Haverá dinheiro para pelo menos parte dessa reconstrução. Havendo dinheiro, haverá empresas para reconstruir. O mais provável é que os projetos sejam tocados por firmas ligadas a alguns dos 30 países que estão participando desse condomínio político que respondeu pelo acordo de cessar-fogo e pelas conversas sobre a reconstrução que deve se seguir, caso não haja nenhuma reviravolta inesperada.  


The White House/Domínio Público


O futuro das relações com Israel e a campanha de Trump


A relativa paz trazida pelo cessar-fogo foi imposta a contragosto a Netanyahu e aos membros mais radicais de seu gabinete, que não se cansaram de proclamar publicamente a intenção de ocupar e colonizar Gaza, pregando a expulsão e o extermínio dos palestinos. Parte dessas declarações estão contidas no processo movido pela África do Sul contra Israel, por genocídio, na Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. O Brasil é um dos países que se uniram a esse processo na instância que é responsável por julgar países, não pessoas. 


Não há nenhum prazo a vista para que essa corte responda se Israel cometeu ou não um crime de genocídio na Faixa de Gaza. Os israelenses têm até janeiro de 2026 para responder às arguições. Até lá, o desgaste é muito mais político do que jurídico. 


Além da questão do genocídio, a Corte Internacional de Justiça analisa ainda um outro processo, também movido pela África do Sul, que trata das responsabilidades humanitárias de Israel em relação à população palestina mantida sob ocupação. Neste caso, a Corte deve emitir sua opinião meramente consultiva no dia 22 de outubro.


Por fim, pesam contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa dele, Yolav Gallant, um pedido de prisão emitido pela Câmara de Instrução do Tribunal Penal Internacional, que também fica em Haia, mas é responsável por julgar pessoas, não Estados.


Israel não é parte do TPI, mas os crimes atribuídos a Netanyahu e Gallant foram cometidos no território palestino, que reconhece a jurisdição do Tribunal e, embora não seja plenamente reconhecido como um Estado, preenche requisito suficientes para a contração desse compromisso, aos olhos do TPI.


Na prática, Netanyahu e Gallant só vão presos se pisarem no território de um Estado membro do Estatuto de Roma, que senta as bases para a existência do TPI, desde que esse Estado em questão decida captura-los e enviá-los a Haia, o que poucos governos têm coragem de fazer. O Brasil é um dos membros, assim como países da União Européia. Os EUA nunca fizeram parte desse tratado.


Os dois pedidos de prisão foram enfraquecidos pelas acusações de assédio sexual que pesam contra o procurador do TPI, o britânico Karim Khan, que passou a ser pivô de um escândalo de grandes proporções morais. Além disso, Trump certamente reagiria a qualquer atitude hostil do TPI contra autoridades israelenses, o que demonstra que suas intenções em Gaza não têm a ver com fazer justiça, promover reparação e facilitar saídas políticas duradouras, que deem conta dos problemas de fundo.


O interesse do presidente Trump parece ter alcance mais curto e muito ligado à promoção de sua própria imagem de pacificador e estadista, o que pode ser insuficiente para a questão palestina, mas foi o bastante para congelar o conflito, pelo menos por enquanto. 


09 outubro 2025

MEO retira Stingray Music da oferta de televisão

Stingray


O serviço Stingray Music vai deixar de estar presente na MEO. A informação está a ser veiculada pela própria operadora no seu site. 


"Informamos que a partir de 31-10-2025 o serviço Stingray Music vai deixar de estar disponivel na grelha MEO", informa a marca de comunicações. 


O serviço permitia a escuta de música na televisão de "12 géneros" (canais), podendo ser também escutados no PC e através de aplicação móvel. Apesar de não poder avançar ou retroceder nas músicas, (a escuta era apresentada como se de uma rádio se tratasse), o ouvinte podia ouvir música sem publicidade "desde Novidades, Música Portuguesa, Pop/Rock, Disco, Funky & Hip-hop, Música Brasileira, Música Romântica, Jazz & Blues, Música Clássica, Música Ambiente, Música Infantil e Especial Stingray". 


Contudo, o serviço mantém-se disponível em Portugal através da Vodafone Portugal, apesar da operadora já ter retirado menção ao serviço do seu site pelo facto do serviço não ser compatível com as boxes "vBox" distribuídas pelos clientes. 


 

Jornal digital BOM DIA organiza conferência "Portugal+ Grande Região"

Bom Dia


O objetivo é debater a diáspora portuguesa num evento que vai reunir artistas, empresários, académicos, políticos e profissionais de vários setores. O "Portugal+ Grande Região" está de regresso este fim de semana, dia 11, ao Luxemburgo. 


Depois de ter passado por França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Reino Unido e Portugal, a sala José Ensch, na Abadia de Neumünster, no Luxemburgo, será o palco desta conferência que é organizada pelo jornal digital Bom Dia, dedicado às comunidades portuguesas. 


Considerado como "o evento de networking e debate mais relevante da emigração portuguesa", o "Portugal + Grande Região" terá a intervenções do jornalista Carlos Magno, do treinador de futebol Paulo Gomes, da autora São Gonçalves, de ISabel Pascoal da Livraria Pessoa ou do escritor manual da Silva Ramos. "Serão abordadas as questões relacionadas com a participação cívica dos portugueses da diáspora e o impacto das comunidades na cultura", reforça o jornal digital em nota de imprensa. O presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa também participará no evento através de uma mensagem gravada. 


O evento decorre entre as 09h30 e as 18h. 

RTP3 passa a ser RTP notícias

Pedro Pina/RTP


"Todos. Pela verdade dos factos". É este o mote do novo canal de informação do serviço público de rádio e televisão que vai chegar domingo, dia 12 de outubro,  às casas portuguesas. RTP notícias vai substituir a RTP3 em todas as plataformas e trará uma nova grelha, um novo grafismo e novas caras. O grafismo, esse, já é visível no site da estação pública. 


Na sessão de apresentação, o diretor de informação da redação de televisão Vítor Gonçalves considerou que a mudança "reafirma o compromisso do canal com a notícia", defendendo que RTP3 era um nome de "um número e não traduzia uma ideia". Prometendo que o novo canal vai manter os critérios que regem a informação de serviço público, Gonçalves vincou que vai haver mudanças: "Queremos ser mais rápidos na procura das notícias, mais ageis a responder aos acontecimentos e mais atraentes para quem nos está a ver". O canal terá agora também cenários iguais no Centro de Produção do Norte, no Porto, e na sede da RTP, em Lisboa. "É um projeto coletivo, excecional, que não acontecia há cerca de vinte anos", acrescenta o diretor. 


A nova grelha entrará no ar por completo apenas na segunda-feira, dia 13, mas as alterações já são visíveis no site da RTP, com a área de notícias e aplicação móvel noticiosa a mostrar o rebranding, estando prometido mudanças nos restantes canais da RTP,  além da aposta do canal na rede social TikTok. 


O lançamento da RTP notícias será às 19h, ficando disponível na mesma posição nos operadores nacionais e na televisão digital terrestre. 

06 outubro 2025

"Mochila de sonhos, não de pressões"

ORION_production/Envato Elements


Quando se aproxima setembro, juntamente com a compra do novo e colorido material escolar, nas cabeças dos pais surge a expetativa de que – Este ano é que vai ser! – onde visionam os seus filhos com um comportamento exemplar e a atingir resultados brilhantes.


Como se fossem as notas a garantir a felicidade e o sucesso na vida, será?


A pressão que muitos pais exercem sobre os filhos para alcançar o sucesso é um tema cada vez mais debatido. Num mundo onde os desempenhos académicos e atléticos se tornaram sinónimos de sucesso, é comum ver pais que, com boas intenções, acabam por criar um ambiente de pressão excessiva. Não seria mais interessante pensar no que realmente importa: as paixões que descobrimos e as relações que construímos?


Imagine o seu filho a entrar na sala de aula e a perguntar: “Para que serve isto?” Se a resposta for apenas “para passar de ano”, talvez seja hora de mudar o foco. A educação deve ser uma aventura onde buscamos aquilo que nos faz vibrar! Quando encontramos algo que realmente amamos, a matéria torna-se mais leve e divertida. Pense em quantas vezes já ficou horas a fio a aprender sobre um tema que o fascinava. Foi só com notas boas que se sentiu realizado? Ou foi o brilho nos olhos ao descobrir algo novo que realmente fez a diferença?


Os guias nesta jornada são aqueles professores que nos inspiram e que não debitam apenas a matéria, são aqueles que nos fazem sentir vistos e ouvidos. Lembrem-se daquele professor que sempre tinha uma palavra de encorajamento ou que sabia quando estávamos a precisar de um empurrãozinho? Esses educadores são verdadeiros tesouros! Eles ajudam-nos a perceber que a educação é muito mais do que um currículo.


E que tal falarmos sobre a importância de estarmos juntos? Numa escola, é fundamental sentir-se aceite. Imagine um espaço onde possa ser você mesmo, sem medo de ser julgado. Quando todos se sentem incluídos, o ambiente torna-se mais acolhedor e divertido. Você já se sentiu excluído em algum momento? E como isso afetou a sua experiência escolar? Quando as escolas promovem a inclusão, todos beneficiam. É assim que se constrói uma comunidade forte!


A empatia é outro ingrediente essencial nesta receita. Já parou para pensar no impacto que as suas palavras podem ter? Às vezes, um simples elogio pode mudar o dia de alguém. Em vez de gozar ou criticar, que tal usar palavras que elevam. Quando nos esforçamos para ser mais gentis e compreensivos, criamos um ambiente onde todos se sentem mais à vontade para aprender e crescer.


No final das contas, ser autêntico é o que realmente importa. No mundo onde muitos tentam encaixar-se em padrões, ter a coragem de ser você mesmo é uma qualidade rara. Lembre-se: “Vale a pena ser você mesmo, todos os outros já estão ocupados.” Então, neste ano letivo, que possamos concentrar-nos em explorar as nossas paixões, construir relações significativas e criar um espaço onde todos se sintam valorizados.


Vamos fazer deste ano um ano de descobertas e conexões genuínas! A educação é mais do que notas, é sobre crescer juntos, aprender a ser empáticos e, acima de tudo, descobrir as nossas verdadeiras paixões.


Bom ano letivo!


26 setembro 2025

Morreu o ator Luís Alberto

o largo.


O ator português Luís Alberto morreu esta sexta-feira. A informação foi avançada pela Casa do Artista nas redes sociais. 


Com uma longa carreira em teatro, televisão e cinema, o ator estreou-se em palco em 1962. Em televisão, integrou as novelas "Todo o Tempo do Mundo", "Jardins Proíbidos" ou "Sangue Oculto". Em 2003, ganhou o Globo de Ouro de melhor ator de teatro pela sua participação na peça "Copenhaga". 


Luís Alberto tinha 91 anos. 

24 setembro 2025

idealista desiste de comprar Kyero

idealista/Divulgação


O portal imobiliário idealista deixou cair a compra do britânico Kyero, acusando a Autoridade da Concorrência (AdC) de ter prejudicado os interesses da empresa. 


No comunicado enviado às redações ao início da tarde desta quarta-feira, o portal imobiliário considera que "a decisão da Autoridade da Concorrência portuguesa de levar a operação, notificada 'ad cautelam', a uma segunda fase apesar da escassa presença do portal Kyero nesse mercado, provocou um atraso material no fecho da operação, o que prejudicou os interesses do idealista, tendo levado a empresa a renunciar a esta aquisição". O mesmo comunicado acrescenta que "o escrutínio da AdC" tornou a operação "inviável". 


A compra tinha sido anunciada em dezembro passado. Tal como o largo. noticiou na altura, não foram divulgados os valores envolvidos. Contudo, a operação era vista como bastante positiva para as duas empresas, com o CEO do idealista Jesús Encinar a frisar que o futuro traria "melhores resultados, uma excelente experiência aos utilizadores e novas oportunidades de negócio". 


Mas a operação não foi avante e o portal imobiliário chega mesmo a dizer que a posição da AdC pode ter outros objetivos: "Não descartamos que a AdC possa ter querido aproveitar a compra de um portal mais pequeno para pronunciar-se sobre a atividade do idealista no futuro", acrescenta um porta-voz do portal. 


Em Espanha, a situação foi similar à portuguesa. Num comunicado em espanhol (mas muito similar ao português) publicado esta terça-feira no seu blogue oficial, o portal diz que "esteve a negociar com as autoridades espanholas durante vários meses para tentar encontrar uma solução razoável que acomodasse as exigências da CNMC ("Comissão Nacional de Mercado e Concorrência", a entidade em Espanha


equivalente à AdC)". Contudo, no entender do idealista, estas exigências "excediam o contexto da operação e limitavam de forma desproporcionada a atividade comercial do idealista, impedindo-o de operar normalmente no mercado". 


"A atuação decorre da lei" - AdC


Do outro lado da barricada, a resposta veio ao final da tarde, com a AdC a dizer que o único responsável pelo fim do negócio é o próprio portal. Ao jornal digital ECO, a entidade portuguesa diz que foi o idealista que não apresentou os remédios para acautelar as "sérias preocupações concorrenciais" que a compra da Portal47 (gestora do Kyero) poderia levantar. 


Contrariamente àquilo que diz o idealista, a AdC considera o Kyero um "concorrente relevante no mercado" imobiliário e, por isso, a "absorção" do portal britânico foi considerado um "reforço do poder de mercado", algo que não era bem visto pela entidade: "A atuação da AdC decorre exclusivamente da lei e tem como objetivo proteger a concorrência em benefício dos consumidores e das empresas", frisa,  acrescentando que foram identificados "indícios" de que o negocio "poderia levantar sérias preocupações concorrenciais". 


Por sua vez, os indícios foram comunicados à empresa, mas a AdC diz que nada foi feito: o "idealista não apresentou compromissos destinados a remediar as preocupações jusconcorrenciais", sucinta. 


Fundado em 2003 no Reino Unido, o Kyero integra uma equipa de 33 pessoas e tem uma carteira de mais de 7 mil agentes e imobiliárias. Já o idealista é um dos portais imobiliários mais visitados em Portugal e Espanha, com mais de 38 milhões de visitantes mensais no sul da Europa.

18 setembro 2025

Passado colonial de Portugal ainda hoje contribui para microagressões contra mulheres imigrantes

LightFieldStudios/Envato Elements


Um estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) e do ICS-ULisboa revela a forma subtil, mas generalizada, de discriminação que as mulheres migrantes enfrentam em Portugal. O estudo evidencia como as microagressões – atos subtis de preconceito no quotidiano – se relacionam com narrativas pós-coloniais que reforçam estereótipos, podendo levar à exclusão social.


Elena Piccinelli, doutorada em Psicologia pelo Iscte, explica que as microagressões são comumente definidas como “pequenos comentários ou ações subtis que invalidam, ofendem, ou ou excluem pessoas com base em quem elas são”. Exemplos incluem perguntar “de onde és realmente?” ou presumir que uma pessoa é menos capaz com base na sua etnia ou o seu género. Embora muitas vezes sejam descartadas como incidentes irrelevantes, Elena esclarece que “as microagressões têm impactos psicológicos significativos, contribuindo para o stress, sentimentos de exclusão e perceções de não pertença”, especialmente porque se repetem ao longo do tempo.


As microagressões têm sido maioritariamente estudadas no contexto dos EUA, pelo que compreendê-las num contexto pós-colonial e cultural diferente pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e específicas para as combater. O estudo fez parte do doutoramento de Elena Piccinelli, supervisionado pela investigadora do CIS-Iscte Christin-Melanie Vauclair, e resultou de uma colaboração com a investigadora Filipa Madeira (ICS-ULisboa). O seu objetivo era compreender como as microagressões afetam as mulheres da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que vivem em Portugal.


Recorrendo a grupos focais, a equipa de investigação entrevistou mais de 50 mulheres imigrantes dos países da CPLP, todas elas residentes em Portugal por períodos que variavam entre 5 meses e 30 anos. Estas mulheres partilharam as suas experiências pessoais com este tipo de discriminação subtil. A análise das entrevistas revelou mais de 300 incidentes de microagressão, que as investigadoras organizaram em nove temas principais. Alguns desses temas, como pressupostos de inferioridade, criminalidade e generalizações culturais, estão alinhados com padrões anteriormente documentados em investigações realizadas nos Estados Unidos. No entanto, o estudo também revelou dois temas específicos do contexto colonial de Portugal: estereótipos relacionados com a língua e a comunicação (por exemplo, considerar o português falado nos países da CPLP inferior ou incorreto) e o mito do “bom colonizador”. Estes temas evidenciam como certas crenças sobre o passado colonial, como a ideia de Portugal enquanto exemplo de um colonialismo benevolente, continuam a moldar, ainda hoje, as interações sociais e as perceções em Portugal.


“Utilizámos uma abordagem de dupla análise, integrando perspetivas psicológicas e socioculturais, o que revelou que as microagressões não são apenas atos individuais, mas estão enraizadas em narrativas sociais mais amplas”, esclarece Melanie Vauclair. De acordo com o estudo, muitas microagressões reproduzem crenças nocivas que retratam as mulheres imigrantes oriundas de países colonizados por Portugal, como o Brasil e vários países africanos, como inferiores, primitivas ou hipersexualizadas. “Estas são um reflexo dos estereótipos raciais herdados do período colonial, e que ainda hoje persistem”, explica Filipa Madeira.


No universo de imigrantes da CPLP, as mulheres constituem frequentemente mais de metade da população, mas recebem salários inferiores aos dos homens imigrantes e dos portugueses nativos. Neste contexto, os impactos psicológicos adicionais das microagressões exigem medidas urgentes, incluindo programas educativos que desafiem os estereótipos da era colonial e serviços de apoio para ajudar as mulheres imigrantes a lidar com estas formas subtis de discriminação. “O nosso trabalho destaca a importância de abordar estas crenças sociais latentes para promover a empatia e a sensibilidade cultural”, conclui Elena Piccinelli.


04 setembro 2025

Com música inspirada na Guerra, uma orquestra mostra que "não se pode silenciar os ucranianos"

Ministério da Cultura e Comunicações Estratégicas da Ucrânia (CC BY 4.0)



Quando a Rússia lançou a sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, a maestrina Keri-Lynn Wilson sentiu que tinha de responder.


"Quis transformar o meu horror em ação", disse a maestrina, que se descreve como uma orgulhosa canadiana-ucraniana, à RFE/RL. "Então, pensei em criar uma orquestra com os melhores músicos da Ucrânia para representar a sua força, a sua arte, e para mostrar a Putin que não se pode silenciar os ucranianos. Não se pode matar a sua cultura."


O grupo fundado por Wilson, a Orquestra da Liberdade Ucraniana ("Ukrainian Freedom Orchestra") reúne músicos clássicos ucranianos de todo o país, onde a guerra devastou um cenário musical vibrante.


A oquestra encerrou a sua temporada de verão com uma atuação em Londres a 29 de agosto. Isto sucede-se a paragens em festivais de música e salas de concerto por toda a Europa, no que o grupo chama de digressão "Resilience Tour 2025".


"A nossa missão é lutar na frente cultural", disse Wilson.


Em Bucareste, a orquestra atuou no Festival Internacional George Enescu, onde Wilson falou ao Serviço em Romeno da RFE/RL sobre os desafios enfrentados por este grupo invulgar.


Dos 70 músicos, diz, "cinquenta por cento da orquestra ainda vive na Ucrânia, de Kiev a Lviv [e] Odessa. Por isso, temos de obter uma autorização especial para que os homens possam sair, porque todos estão a ser recrutados agora."


O projeto recebeu o apoio da primeira-dama da Ucrânia Olena Zelenska que ajudou a conseguir o adiamento do serviço militar e a autorização para viajar para o estrangeiro para os músicos do sexo masculino da orquestra.


O Presidente Volodymyr Zelenskyy também reconheceu o trabalho de Wilson, concedendo-lhe a Ordem da Princesa Olga, uma condecoração civil atribuída a mulheres pelas suas contribuições para a cultura ucraniana.


"Da Tragédia à Esperança"


Juntamente com composições clássicas já consagradas de Beethoven, Wagner e Dvorak, a orquestra está a interpretar novas obras de compositores ucranianos que se inspiram nos acontecimentos da guerra como tema.


"The Mothers of Kherson", uma ópera de Maksim Kolomiyets, conta a história de duas mulheres que partem para resgatar os seus filhos que foram raptados pelas forças russas.


Outra obra, intitulada "Bucha Lacrimosa", foi composta por Victoria Poleva em resposta aos massacres de civis na cidade ucraniana de Bucha no início da invasão.


Wilson explicou que Poleva atravessou Bucha enquanto fugia da sua casa em Kyiv e testemunhou os horrores do massacre: "Ela colocou toda essa emoção nesta bela obra, que é, simultaneamente, poderosa e nos dá uma sensação de luz — da tragédia à esperança", diz Wilson.


Wilson também deu as suas próprias contribuições para o repertório da orquestra. Na sua interpretação da "Ode à Alegria", de Beethoven, a palavra "alegria" é trocada por "slava", que em ucraniano significa "glória" e é um popular grito de guerra pela vitória.


A maestrina vê um futuro para a Orquestra da Liberdade Ucraniana que se estende até ao momento em que os músicos possam retomar as suas carreiras no seu país de origem.


"Depois da guerra, planeamos uma digressão da vitória, em primeiro lugar, e fazer uma digressão pela Ucrânia", acrescenta. Contudo, planeia continuar a levar a música ucraniana a um público mais vasto: "Continuaremos para sempre como um símbolo, como um símbolo da grandeza e [do triunfo] do bem sobre o mal", diz. 


02 setembro 2025

Como reagimos às alterações climáticas nas redes sociais?

Imagem gerada por Inteligência Artificial/Envato Elements


Um estudo internacional publicado na revista científica Scientific Reports, do reputado Grupo Nature, revelou padrões emocionais marcantes sobre o modo como os cidadãos da Península Ibérica falam sobre alterações climáticas nas redes sociais. O trabalho está inserido no doutoramento de Ana Sofia Cardoso, estudante do Programa Doutoral em Biodiversidade, Genética e Evolução, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e primeira autora do estudo.


“O tema das alterações climáticas foi escolhido pela sua enorme relevância global e pela forma como gera discussão pública, especialmente nas redes sociais. O meu trabalho tinha como principal objetivo perceber como os cidadãos de Portugal e Espanha percecionam as alterações climáticas nas redes sociais”, conta a estudante, que tem como orientadores o docente da FCUP e investigador do INESC TEC, Alípio Jorge e e a investigadora Ana Sofia Vaz, colaboradora no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO) da Universidade do Porto. 


O estudo recorreu a modelos de inteligência artificial para analisar mais de 1,7 milhões de publicações no X/Twitter, ao longo de 12 anos (2010–2022), em português, espanhol e inglês, através de técnicas avançadas de deep learning e processamento de linguagem natural (NLP).


Entre as emoções mais identificadas estão a raiva, a surpresa e, em menor grau, a alegria. A frequência de publicações associadas a raiva aumentou nos últimos quatro anos, refletindo uma maior inquietação pública com os impactos e respostas (ou ausência delas) à crise climática.


Os resultados revelam ainda uma predominância de sentimentos negativos (39%) e neutros (35%), frequentemente associados a fenómenos extremos como incêndios, secas e tempestades. “Um dado interessante foi a elevada presença de ironia, onde cerca de um quarto das publicações continha sarcasmo digital, uma forma de expressão comum nas culturas portuguesa e espanhola”, detalha Ana Sofia Cardoso, que é também investigadora no BIOPOLIS-CIBIO. 


“Analisámos especificamente publicações do Twitter (atualmente a rede social X), por ser uma rede particularmente propícia à discussão de temas da atualidade, como as alterações climáticas, e também pelo facto de as publicações serem curtas (com um limite reduzido de caracteres), o que facilita a análise linguística em larga escala. No entanto, teríamos todo o interesse em alargar o estudo a outras redes sociais no futuro, como o Reddit, para explorar outras dinâmicas discursivas e demográficas”, explica a estudante da FCUP.


O trabalho agora publicado é um dos primeiros a aplicar uma abordagem combinada de análise de sentimentos, emoções e ironia em três línguas e numa escala regional europeia. Segundo os autores, a metodologia desenvolvida é escalável e replicável, oferecendo uma ferramenta robusta para monitorização social contínua, com possíveis aplicações em políticas públicas, campanhas de sensibilização e planeamento climático.


Incêndios, tempestades e calor extremo desencadeiam picos emocionais


O estudo detetou ainda picos de atividade emocional nas redes sociais em momentos de elevado impacto climático como os incêndios de Pedrógão Grande (junho 2017), a Tempestade tropical Ophelia (outubro 2019), contribuindo para centenas de incêndios em Portugal e Espanha, bem como a onda de calor de 2022 conduzindo à destruição de 57.000 hectares e evacuação de milhares de pessoas. Nestes momentos, os conteúdos partilhados tornaram-se mais intensos e emotivos, funcionando como termómetro social da ansiedade coletiva.


As instituições envolvidas diretamente na tese de doutoramento de Ana Sofia Cardoso, que será apresentada ainda este ano, são o BIOPOLIS-CIBIO, o INESC TEC e a UTAD, através do CITAB. Participam ainda neste estudo internacional investigadores da Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), da Universidad de Extremadura (Espanha), da Czech Academy of Sciences (Chéquia) e da Université Paris-Saclay (França).


O estudo contou ainda com o contributo da NBI – Natural Business Intelligence, da consultora portuguesa que tem vindo a integrar ciência, dados e território no apoio à transição ecológica através da inovação e digitalização, responsável pela ideação e supervisão da análise de dados e visualização focada na perceção social.


Como próximos passos do seu trabalho, a estudante da FCUP revela que estão a ser utilizados os mesmos dados “para investigar discrepâncias temáticas e geográficas entre a literatura científica sobre alterações climáticas e os debates públicos no X (para Portugal e Espanha)”. Para Ana Sofia Cardoso, é fundamental “identificar estas discrepâncias para melhorar as estratégias de comunicação científica, e, ao mesmo tempo, ajudar a ajustar as políticas públicas às realidades e perceções locais”.


29 agosto 2025

INDIEROR leva a cena "Acampamento"

INDIEROR/Divulgação


Está prometido muito "humor, mistério e aventura" numa peça de teatro musical criada durante o Workshop de Verão do INDIEROR: "Acampamento" estreia este sábado, dia 30 de agosto, em Chaves. 


"Durante duas semanas intensivas, os/as participantes do Workshop de Verão 2025 da INDIEROR mergulharam na representação, canto e dança, criando este espetáculo de raiz", explica a entidade em nota enviada à imprensa. Ao todo, serão 16 jovens a levar a cena o espetáculo, algo que a entidade considera ser uma "adulta responsabilidade",  acrescentando que o enredo de "Acampamento" é para toda a família. "Num acampamento de verão, dois grupos rivais disputam provas e contam histórias à volta da fogueira. Mas quando uma nave espacial cai na floresta e surge Zé, o extraterrestre, tudo muda", frisa. 


O espetáculo será levado a cena no auditório do Centro Cultural de Chaves, a partir das 21h30. Os bilhetes ainda estão à venda. 

27 agosto 2025

A corrida contrarrelógio.

Rawpixel/Envato Elements


Na sociedade contemporânea, somos bombardeados por estímulos a cada segundo. O zumbido constante das notificações, o ”scrolling” infinito nas redes sociais e a expectativa de respostas imediatas transformaram a nossa forma de viver. Neste cenário, a urgência de tudo ser rápido e sem esforço tornou-se uma norma. Mas a que custo?


Um estudo revela que pessoas de várias cidades em redor do mundo andam 10% mais rápido do que há vinte anos. Este fenómeno é particularmente visível em centros empresariais como Singapura, Tóquio ou Nova Iorque. Contudo, essa pressa constante não se limita apenas ao modo como nos movemos, ela permeia todos os aspetos da nossa vida. A cultura da gratificação instantânea é notada, por exemplo, na coleção “One-Minute Bedtime Stories”, que visa atender à necessidade dos pais em contar histórias rápidas e objetivas. Esta ideia de que “cada segundo conta” molda a nossa percepção sobre a vida.


A tecnologia, embora traga inegáveis benefícios, contribui para a nossa impaciência. Se um elevador demora mais de 15 segundos a chegar, muitos já se sentem angustiados. A internet, com as suas promessas de velocidade, também nos condiciona a exigir respostas imediatas. A comunicação escrita tornou-se cada vez mais curta, com plataformas como o Twitter (agora “X”) a limitarem o número de caracteres, reforçando a ideia de que a brevidade é sinónimo de eficiência. No entanto, esta rapidez pode prejudicar a profundidade das nossas interações. Além disso, a pressão para sermos produtivos em todos os instantes gera um ciclo vicioso. O conceito de “burnout” ou esgotamento profissional, bastante discutido na atualidade, é um resultado direto dessa cultura de fazer mais em menos tempo. A psicóloga Christina Maslach, uma das principais investigadoras sobre o tema, alerta que a falta de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal pode levar a sérios problemas de saúde mental. A multitarefa, frequentemente glorificada como uma habilidade essencial, pode ser um dos principais vilões desse processo. Pesquisas da Universidade de Stanford mostram que, ao tentarmos realizar várias tarefas de uma só vez, diminuímos a nossa eficiência em até 40%. A fragmentação da nossa atenção não só nos torna menos produtivos, como também nos priva da capacidade de nos concentrarmos no que realmente importa.


No nosso tempo livre, a pressa também se faz sentir. Embora os nossos carros sejam mais rápidos, o trânsito nas cidades, como em Nova Iorque ou Paris, faz com que muitas vezes gastemos mais tempo nas estradas do que em lazer. Assim, estamos sempre apressados, mesmo quando não há necessidade. Essa busca incessante por velocidade pode levar a um estado de constante stress e ansiedade.


A era dos estímulos rápidos traz desafios significativos, mas também oportunidades para refletirmos sobre o que realmente queremos. Ao valorizarmos o esforço e a paciência, podemos transformar a pressão da modernidade numa força para o crescimento pessoal. Afinal, como disse o filósofo Sêneca, “A pressa é a inimiga da perfeição.”


Que possamos aprender a apreciar o tempo, e a beleza do caminho que percorremos.


12 agosto 2025

O assassinato de Anas al-Sharif e o colapso moral do jornalismo ocidental

AmparoGV/Envato Elements



É impossível como jornalista não ficar comovido com o contínuo massacre de jornalistas por Israel — como parte da sua campanha para matar o maior número possível de palestinianos em Gaza. Em 10 de agosto, Anas Al Sharif — cujas reportagens acompanhei esporadicamente através de traduções nas redes sociais desde 7 de outubro de 2023, e que ganhou o prémio Defensor dos Direitos Humanos da Amnistia Internacional no ano passado — foi morto juntamente com outros três jornalistas da Al Jazeera e dois jornalistas freelancers. Eles estavam alojados numa tenda para jornalistas montada em frente ao hospital Al-Shifa. Foi um assassinato direcionado: Israel admitiu isso, alegando, como sempre de forma patética, que a sua última vítima era membro do Hamas.


É impossível não ficar afetado, como disse antes. Mas alguns jornalistas estão a conseguir isso muito bem. Aqui está a BBC a repetir sem questionar a alegação de Israel. E aqui está a Reuters a fazer o mesmo:


Em português: "Al Sharif era o chefe de uma célula do Hamas e 'foi o responsável por promover ataques com rockets contra civis israelitas e tropas das FDI (Forças de Defesa de Israel)', afirmaram os militares israelitas num comunicado, citando como prova informações dos serviços secretos e documentos encontrados em Gaza."/Reprodução Reuters


A Reuters alterou o texto da sua notícia. Esta captura de ecrã, do segundo parágrafo do artigo, foi uma das várias captadas por utilizadores diligentes no Twitter, e começa como se a Reuters tivesse a certeza de que Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas. Note-se que a parte inicial da frase não aparece entre aspas, o que, ao lidar com material tão absolutamente falso, é imperdoável. Na verdade, as palavras «Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas» vêm quase literalmente de um tweet das Forças de Defesa de Israel; retirá-las das aspas é negligência jornalística.


A Reuters alterou o texto da sua notícia. Esta captura de ecrã, do segundo parágrafo do artigo, foi uma das várias captadas por utilizadores diligentes no Twitter, e começa como se a Reuters tivesse a certeza de que Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas. Note-se que a parte inicial da frase não aparece entre aspas, o que, ao lidar com material tão absolutamente falso, é imperdoável. Na verdade, as palavras «Al Sharif era o líder de uma célula do Hamas» vêm quase literalmente de um tweet das Forças de Defesa de Israel; retirá-las das aspas é negligência jornalística.


Também é imperdoável que os jornalistas não denunciem uma mentira quando lhes é apresentada. Nenhuma das principais publicações ocidentais demonstrou sequer um pingo de ceticismo em relação à campanha implacável de Israel para pintar todos os jornalistas que mata como membros do Hamas, mesmo que, até agora, tenham sido mortos mais profissionais da comunicação social em Gaza do que nas duas guerras mundiais juntas. Estes dados não são do Hamas; são da Watson School of International and Public Affairs da Brown University. Nos Estados Unidos da América.


Captura de ecrã do site "Costs of War" ("Custos da Guerra"), em português) da Watson School of International and Public Affairs at Brown University. Fair Use


Parte da razão pela qual a BBC, o New York Times e outros meios de comunicação social não protestaram contra esses homicídios é porque podem se safar com base em um detalhe técnico. Eles não têm permissão para entrar em Gaza para reportar, então não podem «verificar de forma independente» se esses jornalistas assassinados eram realmente membros do Hamas. (É claro que essa é a razão pela qual Israel não permite que repórteres entrem em Gaza.) Mas a verdade também é que a linha traçada pela cor da pele continua viva e forte no jornalismo ocidental — em todos esses veículos de comunicação que, de outra forma, gritam com toda a convicção sobre a Primeira Emenda, a liberdade de imprensa e a importância do quinto poder.


Na sequência do Holocausto e da fundação de Israel, o Ocidente acolheu no seu seio branco um grupo de pessoas que anteriormente não considerava de todo brancas: os judeus. (Neste livro, o rabino americano Michael Lerner afirma que, no passado, os judeus foram «os principais “Outros”, foram discriminados social e legalmente, foram alvo de racismo e genocídio e, nesses termos, os judeus não são brancos». Ao que o académico negro Cornel West argumenta que os judeus alcançaram desde então o «privilégio da pele branca». Algumas destas dinâmicas históricas absorvi em conversas com amigos e colegas, nomeadamente com o formidável Pankaj Mishra).


O conflito entre Israel e a Palestina deveria ser enquadrado mais frequentemente como um conflito entre (os agora considerados) brancos e (os sempre e eternamente) pardos. Quando se enquadra dessa forma, fica mais fácil perceber por que o Ocidente apoia Israel incondicionalmente todas as vezes, mesmo quando Israel desrespeita os princípios que o Ocidente tanto apregoa. Como a liberdade de imprensa.


Assim , tal como o massacre de pessoas de pele morena e negra não importa muito para os governos ocidentais, também o assassinato seletivo de jornalistas de pele morena e negra não importa muito para as publicações ocidentais.


De qualquer forma, para a maioria dos editores em Londres e Nova Iorque, esses jornalistas só são bons o suficiente para permanecerem nas suas áreas e cobrirem os seus próprios quintais — e/ou para serem reduzidos ao estatuto de «facilitadores» quando há um correspondente estrangeiro disponível para ser enviado ao local.


Na morte, um jornalista de pele morena só encontrará defensores ocidentais se trabalhar para uma publicação ocidental ou se a sua morte puder ser aproveitada para ganhar pontos políticos. Jamal Khashoggi, o escritor do Washington Post esquartejado pela Arábia Saudita na sua embaixada em Istambul em 2018, cumpria ambos os critérios. Anas al-Sharif, um homem de pele morena que reportava em árabe para um meio de comunicação árabe durante um ataque de Israel, não cumpria nenhum dos dois.


06 agosto 2025

"Lilo e Stitch" chega ao Disney+ em setembro

The Walt Disney Company Portugal/Divulgação


A Disney promete "uma aventura inesquecível cheia de caos, charme e fofura". Depois do sucesso no cinema, "Lilo e Stitch" chega agora ao serviço de streaming da dona do Mickey Mouse: o filme estreia no Disney+ em setembro. 


A nova versão em imagem real conta com as interpretações de Sydney Elizebeth Agudong, Billy Magnussen, Tia Carrere, Hannah Waddingham, Chris Sanders, Courtney B. Vance, Zach Galifianakis e Maia Kealoha. Baseado no filme homónimo em desenho animado, a readaptação mantém-se algo fiel ao original, trazendo "uma nova energia à hilariante e comovente história de Lilo e do seu “animal de estimação” adotado e pouco convencional, Stitch", refere a Disney, acrescentando que os "cenários tropicais exuberantes oferecem visuais acolhedores e calorosos, à imagem da “família encontrada” que Lilo e Stitch constroem juntos, homenageando de forma autêntica a cultura e a beleza do Havai". 


A nova versão do filme de 2002 atingiu a marca dos mil milhões de dólares em todo o mundo, sendo mesmo "o primeiro título da Motion Picture Association (MPA) de 2025 a atingir este marco". 


O original "Lilo e Stitch" está também disponível na plataforma de streaming e mantém-se um sucesso, estando já "em desenvolvimento" uma nova sequela: "Com mais de 640 milhões de horas vistas em todo o mundo, a franquia continua a conquistar corações e a encantar fãs por todo o planeta", frisa a gigante do entretenimento. 


O filme ficará disponível a partir de 03 de setembro. 


 

Pesquisar neste blogue

Com tecnologia do Blogger.

Etiquetas